Atos 4

3 O Sortudo


Notas iniciais
Weasley Ronald - O sortudo. Granger Hermione - A insegura.

Ato III — Weasley Ronald

O Sortudo

Com o canto dos olhos, observou-os conversando debaixo do salgueiro.

Expressões neutras, gestos lentos, olhos fixos. Apenas uma boa amiga distraindo e acalmando o nubente antes do momento decisivo.

Embora o noivo Potter estivesse se mostrando muito distinto do noivo Weasley.

No dia de seu casamento, Rony sentia o corpo todo vermelho e suado, derretendo de nervoso e, cada segundo do atraso tradicional da noiva, foi, efetivamente, uma tortura. A voz fina, infantil e cruel em sua cabeça dizendo-lhe uma e outra vez que Hermione estava arrependida, que tinha fugido ciente de que merecia alguém melhor.

Se Harry não fosse o padrinho e não estivesse bem ali no altar, diante dos seus olhos, teria enlouquecido.

A verdade é — e isso não poderia negar — que, embora não fosse o jogador de quadribol que imaginara, embora não fosse o bruxo poderoso que imaginara e tampouco fosse o homem que imaginara, possuía a sorte que muitos jogadores, bruxos e homens desejavam. E, graças a essa sorte, era capaz de desfrutar do fato de estar vivo, de ainda possuir a amizade do Potter, o amor da Granger.

Por ter aprendido, justamente, a ser grato e não querendo abusar da fortuna que já tanto tinha lhe favorecido — lembrava-se das palavras da mãe: “sempre tem mais sorte, quem não abusa dela” — preferiu ficar ali, ouvindo Neville falar qualquer coisa desinteressante sobre plantas ao invés de aproximar-se dos dois e se impor. O antigo Rony certamente teria feito isso. Irritado e magoado com a cumplicidade entre os melhores amigos, teria cruzado os braços, emburrado e armado uma cena fazendo com que a esposa o seguisse chorando e afirmando que não estava acontecendo nada demais. Quer dizer, isso, provavelmente, também teria sido a antiga Hermione. A mulher que saiu da guerra não era mais tão paciente. Quem sabe não o teria seguido com os olhos secos somente para terminar tudo ali mesmo?

Rony não podia arriscar. Todos os tipos de sorte possuem prazos de validade e ele não queria adiantar o da sua. Optou pela parcimônia: não se aproximou, nem ao menos ficou encarando-os. Olhos são expressivos e não queria causar nenhum mal entendido.

— Está na hora. — disse Neville baixinho, empurrando-o gentilmente pelo ombro e dirigindo-se ao lugar próximo de Luna.

Antes de sentar na cadeira ao seu lado, Hermione lhe dedicou um sorriso. O Weasley retribuiu contente. Ter aquela mulher em sua vida, como sua esposa, era mais sorte do que merecia e, no momento, não gostaria mais contar com a sina. Preferia fazer por merecer.