Atração Fatal

30 Capítulo 30: I'll Stand By You


Notas iniciais
E aí, pessoal? Tudo bem com vocês? Depois de uma boa espera, chego aqui com o último capítulo de AF. Sim, é o último :( Mas, como prometido, a continuação ainda está de pé, ou seja, vamos continuar nos encontrando por aqui! Espero que gostem do que preparei para esse último, já que na verdade era para terminar de outra forma, mas eu resolvi mudar um pouco. Quem já tinha lido AF antes das minhas edições provavelmente vai notar as diferenças, mas elas não são tão absurdas assim. Eu só quis deixar uma abertura para a próxima temporada mesmo. Quero dedicar o capítulo e agradecer a DM pela recomendação! Boa leitura!

Glimmer sentia como se seu mundo fosse explodir. Por que naquele maldito dia? Por que ali? Era uma tortura passar por algo como aquilo. Nem um quarto decente recebera, sabia que a outra estava em condições bem melhores. A outra. Aquela peste que sempre queria aparecer. Pelo menos aquela aberração que a morena carregava nasceria antes da hora. Seriam mínimas as chances de vida, para a sua sorte.

Glimmer sentiu seu corpo, sua pele, sendo rasgada, e a adolescente em sua frente estava confusa enquanto puxava algo sem jeito algum. Ela daria um fim naquela criatura depois.

— Senhora — Glimmer abriu os olhos imediatamente, estava com calor e cansada. Mary, a criada miúda, tinha algo nos braços, meio assustada — O bebê.

— Deixe-me ver — a loira ordenou mesmo que exausta, puxando o pano branco que cobria a criança. Ela olhou atentamente o corpo parado que parecia dormir.

Bebês não choravam? Glimmer sentiu um ódio percorrer suas veias.

— Por que ele não olha para mim?

— A senhora dormiu… eu peguei a criança no colo quando vi que tinha uma coisa no pescoço dela — Mary falou se encolhendo como forma de proteção — Tentei tirar mas... ele já estava assim.

Glimmer olhou cuidadosamente toda a cena ao seu redor. Estava terrível, nem havia o que dizer. Mary ficou parada de um lado, toda suja e com a roupa amarrotada. O lençol na cama estava sujo de sangue, assim como parte de sua camisola e um pouco de sua pele. Do cômodo ao lado vinha sons de gritos, provavelmente da outra.

E ainda havia o bebê em seus braços. O bebê que agora Glimmer sabia que estava morto… por culpa daquela criada estúpida.

— Leve isso para o outro quarto — ela disse de repente, estendendo a criança.

— M-mas o que devo fazer com ele? — Mary estremeceu, hesitando em pegar o bebê.

— Você nem deveria ter me mostrado essa coisa...não é o meu filho — Glimmer disse — Quero o outro bebê.

— C-como? Eu não posso...

— Você faz o que eu quero, certo? — Glimmer murmurou nervosa, fazendo a garota consentir de cabeça baixa — Dê um jeito de trazer aquela criança para cá e não me pergunte os motivos. Conte a mesma história para a parteira, diga que receberá uma boa recompensa… e depois tire todo esse sangue daqui.

E a criada fez tudo o que ela disse. Minutos depois, ainda suando fria e tremendo assustada, Mary voltou para o quarto, trazendo um novo bebê, dessa vez um que chorava em seus braços. Precisou cruzar o corredor as pressas, apertando-o contra o peito para que ninguém o ouvisse e estragasse os planos.

Glimmer sorriu satisfeita ao ver a criança.

****

“Rapaz francês é preso nesta manhã de sábado”.

Katniss lia distraída aquela notícia no jornal. Pegou-o no segundo que o viu, saber mais sobre o que tinha acontecido com Louis acabou se tornando uma obsessão, tanto que ao ler aquelas palavras foi como se um alívio percorresse seu corpo. Foram dias atrás daquele homem e mais alguns esperando que tudo se resolvesse. Vê-lo preso, finalmente, trazia uma certa paz para ela.

Um peso retirado de suas costas. Mas não era só isso, Katniss sabia que ainda havia Peeta e seu casamento.

E como se fosse algo automático, como se até ele estivesse pensando no mesmo que ela, Katniss viu Peeta entrar na sala e parar diante a ela. Não falaram nada, afinal, não havia nada para dizer. A garota tinha permanecido naquela teimosia de evitá-lo ao máximo, por mais que fosse bem difícil. Ela não podia simplesmente deixar a casa sem muitas explicações, por isso foi obrigada a ficar e se entreter e outras tarefas que não a faziam pensar nele.

Mas as vezes as coisas saíam dos planos, como naquele instante. O lugar podia ser grande, porém, Peeta dava um jeito de esbarrar nela sempre que podia. Ele queria conversar, estava óbvio, mas Katniss não estava disposta a dar o braço a torcer. Por umas vezes quase cedeu, talvez em quase todas elas… e da mesma forma sempre voltava atrás e se tornava determinada a se afastar.

Katniss iria dar as costas, como sempre fazia. Algo que dessa vez foi inútil, já que Peeta a segurou firmemente pelo braço, trazendo-a de volta. Ela iria abrir a boca para reclamar, mas antes que fizesse sentiu os lábios dele encostando nos dela, calando-a imediatamente.

A sensação era boa como sempre foi, tanto que a vontade era de puxá-lo para mais perto e acabar com toda a saudade que sentiu por todos aqueles dias. Estava tudo ótimo, o aperto da mão dele em seu braço até afrouxou por um segundo, mas a realidade caiu sobre Katniss e ela se deu conta do que estava fazendo.

E como se tivesse levado um choque, ela o afastou pelo peito, olhando-o assustada.

— Me desculpe… não queria fazer isso — Peeta confessou baixo, mas a sensação de falar a verdade não chegava aos seus olhos. Ele fitou Katniss por um momento — Você não me ama mais?

Katniss não respondeu, estava assustada demais para sequer falar ou se mexer.

— Não tem a obrigação de me amar, até porque sei que nem mereço. Muito menos quero te obrigar a fazer algo que não deseja. Só diga… se me ama ou não.

Katniss permaneceu calada. E ele entendeu o silêncio como uma única resposta. Tentando se conformar com aquilo, Peeta balançou a cabeça, dando uns passos para trás.

— Pode ir embora se quiser, eu te deixei livre, lembra? — ele disse — Não precisa viver aqui… mas se me ama, por favor, fale comigo.

— Tenho medo de que se torne como antes — Katniss falou por fim. Peeta ergueu olhar em resposta, surpreso.

E com um suspiro cansado, um pouco antes de deixar a sala, ele disse:

— Quem realmente ama, não fere.

Katniss então o viu sumir. E a cada vez que ele ia embora era como se um vazio também se instalasse dentro dela.

— Eu te amo — ela disse baixo. Baixo até demais para alguém perceber.

****

Annie nunca nem pensou em esperar aquilo, mas naquela manhã recebeu uma visita de ninguém menos do que Finnick. Ao vê-lo pensou ter sido apenas um truque de sua mente, mas depois de um tempo notou que ele realmente estava ali. Os dois, por fim, ficaram cara a cara.

— Você ficou longe por meses — Finnick afirmou primeiro.

— Desde quando você nota? — Annie perguntou debochada — Fica sempre ocupado para sequer se lembrar de mim.

A acusação foi claramente feita com o objetivo de machucá-lo. Annie ainda se culpava por amá-lo tanto assim, tendo que esconder tudo durante todo esse tempo. Ela estava cansada.

— Porque todo mundo sabia de seu sumiço — Finnick acusou de volta.

— Você me tratou como qualquer uma! Você me usou! É uma pena, mas eu tenho que te mandar sair daqui.

— Eu não vou — ele falou autoritário — Precisamos conversar. Deveríamos ter feito isso desde aquele dia em que acordei no hospital.

— Quer algum dinheiro? É isso? Porque eu atirei em você? — Annie continuou, mas Finnick negou avançando um passo.

— Há algo que queira me contar? — ele perguntou sério. O corpo da garota tremeu — Eu quero saber.

Annie não iria contar, era difícil, mas não podia. Tinha prometido a si mesma que viraria aquela página, por mais dolorido que fosse. E então ela encontrou os olhos dele, desejando correr dali.

— Prometi que faria isso mas… mas eu não consigo! — ela murmurou amargurada.

Era torturante.Finnick franziu o cenho. Os dois estavam a centímetros de distância e a respiração de Annie ficou mais do que alterada. Ele era capaz de causar arrepios sem nem mesmo tocá-la.

Finnick, notando isso, tocou o rosto dela com cuidado. Foi como um choque, mas ela não se afastou, apenas abriu mais os olhos diante do susto.

— Eu tenho uma filha — ela disse de repente, cortando o doloroso silêncio.

Finnick então parou. Parou e depois se afastou, tomado pelo pânico repentino. Annie engoliu em seco e resolveu continuar.

— E ela é sua… quer dizer, nossa.

Ele não disse uma palavra sequer, estava congelado. Mas então Annie viu os olhos dele se mexerem, deixando os dela para encarar algo atrás de seu ombro. Ela estremeceu.

O que está acontecendo aqui?

Era Peeta.

****

Um grito foi o suficiente para fazer Katniss descer as escadas. Correu pelos degraus em um piscar de olhos, colocando as mãos na boca quando chegou na sala e viu o que acontecia ali. Seu irmão estava ali, por algum motivo que ela não sabia, mas o que chamava a atenção era o fato dele ter acabado de levar um golpe no rosto.

E de quem seria? Nem era preciso pensar muito, era óbvio. Era incrível como Peeta sempre se metia nas confusões da casa.

Annie estava encolhida em um canto, chorando baixo. E mesmo que a probabilidade de não conseguir resolver o problema fosse alta, Katniss resolveu agir.

— Parem já os dois! — ela gritou, mas nenhum dos dois pareceu ouvir — Peeta!

Ele ergueu imediatamente a cabeça, reconhecendo a tal voz. Largou Finnick num piscar de olhos e ajeitou a própria roupa, nem olhando para trás. Peeta hesitou com a forma como Katniss o fitava, parando antes que pudesse ir até ela. Só não esperava Finnick aparecer de surpresa, puxando-o para o acertar bem no nariz, o que foi uma resposta ao que ele havia feito antes.

Peeta conseguiu se afastar e com isso tocou o nariz, fazendo uma careta em seguida. Sua mão estava suja de sangue, assim como um dos lábios de Finnick.

— Você ouviu, Chérie? — Peeta perguntou alto e sarcástico — Esse desgraçado engravidou a Annie!

— Finnick é meu irmão, tenha mais respeito! — Katniss respondeu na mesma altura, não parecendo tão surpresa quanto ele — O que ele quer dizer, Annie?

Pe-Peeta está ouvindo coisas! — a garota gaguejou, fazendo Finnick rolar os olhos do outro lado da sala, chamando a atenção dos que estavam ali.

— Você disse que tinha uma filha comigo! — ele acusou e Peeta avançou para seu lado novamente, mas dessa vez Katniss conseguiu segurar seu braço. E mesmo não tendo muita força, ela conseguiu pará-lo — Deixa ele vir, irmãzinha, vamos ver quem é o mais vagabundo aqui.

— O que disse? — Peeta debochou e ameaçou dar um passo para frente. Katniss o segurou com mais firmeza.

— Não foi você quem trouxe a amante para dentro dessa casa? Estamos quites agora — Finnick gostava de provocar, achar a ira das pessoas. Chamar a atenção para si. Isso fez Annie bufar.

— Todos vocês ouviram certo — Annie anunciou de repente. Katniss engoliu em seco, olhando para o irmão — Eu tenho uma filha...com ele.

O silêncio que parou ali foi terrível. Annie contava os segundos na própria cabeça, esperando que alguém falasse algo logo. Pensou então que Peeta voltaria atrás e iria de uma vez até Finnick, acabando com ele rapidamente, mas ele não o fez. E a garota não sabia o que era pior.

— Por que só estou sabendo agora? — Finnick murmurou de repente.

— Ninguém sabia...- Annie disse baixo, encarando Katnnis em seguida — Exceto a Katniss… por isso eu viajei por tanto tempo.

— Você sabia? — Peeta disse surpreso, mas também não parecia nada feliz. Seu tom de voz foi até mesmo meio acusador. Ele se afastou de Katniss imediatamente — Como pode esconder isso de mim?

— Você não era uma pessoa agradável de se conviver! — Katniss gritou, desejando soltar toda a raiva que sentia naquele momento — E quer saber mais, querido? Eu a ajudei! Arrumei toda aquela maldita viagem… eu iria até assumir aquele filho!

Até Finnick ficou surpreso. Olhou para o casal que brigava, deixando Annie com certo medo. Tinha medo de ser a culpada de estragar com toda aquela felicidade. Afinal, ela que começara com toda a confusão. Poderia se odiar agora.

— Eu fingi estar grávida… fingi ter um filho seu! — Katniss falava sem pensar. Era preferível continuar assim — Tudo antes de Andrew chegar.

Você mentiu?— desta vez Peeta perguntou baixo.

Ele nem esperou por resposta, saiu com passos fortes da sala. Isso fez Katniss finalmente refletir sobre as palavras que acabara de dizer. Paralisou. Viu Annie e depois Finnick. Abaixou a cabeça, saindo da sala também, já com o rosto coberto de lágrimas.

****

Finnick soltou um ruído baixo de dor. Era a terceira vez que Annie tentava limpar aquele ferimento e ele recuava, como uma criança. A garota ria, mesmo estando impaciente. Os dois estavam nos fundos da casa, não conversavam desde o fim da briga há minutos atrás, mas Annie sugeriu limpar o rosto ferido dele, não querendo causar confusões dele com mais ninguém mais tarde.

— Fique quieto! — ela ordenou passando água em um lenço. Finnick bufou irritado — Quer mesmo voltar para casa desse jeito?

— Por que não me contou antes? — ele perguntou sério.

Annie paralisou. Não queria falar daquele assunto, mas ao mesmo tempo sabia que já estava na hora de esclarecer tudo.

— Você sempre vai ser um garotinho de onze anos, inconformado com a morte da mãe — ela disse, jogando o lenço molhado nele, preparando para se retirar. Se passasse para dentro da casa, tinha certeza de que nunca mais veria Finnick.

— Eu era — Annie parou no meio do caminho, ainda de costas para ele — Eu era um adolescente que sempre fantasiava ficar com você, como fiz com diversas outras… não tinha limite, nunca estive satisfeito.

— Não tem noção do que me causou! — ela se virou de repente, com os olhos cheios de lágrimas.

— Agora eu tenho — Finnick falou um pouco mais alto — Annie, se tivesse noção do quanto esses últimos dias foram estranhos para mim… você acreditaria nas minhas palavras.

— Como posso ter certeza?

— Porque você me fez crescer — Finnick andou até ela — Antes eu teria corrido, teria ignorado você… mas não, eu estou preocupado… chateado por ter sido horrível por todo esse tempo.

— Não precisa ter dó de mim — ele negou, tentando avançar ainda mais. Dessa vez Annie não queria fugir — O que está fazendo, Finnick?

— O que eu deveria ter feito naquele primeiro dia em que te levei para jantar.

E então ele a beijou.

****

Já era noite quando Katniss sentou na beirada da cama e suspirou cansada. Encolheu o corpo debaixo da camisola e olhou para os próprios pés, evitando o outro lado. Não queria se lembrar que uma parte da cama estava desocupada e que provavelmente nunca se ocuparia mais uma vez.

Duas noites aguentando aquela tortura, duas noites suportando o frio sozinha sabendo que nem mesmo um milagre o faria abrir a porta daquele quarto. Não que ela pudesse fazer muita coisa, tinha deixado bem claro que queria distância dele. E Peeta agora parecia querer o mesmo.

No mesmo dia da briga com Finnick ele desocupou o quarto e foi para outro, algo que Katniss não sabia dizer qual. Eles pararam de se esbarrar nos corredores, mal se viam. Eram só dois dias, porém, pareciam mais como dois séculos.

Na tarde anterior ela soube: tinha que sair daquele lugar também. Não sabia quando exatamente e nem como, mas iria embora e voltaria para a casa do pai. Seria horrível e Katniss conviveria com as fofocas pelo resto de sua vida, mesmo que essa fosse a única saída cabível. Não fazia mais sentido ficar naquele lugar, nem mesmo ela queria.

Limpou as lágrimas que escorriam pelas bochechas, chorando sempre em silêncio. Annie veio conversar horas antes com ela, mas não foi de grande ajuda, Katniss sentia que precisava fugir, não estava aguentando mais.

E então a porta do quarto abriu, fazendo-a assustar. Ela virou e viu Peeta, o único que poderia entrar naquela hora da noite, mas isso não fez seu coração acelerar. Não porque ele claramente não estava ali para pedir desculpas ou qualquer coisa que fosse, ele entrou com as mãos machucadas e o nariz sangrando. Exatamente como tinha ficado dias atrás após a briga com Finnick.

Katniss levantou imediatamente, olhando-o horrorizada. O que ele tinha feito dessa vez?

— O que aconteceu com você? — perguntou vendo-o tentar limpar o nariz com uma mão, mas só fez a sujeira aumentar.

— Nada.

— Menos, Peeta — ela murmurou irritada — Em que briga você se meteu dessa vez?

— Não é da sua conta.

Novamente ali estava ele, o verdadeiro Peeta. Era incrível como ele conseguia parecer o melhor marido do mundo por uns dias e depois deixar a máscara cair, revelando-se o mesmo de sempre. Talvez ele nunca fosse mudar, talvez não fosse para ficar juntos.

— Você está no meu quarto, tem a obrigação de me contar — Katniss disse mais segura dessa vez. Ela só não esperava vê-lo rir daquela forma.

Seu quarto? — Peeta disse irônico — Não tenho que contar nada, posso me cuidar sozinho.

— Então vá para o seu quarto e cuide de si mesmo. Não deveria ter vindo até aqui.

Katniss já estava preparada para dormir. Iria apenas subir na cama e fechar os olhos, esquecendo-se de que Peeta estava ali. Mas era impossível fazer alguma coisa enquanto ele continuava ali sem planos de ir embora.

— O que você quer? — ela perguntou grossa novamente. Por um momento viu algo brilhar nos olhos dele, mas julgou como sendo só um truque da mente. Peeta não tinha sentimentos.

— Se é o divórcio que você quer, posso arrumar tudo até segunda — ele disse sem expressão alguma. Katniss engoliu em seco.

— Tudo bem — ela murmurou e virou o rosto.

— Tudo bem o que? É o que você quer? — ela não respondeu — É, Katniss?

Ela não iria abrir a boca. Desistindo disso também, Peeta balançou a cabeça e caminhou até o banheiro, ali mesmo no quarto. Katniss o acompanhou com o olhar e o viu pegar algo para limpar o rosto. Ele fez uma careta de dor e tentou continuar, mas provavelmente não estava conseguindo muita coisa.

A garota foi até lá e parou numa distância segura.

— Posso dar um jeito nisso se quiser — disse sem pensar. Peeta levantou o rosto e pareceu hesitar, mas depois assentiu.

Um pouco depois uma das criadas arrumava as toalhas novas e uma bacia com água morna, nem se atrevendo a perguntar o porquê de Katniss precisar daquilo tudo. Ela tornou a sentar na beirada da cama e viu Peeta puxar as mangas da camisa, avaliando as próprias mãos. Ela puxou cuidadosamente uma delas e a limpou com atenção nos machucados.

Katniss não disse uma só palavra, mas sentia o olhar dele em si. Suas mãos pareciam tremer um pouco e as bochechas esquentaram, mas ela tratou de ignorar. Quando terminasse, Peeta iria sair do quarto e ela tornaria a ficar sozinha.

As mãos dele já estavam limpas quando ela se virou para o rosto dele, encontrando seus olhos. Era como se um choque percorresse seu corpo, tanto que era impossível encará-lo por tanto tempo. Olhando-o assim podia ter certeza de que ele só se parecia com o antigo Peeta, o que ela sentia falta. Mas algo dentro de si sempre avisava que estava enganada e que ele não era assim.

Mordeu o lábio e passou a toalha pelo machucado dele, vendo o sangue molhá-la. Peeta fez uma mínima careta, mas continuou quieto. Havia um leve cheiro de cigarro vindo dele, algo que Katniss tentou ignorar, não queria fazer mais perguntas. Quanto mais ficasse calada, mais rápido ele iria embora.

— Você não quer, não é? Posso sentir daqui — Peeta sussurrou. Isso a fez estremecer, mas ela fez como se não tivesse ouvido.

O olhar dele continuava nela, queimando-a.

— Me responde, Chérie.

— Não sei do que está falando.

— Se eu dizer que também não quero você me responde? Porque eu não quero — Peeta continuou. Katniss parou, afastando a toalha. Encontrou os olhos dele e sentiu seus músculos paralisarem — Não quero ficar longe de você.

Seu coração acelerou. Katniss sentiu as próprias batidas, que provavelmente se tornaram o único som no quarto.

— Não é bem assim, Peeta…

— Claro que é. Eu só quero mais uma chance.

— Eu te dei uma chance — ela sussurrava. Não queria chamar a atenção de mais ninguém.

— Não, você não deu. Eu não tive tempo… mas agora eu tenho. Não vai acontecer mais nada.

— Como pode ter certeza? Não quero que volte a ser o que era antes.

Katniss virou o rosto. Mordeu o lábio mais uma vez e fechou os olhos, desejando fugir dali. Poderia voltar para sua verdadeira casa no dia seguinte, não precisava ficar se torturando ainda mais. Porém, antes que pudesse fazer algo, ela sentiu a toalha sendo tirada da sua mão e a presença dele estava cada vez mais próxima, se tornando impossível afastá-lo.

— Eu não vou esperar mais — Peeta disse até como se fosse para si mesmo.

E no segundo seguinte ele puxava o rosto de Katniss, beijando-a sem sua permissão. Não foi tão forte como da última vez, quando ele a beijou na sala, assim como ela não sentiu a necessidade de afastá-lo. Sentiu os lábios dele e fechou os olhos com força, desejando chorar. Ela só não sabia se era de desespero ou de felicidade.

Mais um tempo tão próxima e ela já esquecia de suas promessas, perdendo a razão quando tocou em seu rosto. Sentia tanta falta dele que poderia morrer, Katniss não aguentava mais. E ela só foi perceber que estava completamente perdida quando suas costas já tocavam a cama e o corpo dele estava sobre o seu.

Ela abriu os olhos e viu Peeta da mesma forma, fitando-a em silêncio.

— Tudo bem — Katniss disse.

— Tudo bem o que? — ele perguntou quase desesperado. A garota não respondeu — Fala, Katniss. Me responde com todas as palavras.

— Você está certo… eu também não quero — ela sussurrou — Mas meus motivos vão bem além disso.

— Então esqueça-os por pelo menos agora.

Katniss não teve muito o que fazer. Não quando seu coração falava bem mais alto, pedindo para estar perto dele. E ela o fez, esqueceu seus maiores motivos, abraçando-o com toda a força, ignorando que a minutos atrás Peeta entrava naquele quarto com alguns machucados. Ela não queria saber o que o levou a fazer aquilo, estava apenas feliz por tê-lo ali.

Katniss o amava. Sempre o amaria. Amava cada olhar, cada toque, cada palavra e, principalmente, cada beijo. Ela amava aquele Peeta. Amava aquele e até mesmo o antigo, o que a maltratou durante semanas mas que de alguma forma aprendeu com ela uma coisa muito maior. Seria impossível ficar longe, mesmo sendo certo ou não.

E quando amanheceu, fazendo-a abrir os olhos e encarar o outro lado da cama, onde ele deveria estar, encontrou apenas o vazio. Katniss franziu o cenho, mas depois sorriu. Peeta tinha feito o certo.

Porém, mesmo que seu coração apertasse por não vê-lo ali, ela sorriu ainda mais por encontrar algo colocado sobre o travesseiro dele, algo que foi deixado especialmente para ela. Katniss se apressou em pegar, abrindo a caixinha com o maior cuidado.

Era um anel. Mas não qualquer anel, era o que ela usou após o noivado e o tirou após o casamento, esquecendo-se de colocar de volta. Quando conheceu Peeta, Katniss proibiu a si mesma de usar algo como aquilo, tinha até se esquecido que aquele anel ainda existia, provavelmente ele tinha encontrado e escondido antes que ela se lembrasse.

Porém, isso não vinha ao caso agora. Katniss pegou o objeto e o analisou, pensando bem se o colocava no dedo ou não. Olhou para a porta e depois de volta para o anel, demorando um pouco. Mas no final soube exatamente o que fazer.

FIM

Notas finais
O que acharam? Deixem seus palpites sobre o que pode ou não acontecer na próxima temporada. Eu ainda estou editando os capítulo, então pode ser que demore uns dias para postar a continuação, mas vou tentar ser o mais rápida possível. E claro, queria agradecer a todos que acompanham AF. Seja desde o início, ou desde uns dias atrás, não interessa, fico muito feliz por todo o apoio. E mal posso esperar para a próxima fase, espero de verdade que vocês continuem aqui comigo. Beijos! Perfil no Wattpad: https://www.wattpad.com/user/ScreamQueen25
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!