Atração Fatal

20 Capítulo 20: Not Ready For Goodbye


“Querido Cato,

Estou escrevendo porque continuo sentindo a sua falta. Sei que já deve estar cansado de ouvir esta frase, só não sei se sente o mesmo. Madge sempre me alerta: ‘Esqueça-o Katniss, se ele te ama, ainda vai voltar’. E eu permaneço pensando nisso. Seria verdade? Porque se fosse... você iria retornar, certo? Mas eu ainda te sinto longe, não falo contigo há semanas e minhas cartas parecem ser ignoradas.

Amanhã soube que você volta. Saiba que vou te esperar até o último segundo... você prometeu que seríamos felizes, lembra? Eu ainda acredito.

Sou uma boba apaixonada que sofre por amor. Me sinto na Idade Média. Poderia fazer poemas e mandá-los, só não nasci com o dom da criatividade, além de não gostar de lamentar, minha mãe me ensinou a ser forte. Continuo a sua espera, sempre serei sua. Lembranças de,

Katniss Everdeen.”

Katniss se corroía de emoção, parecia uma pluminha toda empacotada na neve. Só se percebiam os cabelos escuros. Olhou a última carta que mandou a Cato, essa tinha chegado de volta nesta manhã e ela já estava bem acostumada com esses presentes.

De repente seus olhos foram parar mais longe, para além da carta. Percebeu Peeta levar o filho de volta a Glimmer. Sentiu seu corpo arrepiar, mas voltou aos papeis.

Antes dessa recebera mais três, todas que ela havia mandado para Cato anos atrás. Perguntava as empregadas sobre quem as entregava, só que ninguém sabia responder. Achava estranho, as vezes tinha uns sonhos, as vezes sentia ser observada quando saía pela cidade, nada de muito.

Suas lembranças sobre o dia em que o esperou na estação de trem retornaram a sua mente. Katniss assustou-se vendo um outro papel escorregar do envelope.

“Acho que perdi tempo demais, mas sempre cumpro as minhas promessas. Lembrei delas ao ler a seguinte frase: Lembranças ao pequeno herdeiro de Londres. O Futuro Mr. Mellark-1816/1816.

Nunca esqueça de jogar uma rosa branca antes de partir.

—C”.

Katniss arfou, precisou se segurar no banco, seria capaz de cair mesmo estando sentada. Só ela entenderia? Provavelmente sim. Algo dentro de si dizia para esqueçer, isso nunca daria certo.

Mas suas pernas imploravam, ela se sentia até diminuir, ficando como uma adolescente de 15 anos. Precisava saber o que acontecia, precisava tirar suas dúvidas. Então, a única coisa que restou foi seguir o seu coração.

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Peeta deixou cuidadosamente o filho no berço. A criança dormia tanto, que parecia tão inocente, como se não fosse rodeado por problemas. Era o único motivo para fazer o pai pensar, afinal, o que ele fez com Katniss na noite anterior foi algo fora do normal.

Não era como se ele nunca tivesse feito coisas piores do que aquilo à ela, mas o atrevimento da garota em lhe dar um tapa no rosto... o fez acordar.

Bons minutos parado encarando a porta por onde ela tinha saído foram o bastante para que falshes passassem diante dos olhos dele, fazendo-o ver tudo o que tinha acontecido e tudo o que ele tinha feito sem pensar. E agora as coisas pareciam ter mais sentido, a confusão na mente dele parecia ter acabado.

Peeta tinha a resposta o tempo todo. Nesses últimos dias ele já sabia o que queria, só não tinha coragem de admitir. Era uma vergonha, sem dúvida. E aquilo o fez rir de si próprio, das próprias atitudes.

Como pode ser tão burro?

Mas agora Peeta havia cansado de enganar a si e a todos ao seu redor. Dane-se ou não, ele tinha uma decisão e iria até o fim.

— Estava te esperando — Glimmer o abraçou por trás, sempre falando com a voz doce. Os dois pararam para olhar o bebê que relaxava.

— Todos adoraram Andrew — Peeta disse também tranquilo — Pena que você vai voltar para Paris e...

— Eu queria falar sobre isso — a loira o cortou imediatamente, forçando um sorriso. Sempre fazia isso quando iniciava esse tipo de conversa — Acho que vou amanhã. Você já resolveu?

— Então... também vim conversar a respeito disso com você — Peeta se distanciou, soltando-se dos braços de Glimmer. Nem sequer olhos nos olhos dela. E isso fez com que um nó se formasse na garganta da garota, fazendo-a pensar que ela não deixaria seus planos falharem.

— Sei o quanto é difícil, mas você gostava do seu curso de medicina, tem o Louis que sente muito a sua falta e o papai iria adorar saber que eu me casei com um inglês — ela fez a cara manhosa. Simulou certas lágrimas nos olhos, puxando-o pelo braço. Peeta a observou por uns segundos.

— Será difícil, nós sabemos — ele tocou em seu rosto — Mas temos uma família, certo? Eu nunca fujo das minhas responsabilidades.

Glimmer nem o esperou terminar de falar, tratando de pular em seus braços. Ela soltava algumas palavras para expressar a sua felicidade, deixando-as saírem até altas demais. Mas isso não atrapalhou o bebê, afinal, dentro de si o alívio tomava conta.

Peeta tinha escolhido a ela, dane-se o resto. Glimmer, como sempre, tinha vencido a luta.

— Vamos pegar o trem amanhã a tarde — Peeta disse com a mesma expressão de antes, só sorrindo um pouco. Glimmer selou seus lábios.

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Katniss finalmente conseguiu chegar ao cemitério. Fugiu de casa sem ninguém ao menos ver, caminhando até o túmulo de sua mãe.

As duas pessoas mais importantes de sua vida estavam ali: Mrs. Everdeen e seu falecido filho.

E ela sabia o que encontraria naquele lugar. Uma brisa fria passou por seu corpo e ela notou uma rosa branca no meio de tantas outras, mas esta era diferente.

Então, percebeu um frio mais forte do que o normal. Se encolheu dentro das roupas, vendo folhas e mais folhas congeladas voarem. O lugar era deserto, só que Katniss sentia mais um par de olhos ali. Observou a rosa, que tinha um laço vermelho que estava amarrado no caule.

Já admirada com aquilo, a garota pegou a flor, lendo a seguinte mensagem: "O que não te mata, te fortalece".

E ela pensou rir daquilo, sentindo seu coração martelar nos seus ouvidos. Mas a única reação que teve foi Prender a respiração por uns instantes, largando o laço em que aquelas palavras estavam escritas. Tudo antes de ouvir passos se aproximarem.

— Pensei que nunca entenderia — Katniss deu dois passos para trás imediatamente. Sua expressão era de terror. O fato de estar num cemitério deserto levava até as suas próprias dúvidas.

Aquilo seria possível?

— O-o q-que você fa-faz aqui? — ela gaguejou olhando a figura parada na sua frente.

Por que custava tanto acreditar no que via?

— Estive aqui o tempo todo, só você não viu — Cato deu os ombros, abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Ele estava mais alto, mais homem. Quer dizer, Cato estava mais forte, diferente daquele garoto ranzinzo de 16 anos. Mancou um pouco quando tentou se aproximar de Katniss e tinha os cabelos rebeldes, como sempre gostou de mantê-los.

A Everdeen ainda percebeu marcas no rosto dele, cicatrizes que ganhara há um longo tempo e que ela não conhecia.

Seria uma assombração? Melhor que fosse.

— C-como assim?— ela olhou para os lados, certificando-se de que havia somente os dois naquele lugar — Por que só apareceu agora?

— É uma longa história, Kat, melhor não contar nsse frio — ele ofereceu a mão a garota, que recusou. Katniss ainda estava tentando se acostumar com a novidade.

— Sinto muito, Cato, é melhor você ir.

— Quero conversar — insistiu já decidido — Quero esclarecer tudo. Vamos... prometo que não vou demorar.

E quem disse que ela resistiria a aquele charme? Sua curiosidade era grande demais e Katniss acabou aceitando. Confiava em Cato, ele sempre foi uma boa pessoa para ela.

A garota tentava andar devagar ao seu lado, percebendo que ele tinha problemas com a perna esquerda, já que mancava. E então resolveu guardar as perguntas sobre aquele detalhe para depois.

Ela foi levada a uma pequena casinha não muito longe dali. A lareira estava acesa e isso foi o suficiente para Katniss se sentir mais tranquila e retirar o casaco que vestia. Cato ofereceu uma poltrona e logo chegou com um chá, como se esperasse por aquele momento.

A garota deixou seus olhos correrem pelas paredes, pelas fotos da mãe dele, da avó que ela viu poucas vezes, dele com alguns amigos do exército... e uma dela, mesmo que seja bem escura, devido ao fato de não haverem cores nessa época, encostada em uma mesinha.

— Bom... você deve achar que eu sou uma assombração — Cato relaxou em outra poltrona. Katniss assentiu, dando um gole no chá — Mas por incrível que pareça eu estou aqui. De verdade.

— Então por quê não voltou no dia em que eu te procurei? — ela foi imediatamente ao assunto, não podia ficar tanto tempo fora de casa.

— Eu recebi todas as suas cartas, as li e reli. Respondi algumas e depois fiquei um pouco longe porque não podiam descobrir que eu fazia isso — ele passou as mãos nos joelhos, aquecendo-se do frio — Eu não saí livre da guerra, Kat, como pode ver tenho feridas no rosto e... levei um tiro na perna, por isso estou manco.

— Ah... — a garota tentou falar algo, mas não conseguiu achar a voz, voltando a prestar a atenção nele — Ainda não respondeu a minha pergunta.

— Então... — Cato respirou fundo, esticando um pouco o tronco para frente — Como levei um tiro, obviamente fui parar no hospital e me recuperei antes da data prevista de volta para Londres. Só não esperava ser chamado de verdade para ser um verdadeiro soldado e fazer aquelas coisas de “servir a pátria”. Eles me levaram a treinamentos, fiz dezenas de testes... mas não consegui.

— Por isso não voltou com os outros jovens? — Cato assentiu, sempre olhando no fundo dos olhos dela.

— Passei três meses em treinamento, me afastei da família, de tudo. Preferi ficar invisível para não fazer minha mãe sofrer — ele encarou a foto da mulher na parede, olhando com admiração — Depois voltei a Londres em sua busca. Mandei cartas por um ano, todos os dias... só nunca recebi resposta. E então passei a viver aqui escondido, sempre a sua espera.

— Desculpe, mas... eu nunca recebi as suas cartas — Katniss o interrompeu, sentindo um certo incômodo passar por todo o seu corpo. O garoto franziu a testa, voltando a falar.

— Bom, eu mandei todas endereçadas a sua casa. Nunca te vi, até meses atrás. Você estava se casando — Cato forçou um riso — Todos comentavam na cidade. E, claro, eu acabei descobrindo sobre o casamento.

— Você deveria ter me procurado! — ela deixou a xícara de lado, sentindo os olhos arderem — Eu fui obrigada a fazer aquilo... se você tivesse aparecido antes, isso nunca teria acontecido!

— Eu fingi te esquecer quando soube da história do casamento — o garoto também alterou a voz — Mas ele não te faz feliz, certo? Eu o via andar pela cidade a procura de outra mulher. Via você andar distante enquanto fazia compras. E eu aguentei até ver aquele túmulo. Aquilo foi o fim para mim.

— Por que você fez isso? — a garota perguntava com um fio de voz. Se levantou, decidida a ir embora dali, não queria o ver nunca mais. Cato coçou o pescoço, certo de que depois de tanto sofrer, não iria deixá-la ir, não assim — Agora é tarde demais!

— Não, não é — ele agarrou seu braço. Katniss amoleceu, sentia tanta falta daquele toque. Sentia falta daquele olhar — Eu vim por você. E nunca vou te deixar ir novamente.

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Traição é imperdoável.

Katniss pensava naquelas palavras enquanto seus olhos tornavam a se fechar. Ela sabia que tudo aquilo era verdade, que trair não era certo. Mas seu corpo não resistia, não a ele. Só foi Cato tocá-la para ela ter essa explosão de emoções. Sentir suas pernas perderem a resistência e ele ter que sustentá-la em pé.

O problema era que a culpa voltava a tomar conta do corpo da garota, a impedindo de continuar.

Principalmente porque era casada e amava seu marido. Ela poderia não ser correspondida, mas ainda sim era fiel. Sua aliança pesava, Katniss se deixava ser carregada por Cato. Ela o amou por muito tempo, até se odiar por sentir tudo isso, por sofrer ao perdê-lo muito cedo.

E então Peeta reverteu a história. O jeito que ele a esnobava, mas que a amava quando realmente queria fazia o coração dela quase explodir. Ela respirava por ele. Cato poderia beijá-la como fosse, seja de uma forma apaixonada ou com violência e desespero como fazia agora. Porém, isso não a faria esquecer de quem ela realmente queria ali.

De quem Katniss queria beijar, de quem Katniss queria tocar e dizer que amava. Era uma estúpida. Uma estúpida apaixonada. Isso porque ela se apaixonou pelo pior monstro de todos e agora recebia as consequências.

Quem dera se ela pudesse retribuir Cato como fazia antigamente. Beijá-lo não era a mesma coisa. Katniss tocava em suas costas tentando sentir um outro calor, que por acaso não estava ali. Deveria estar com outra mulher.

— Já chega, por favor — ela o interrompeu, não querendo ultrapassar dos beijos. Viu Cato com a boca vermelha a encarar com confusão — Eu não consigo.

— Não me diga que... — ele se distanciou assustado — Você esqueceu?

— Nunca — a garota passou as mãos nos cabelos, tímida — Eu sempre te amei, Cato, mas o tempo passa. Não podemos evitá-lo.

— Você não me ama mais, certo? — ele sentiu uma facada no coração, nunca pensou que sua menina faria aquilo. Talvez realmente fosse tarde.

Katniss, com muito esforço, assentiu com a cabeça. A imagem de seu marido voltou a sua mente, fazendo ela se odiava por isso. Não conseguia se entregar a outro homem, tudo porque queria as mãos dele a tocando. Queria sentir o cheiro dele e ouvir a voz também.

Cato pareceu se conformar, se retirando do cômodo.

— Saiba que isso é idiotice — ele dissera antes de ir — Eu sempre estarei aqui, não importa o que acontecer.

— Eu não pude evitar — Katniss secou as lágrimas, sabendo que tinha revelado seus sentimentos até demais. Ela pode ter sofrido, mas não iria deixar Cato assim, ele era alguém importante. Muito importante — Poderia me encontrar amanhã a tarde. Perto do túmulo da minha mãe?

— Claro — o garoto sorriu por uma última vez.

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— S-sério? O defunto retornou dos mortos? — Annie tinha uma certa ironia na fala, mas estava preocupada. Talvez Katniss estivesse doente.

— Na verdade... ele nunca foi um defunto — a garota tirou os lençóis do corpo. Acordara assim, com a morena em seus pés pedindo por informações. E ela não segurou em dar.

Katniss faltava estrangular a amiga por ter deixado Christine para trás. Por mais que achasse linda a ação de Effie, ainda ficou decepcionada. Contou sobre a grande falha na gravidez, os sonhos que teve e por fim, Cato.

Iria encontrá-lo pela tarde, só que ainda estava incerta sobre isso. Mesmo que ele não causasse tanto desejo nela como antes, Cato era um pedaço de si. Era maravilhoso, mas ao mesmo tempo aterrorizante tê-lo de volta num momento como aquele.

— Ah não, Kat. Isso é muito estranho — Annie disse coçando os cabelos, como fazia quando ficava nervosa — Ele te obrigou a fazer alguma coisa?

— Não, claro que não — podia acontecer o que fosse, mas Cato nunca a obrigaria fazer nada que ela não desejasse — Ele não é assim. Você não o conhece.

— Só que você ama o Peeta! Vocês são lindos juntos e... — Katniss riu sarcástica. Belo adjetivo para caracterizar os dois — Tudo bem, talvez nem tanto... mas você é casada, Katniss!

— Eu sei, acho que não sou capaz de trair — ela levantou e se sentou de frente a penteadeira, podia ver o reflexo de Annie atrás de si enquanto arrumava os cabelos — Apesar de que Cato foi... foi tudo para mim.

— Se acha que não pode trair, então por quê vai encontrá-lo hoje? — Annie perguntou interessada, queria fazer algo para resolver, mas sabia que era impossível.

— Cato e eu temos coisas para resolver — Katniss se afastou do espelho, caminhando até o armário para procurar um vestido — Você não sabe o quanto isso me assusta, mas ao mesmo tempo me deixa muito aliviada.

Annie desistiu de argumentar, preferiu se retirar do quarto. E naquele momento as últimas falas de Effie vieram à tona. Tinha que falar com Finnick. Teria que ter muita coragem, como iria encará-lo depois de tanto tempo? O que iria falar? Só que prometera, não tinha com fugir.

Katniss, pelo contrário, tomou seu banho. Passou tanto tempo ali que nem se lembrou do resto das tarefas do dia. Se cobriu e saiu do banheiro, dando de cara com alguém nada bem vindo.

Maldito mal-estar, sentia seus pêlos arrepiarem só de vê-lo.

Peeta estava pálido, parecia um morto. Arrumava uns objetos, parecendo não notar a sua presença.

— Vai mudar de quarto? Agora de verdade? — Katniss perguntou, forçando um riso. Notava que as vezes ele ia dormir na mesma cama que ela, mas saía cedo só para não pegá-la acordada.

E agora Peeta tirava suas roupas do guarda-roupa e colocava as peças numa mala.

— Não — foi a única palavra que disse. Katniss assustou-se com a reação dele e resolveu não protestar — O que está fazendo aqui?

— Esperando você sair. Quero me vestir — Peeta bufou, percebendo pela primeira vez que ela havia acabado de sair do banho e tinha apenas um pano branco cobrindo o corpo. Preferiu virar para o outro lado, mesmo sabendo que nada resolveria. Katniss caminhou até o seu lado do guarda roupa e pegou o que queria vestir — Aonde está indo com essas roupas? — ela perguntou, terminando de colocar as peças de baixo e pegar um espartilho qualquer.

— Eu... vou, hum... — Peeta passou as mãos nos cabelos, pensativo — Resolver umas coisas.

— Ótimo — ela falou sem pensar. Esticou as mãos para trás, tentando amarrar os cordões. Xingou o que tentava vestir, era impossível de colocar — Er...Pode puxar para mim?

Katniss pediu meio tímida. Queria ajuda para puxar uma corda e apertar mais o espartilho, só que suas mãos não alcançavam. Peeta paralisou alguns segundos, pegou-a depois do choque e começou a fazer o trabalho.

A garota precisou se segurar na ponta de penteadeira, a força que ele usava era demais, mas era o suficiente. E nisso ela se lembrou da primeira vez que ele a ajudara. Mas era melhor não se lembrar agora.

— Está bom? — Peeta perguntou e ela assentiu, sentindo ele dar o laço logo depois. Voltou ao seu lugar, só que antes não deixou de colocar um beijo no ombro descoberto dela.

— Até logo, Peeta! — a frase de Kaniss ficou no ar, sendo abafada pela porta do quarto que foi batida com força. Ele tinha levado as roupas, ignorando-a completamente.

Katniss deu os ombros. Horas depois tinha um encontro a ir, sabia que Peeta arranjaria uma confusão sobre a volta de Cato e ela tinha grandes argumentos para evitar isso. E também sabia que ele voltaria daqui a pouco de bom ou mal humor, evitando falar.

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Glimmer cobriu o rosto com um chapéu nada discreto numa coloração branca. Ignorava os olhares de inveja ou de desaprovação. Era difícil para as outras pessoas vê-la com Peeta, já que quem deveria estar ali era Katniss.

Glimmer não se importava. Iria fugir e cumprir a sua parte do plano. Peeta carregava as malas apressado, correndo para pegar o trem. A mulher segurava Andrew nos braços.

Vendo que não precisaria de muito esforço, Glimmer deixou a baixinha em paz, ela seria feliz, vendo o filho morto e agora sem até mesmo o marido do lado. Enquanto estaria em Paris, Katniss recordaria de lembranças do passado.

Ótimo final para Glimmer, só faltava o “ e viveram felizes para sempre”.

No meio de todos esses pensamentos que a faziam sorrir, ela viu Peeta parar de frente ao trem, deixando as malas no chão.

— Que foi, querido? — Glimmer perguntou angelicalmente — Peça para que algum funcionário carregue isso a você.

— Me dê o Andrew — Peeta pediu friamente. Franzindo a testa, ela deu a criança, que no colo do pai pareceu ganhar uma cor mais viva, colocando uma mãozinha na boca. Peeta sorriu para o filho, dando um passo ao lado, como se estivesse abrindo passagem — Pronto.

Ele disse por fim, deixando-a ainda mais confusa.

— O-o que? O que está pronto? — Glimmer perguntou desconfiada, sentindo suas mãos ficarem trêmulas.

— Está livre agora — Peeta disse dando os ombros — Andrew não te atrapalhará mais e você poderá voltar para casa.

— Como? — ela soltou um riso nervoso. Naquele momento Glimmer desejava levar um belo tapa para ver se acordava daquele terrível sonho — Nós vamos juntos, Peeta!

— Você queria voltar a Paris, eu aceitei — ele ajeitou a criança no colo, vendo que Andrew ria ao encontrar o relógio de bolso dele, brincando com o cordãozinho — Nunca disse que iria junto.

— Mas... — era verdade. Peeta nunca dissera uma palavra sobre aquilo, era tudo uma armação. Glimmer foi enganada — Mas você vai me deixar aqui? Você prometeu!

— Olha... isso é muito mais difícil para mim. Sei que teria de magoar alguém e eu sinto muito...

— Você... Você vai me abandonar? — Glimmer ignorou as pessoas que passavam ao redor, todas interessadas.

— Vou fazer a escolha certa — um certo homem carregou as malas da mulher para dentro do trem. Glimmer já preparava a sua fantástica cena dramática — Eu juro que não acreditei, mas você não me pertence. Poderá ficar sozinha, eu ficarei com Andrew e ele terá a melhor vida possível.

— Isso é mentira!— protestou — Ela... ela te enfeitiçou, só pode! Você nunca foi assim!

— Katniss me pertence agora...- Peeta respirou fundo, se preparando para a saída. Mas antes diria as palavras necessárias — ... assim como eu pertenço a ela, por toda a eternidade.