Atlanta

22 Capítulo Vinte e Um


Jack saiu com Phillip, levando juntamente Angelo com eles. Penny ficou com Judy e Grace, mas se bem que Grace gostaria de ter ido junto. A jovem cientista queria lutar ao lado de seus amigos para protegê-los também. Como não havia nada para se distrair, as mulheres foram dormir para descansar, mas Grace não conseguiu e ficou acariciando os cabelos de Penny enquanto a jovem parecia dormir como não dormia há dias.

**

―Bom, o Gavin é meu chefe. ―falava Carla.

―Como assim seu chefe? ―perguntou a jovem com ingenuidade.

―Em tempos normais ele seria. ―ela fez uma pausa. ―Há dois dias trabalhávamos normalmente. Ele é fotógrafo autônomo, totalmente apaixonado por fotografar pessoas e principalmente paisagens.

―E você? ―Alicia sorriu ao ouvir a loira falar sobre o homem.

―Eu era assistente de fotografia, fazia edições de fotos, essas coisas. ―Carla deixou escapar um sorriso receptivo, coisa que seria difícil na presença de Alicia, a quem ela demonstrava não querer liberdade. Mas quando se falava de Gavin era impossível não sorrir. ― E também somos amigos há um bom tempo.

―Isso é bom. ―a jovem suspirou ao se lembrar dos últimos momentos da noite passada.

Carla se levantou e pegou um sanduíche de pão de forma com mortadela que estava em sua bolsa. Entregou-o a Alicia e logo verificou os pontos dados em sua coxa direita. A jovem pegou o sanduíche, mas fez cara de reprovação vendo Carla franzir a testa ao perceber a reação.

―Não quer comer?

Alicia resmungou algo inaudível balançando a cabeça negativamente e devolvendo o sanduíche à loira.

―Não estou muito bem de estômago. ―ela suspirou. ―Faz uns três dias que estou assim, contando com um dia antes do caos.

Carla apenas assentiu e olhou em volta, indo em direção à porta.

―Aonde vai? ― indagou a garota de cabelos pretos.

―Checar o perímetro. ―a assistente de fotografia apenas disse isto e saiu, deixando Alicia sozinha. Carla estava talvez com um pouco de raiva da jovem balconista pelo que havia acontecido até o momento, parece que Gavin estava encantado pela menina, e isso a irritava.

**

Em um dos andares do Loerya Rock Museum fazia um barulho. Quando Carla saiu para ver se os rapazes já estavam voltando, escutou o barulho e pensou ser algum errante dentro do local, apenas recuou um pouco e continuou observando. Viu Owen e Gavin voltando mas na parte de cima, parece que estavam indo verificar o que era.

―Tem alguém vivo aí? ―perguntou Owen quase sussurrando, porque se fosse um errante não chamaria atenção demais.

Gavin fez sinal para Owen porque acabou escutando alguém espirrar. Parecia uma garota.

―Pode sair daí, não iremos machucá-la, garota. ―Gavin disse com firmeza com uma faca em punho.

Eis que de uma divisória entre algumas coisas, saiu uma garota tímida de cabelos castanho escuros e feições delicadas, o que impressionou os dois homens. Mas Gavin continuou normal, Owen ainda desconfiava que havia alguém mais com ela.

―Você tem que nos dizer onde estão seus amigos. ―falou Owen já ficando sem paciência.

―Não vou dizer nada. ―ela falou com receio. ―Vocês irão machucá-los.

―Não queremos machucar, apenas saber se possuem boas intenções. ―Owen tentou negociar. A garota pensou um pouco e nada respondeu, o homem insistiu olhando para Gavin e assentindo entre eles.

―Qual é o seu nome menina? ―Ele se aproximou com ar mais ameaçador para perto dela, talvez tentando intimidá-la.

―Amy Riviere, senhor. ―ela recuou quase gaguejando, mas tentou se manter firme, olhando naqueles olhos azuis penetrantes daquele homem.

―E seus amigos? ―Owen não desistiu.

Amy nada respondeu, apenas bateu palma duas vezes e de onde ela estava antes, saíram dois rapazes. Gavin e Owen quase se assustaram quando viram os rapazes, mas perceberam que não seria uma ameaça, e sim, se bem “treinados” uma ajuda.

**

Penny acordou assustada, havia sonhado que tinham zumbis entrando onde estava seu grupo. Judy estava olhando-a enquanto Grace vigiava o local.

―Você está bem? ―perguntou Judy à garota ruiva.

―Não muito... ―ela passou a mão no rosto assustada.

―O que houve?

―Sonhei que tinham zumbis... ―Penny mal terminou de falar e as duas escutaram os gritos de Grace. Penny deu um pulo da cama e foi logo ver o que era.

―Grace?! O que está acontecendo? ―gritou Judy.

―Há cinco errantes forçando a entrada. ―falava a cientista com bastante dificuldade, tentando conter a porta.

Haviam cinco mortos do lado de fora da entrada da pequena casa, e um deles era mais gordo, facilitando assim a entrada de mais zumbis na casa. Dentre os cinco mortos também havia o cadáver de uma mulher que parecia ser bem rígida, isso fez Judy lembrar de algo mas ficou calada, não quis compartilhar aquilo que talvez fosse assustador para ela.

―Grace! Me dê aquela pá, eu acho que consigo ajudar. ―Penny falou para a loira, e em seguida fez um coque prático nos fios ruivos e pegou a pá da mão de Grace, virando-se rapidamente para abrir a porta e acabar com os mortos.

―Meu Deus, será que vai dar certo? ―sussurrou Judy para si mesma enquanto via a jovem de apenas 16 anos criar coragem para enfrentar as criaturas que há tão pouco tempo haviam aterrorizado a cidade de Atlanta e não sabia se sua força era suficiente.

―Vamos... Penny... ―dizia a ruiva para si mesma.

―Grace, não deixe-a fazer isso! É perigoso! ―a enfermeira logo se desesperou. Grace olhou séria para Judy como se não quisesse que alguém impedisse Penny de algo.

―Apenas não toque nela! Será melhor porque ela saberá como o mundo está agora !

―Grace, ela é só uma criança... ―Judy estava aflita pela garota. Claro que Penny nem sabia direito como matar um zumbi, pois, nunca houve situações desse tipo que ela tivesse conhecimento de como resolver.

Penny avançou em um dos zumbis que estavam mais próximos e tentou golpear este primeiro com uma facada na cabeça, mas acertou o pescoço, e a faca ficou presa na garganta do zumbi.

Judy apenas olhava aflita e queria ir ajudar, mas percebeu que os outros zumbis que estavam ali também, estavam entrando aonde o grupo se escondia. A enfermeira estava com os nervos à flor da pele. Pegou uma tábua grossa que tinha ali perto e tentou empurrar os zumbis para fora.

―Judy! ―Grace ficou surpreendida, mas precisava ajudar Judy porque ela não havia conseguido matar os zumbis, mas por enquanto estava dando conta. A jovem cientista sentiu como se fosse instinto de mãe, ou cálculo imediato da probabilidade de sobrevivência. Correu para salvar Penny, o cadáver estava em cima dela tentando mordê-la. Grace acertou um machado que tinha, bem no meio da cabeça do zumbi, retirando-o de cima da ruiva.

―Grace! ―murmurou a garota levantando-se e limpando a roupa.

―Meu bem, você se machucou? –perguntou ela examinando a garota rapidamente.Penny assentiu que não.

―Por favor, socorro! ―gritou Judy que segurava os outros quatro mortos com a tábua que havia pegado. Mas não iria agüentar por muito tempo. A enfermeira soltou um grito e depois não disse mais nada. A cientista loira se aproximou e segurou a tábua junto com Judy, derrubando e esmagando os zumbis no chão. Elas se afastaram cansadas da luta, a adrenalina subiu, porque pouco tinham lidado com isso e tinham medo do que poderia acontecer a si mesmas.