Atos de Vingança Ii
2 Capítulo 1
Atos de Vingança II
Capítulo I
Um mês após o Ataque ao Santuário.
“Vou lembrar de seu nome, Shun de Andrômeda. Adeus”.
“Vou lembrar de seu nome, Shun de Andrômeda. Adeus”.
“Vou lembrar de seu nome, Shun de Andrômeda. Adeus”.
Essas palavras ecoam na mente de Ikki, o Cavaleiro de Bronze de Fênix. Ele consegue ver nitidamente a pessoa que as proferiu, Thallas de Leviatã, Cão-Líder dos exércitos das Erínias e seu Sumo-Sacerdote. O louro guerreiro de olhos acinzentados que o derrotara, o homem que cortara as asas da Fênix, deixando-a em um estado tal que nada pôde fazer para salvar seu irmão.
Ikki lembra de ter visto, ou pelo menos acha que viu, o vulto de June de Camaleão correndo em desespero até Andrômeda; de ter ouvido o grito de surpresa de Hyoga e Shiryu seguido pelo som de seus ossos partindo com o ataque impiedoso de seus adversários. E mais do que tudo o que ele jamais esquecerá é do olhar de seu irmão ao ter o peito atingido pelo golpe de Thallas e cair sem vida sobre o corpo do também falecido Pégaso.
Fênix gritou como jamais gritara, com mais ódio do que quando descobriu ser filho de Mitsumasa Kido, com uma dor maior do que a que sentira ao ver sua amada Esmeralda ser morta por seu mestre. Enquanto corria e amaldiçoava a esmo tentando atingir o algoz de seu irmão uma maravilhosa luz dourada banhou o Santuário partindo do Templo de Athena. Depois disso tudo o que ele se lembra é da escuridão. Escuridão essa que começa a se desvanecer.
- SHUUUUUUUUUUUUUUNNNN!
- Oh! O senhor acordou, senhor Ikki! – uma jovem de tranças negras carregando uma bandeja de madeira o cumprimenta.
- Quem?
- Sou Shunrei, acho que não fomos apresentados ainda. Prazer — diz a jovem se aproximando e tirando um termômetro debaixo do braço do cavaleiro.
- Ah, sim. A filha adotiva do Velho Mestre. – Fênix está completamente confuso – Mas o que está fazendo na Grécia?
- A pergunta certa seria o que estamos fazendo em Rozan. – diz um jovem de longos cabelos negros entrando no pequeno cômodo amparado por muletas.
- Shiryu? Rozan? Como?
- Você deve ter notado uma grande luz que inundou o Santuário após...quando...- Shiryu não sabe como completar a frase, nem tem coragem de encarar Ikki.
- Eu...Eu notei sim – responde o cavaleiro encarando o chão, os olhos úmidos.
- Ikki...
- O que tem a luz, Shiryu? – Fênix ergue um rosto pretensamente impassível para o amigo e irmão.
Shiryu respira fundo antes de dizer, na verdade nem ele nem os outros cavaleiros que estão em Rozan sabem exatamente o que houve. Num instante estavam sendo massacrados e no outro estavam aos pés da cachoeira de Rozan.
- Eu tive uma sensação ruim enquanto dormia, então, como sempre faço, fui rezar um pouco aos pés da cachoeira e encontrei vocês.
- Quer dizer que fomos teleportados para cá?
- Não sei. Estou tão confuso quanto você, quando acordei Shunrei estava cuidando de mim e dos outros.
- Outros?
- Todos os cavaleiros e servos do Santuário vieram para cá, os vivos pelo menos.
- O que quer dizer?
- Athena deve ter nos enviado para a segurança quando viu que a derrota era inevitável. Basicamente o mesmo que ela fez quando enfrentávamos Hades. – Hyoga entra no quarto mancando com uma tipóia no braço e várias ataduras cobrindo suas queimaduras.
- Então nós fracassamos...
Os três ficam em silêncio sem coragem de se encarar, mas Shunrei quebra o silêncio.
- Se Athena os salvou é por que confia em vocês! Não fiquem assim, vocês não são máquinas! Agora ergam as cabeças e vão lá fora! Tem muitas pessoas precisando de vocês.
Ikki se levanta e junto com os outros dois sai da casa do Velho Mestre, do lado de fora estão vários Cavaleiros de Prata, Bronze, aprendizes e servos andando de um lado para o outro tentando manter a mente ocupada para esquecerem o pesadelo passado. Uma voz conhecida faz Fênix esquecer momentaneamente a dor.
- VOCÊ TÁ VIVO, TATSUME? – pergunta o rapaz ao ver o tedioso e atrapalhado mordomo dos Kido praticamente ileso em sua armadura de Kendô.
- Ahhh...Eu...Eu...Eu mostrei a eles que não é qualquer um que assusta Tatsumi Tokumaru 3º dan de...
- Tá, tá, tá, tá chega de lorota, Tatsumi! – diz Jabu que estava sentado ali perto com as duas pernas imobilizadas – Esse doido tentou fugir, mas quando viu os soldados inimigos subindo pelas doze casas se escondeu embaixo do Trono de Lótus do Shaka e ficou lá até a hora em que aquela luz tirou a gente do Santuário!
- Ahhhh...errr...beeem...
- Covarde! – Ikki se vira para os outros – Quantos não conseguiram?
- Vários aprendizes, servos e soldados além de Mozes, Arghéti, Tremi, Ichi, e...- Jabu baixa os olhos. –...Seiya e Shun...
O rosto de Ikki se fecha, novamente a imagem de Leviatã atacando seu irmão lhe vem à mente.
- E a June?
- Está muda desde que tudo aconteceu...Shunrei e Shina estão tentando ajudar, mas...
- Kiki está melhorando. –Marin se aproxima deles.- Em breve poderá comer sólidos de novo.
- Kiki? Que tem ele? – Ikki se lembra vagamente de ter visto o jovem aprendiz do cavaleiro de Áries em combate.
- Temos sérios motivos para crer que os dourado estão mortos, Mu inclusive.
- E como as nossas armaduras, ao contrário da sua, não se regeneram sozinhas...
- Ele é o único que pode consertá-las.
- Sem ferramentas? – Jabu pergunta.
- Assim que pudermos reunir um grupo razoavelmente são iremos a Jamiel.- diz Shiryu – Mu deve ter deixado parte de suas coisas na torre e é contando com isso que iremos para lá.
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Jamiel seis meses depois
Ikki, Hyoga, Jabu, Shiryu, Dante, Jamian, Geki, Capela, Misty, Kiki, e Tatsumi (alguém teria de arrumar a torre), chegaram ao ponto culminante da subida, basta atravessar o cemitério de armaduras e a torre de Mu seria visível.
- Nossa, estou exausto! – Misty está a um passo de deixar sua urna no chão – Falta muito?
- Só alguns metros. – Kiki está sendo carregado por Ikki, pois ainda não consegue caminhar direito.
- Estranho, os espectros estão silenciosos, já deveriam ter se manifestado a essa altura.
- E-e-e-espectros? – pergunta Tatsumi apavorado
- Cavaleiros que morreram na travessia pelas montanhas e que agora guardam o caminho até a torre de Mu.
- Tipo aqueles ali? – diz Jamian apontando para um monte de cadáveres vestindo armaduras caídos à frente.
- Ahhhhhhhhh, ESPECTROOOO!
Tatsumi corre na direção contrária ao ver a cena, mas é detido por Geki de Urso, o que segura pelas calças e o arrasta até perto dos cadáveres.
- Presta atenção, idiota! Isso é só um cadáver, um simples esqueleto. Espectros emanam um cosmo sinistro e se movem! Estes aqui mal tem ossos quanto mais cosmo. Palerma... – Dante pega o crânio, mostra a Tatsumi e depois o joga nas mãos do apavorado homem.
- Ah..ah...ah...eca! – o mordomo se atrapalha com o grotesco objeto e o deixa se espatifar no chão.
- Falando em cosmo sinistro há um pairando por aqui.
- Concordo. – diz Hyoga olhando em volta – E não vem dos cadáveres.
- É um cosmo conhecido, mas não sei identificar. – Capela pega um de seus avariados discos e se põe em guarda
- O QUE VOCÊS QUEREM PARA ENTRAR AQUI DE UMA VEZ? CONVITES PESSOAIS COM SEUS NOMES GRAVADOS A OURO? — uma voz irritada ecoa pelas encostas
- Quem? – Misty se põe de pé assustado
- Não pode ser!
- Impossível!
- Você estava morto! — Shiryu não acredita no que ouve.
- E VOCÊS TAMBÉM, BANDO DE PALERMAS! ANDEM LOGO NÃO TEMOS A ETERNIDADE TODA! E ESPERO QUE TENHAM TRAZIDO COMIDA POR QUE A DAQUI ACABOU!
- Máscara da Morte! – os onze gritam estupefatos.
- Quem vocês esperavam? O Papa? Vamos logo, tragam o pirralho para dentro! Se é para desperdiçar meu precioso sangue é melhor começar logo, temos uma guerra para vencer.
Continua...
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