Atração Fatal
23 Capitulo 22 - Missão
Notas iniciais
POV NICO
O acampamento ficou em absoluto silêncio e assim que Quiron saiu com Percy todos rapidamente saíram do refeitório e foram para o seu chalé, poucos fiaram ali. Somente eu, Leo, Annabeth e Thalia.
Aproximei-me de Leo com as pernas tremulas a ponto de cair a qualquer minuto, ele apoiava as mãos na mesa e respirava com dificuldade, a temperatura de seu corpo dava para sentir daquela distancia porem seu rosto estava pálido como nunca.
– Acho que a melhor hora para irmos é agora – murmurei tocando em seu ombro, logo me arrependi quando uma queimadura de segundo grau apareceu.
– Todos já sabem – ele sussurrou
– Sim, precisamos ir! – eu disse novamente
– Vá buscar Percy – sussurrou Leo.
Virei-me e sai correndo para a casa grande, por muitas vezes escorreguei e cai com tudo no chão, mas consegui me manter em pé e chegar lá sem nenhum machucado muito grave.
Entrei na casa Grande com um pulo, Percy estava em um canto com as mãos nos ouvidos balançando pra frente e pra trás, sua expressão era de dor. Aproximei-me dele, mas evitei toca-lo.
– Percy – chamei carinhosamente.
Ele não percebeu a minha presença, fiquei em choque com ele naquele estado. Estava mais abalado do que quando estava no Tártaro.
– Nico! – chamou Hazel aparecendo na porta da casa grande. – pediram para eu vir.
Levantei-me tentado ser forte o suficiente para não me encolher ao lado de Percy e começar a chorar, mas não consegui não desabar em seus braços assim que ela me abraçou.
– Eu vou matar quem fez isso – rosnei em seus braços.
– Eu não falaria assim Nico! – exclamou Quiron.
– Como? Alguém acabou de expor Percy para todo o acampamento! Uma coisa pessoal e intima! Como uma pessoa pode fazer isso? – gritei pra Quiron.
– Sei que está exaltado meu rapaz, mas ainda deve me respeitar! – disse Quiron com calma.
– Percy – Hazel chamou fazendo carinho nos seus cabelos.
– Ele está em choque! Desde que chegamos só fica assim! – murmurou Quiron.
– Eu sei o que ele tem... – sussurrou Hazel.
– Diz logo Hazel, o que ele tem? – implorei
– Um Blackautolt, eu tive isso... Eu posso ajudá-lo... Eu acho – murmurou Hazel.
– Ande logo menina, isso está me preocupando – disse Quiron tocando em seu ombro.
– Deixe-me ir como você – gritei antes que ela começasse o processo.
Ela assentiu com a cabeça e eu segurei a sua mão.
Tudo ficou escuro.
Até uma imagem se formar a nossa frente.
...
Era uma casa pequena e organizada. Tinha alguns brinquedos pelo chão, fora isso a casa estava incrivelmente arrumada.
Havia um homem sentado no sofá, ele era feio, gordo e calvo. Tomava uma cerveja enquanto assistia ao futebol na televisão.
– Gabe – sussurrei e Hazel me olhou assustada.
– Nico... Eu não posso estar aqui... Eu estou... – ela disse e desapareceu.
Fiquei assustado quando isso aconteceu. Ela era a única que conseguia lidar com blackouts, eu era um intruso ali. Permaneci parado observando a cena.
Uma mulher entrou na sala organizando a sua bolsa, sem sombras de duvidas a reconheci, Sally, mão de Percy não tinha mudado nada.
– Gabe, por favor, não alimente Percy muito tarde – ela pediu.
– Claro Sally – ele disse sem tirar os olhos da televisão tomando mais um gole de cerveja.
Um menino apareceu saltitante com um pequeno carrinho verde escuro nas mãos. Ele usava um shorts e uma camisa de pijama, sues cabelos estavam cortados no estilo penico, e seus olhos verdes eram grandes e brilhosos. Percy, sem duvida!
Ele deveria ter uns cinco anos, não mais que isso. “era bonito desde criança” pensei.
– Filho obedeça Gabe e não briga com ninguém ok? – Disse Sally bagunçando os cabelos de Percy.
– Sim mamãe – ele respondeu e a beijou no rosto.
Ela se despediu de Gabe e saiu. Ele ainda permaneceu assistindo televisão, e após uns cinco minutos levantou e foi até a janela, para garantir que ela foi mesmo trabalhar.
Gabe apertou o membro dele por cima da calça e se aproximou de Percy, que brincava animadamente no tapete da sala. Ele foi até a porta e colocou a chave na fechadura, assim se alguém tentasse chegar não o pegaria de surpresa. Tive tontura com essa cena!
– Percy, venha aqui – disse ele sentando no sofá.
– Pra que? – disse Percy largando o carrinho.
– Venha logo ou eu vou ter que te matar! – gritou Gabe.
Percy se contraiu e foi andando de fininho até seu padrasto. Gabe pegou Percy pela garganta e sussurrou em seu ouvido:
– Se você der um piu eu mato você e a sua mãe! Entendeu?
Percy somente concordou com a cabeça.
– Isso durou sete anos! – murmurou uma voz do canto da sala.
O Percy estava encolhido em um canto, com a cabeça encostada na parede e os olhos vermelhos de tanto chorar. Tive ânsia de vomito assim que comecei a ouvir os gemidos de Gabe, e nem ousei olhar pra trás.
– Vamos embora daqui Percy! – disse me aproximando dele.
– Eu sou um covarde! – disse Percy ficando aqueles olhos verdes tempestuosos nos meus.
– Pelos deuses, você salvou o mundo duas vezes, deu a vida pelas pessoas que amavam e enfrentou o tártaro! Você não é um covarde – disse acariciando seu rosto.
– Eu não tenho coragem de enfrentar o acampamento – ele falou
– Você tem coragem sim – suspirei
Ouvi gritos atrás de mim e segurei com força o braço de Percy, sabia exatamente o que Gabe fazia atrás de nós.
– Cale a boca sua bicha – gritou gabe antes de ouvir um soco.
Eu estava em pânico, e nem estava olhando a cena. Só estava ali presente, ouvindo os gritos, gemidos e golpes da violência com o Percy pequeno. Não sabia como era viver tudo aquilo.
Não consegui ser forte e acabei vomitando atrás de um vaso de flores, Percy acariciou a minha mão e eu olhei ainda mais assustado pra ele.
– Eu sinto dor Nico! – ele murmurou e apertou a minha mão.
– Eu não vou te abandonar – eu disse entre os gritos do fundo.
– Por favor – ele implorou segurando a minha mão ainda mais forte.
...
Quando tudo acabou, eu acordei abraçado a Percy.
Quiron nos esperava aflito e foi o primeiro a quebrar o silencio.
– Nós puniremos adequadamente quem fez isso filho!
Percy somente sacudiu a cabeça, não era necessária uma punição. Eu me vingaria pessoalmente do maldito que fez isso com ele, de uma forma lenta e dolorosa ele sofreria tanto quanto Percy!
Pude imaginar como garantir o sofrimento disse individuo no mundo inferior. Queria que todos os dias as Fúrias o atacassem e o torturasse pessoalmente. Fiquei nestes pensamentos malignos até que Quiron estralasse os dedos na minha frente.
– Não poderá se vingar assim Filho de Hades – disse Quiron compreensivo – E mesmo com a barbaridade que fizeram com você Percy, ainda terá de se explicar! Como assim quase matou Jason? E que história é essa de estupro do Leo? – perguntou Quiron.
– Não foi Percy – disse Leo entrando na casa grande com duas malas. Uma dele e a outra minha. – Eu vim pedir uma missão!
Quiron virou lentamente para encarar Leo, ele estava determinado e com uma cara sádica, tremi ao vê-lo daquela maneira.
– E para que uma missão? – perguntou Quiron.
– Para buscar Jason no mundo inferior – ele respondeu dando de ombros a preocuparão de Quiron e o rosto assustado de Percy.
– Como? – disse Percy
– Ele está preso, não consegue voltar – disse Leo e jogou a bolsa nos meus pés – Nico vai comigo!
– Sim, sim eu autorizo! – disse Quiron dando as costas pra gente.
– Quiron! O que você esta fazendo? Uma missão assim? Sem mais nem mesmo? – Gritou Percy
– Eles irão, mesmo se eu proibir! – explicou Quiron
– Então eu também vou! – disse Percy
E assim começaria a maior missão da minha vida.
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