Atlanta

18 Capítulo Dezessete


Phillip conseguiu pegar estrada com Jack dirigindo atrás dele. Precisavam achar refúgio em uma das cidadezinhas próximas, pelo menos para tomarem fôlego e seguirem para procurar o tal lugar que seria tranqüilo para convivência. Já havia se passado algum tempo desde que saíram de Atlanta. Dentro do carro que Jack estava dirigindo havia silêncio. Levi logo quebrou o silêncio.

―Temos que ir para Savannah. ―falou com um pouco de tensão na voz.

―Por quê Savannah? ―Jack franziu a testa.

―Lá estão construindo uma base segura para os sobreviventes. ―respondeu o cientista.

―Jack, Grace, o CDC não é mais um local seguro. ―falou Judy atenta ao caminho na estrada.

―Sabemos disso, Atlanta já era. ―a loira respondeu com um ar desolado. Ela olhou em volta, observou a estrada, viu um zumbi pairando na estrada, mas logo ficou longe pois Jack estava dirigindo rápido. Grace fitou o porta-luvas talvez imaginando o que poderia ter ali dentro. Logo olhou Jack com uma expressão de quem descobre algo. ―Por acaso já olhou o que tem nesse porta-luvas?

―Você sabe que não houve tempo para isso, não é? ―Jack rebateu com uma pontinha de ironia na voz, que Grace percebeu mas ignorou.

―Eu sei mas, quem sabe... ―ela não terminou a frase e abriu o porta-luvas, remexendo para ver se achava o que queria. Judy olhou com dúvida.

―O que está procurando? ― perguntou.

―Achei! ―falou Grace com um papel grande na mão. ―Um mapa do Estado da Geórgia!

Grace sorriu por uns instantes sentindo que descobriu algo fascinante. Judy olhou curiosa e Levi esticou o pescoço para olhar. Jack continuava sério dirigindo, mas deu uma espiada de soslaio.

―Então... ―o soldado falou, esperando uma resposta de Grace, que abriu o mapa e analisava com atenção.

―Precisamos ver se estamos indo certo. ―sussurrou a cientista prestando muita atenção no mapa.

―Eu sei o que está querendo. ―falou Levi fazendo com que Grace olhasse para ele. ―Temos que ir no caminho certo e mais curto para Savannah.

―Já passamos de McDonough. Qual a próxima cidade no mapa, Grace? ―perguntou Jack.

―Jackson. ―ela falou conferindo o mapa. ―Vamos parar lá para descansar essa noite e seguiremos de manhã.

Jack assentiu e buzinou para Phillip que parou o carro no acostamento. Penny conversava com Angelo sobre climatologia no banco de trás e olhou quando escutou a buzina. Phillip falou para a filha ficar dentro do carro com o namorado, eles continuaram a conversar. O homem saiu e viu o soldado verificar os pneus dos dois carros, estava tudo em ordem.

―Phillip, antes de continuar, precisamos que saiba o nosso plano de fuga. ―falou Jack.

―E qual é? ―indagou ele vendo Grace sair do carro com Levi e Judy. A loira segurava um grande papel nas mãos logo dando a resposta ao homem.

―Levi nos informou que estão construindo uma base de segurança na Ilha de Freeport.

―Mas não seria o anexo do Governo? O CDC? ―ele quis saber, pensando nas possibilidades das zonas de segurança.

―Pois é eu trabalho no CDC e pode acreditar, ele já era. ―falou ela após abrir o mapa sobre o capô do carro de Jack.

―Assim como Atlanta. ―completou Judy.

―Bom, nós saímos de Atlanta, já passamos por McDonough e a próxima cidade é Jackson. Vamos passar a noite por lá e logo de manhã podemos pegar estrada novamente. ―ela falou apontando a estrada no mapa e olhando para Phillip que assentia.

―Tudo bem, mas então Jack pode dirigir na minha frente. Assim vou saber pra qual lado devo ir na estrada e não ficar perdido. ―o homem fitou Jack. O soldado assentiu e Grace fechou o mapa, voltando para o carro com os outros, cada um entrou em seu lugar e Jack fez a volta pelo carro de Phillip, assim indo na frente para guiá-lo. Em poucos minutos estariam em Jackson.

**
Gavin estava com Alicia em seu colo. Carla dirigia com atenção e umas três vezes teve que desviar bruscamente de uns errantes que encontraram na estrada. Estavam perto de Stockbridge. Não conseguiram ir mais longe porque Carla teve que dirigir mais devagar, pela situação de Alicia, por isso resolveriam parar por um tempinho. Owen sabiam onde estavam pois havia visto uma placa com o nome da cidade.

―Carla, está vendo algum lugar provavelmente bom para passar a noite? ―indagou Owen analisando alguns pontinhos de luz através da estrada. Algumas casas ainda tinham luz, talvez a energia não tivesse sido cortada por completo com as explosões, ou tinham geradores nessas casas.

―Essas casas não são seguras. ―ela franziu a testa apertando um pouco os olhos para ver melhor mais longe. ―Que cidade é essa mesmo?

―Stockbridge. ―respondeu Gavin, segurando com cuidado a garota em seu colo.

―Ah sim. ―ela respondeu normalmente, logo se lembrando de algo. ―Ei, por aqui há um museu, eu vinha aqui quando era mais nova. Esse museu pode ser seguro para passar a noite.

―Não podemos ficar só uma noite, Alicia precisa se recuperar. ―Gavin se manifestou.

― Ah, é mesmo. ―respondeu Carla com um pouco de desdém na voz. ―Vou entrar na próxima a esquerda e fazer uma curva, o museu é logo ali. ―apontou para uma luminosidade logo ali perto.

**

O soldado Ryan havia feito um desvio e conseguiu passar pelo engarrafamento por um outro lado. Ele agora dirigia em direção ao Sul da Geórgia, sabia da Ilha de Freeport. Lá era certamente um local que eles poderiam ir sem medo, ele acreditava.

―Estou com sono. ―falou Lorene com voz calma.

―Pode dormir, eu estou bem aqui ao seu lado. ―ele falou com sua voz firme, que fazia a doce Lorene se sentir protegida. Ele a viu encostar a cabeça no banco e fechar os olhos para tentar dormir.

Dez minutos depois, Ryan olhava o painel do carro enquanto dirigia e viu que a gasolina estava acabando, não iriam mais longe pelo menos por enquanto. Sem falar que seria difícil conseguir gasolina aquela hora, eram dez horas da noite e em dias normais, até conseguiriam mas, com o mundo tendo se tornado caos, era quase impossível. O carro parou bruscamente acordando Lorene.

―O que foi?

―Estamos sem gasolina. ―ele disse preocupado.Olhou em volta. ― Você consegue andar?

Lorene analisou sua capacidade e assentiu.

―Sim, consigo. Por uma boa distância. ―ela disse com um leve sorriso de canto. Ela estava muito bem, nos dias antes das explosões ela ainda estava no hospital só para finalizar sua recuperação porque já estava ótima. E sim, conseguiria andar muito.

Ryan saiu do carro acendendo sua lanterna e pisando em algumas folhas secas que faziam um leve barulho no meio da estrada. Os faróis do carro acesos, Lorene aguardava no carro. O soldado iluminou a estrada e verificou o que tinha por ali. Andou um pouco mais a frente e viu uma placa. “Welcome to Stockbridge”. Rapidamente voltou para o carro.

―Lorene. ―ele chamou diminuindo o tom de voz, a garota olhou para ele.

―Encontrou algo?

―Sim. Acho que é uma cidade. ―ele sorriu de canto. ―Podemos descansar um pouco, de manhã tentamos pegar gasolina e seguir para Savannah.

―É verdade. ―ela pensou. ―Então abandonamos esse carro? ―ela apontou.

―Sim, em Stockbridge encontraremos outros carros e gasolina. Com isso tudo muitas pessoas abandonaram suas casas e fugiram com as famílias. Lorene suspirou.

―Bom, vamos logo. Preciso dormir. ― falou a garota. Eles pegaram pequenas coisas que encontraram por ali e seguiram andando. Logo achariam algum estabelecimento para saquear.

Notas finais
Eles também conseguiram fugir. Mais sobreviventes!