Notas iniciais
Estou de volta 8) Não se preocupem que já estou de recesso e atualizarei a cada semana se nenhum imprevisto acontecer, talvez até antes ;) Vou tentar atualizar as outras fics tbm se der tempo. Boa leitura :D

−Oi. – digo.

Amigo do Hyoga é? Está mais pra gêmeo. Até que isso é bastante conveniente.

−Adam veio a pedido do Hyoga, para a pesquisa do doutorado, e para aproveitar a ocasião nós convidamos sua família também para passar uns dias aqui conosco. – Shun explica.

−Ah.

−Porque ‘утка’... err, ‘pato’? – o sujeito pergunta do nada.−Nem pergunte, Adam. – Shun diz indiferente.

−Ah, aí está você. – Hyoga diz entrando na cozinha.

Caramba! São tão parecidos. Cara de um, focinho de outro. E hoje nem é 13 de dezembro.

−Pensei que ainda estaria dormindo. – Hyoga comenta.

−Não sou preguiçoso que nem você. – o gêmeo comenta.

−Olha quem fala.

−Quando ele chegou que eu não vi? – pergunto.

−De madrugada, Hyoga foi busca-lo no aeroporto por volta das três. – Shun explica.

−Vai levar esse leite para onde? – só agora que percebi o pato me olhando desconfiado.

−Para a banheira, nunca tomou banho de leite? – digo indiferente.

−Hunf.

−Será que você não vai esquecer mesmo esse assunto, Hyoga? – Shun diz aborrecido.

−Sobre o gato? – o sujeito diz rindo.

−É, o Shun está escondendo ele... e tenho quase certeza que tem cúmplices. – Hyoga diz estreitando o olhar para mim.

Apenas dou de ombros, que cara mais desconfiado! Embora eu soubesse que me tornaria um suspeito cedo ou tarde.

O sujeito comenta alguma coisa em russo para Hyoga, que responde outra, e começam a falar enrolado. Do nada começam a rir.

O pato nunca ficou assim comigo. Só nos provocamos, mas é mais fácil ele se aborrecer do que rir tão facilmente como agora. Esse sujeito parece mesmo o melhor amigo do pato.

−É mesmo ele? – o sujeito pergunta ao pato.

−Sim. – diz e ambos olham pra mim. O que há?

−Que foi?

−Não se ache demais frango, mas o Adam te acha incrível. – o pato comenta indiferente.

−Ei! – o sujeito reclama supostamente envergonhado e dando uma cotovelada em Hyoga.

−Como assim? Incrível?

−Ele sabe que somos cavaleiros. – Shun comenta indiferente.

−Quê?! – como assim ele sabe?

−Hyoga contou a ele. – Shun diz.

−Tá maluco, pato? – digo aborrecido.

−Calma! O Adam é de confiança.

−Desculpe por saber. – o sujeito diz sem jeito.

−Ele está certo, Adam é mesmo de confiança, sabe tudo sobre nós. – porque Shun está tão tranquilo? Isso é uma inaceitável!

Encaro o tal do Adam, como poderia confiar assim nele? Ainda mais com essa cara de retardado que ele tá fazendo agora.

−Quando você soube? – ele fica sem jeito, afinal é a primeira vez que falo diretamente com ele.

−Pare com isso! – o pato resmunga colocando-se entre mim e o sujeito.

−O quê?

−Você está fazendo aquela expressão.

−Droga Ikki, essa expressão não. – Shun percebe seja lá o que for.

−Do que estão falando?

−A expressão que você sempre faz quando vai explodir alguma coisa. – o pato diz.

−Não sejam idiotas, não vou explodir nada.

−Adam é meu amigo, e você não deve intimida-lo.

−E quem disse que vou? Podem ficar calmos.

Olho desconfiado pro sujeito. Parece desconfortável. Ótimo! Fique assim mesmo.

−Bom dia! – uma mulher estranha diz entrando na cozinha. Como assim? Isso aqui virou um hotel? –Oi. – ela diz sorrindo quando me vê. Ignoro.

−Essa é esposa do Adam, Ikki. E Wendy, esse é meu irmão, Ikki.

−Ela sabe também? – encaro o pato.

−É claro. – o pato confirma.

−Céus, isso virou segredo da nação agora? – digo aborrecido já me retirando dali. Isso ficou fora de controle.

O que esses idiotas estão pensando? Revelando um segredo desses a deus e o mundo.

Retorno para quarto, até esqueci do leite do bichano.

Admito que não sou uma pessoa muito sociável, e de repente aparecem dois estranhos com quem vou dividir espaço. E que ainda por cima sabem tudo sobre mim, e o pior é que não sei nada sobre eles.

Sem dúvidas essa é uma boa deixa para procurar um hotel. Busco pelo celular já com a intenção de procurar por um.

−Ikki. – é o pato, sabia que viria me encher o saco, obviamente veio procurar satisfação por causa da minha grosseria com seus convidados.

−O quê? – digo irritado.

−Podemos conversar?

−Não!

−Por favor, posso entrar?

Suspiro.

−Pode... não! Espera. – quase me esqueci do gato.

Saio do quarto para falar com ele, por mais que eu esteja irritado não posso deixar que ele veja o bichano, senão ele o levaria embora, e ultimamente esse gato é a companhia mais frequente que tenho.

−Fala.

−O que houve? Não posso entrar? – ele diz olhando pra mim e pra porta atrás de mim.

−Está bagunçado... O que você quer?

Ele me encara por um tempo. Saco! Odeio quando ele fica me analisando.

−Olha, eu sei que está aborrecido por ter que conviver do nada com pessoas que você não conhece – ele está me pedindo desculpas por ter convidados?

−Não precisa se desculpar pato.

−Não estou me desculpando. – subitamente ele parece mais sério. –Porque foi tão grosseiro com meu amigo?

−Como porquê? Você contou a eles sobre nós, sobre mim. E eu sequer os conheço.

−Muito bem... agora sim estou me desculpando – ele suspira. –Foi errado não ter te preparado para isso, mas acredite, eles são de confiança.

−É você que está dizendo. – digo cruzando os braços.

−Você está mais aborrecido por eles estarem aqui ou por eles saberem sobre nós?

−Os dois.

−Certo... quer que eu os mande embora?

−Faria isso? – digo surpreso.

−Claro que não.

−Então porque perguntou?

−Porque queria ver como reagiria. Então você só se incomoda por eles estarem aqui. – ele conclui.

−Ei, não tire conclusões precipitadas.

−Eu tiro baseado em você. Afinal eles podem ficar ou não?

−Não me pergunte isso, a casa é sua, são seus convidados.

−Você também é.

−Sou apenas o irmão encrenqueiro do seu companheiro, você sequer gosta de me ter aqui. – acho que agora eu pareci uma menininha chorona.

−O quê?! Você é meu amigo também, é claro que gosto de você.

−...

Ele falava sério? Um sentimento quente começou a me inflar.

−Gosta de mim?

−Deixa de criancice! – ele diz aborrecido. –Desça quando estiver pronto para conhece-los direito.

...

Me arrumo para trabalhar, já é quase oito, essa coisa de ter tanta gente aqui me atrasou.

A muito contragosto desço, certifico-me que não estão na sala e sigo para meu carro e parto pro trabalho.

Em pensar que quando chegar vou ter que ser sociável já me encho de má vontade. É um saco ter que conviver com pessoas estranhas.

[...]

Quando retorno já avisto apenas Hyoga lendo no jardim.

−Oi. – digo me aproximando.

Ele apenas ergue os olhos de sua leitura.

−Onde estão todos? – pergunto olhando em volta.

−Shun os levou para um passeio.

−Porque não foi junto? — digo me sentando próximo dele.

−Digamos que não sou tão boa companhia para esse tipo de coisa.

−Porque não?

−É chato.

−Ah. Não foi trabalhar hoje? – pergunto.

−Cheguei tem uma hora.

Ótimo. Ao menos ele não passou o dia todo com esse tal de Adam.

−Vai se comportar quando eles voltarem? – ele pergunta desconfiado.

−Não, vou espernear e fazer birra... – ele suspira. –Claro que vou ser sociável né pato.

−Hum. – ele voltasse pra sua leitura.

−Então... – tento ser sutil, mas como não sou bom nisso ele volta a me olhar desconfiado. –Quanto exatamente esse tal de Adam é seu amigo?

−Um dos melhores, o conheço desde que voltei pra Moscou a dez anos atrás. – ele diz sorrindo.

−Quando contou que somos cavaleiros?

−A alguns meses.

−Hum. – se conhecem a tanto tempo e ele só contou agora?

Silencio.

−Vocês parecem bastante apegados. – comento.

Ele me olha e solta um riso.

−Sério? Eu apegado? – diz rindo.

−Parece.

−Hum. – ele diz simplesmente balançando a cabeça, ainda rindo daquela suposição.

−Não é? – insisto.

−Não é o que?

Suspiro impaciente.

−Olha frango, o Adam é um grande amigo meu, um dos melhores, ele esteve ao meu lado em momentos muito importantes da minha vida, fez parte de boas recordações até mesmo quando minha esposa ainda era viva. O considero um irmão, mas você nunca vai me ouvir dizer que sou apegado a alguém além da minha família. – ele explica.

−Somente com a família? – isso de alguma forma me deixou mais aliviado.

−Eu interpreto a palavra ‘apegado’ de uma forma mais intensa, quer dizer... pessoas de quem eu não sou capaz de me separar por muito tempo. Como o meu filho e o Shun.

Somente eles?

−Seu filho e o Shun. – repito desanimado.

−São as pessoas que mais amo, é claro que sou apegado a eles.

−E quanto aos outros?

−Outros?

−Sim, o que você sente com relação a mi... aos outros. – droga, porque ele é tão lerdo as vezes?

−Quer saber como eu me sinto com relação a você? – ele diz surpreso.

Não tive tempo de responder já que a algazarra de crianças e pessoas falando ao mesmo tempo ia se aproximando cada vez mais. Eles chegaram.

Miguel vinha correndo pelo jardim com... uma garotinha? De onde saiu isso?

Eles se aproximaram de nós, mas nem me dei ao trabalho de sorrir e se eles perceberam decidiram ficar quietos, apesar de seus rostos denunciarem seu desconforto em me ver ali.

−Divertiram-se? – Hyoga pergunta.

−Tóquio é incrível, apesar de não termos visto tudo. – aquela mulher comenta animada.

−Não se preocupe, terão bastante tempo pra isso. – Hyoga comenta.

−Oi. – o segundo Hyoga me olha sorrindo, vindo me cumprimentar. –Não nos apresentamos devidamente hoje mais cedo. – ele me oferece a mão, levei um tempo pra decifrar o que ele disse com aquele sotaque enrolado. Pensei bem e decidi não deixa-lo no vácuo, então o cumprimentei também.

−Oi. Você e o Hyoga são irmãos gêmeos e eu não sabia? – digo sério.

Ele ri.

−Ouvimos isso o tempo todo. Bom, essa é minha esposa, Wendy. – ele diz e a mulher estranha também vem me cumprimentar.

−Você não se parece tanto com o Shun. – ela comenta.

−É, ouvimos isso o tempo todo. – Shun comenta.

−Ah, essa é nossa filha, Nina. – ela aponta pra garotinha, tenho que admitir que é tão linda quanto o Miguel.

Olhos verdes e cabelos loiros como o pai, ele é a cara do pato, então, odeio admitir isso, mas é obvio que ele também é muito bonito. Até imagino como eram as coisas quando a esposa do pato ainda era viva, as famílias deviam se reunir como nos ‘Flintstones’.

−Já está quase na hora do jantar, vamos entrar? – Shun propõe e todos.

.

Estamos jantando, mas infelizmente o Shun não me deixou comer no quarto, então tenho que ficar aqui fingindo que sou um cara legal.

−Shiryu mora perto, Hyoga? – o tal do Adam pergunta. Esse sujeito também conhece o Shiryu? Aonde esse mundo vai parar?!

−Hum, mais ou menos uns vinte minutos daqui.

−Conversei com ele hoje à tarde, ele disse que iria vir aqui pra ver vocês. – Shun comenta.

Inacreditável como o Shiryu é tão ocupado que eu fico dias sem vê-lo, mas para visitar essas pessoas estranhas ele desenterra tempo sabe-se lá de onde.

−Que bom, faz muito tempo que não o vejo. – o sujeito comenta animado.

−Então Ikki, Shun nos disse que você é engenheiro. – a tal de Wendy quer puxar assunto comigo?

−Sim. – digo simplesmente.

Será que perceberam que estou de mal humor?

−Err... é um dos melhores, não é Ikki? – Shun diz sem jeito, mas vou fingir que não estou entendendo os gestos de censura que ele está direcionando pra que eu tente falar mais.

−Parece legal, era uma das minhas opções quando eu estava escolhendo uma carreira. – o amigo do Hyoga comenta.

E o que ele faz? Não parece muito importante. Talvez seja algum tipo de encanador. Eles devem ter montado uma empresa disso, deve ser o negócio da família. Deve estar aqui apenas para servir de cobaia para o pato.

−Você não sabe nem somar um mais um, Adam. – Hyoga comenta rindo.

−O que eu sei é que você que não sabe. – eles se provocam também?

−O que você faz? – pergunto pra comprovar minha suposição.

−Sou médico.

−...

Médico? É sério?

−E você? – pergunto pra esposa dele.

−Faço parte da Orquestra Sinfônica da Academia Estatal de Moscou. – ela diz sorridente.

Minhas suposições se desmancharam e caíram no meu prato.

−Wendy toca violino. – Shun comenta sorridente.

Estou quase crendo que a filha deles é uma astronauta ou a chefe de estado da Rússia.

[...]

Ao longo dessa última semana eu presenciei o pato tão animado como nunca tinha visto antes. Ao que parece esse tal de Adam é mesmo um grande amigo dele.

Nunca pensei que admitiria isso, mas eu realmente sinto um pouco de ciúmes em ver que ele tem mesmo alguém com quem conversa sobre tudo, sem ser o Shun. Bom, ele tem que sorrir de vez em quando, só sinto que não seja eu o um dos motivos disso.

O pior de tudo é que sinto que esse tal de Adam é realmente um cara legal. Entendo porque o pato se sente tão à vontade com ele.

O Shun, ao contrário, não parece simpatizar tanto assim com o sujeito. Apesar de ele ter mesmo motivos para ter ciúmes, afinal o pato tem passado mais tempo com o amigo do que o próprio Shun.

De qualquer forma é bom, só para variar, notar que não sou o único que está sendo ignorado. Apesar que o pato tinha mesmo assuntos importantes a tratar com o tal Adam, afinal ele estava aqui para pesquisa e isso não é tão simples, se a de mestrado já é difícil imagine de doutorado. Pensando melhor, já é hora de eu começar o meu.

[...]

Finalmente é sexta, essa semana pareceu se arrastar por um tempo interminável.

Para minha felicidade esse sujeito vai embora no domingo, então eu posso me sentir mais aliviado. Tem sido um tormento esconder o bichano de tanta gente, afinal ele tem que sair do quarto de vez em quando, só que isso é quase impossível quando tem tantos olhos vigiando.

Tenho quase certeza que o tal do Adam é um espião que Hyoga contratou para caçar o bichano.

[...]

Já é sexta, e estou muito ansioso. Assim que saí do trabalho hoje, tive a coragem de ligar para o pato para marcarmos de sairmos à noite. Lhe dei a desculpa de que queria beber e não tinha opção melhor de companhia, o provoquei apenas para que ele não se achasse tão importante assim. Surpreendentemente ele aceitou. Seu amigo turista estava passeando por Tóquio com a família. E Shun parecia aborrecido com ele nos últimos dias, então acredito que o pato queria livrar-se do estresse da semana pelo menos por algumas horas, deve ser por isso que aceitou me aturar essa noite.

Vim direto da empresa, e acabei chegando cedo demais, então fiquei ansioso aguardando ele. Após vinte minutos ele apareceu.

Era um bar tranquilo, estávamos apenas bebendo em uma mesa mais reservada enquanto a música calma toca.

A economia de palavras é bem evidente já que nenhum de nós não diz uma única palavra faz algum tempo. Apesar de que ele parecia mesmo relaxado e calmo.

−Então... – procuro puxar assunto. −, desistiu de procurar pelo gato?

Ele finalmente me direciona sua atenção.

−Eu sei que ele está com você. – ele diz sorrindo.

−Hã? – como ele poderia saber?

−Shun deve ter pensado que seu quarto seria o último lugar que eu procuraria, não é?

Apenas aceno concordando.

−E ele está certo, já procurei por toda parte, então só pode estar com você. – ele diz rindo.

−Então porque não foi pega-lo?

Ele dá um sorriso sarcástico.

−O próprio Shun tem que leva-lo, já tinha dito isso a ele.

−Sabe que ele vai continuar se recusando, não sabe?

−Eu sei. E eu tenho a punição ideal para ele. – ele esboça um sorriso meio insano.

−E o que seria?

−Não vai querer saber.

−Hum. – o que ele está aprontando?

Ficamos mais um tempo em silencio.

−Não imaginava que vocês ainda brigavam assim. – comento.

Ele me olhou estranho.

−Porque?

−É que... não sei, vocês sempre parecem tão unidos e felizes o tempo todo.

−Claro que não, nós ainda brigamos bastante, mas não é por isso que somos infelizes, ou felizes demais. Não somos perfeitos, eu mesmo tenho muitos defeitos que o Shun atura, e o mesmo acontece comigo, o modo como lidamos com essas adversidades é que fazem as coisas darem certo entre nós.

−Nunca vi você irritado com o Shun. Bom, desde o assunto do gato.

Ele balançou a cabeça pacientemente, como se tivesse que explicar tudo aquilo de novo.

−Ikki, o fato de eu não demostrar não significa que eu não me chateie. Apenas acho desnecessário criar um grande caso por coisas pequenas. É como dizem: Não fazer tempestade num copo d’água. – ele comenta.

−Então você não discute por esses detalhes? Sabe que não é bom acumular esse tipo de coisa, não é?

−Não necessariamente, eu não engulo sapo o tempo todo. Apenas discuto esse tipo de coisa em particular com o Shun, nossos problemas são apenas nossos. Shun entende e faz o mesmo comigo, iria se surpreender com o quanto conversamos sobre tudo.

Tenho que admitir que eu e o Shaka vivíamos fazendo show, não nos importávamos onde discutíamos, se algo chateava alguém nós discutíamos no exato momento. Essa história de guardar para depois nunca foi o nosso forte.

−Não acho que funcione. – comento descrente.

Ele riu.

−Fui casado por cinco anos, Ikki. Acredito que sei um pouco sobre relacionamentos. Não tem ideia do quanto minha esposa era ciumenta e briguenta, com o tempo você aprende a lidar melhor com as situações, e envolvendo o mínimo de pessoas possível. Deve saber quando é preciso ou não discutir esses detalhes.

−Acho que você tem paciência demais, isso sim. – digo indiferente.

−Você sempre foi pavio curto, disso eu sei. – ele comenta rindo.

Shaka sempre teve uma grande reserva de paciência comigo, eu já descontei minhas frustrações nele tantas vezes que até perdi a conta. Olhando por esse lado acho que era ele que sempre fez as coisas ficarem equilibradas até hoje. Acho que se dependesse de mim já teríamos nos separado a muito mais tempo.

Na verdade, quem decidiu dar um tempo dessa vez foi ele. Será que ele realmente se cansou de mim?

−Tudo bem? – o pato pergunta do nada.

−Acha que o Shaka se cansou de mim? – penso alto.

O pato me olha surpreso com essa pergunta repentina. Ele ficou calado por um tempo, sem saber ao certo o que responder. Eu nem deveria estar envolvendo ele nisso, mas ele parece tão seguro sobre relacionamentos, talvez ele seja mais útil do que eu imaginava, ao invés de ficar a noite toda olhando fixamente para ele feito um palerma eu posso ouvi-lo também.

−Bom, eu não sei como é o relacionamento de vocês, acredito que não estou em posição de opinar. – ele diz sem jeito. Acho que me enganei em lhe pedir opinião.

Suspiro, ele permanecia me olhando sério.

−Quer mesmo saber minha opinião? – ele pergunta novamente.

−Se não quisesse não teria pedido. – será que fui muito rude?

Ele permanece sério, me analisando, eu acho.

−Acho que a culpa é sua. – finalmente disse.

−Minha?! – digo indignado.

−É claro, se tem uma coisa que eu sei é que o Shaka é famoso por sua paciência infinita, então eu só posso supor que você encheu tanto o cara que ele finalmente se irritou.

O que esse idiota está pensando? Não pode supor essas coisas assim do nada.

−Fique sabendo que... – me preparo para disparar uma série de ofensas, não é só porque estou afim dele que ele tem o direito de me dizer essas coisas.

−Que o que Ikki? Que você é nervoso e impaciente, como está sendo agora? Disso eu já sei. – diz indiferente. –Além do mais foi você que pediu minha opinião.

Tinha me esquecido de com quem estava falando. O pato sempre foi o único que me dizia essas coisas na cara sem medo. Nunca mediu palavras para falar comigo, assim como eu nunca me importei em como falava com ele. Se tem uma coisa que sempre foi presente entre nós é sinceridade.

−Isso não quer dizer nada, você não conhece o Shaka como eu conheço, ele é muito ciumento.

−Está certo, eu não conheço o Shaka tão bem quanto você, mas já parou para pensar porque ele tem tanto ciúmes?

Estou mesmo discutindo meu relacionamento com o Shaka com esse pato?

−Porque ele é irracional, imagina besteira e tirar conclusões precipitadas.

−Se ele é assim então em algum momento você deu motivos. – ele diz convicto.

−Claro que não.

−É mesmo? Pense melhor.

Suspiro.

−De qualquer forma ele devia confiar em mim, eu nunca o traí. É ele que é inseguro demais.

−E porque você acha que ele é assim?

Permaneço sério, analisando sua pergunta. Afinal qual é o problema do Shaka? Só porque eu olho para alguém não quer dizer que estou interessado, ele parecia ter ciúmes da própria sombra.

−Não faço ideia.

Ele apenas me olha impaciente.

−Sabe Ikki, você já deve saber o quanto o Shun também é ciumento.

−É, eu sei. – lembro da conversa que tive com o Shun.

−Mas ele não é inseguro. Sabe porquê?

−Você vai falar mesmo que eu não pergunte. – digo indiferente cruzando os braços. Essa conversa foi mais longe do que imaginei.

−Vou mesmo. – diz sorrindo. –Shun não é inseguro porque ele sabe que eu o amo. – ele diz.

Está certo que eu nunca disse isso ao Shaka, afinal eu nem sei o que realmente sinto. Mas, poxa, eu gosto muito dele, será que isso já não é o suficiente?

−Sabe, mesmo que você sinta uma coisa, não vai servir de nada se não disser para a pessoa. – ele comenta.

−Somos muito diferentes.

−É claro, familiaridades são importantes, mas as diferenças também são. Nunca ouviu falar que os opostos se atraem?

−Como você e o Shun?

−Temos mais coisas em comum do que pode imaginar, mas sim, nós somos muito diferentes.

−Que tipo de diferenças?

−Bem, gostamos de coisas diferentes. Ele prefere escrever e eu prefiro ler; gostamos de jogos diferentes; sou um tanto mais organizado que ele; ele é bem mais atencioso e carinhoso do que eu; sou mais espiritualista e ele não; ele é um ótimo artista, mas eu sou péssimo; bom, são tantas coisas, mas também temos muitas coisas em comum, temos o mesmo gosto musical, de leitura, de estilo, ter similaridades também é muito importante, então é claro que existe o meio termo disso tudo.

−Então como pode saber se são bem juntos se não sabem ao certo se completam um ao outro como devia? Afinal eu e você também somos bastante parecidos, não acha? – será que estou sendo muito audacioso em dizer isso a ele?

−Está sugerindo que também poderíamos dar certo juntos? – ele disse rindo pelo absurdo daquela suposição.

Permaneço o olhando seriamente.

−Espera aí, é sério? – ele diz surpreso.

−Você não acha que somos parecidos? – insisto, parece tão absurdo assim?

−Err... Bem, sim, e é exatamente por isso que acho que brigávamos tanto antigamente.

−Como assim?

−Digamos que deve haver as diferenças certas para as coisas darem certo. Por exemplo, eu e o Shun damos certo porque ele sabe ser atencioso e carinho nos momentos que eu não sei ser. Eu sei mostrar liderança em momentos em que ele se sente perdido. Não são apenas coisas triviais, o parceiro tem que saber completar nos momentos mais oportunos.

−Acha que eu não saberia lidar com um relacionamento com você?

−Eu e você somos parecidos demais Ikki, eu não saberia lhe confortar se por acaso você tivesse uma crise existencial, esse não é meu forte, não saberia lidar com uma situação assim. Principalmente porque há momentos que eu sequer sei demostrar emoções. É claro que você já percebeu que eu sou travado em muitos sentidos, especialmente para esse tipo de assunto, e percebi a muito tempo que você também não é tão melhor do que eu nesse sentido, ficamos no mesmo barco, entende?

−Não acho, você se surpreenderia com as minhas capacidades, posso te surpreender muito se me der essa chance.

−O que? Chance? – ele disse estranhando.

−Só estou supondo, idiota. – digo, será que estou vermelho?

−Hunf. É que as vezes parece que você está sugerindo que poderíamos ficar juntos. – diz desconfiado.

−Até parece. – digo rindo daquele absurdo... não queria que fosse tanto assim.

−Garanto que seria um desastre. – ele diz rindo depois de um átimo de segundo pensativo.

−Porque?

−Nada, só pensei besteira.

−Fala logo pato.

−Bom, acho que intimamente brigaríamos muito mais.

−Intimamente? Você quer dizer na cama? – digo sem rodeios, digamos que essa parte sempre foi a que mais me interessou.

−É frango, na cama. – diz revirando os olhos sem jeito.

−Por que acha isso?

−Seria uma guerra para quem ficaria no controle. – ele sorri, um sorriso de motejo.

Analisei aquela informação, normalmente sou eu que sempre fico por cima. Shaka nunca se importou com isso, raramente sou passivo, mas digamos que as vezes é bom variar, ainda mais com a pessoa certa, ser passivo não é fácil, disso eu sei.

−Seria uma guerra mesmo. – acabo concordando.

Olhando por esse lado, realmente não daríamos certo.

...

Hoje já é sábado, e só então percebi que terei grandes chances de reencontrar o Shaka na reunião de cavaleiros.

Estou ensaiando a dias o que irei dizer ao Shaka quando o vir. Será que seria melhor iniciar uma conversa informal?

Estou faz um tempo em frente ao espelho verificando a roupa que iria usar na reunião, já me troquei várias vezes. Acho que eu deveria ter colocado mais roupas na mala antes de sair do caminho do Shaka. Já esgotei minhas combinações de roupas. Bom, se não encontrei com ninguém conhecido hoje então eu posso repetir a roupa que usei no trabalho.

−Você precisa muito de uma roupa emprestada. – levo um baita susto quando o Shun comenta atrás de mim, quando foi que ele entrou aqui?

−Droga Shun! Já pensou em bater antes de entrar? – reclamo.

Ele suspira e senta-se da beirada da minha cama enquanto acaricia o bichano.

−Algum problema? – estranho, ele não é de ficar pra baixo daquele jeito.

−Nada, só estou aliviado que o Adam vai embora no domingo. – ele comenta.

−Pensei que gostasse dele.

−Gosto, mas é que ele toma toda a atenção do Hyoga. – diz emburrado.

−Eu que o diga.

−Hum? – droga!

−Quero dizer... é bom voltar à normalidade, tanta gente aqui me deixa sufocado. – desconverso.

−Ah, é tem razão.

−Aliás, onde está o gêmeo?

−A passeio com a família, hoje é o último dia livre dele aqui..., mas só por enquanto, afinal o Hyoga vai chegar daqui a pouco e eles vão ficar de conversinha de novo. – Shun diz aborrecido.

Shun ciumento fica uma graça.

−Você quer uma roupa do Hyoga emprestada? Há uma grande chance do Shaka ir hoje.

−Posso?

−Claro, Hyoga não se importa, ele tem roupas que quase nunca usa.

O acompanhei até o quarto e esperei enquanto Shun escolhia a melhor opção de roupa para mim em meio as roupas do pato. É melhor confiar no gosto dele, afinal eu não sou o que se pode chamar de amante da moda. Digamos que simplesmente visto a primeira coisa que cai na minha mão.

−O que acha? – Shun estende uma camisa vinho e uma calça social preta sobre a cama.

−Nunca vi o pato usando isso.

−Ele não gosta muito de roupas escuras. Mas combina com você, vai experimentar?

−Tadaim... – o pato abre a porta do quarto de repente. –Ah, desculpe. – ele diz um pouco corado.

Esqueci que estava só de cueca de novo.

−Estava escolhendo uma roupa para o Ikki, Hyoga. Tudo bem?

−Ah, sim. Mas devia usar ao menos uma toalha frango, a Mai pode estar em casa. – ele comenta.

−Ela está no quarto falando com o Ichiro no telefone, nem deve lembrar que existimos. – Shun diz rindo.

−Está incomodado comigo pato? – ainda é bom provoca-lo.

−É claro, mal chego e já dou de cara com uma assombração. – ele rebate a provocação.

−Como se você fosse grande coisa, não anda se olhando no espelho?

−Acho que estou bem, afinal o Shun gosta, e olha que ele tem bom gosto. – ele diz com um sorrisinho.

−Hyoga! – Shun contesta envergonhado.

−Bom, para falar a verdade meu irmão nunca teve muito bom gosto para parceiros. – rebato.

−Ikki! – Shun volta a reclamar.

−É claro que o Shaka não sai na frente com boas escolhas.

−Ei, ei. Já chega! Vocês demoram a se alfinetarem, mas quando começam não conseguem mais parar. – Shun reclama.

−Foi ele que começou! – dissemos juntos.

[...]

Eu estava ansioso, esperançoso. Sentia que se eu voltasse a ver o Shaka algo iria se renovar dentro de nós, eu finalmente esqueceria que o pato existe e tudo voltaria ao normal.

É mais que saudade, agora tenho necessidade de vê-lo.

Odeio admitir isso, mas meu coração batia cada vez mais rápido conforme eu me aproximava da mansão.

A expectativa estava em alta, juntamente com a ansiedade.

Era como a sensação de ver um filme que se espera o ano inteiro pela estreia, nunca pensei que um dia eu estaria com tão eufórico para ver o Shaka.

No entanto... ele não estava lá.

Voltei-me para o canto onde eu podia ficar mais à vontade... o bar.

Pior que aturar essa decepção é ter que observar o idiota do Adam indo de um lado a outro pelo salão, cheio de animação enquanto o pato lhe apresentava nossos amigos. Não sei porque esse pato idiota trouxe ele, parece até que esse simplório nunca viu um cavaleiro.

−Hunf. Turista! – digo para mim mesmo enquanto engulo minha décima dose de uísque.

−Realmente. De onde ele saiu?

Era ele, não tinha como eu me enganar.

−Shaka?!

−Desde que eu me lembro, sim. – ele diz sorrindo. Ah, então seu sorriso era assim.

−Parece surpreso em me ver. – ele diz sentando-se ao meu lado.

Porque não consigo dizer nada? De nada serviu todo o ensaio que fiz. Ele finalmente está na minha frente e eu nem consigo cumprimenta-lo direito.

Ele me olhou, estranhando meu silencio.

−Quer que eu vá embora?

−Não! ... quer dizer, está tudo bem. Fique. – digo rápido.

Ficamos num silencio tenso, era raro meu silencio, normalmente eu digo coisas sem pensar, mas agora não consigo nem fazer isso.

Ele procurou não me pressionar. Se inclinou e buscou a garrafa atrás do balcão e se serviu de um drinque para poder me acompanhar.

Vamos Ikki, pense em algo para dizer. Vamos.

−Parece que o Hyoga arranjou um sósia. – ele falou primeiro. –Quem é o sujeito?

−Um amigo dele.

−Hum.

−Como foi sua missão? – finalmente digo depois de uns minutos, porem foi mais baixo do que eu planejava.

Após alguns segundos ele respondeu.

−Nada complicado, nem perigoso.

Não me surpreendo com a objetividade, Shaka sempre foi de falar pouco mesmo. Mas ele parece tão seguro de si, tão neutro. Será que sou só eu que estou com os nervos agitados?

Seu cabelo está solto e cobre todo seu perfil quando ele se inclina.

Sem meu consentimento minha mão se moveu até ele, era um gesto tão familiar que mal me dei conta que eu já não tinha mais o direito de toca-lo assim, e como das muitas vezes eu afastei seu cabelo do rosto, colocando atrás da orelha e sem querer toquei sua pele. Ele está quente.

Ele pareceu tocado com esse gesto tão familiar, e finalmente senti que ele estava tão nervoso quanto eu.

Realmente tinha algo diferente. Tudo bem que as coisas estavam tensas entre nós, mas essa é a primeira vez que agimos como completos estranhos. Não éramos assim, o que mudou? E o que posso fazer para contornar essa situação tão complicada?

A sensação de poder tocar nele depois de tanto tempo, e a frustração de não poder ir mais longe tanto quanto eu queria me sufocava.

−Como você está? – ele pergunta e percebo sua expectativa. Na verdade, existe muito significado nessas palavras, sei bem disso, e ele também.

Sei onde ele quer chegar, quer que eu diga que não estou bem, que não consigo parar de pensar nele, que cada dia é mais angustiante que o outro sem ele ao meu lado.

Só que eu não estava certo com o que deveria dizer, como eu estava? Nem eu sabia. Eu penso nele, mas não é como se fosse realmente insuportável, sempre que eu achava que iria enlouquecer eu via Hyoga, e era como se tudo fosse anestesiado, olhar para o pato tinha efeito calmante, mas ao mesmo tempo tinha efeitos colaterais, pois a dependência de querer ver o Shaka e Hyoga ao mesmo tempo eram quase insuportáveis.

É claro que eu sinto falta do Shaka, claro que quis vê-lo, algumas vezes cheguei a pegar o carro e parar em frente o nosso prédio e ficar por horas no carro me decidindo se deveria subir. Mas quando lembrava que assim eu sairia definitivamente do caminho de Hyoga, que não moraríamos sob o mesmo teto, que não o veria todas as manhãs, não nos provocaríamos, nem brigaríamos por qualquer coisa, eu entrava em pânico.

Isso chega a ser ridículo, o pato sequer percebe o que sinto por ele, e nem eu mesmo sei o que sinto. Quero voltar para o Shaka, mas tenho medo de deixar minha vida provisória com o pato. Medo de só voltar a vê-lo raramente.

Como eu estou? Essa é uma boa pergunta.

−Estou bem. – digo firme. –E você?

Diga que não, diga!

−Também estou bem. – ele diz.

Silencio inquietante.

−Como tem sido conviver com seu irmão novamente? – ele pergunta.

−Nada demais, gosto de todos e o Shun é sempre o mesmo, gentil e amável.

−Bem vejo.... Nunca imaginei que você poderia conviver com uma família, principalmente com crianças, o filho do Hyoga não te incomoda?

−Adoro aquele garoto, ele nunca me incomodou.

−Sério? Você nunca me pareceu gostar de crianças.

−As coisas mudam, Shaka. – digo o olhando seriamente.

−Isso é bom, na verdade é ótimo. – ele diz sorrindo, é difícil imaginar que quase esqueci como era vê-lo sorrindo.

−E o Hyoga? – ele pergunta do nada.

−O quê?!

−Bom, você sempre me disse que não se davam bem, deve ser difícil estar morando com ele, não é?

−Não é como se fossemos nos matar a qualquer momento, nós nos entendemos quando queremos. – comento sorrindo.

−Hum, entendo. – ele diz estreitando os olhos. Não entendi muito bem esse olhar.

Ouvimos risadas vindo de um grupo reunido. Era o tal do Adam falando alguma coisa engraçada, todos riem, mas o que mais se destaca é o raro riso de Hyoga, nem sabia que ele podia rir, afinal ele nunca riu assim na minha frente. Tão espontâneo que mal parecia o Hyoga que conheço a tantos anos.

O que esse Adam tem de especial afinal de contas?

−Isso é bem raro, ele devia sorrir mais vezes, não acha? – ele diz voltando a me encarar.

−Quem?

−Você sabe quem, estava olhando agora mesmo para ele.

Sempre subestimo a percepção do Shaka. Mas não vou entregar o jogo logo de cara.

−Novamente vendo coisas que não existem, não é Shaka? – digo irônico.

Ele permanece sério, terrivelmente sério. Será que deixei escapar alguma coisa e não notei?

−Ao que parece vocês realmente se entendem quando querem. – ele comenta num tom de voz estranho.

Nunca achei que de todas as pessoas no mundo ele sentiria ciúmes logo do pato. Afinal sempre dei mostras do quanto não nos aturávamos.

−O que quer dizer?

−Nada. – diz simplesmente. Acho que estou com problemas, problemas sérios.

Ele não pode suspeitar disso, eu não disse nada demais até agora, ou disse?

−Está imaginando coisas sem sentido de novo? Novamente confirmo que você tem um grave problema de paranoia. Eu já te disse, pare de assumir que eu me atraio por todos. – ora veja, mal começamos a conversar e já estávamos brigando de novo.

−Paranoia? Do que você...?

Ele olhou surpreso pra mim e em seguida para o pessoal reunido, sei bem quem ele mirava.

−Você está... Está realmente atraído pelo Hyoga? – ele diz parecendo muito surpreso.

Será que falei demais?

−Hã? Claro que não!

−Você sabe que isso é totalmente errado, não sabe? – ele estava mesmo falando sério. –Ele é o companheiro do seu irmão e...

−Já falei que não é isso. – digo convicto.

−Mesmo? – ele olha novamente na direção do grupo reunido, mirando exatamente onde não devia. –Espera um instante. – disse se levantando.

Céus, o que ele vai fazer agora?

Ele está indo na direção de todos. Droga! Está falando com o pato. Droga! Droga! Ambos estão olhando na minha direção. Rapidamente me viro de costas. E agora? Estão falando de mim. Nunca senti tanta vontade de desaparecer. Sinto alguém se aproximar, céus, dá para piorar?

−Estávamos conversando sobre você Hyoga. – Shaka disse quando pararam na minha frente, o olhar do pato não podia estar mais confuso. Maldito Shaka!

−Sobre mim? – o pato diz confuso.

−Só sobre o quanto você é idiota por trazer esse seu amigo babaca aqui. – pelo nervosismo acabo dizendo isso de forma raivosa.

Sua expressão se fechou rapidamente, dessa vez ele parecia realmente zangado.

−Bom, é o meu amigo, e se tiver algum problema com ele então tem comigo também. – ele diz ríspido, é natural para mim vê-lo zangado, mas nunca envolvíamos outras pessoas em nossas brigas, eu realmente não queria ter dito aquilo, nem daquela forma, e ainda por cima na frente do Shaka que nos observava tão atentamente, acumulando evidencias com as minhas reações.

−Com licença! – diz ríspido, antes de ir ele ainda direciona um olhar gélido tanto pra mim quanto para o Shaka, era obvio que Shaka não imaginava que eu diria algo assim, então Hyoga deve estar zangado com ele também.

−O que diabos deu em você?! – Shaka diz pasmo quando novamente estamos a sós.

−A culpa é sua! – digo zangado com ele e comigo mesmo.

Ele me olha surpreso.

−Está... nervoso. Realmente está nervoso? Ikki, você se deu conta de que aquele é o Hyoga? Lembra que você não suportava ele? Lembra-se disso, não é? – ele parecia aflito.

−Shaka...

−E o seu irmão? – seu olhar estava repleto de angústia. –Isso é ultrajante, até pra você.

−Me escuta!

−Como isso foi acontecer? – ele nem me ouvia.

−Não é nada disso...

−Preciso de ar. – ele não me deixou terminar e se retirou nervoso.

Inferno! Como foi que cheguei nessa situação?

...

Shaka foi embora naquela mesma hora, se eu soubesse teria ido imediatamente atrás dele, tentei ligar, mas ele não atendia. Não queria que nosso primeiro encontro depois de longas semanas acabasse assim, ainda não entendo como foi que ele percebeu tão rápido, era a última pessoa que eu queria que notasse a confusão que estou sentindo com relação ao pato.

Percebi que se havia uma pessoa que me conhecia tão bem, essa pessoa era o Shaka. Ele é absurdamente perceptivo. Notou em mim algo que por semanas mais ninguém notou.

Ou fui eu que deixei tão obvio assim?

Desesperado eu fui até nosso apartamento, mas se ele estava lá não queria mesmo me ver. Pois ficar quarenta minutos diante da porta sem ouvir nenhum sinal de vida lá dentro só significava que eu não era bem-vindo.

No dia seguinte continuei insistindo em ligar, mas ele continuava me evitando.

O Hyoga ainda estava aborrecido comigo, então também não estava falando com ele.

Logo pela manhã Hyoga e o Shun foram levar Adam e a família ao aeroporto. E eu fui novamente até o apartamento tentar falar com Shaka.

Resolvi ser mais persistente dessa vez. Então fiz vista grossa de frente a porta do nosso apartamento a manhã inteira e boa parte da tarde.

Liguei para ele e bati na porta tantas vezes que até perdi a conta. Mas nem sinal dele.

Não queria que as coisas ficassem daquele jeito, tão mal-entendidas. Não queria abrir mão do Shaka para continuar me iludindo por alguém que nunca terei.

Mas também não tinha sentido continuar insistindo numa relação que estava tão confusa e incerta.

Nem eu sabia ao certo o que estava fazendo ali. Eu ia explicar tudo para ele, mas e daí? Ainda não queria voltar. Sentia falta dele, mas estava indeciso.

Após mais algumas horas e depois de ameaçar derrubar a porta eu desisti e resolvi ir embora dali. Acredito que ele não estava mesmo em casa.

Quando cheguei em casa logo ouvi uma voz familiar vinda dos fundos.

Não acredito! Só pode ser brincadeira.

Logo aos fundos ouvi a voz do Shaka e de Hyoga, estavam conversando.

Já é certo que estou em sérios apuros.

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*13 de dezembro é o Dia dos Gêmeos no Japão.

Notas finais
Obrigada por continuarem lendo... se tiver alguém aí :P comentem, por favor ^_^ Bjs