Atormentada
7 Uma virada no jogo.
Notas iniciais
As altas estátuas do cemitério faziam sombra sobre Catherine enquanto ela andava pelas calçadas de Blue Sky. Era como uma cidade fantasma. Não havia ninguém nas ruas mal-iluminadas e a neblina se estendia sobre as árvores secas. As noites ali eram quase congelantes, as temperaturas eram sempre negativas. Blue Sky fazia fronteira com o Canadá, era uma das cidades mais frias do Minnesota. O único som era o de seus passos batendo contra a água que se acumulava no chão, graças a recente chuva. Catherine xingou mentalmente quem resolveu construir um cemitério na entrada da cidade. Agora, era como se aquele anjo melancólico a observasse, por trás do pequeno muro. Ela estava com medo. Talvez o medo fosse o resultado inevitável e onipresente depois de tudo que estava vivendo.
Catherine havia desembarcado no aeroporto de Rochester, então pegará um ônibus até Blue Sky. Tinha passado algumas horas sentada ao lado de Dakota, uma mãe de quatro filhos, que contou a história de toda a família. O pai tinha abandonado-a grávida de quadrigêmeos e agora ela estava procurando-o pelos Estados Unidos. Ela até deu seu número à Catherine, no caso dela encontrar Thomas, que devia uma fortuna de pensão.
Cathy suspirou de alívio ao ver sua casa. Era grande demais para apenas sua mãe e ela, mas assim que o pai dela morreu, as duas tiveram que morar na casa da avó de Catherine, que ficou de herança para Taylor. As grades altas do portão estavam começando a enferrujar e a pintura descascava em alguns pontos.
Passando a chave várias vezes na porta de madeira, Cathy pulou de susto ao sentir algo se esfregando em suas pernas. Riu de sua histeria ao perceber que era apenas Lola. Ela se abaixou para acariciar a gata. O pelo claro estava arrepiado e os olhos verdes brilhavam. Alimentou Lola e observou-a comer.
Catherine acordou às cinco da manhã.
Imagens estranhas rondavam sua mente. A escuridão de uma rua. Alguém estava indo atrás dela. O medo. Os passos. O silêncio. A morte. Olhos azuis escuros. Cabelo preto. O som de uma guitarra. De repente, as imagens fragmentadas formaram uma lembrança. Ou seria um delírio? Parecia tão real... Sua mente conseguiria criar Ellie, Jimmy e Spike? Inventaria que Fred Sartre cantava em uma banda? Que ele a tinha levado para casa? Mas não era estranho que Fred estivesse em Boston também? Talvez ela só tivesse sonhado, costumava ser muito criativa em seus sonhos. Espera, sua mãe não tinha dito que ela saiu no sábado à noite, quando ela negou que o tinha feito? Até aquele momento Cathy realmente não se lembrava. Será que Fred a teria drogado? Isso parecia combinar com ele... Vou perguntar, pensou.
Cathy balançava a perna nervosamente. Estava no estacionamento da Blue Sky High School, sentada em seu Opala 1992, observando a chuva que caia lá fora. Não era a chuva que a impedia de sair do carro. A verdade é que ela não sabia se estava preparada para ver Austin ou confrontar Fred. Olhou a hora em seu celular. Sua primeira aula, de Cálculo, já tinha começado. Abriu a porta e saiu do veículo prata. Havia poucas pessoas no corredor da escola, mas é claro que Ridley Grey ainda estava ali, vestida com seu indefectível uniforme de líder de torcida, ela sempre era a última a entrar na classe.
— Ei, Cathy. — Chamou.
— Agora não, Ridley.
— Austin pediu para eu te entregar isso.
Aquelas palavras fizeram Catherine se virar imediatamente para a garota ruiva. Ridley andou até ela com um pedaço de papel na mão.
— É o endereço dele.
— Isso é algum tipo de brincadeira? — Ela perguntou, desconfiada, enquanto via os números no papel. Ainda se lembrava de onde Austin morava, mas ele, obviamente pensava que não.
— Infelizmente não. — Ridley revirou os olhos. — Por algum motivo altamente desconhecido, Austin achou que seria uma boa ideia te convidar pra festa que ele vai fazer pra si mesmo hoje à noite. Sabe, ele ainda gosta de você. Eu só estou fazendo isso, entregando o endereço, porque eu quero muito que ele te veja assim. — Ela apontou uma unha pintada para as roupas de Catherine.
— O que tem de tão errado com minhas roupas?
— Sério, de líder de torcida em um dia para fracassada nerd no outro é uma grande desevolução.
Cathy riu:
— Você quer dizer involução?
— Tanto faz. E seu cabelo — Ridley continuou, passando a mão pelos cabelos agora curtos de Catherine — era tão bonito.
— Onde o Austin está? — Ela cortou as críticas da ruiva.
— Ele não veio à escola.
— Por quê?
— Por que está tão interessada? — Ridley se irritou.
Catherine deu de ombros. Ela também não sabia, só estava feliz por não ter que vê-lo.
— Afinal, vai ou não a casa dele?
— Ridley, você sofre de amnésia?
— Não, eu me lembro muito bem de quando você roubou o Austin de mim, mas não costumo guardar rancor. Sorte sua. — Ridley piscou um olho.
— Pelo amor, você e o Austin ficaram juntos por umas duas semanas. E foi na sétima série.
Naquela época, Ridley Grey ainda era uma ruiva de dentes tortos e sardas no rosto todo. Austin já era desejado por todas as meninas, então, quando Ridley, de alguma forma, o conquistou, se tornou instantaneamente popular, levando junto suas amigas Eliza Hallgman, Melanie Wood e Catherine. Duas semanas depois, Austin, com os hormônios em fúria, queria se encontrar com Cathy. Ela, é claro, negou. Mas, em decorrência, sua amizade com Ridley se tornou uma enorme competição. Na metade do primeiro ano, Austin e Catherine se esbarraram depois do treino de futebol americano e começaram a conversar, tinham alguns interesses em comum. Foram amigos por algum tempo até que Cathy teve que admitir que sentia algo a mais por ele. Havia perguntado para Ridley uma dezena de vezes se estava tudo bem por ela. “Cathy, isso faz uns três anos. Foi coisa de criança. Além disso, eu estou com Jared agora. Ele é tão mais gentil que Austin” era o que a ruiva sempre dizia. Então, Austin e Catherine começaram a namorar. E tinha sido ótimo. Os dois eram o casal perfeito da Blue Sky High School, como a Barbie e Ken adolescente. Ela estava sempre nos jogos dele em um micro uniforme de líder de torcida, eram convidados para todas as festas e iam juntos aos bailes. Algum tempo depois, o pai de Austin, o xerife Mason, mandou-o para Nova York como uma tentativa de abafar o escândalo, o pai de Catherine morrera e sua melhor amiga desde a primeira série, Melanie Wood, fora mandada à um internato na Inglaterra pelo pai, quando bateu em Ridley para defender Cathy. Só então Catherine percebeu que para Austin ela nunca tinha passado de uma boneca.
Ridley bufou.
— Não, eu não vou à festinha dele. Não posso fingir que esqueci o que aconteceu. Eu tenho nojo do Austin.
— Então não vá. Melhor ainda. — Ridley sorriu. — O aluno novo, Fred, vai me levar. — Catherine sentiu seu corpo amolecer. — Austin o convidou porque quer fazê-lo entrar para o time. Sabia que ele morou um ano em Miami antes de vir pra cá? — Ridley tinha mesmo feito o dever de casa. — Sinceramente, eu o acho tão gato, meio bad boy, e aquele sotaque... — Ridley lambeu os lábios.
— Você é tão... — Cathy não conseguiu terminar porque Ridley esbarrou em seu ombro e desfilou até a sala de Inglês.
O Sr. Sullivan tinha dito algo sobre Catherine se atrasar, mas ela não tinha escutado. Olhou imediatamente para o fundo da sala e a decepção a invadiu. Fred não estava ali. Cathy estivera ansiosa para confrontá-lo sobre a noite em Boston e sua recente aproximação com Ridley. Se ela fosse sincera consigo, admitiria que sentiu algo por Fred naquela noite. E era exatamente por isso que queria que Ridley ficasse o mais longe possível dele.
Aquela aula se arrastou, com Catherine tentando focar sua atenção no professor que apontava para uma conta enorme, mas seus olhos se voltavam para a porta. Esperava que alguém esguio e de cabelos despenteados chegasse. Precisava desesperadamente vê-lo. E era essa necessidade desesperada que a assustava. Quando estava com ele, tudo ao redor parecia distante; congelado. Ela não sabia se era uma coisa boa ou ruim, só que era algo intenso que a deixava extremamente desconfortável. Sabia, acima de tudo, que Fred escondia algo que ela tinha que descobrir.
Cathy andou a passos apressados até a aula de Inglês. Foi a primeira a entrar na sala. Aquela sempre havia sido sua matéria preferida, mas o motivo da pressa era outro. Na sexta e segunda-feira tinha faltado, então não sabia se ela e Fred tinham essa aula juntos. Torcia que sim. Ela tamborilava seus dedos na capa do caderno impacientemente, enquanto todos entravam na classe. Menos ele.
Catherine fechou os olhos, tentando se acalmar. Por favor, apareça. Por favor, venha e diga que eu não estou louca. Fale que nós nos encontramos em Boston. Fale que eu não imaginei coisas. Catherine pensava obsessivamente, repetindo as mesmas coisas em sua mente.
— Você está bem?
— Deus! — Cathy assustou.
— Não, Fred.
Ele a olhava preocupado, suas sobrancelhas estavam franzidas e ele estudava o rosto dela cuidadosamente. Cathy estava pálida, Fred pensou que ela fosse desmaiar.
— Eu estou bem. Só não dormi bem esta noite. — Não era completamente mentira.
Fred suspirou de alívio e se sentou ao lado de Catherine. Ele puxou sua cadeira para mais perto dela. Imediatamente, ela levou à sua para longe dele, se chocando contra a parede. Por um segundo, ele pareceu decepcionado, então disse:
— Eu garanto que não mordo. — Fred piscou para Cathy. — De qualquer forma, ainda pode fugir pela janela. É uma ideia melhor do que passar quase uma hora ao meu lado. — Havia um sorriso relaxado em seu rosto, mas algo em seus olhos alertou Catherine que ele não estava brincando.
Ela olhou para sua esquerda, avaliando a curta distância entre a janela e o chão, por um segundo ponderando realmente pular até que se lembrou de seu objetivo inicial: descobrir sobre Boston.
— Vou te ver na festa da sua amiga?
Cathy estranhou:
— Que amiga?
— A ruiva. — Ele tentava se lembrar. — Rachel?
Catherine riu. Fred era mesmo ruim com nomes. Ela se lembrava de quando ele a tinha chamado de Kate em Boston. Não teria como saber disso se não o tivesse visto naquela noite
— Ridley. — Catherine corrigiu. — E ela não é minha amiga. E a festa não é dela. E você deveria saber o nome já que a levará na casa do Austin.
— Ah, sim. Eu me ofereci para levá-la, porque seu carro está quebrado.— Fred explicou
— Qual deles?
Ele não entendeu.
— Droga, Fred, ela tem uns cinco carros. Não seja ingênuo.
A Sra. Walker pediu silêncio. Algum tempo depois, Fred perguntou:
— Então, você vai?
— Claro que não.
— Por que não?
— Porque Ridley Grey e Austin Mason no mesmo lugar é mais do que eu consigo suportar. Sem falar da Eliza e das outras seguidoras...
— Eu vou estar lá também. — Ele estava olhando para ela cheio de expectativa, Cathy quase disse “Então eu vou”, mas se conteve.
— E o que te faz pensar que você vale à pena? — Provocou.
— O que te faz pensar que eu não valho?
Catherine poderia pensar em uma lista com mais de dez itens, mas alguns deles eram constrangedores só de pensar. Ele não queria que ele soubesse que a assustava.
A Sra. Walker estava escrevendo alguma coisa sobre o livro que estavam estudando, O Apanhador no Campo de Centeio, então Catherine aproveitou para perguntar:
—Onde esteve na noite do sábado? — Simples e objetiva. Cathy parabenizou-se mentalmente, ele não teria como escapar de sua pergunta. Um vislumbre de surpresa passou pelos olhos dele sua boca se abriu ligeiramente com o choque. Fred ajeitou o cabelo escuro antes de responder:
— Catherine, você não pode sair fazendo perguntas desse tipo só porque fez uma maratona de CSI. — Ele zombou, seu rosto sem nenhum vestígio da expressão anterior.
— Isso é sério, Fred. — O rosto de Cathy estava corado, uma conhecida raiva aparecendo. — Onde você esteve no sábado à noite?
— No sofá, assistindo Bob Esponja com a Tricia.
Por um minuto Catherine quis tirar aquele sorriso debochado dele com um soco e gritar que ele era um mentiroso, então ela lembrou que não tinha certeza se as coisas em sua mente realmente tinham acontecido. Os olhos de Catherine se estreitaram:
— Quem é Tricia?
— Ela é irmã de um amigo meu. — Fred deu de ombros. — Ele e a namorada iam sair, então é claro que eu tive que ficar de babá. — Explicou. — Não que eu me importe, ela tem cinco anos e é muito mais fácil de lidar do que pessoas com o triplo de sua idade.
Ele estava dizendo que Catherine era infantil?
— Fred? — Ela sussurrou, torcendo que não a tivesse escutado, mas ele tinha.
— Sim?
— Tenho quase certeza que te encontrei em Boston, em uma batalha de bandas. Você me levou para casa. — Sua voz diminuiu. — Estou louca? — Disse aquelas duas palavras que estavam assombrando-a.
— Cathy, ter “quase certeza” é completamente diferente de ter certeza. — Ele não respondeu a pergunta. Seus lábios se abriram como se fosse dizer algo, mas ele voltou a fechá-los e abaixou a cabeça, evitando os olhos dela.
Catherine teve uma ideia:
— Tire sua jaqueta.
— Você sabe que isso pode ser interpretado como assédio, certo?
Cathy ficou desnorteada, mas quando Fred riu, ela relaxou.
— Eu me lembro muito bem das suas tatuagens quando nós nos encontramos em Boston. Tire a jaqueta e me prove que estou louca.
Naquele momento Catherine percebeu que tinha passado dos limites. Os olhos de Fred passaram de brincalhões a surpresos, raivosos e obstinados em um segundo. Ele era como o fogo: se você chega muito perto acaba se queimando.
Fred arrastou sua cadeira para trás com um barulho estrondoso que fez Catherine pular de susto. A classe toda estava olhando, curiosos. Ele pegou seus livros ainda não abertos e foi andando para longe dela a passos largos.
— Frederique, volte aqui. — A Sra. Walker chamou quando ele passou em sua frente, mas Fred não voltou. Ao invés disso ele bateu a porta da classe tão forte que fez a placa escrita Inglês cair e se quebrar no chão. — O que aconteceu? — A senhora de óculos e coque perguntou. — Catherine, querida, tudo bem?
Todos esperavam uma resposta, alguns de seus colegas cochichavam. Eliza Hallgman estava rindo e falando ao telefone. Será que ela já tinha contado à Ridley? Cathy, chocada, não conseguia formular uma frase, então disse um “sim” abafado. Mas, ela estava longe de estar bem. Depois do comportamento de Fred, teve certeza que ele escondia alguma coisa. Precisava, mais do que nunca, descobrir o quê. E ela o faria, mesmo que isso a matasse.
Catherine estava sentada com as pernas cruzadas no sofá, imaginando diferentes cenários do que poderia acontecer se ela fosse a festa de Austin. Incrivelmente, sua preocupação não era em razão do anfitrião ou de Ridley. Ela estava morrendo de medo de ver Fred. Não sabia se a palavra certa era medo. Envolvia ansiedade, euforia, magnetismo, curiosidade e, é claro, medo. Medo do que Fred tinha feito com ela e da sua fúria quando Catherine revelou que se lembrava de Boston. Era uma tentação enorme vê-lo novamente, poder ver aqueles olhos e tentar desvendar o motivo por trás da tristeza absurda ali.
Quando ainda tentava decidir se ia ou não, as palavras de Katrina, a psicóloga estranha, ressoaram em sua mente “E quanto a amanhã, se arrume e vá maravilhosa à escola. Mostre para as pessoas que seguiu em frente. Mostre ao Austin que você está bem e que nada que ele, ou qualquer pessoa, faça vai te atingir. Seja forte, Catherine.” Levantou do sofá e correu escada acima.
A água quente no banho a fez relaxar, mas quando ela se olhou no espelho, o pânico a atingiu novamente. Eu tenho que estar bem. Tenho que parecer ótima. Ninguém pode saber que estou quebrada, pensou. Por algum motivo, o vestido godê vermelho, a maquiagem suave e os cabelos dourados brilhantes não pareciam bons o suficiente. Queria que Austin, Fred e todos os outros a vissem maravilhosa. Colocou uma jaqueta de couro preta, sandálias de salto enormes e olhou-se no espelho novamente. Não via uma linda garota de olhos azuis olhando-a de volta, mas um soldado indo à guerra. Havia uma determinação cega em seus olhos, algo que até assustador. A garota no espelho era a antiga Catherine, aquela que não se importava com ninguém e estava sempre deslumbrante. A rainha de Blue Sky. Agora, uma rainha quebrada, tentando recuperar seu reinado.
Ela não entrou em uma carruagem, mas em seu Opala 1992. Ao descer do carro, todos no enorme quintal dos Mason a olhavam. Os meninos sorriam ou acenavam e as meninas entortavam a boca. Catherine apenas seguia seu caminho, com a cabeça erguida, como não fazia há muito tempo. Meu Deus, se eu cair com esse salto será o fim, pensou. Mas ela não caiu. Pelo contrário, a cada passo dado sua confiança aumentava.
— Vejam só , a ilustre Catherine Bennett voltou dos mortos. — Os olhos de Ridley Grey transbordavam maldade quando ela gritou aquelas palavras. A loira já esperava por aquilo. As pessoas ao redor estavam na expectativa por uma briga. Não a teriam.
— Ridley, verde é sua cor. Faz seus cabelos parecerem ainda mais ruivos.
A ruiva ficou sem reação. Catherine quase riu, lembrando de quando sua mãe tinha ensinado-a dar o tapa com luva de pelica. A lição passava de geração em geração. Sua avó tinha ensinado sua mãe e esta a ensinado. “É uma ótima forma de deixar a outra pessoa sem resposta e não perder a elegância, Cathy.” Quase podia ouvir sua mãe lhe dizendo isso quando ela tinha uns dez anos. Nunca tinha pensado que fosse usar a técnica na vida.
Enquanto andava em direção à casa de Austin, ela sentia-se temerosa e animada ao mesmo tempo. Algo vai acontecer hoje. Algo que vai mudar minha vida.
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