Atlanta
15 Capítulo Catorze
Já estava anoitecendo e Grace foi até sua casa. Ao chegar lá, o bairro estava vazio, parece que os vizinhos tinham fugido. Logo entrou e pegou o que era necessário. Foi em seu guarda-roupa e pegou uma pequena mochila. Ao longe ela conseguiu ouvir algumas explosões e tiros. Estava ansiosa, precisava sair logo dali. Colocou em sua mochila umas três peças de roupas, escova de dentes, escova de cabelo. Um canivete longo e uma faca afiada. Foi até a cozinha e abriu a despensa. Pegou três garrafinhas de água mineral, e dois pacotes de biscoito. Não tinha muita coisa, pois como estava muito ocupada trabalhando nesse caso no CDC e nos hospitais, ainda não tivera tempo de fazer compras.
Pegou uma lanterna e as pilhas que estavam junto. Lembrou-se de Jack, ele havia dado a ela um walkie-talkie. Ele estava com o outro, não largou dele em nenhum momento. O rapaz já havia abandonado a missão do exército, assim como estavam fazendo muitos soldados, para ficar com suas famílias. Logo ligou o aparelho e começou a falar.
―Câmbio. Aqui é Grace Hirschfelder falando. ―entre chiados e ruídos ouviu-se uma resposta. Grace já estava com sua mochila nas costas, pronta para sair da casa a qualquer momento.
―Câmbio, respondo. Soldado Jack Crueses. Grace, aonde você está? ―ele a aguardava em algum lugar que combinariam de se encontrar.
―Jack! Ainda bem que está aí. ―ela deu um suspiro de alívio. Ainda não havia perdido contato. ―Eu estou em casa, vim buscar umas coisas, aonde iremos nos encontrar?
―Estou perto de sua casa, a três quarteirões. Me encontre lá agora! ―ele dizia.
―Tudo bem, estou indo. ―ela disse e foi saindo da casa.
―Só tome cuidado, por favor. ―ele falou fazendo uma breve pausa e suspirando. ―Há alguns zumbis no caminho.
―Está bem. Já chego aí. Câmbio, desligo. ―ela falou e desligou o walkie-talkie, colocando-o na pequena mochila. Pegou a faca e iria colocá-la no cós da calça, mas ao ouvir a recomendação de Jack, sobre zumbis na estrada, ela preferiu ficar com o objeto em suas mãos. Para se proteger.
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Levi e Judy desceram até o estacionamento do hospital e pegaram um carro qualquer. Saíram logo dali antes que o vissem. Não estavam levando pertences pessoais, nem pensaram em passar em suas casas, não daria certo. Precisavam se preocupar agora apenas em manter-se a salvo. Na estrada da saída de Atlanta, pelo menos ainda estava um pouco vazia. Quando chegava a certo ponto é que o trânsito parava. Eles ficaram ali no trânsito por um tempo. Resolveram esperar do lado de fora do carro, haviam tirado o jaleco para não chamarem atenção das pessoas.
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Gavin, Carla e Owen estavam saindo da garagem do prédio residencial onde morava Gavin. Estavam levando cada um em suas mochilas, uns poucos mantimentos, umas peças de roupa, garrafas de água e facas, canivetes, e lanternas. Owen tinha inclusive uma barraca de acampamento que caberiam dez pessoas dentro. O fotógrafo dirigia, Carla ia ao seu lado e Owen no banco de trás. Ele se enfiou no meio para ver a estrada em frente.
―Eu falei que tinha algo muito estranho acontecendo. ―disse Owen sobre sua conversa com Gavin dias atrás.
―E eu sabia que algo estava errado. Quando Gavin me contou sobre o que você disse a ele, eu fiquei preocupada, sabia que algo estava acontecendo e a população não sabia. ―ela falou com Owen.
―Eu tinha certeza que o Governo estava escondendo algo dos cidadãos. ―respondeu ele.
Gavin dirigia através das ruas do bairro. Às vezes viam-se alguns zumbis perambulando pelas ruas, mas ainda eram poucos ali naquela região. O fluxo intenso estava no centro de Atlanta, aonde iriam haver as operações de execução pelo Exército. Ouviu-se um estrondo, parecia vir das vias principais da cidade.
―Isso não parece ser bom... ―falou Gavin, mudando de rota. ―Melhor evitarmos as ruas principais.
―Sim, precisamos ir para a rodovia que dá saída para Atlanta. ―falou Carla olhando a estrada com ar de preocupação. ―Espero que o trânsito não esteja tão ruim nessa parte.
―Fiquei sabendo que muitas pessoas estariam saindo da cidade, procurando refúgio. Também torço para que dê tudo certo em nossa fuga. ―falou Gavin, que dirigia em direção a rodovia para a saída da cidade.
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Grace ia até o local onde encontraria Jack. No caminho, matou uns dois zumbis apenas, e evitou por volta de dez. Não sabia como teve coragem para matar os zumbis que não conseguiu evitar, ficou surpresa, talvez fosse a sua experiência em já lidar com cadáveres. A diferença é que os cadáveres com os quais ela já estava acostumada a lidar, não tentavam devorá-la. A cientista deu a volta por trás de uma das casas, cortando caminho para chegar mais rápido. Jack estava dentro de um carro que ele havia pego de uma casa, onde os que moravam lá, não levaram o carro. Então o soldado vasculhou a casa e encontrou a chave. Por sorte, o tanque estava cheio.
―Grace! Eu estou aqui. ―Jack abaixou o vidro do carro chamando-a em tom de voz mais baixo para não chamar atenção dos zumbis.
―Ah, graças a Deus. ―ela suspirou aliviada, entrando logo no carro.
―Você está bem? ―perguntou o rapaz, com a mão no rosto dela, como se acariciasse o rosto da loira. ―Está ferida?
―Não. ―ela encostou a cabeça no banco, descansando e se sentindo segura ali ao lado de Jack. ―Evitei uns dez errantes, e matei dois.
―Eu entendo. Deve estar assustada. ―ele ligou o carro e ia dirigindo enquanto ela falava.
―Um pouco. Estou acostumada a lidar com cadáveres.
―Não quando eles tentam morder você. ―ele falou, completando a frase da garota.
―Exato. ―Grace abriu sua mochila e abriu uma garrafinha de água que havia pegado da geladeira de sua casa. Por sorte estava gelada. ―Peguei poucas coisas da minha casa, não tive tempo de fazer compras. ―Ela deu um longo gole de água, sentindo sua garganta se refrescar e logo passou a garrafinha para Jack, que deu um gole bom e rápido, pois estava dirigindo um pouco mais depressa. ―Onde estamos indo?
―Para a rodovia que dá acesso a saída da cidade. Temos que procurar refúgio.
―Ou tentar chegar até a cidade de Savannah, provavelmente pelas informações que recebi, estarão buscando pessoas lá para levar a uma ilha.
―Soube dessa informação. Deveria haver uma base segura do CDC aqui em Atlanta. Mas não é seguro nas atuais condições.
―Olha a que ponto chegamos. ―Grace balançou a cabeça negativamente. ―Bem que poderia ser o CDC, mas acho que os médicos e cientistas de lá enlouqueceram com o caos que tudo isso se tornou.
―É verdade. ―Jack suspirou. A saída da cidade estava vazia por enquanto. No atual momento, os soldados estavam nas ruas atirando nos mortos. Mas parece que de todos os cantos dali, saíam pessoas mortas. Os soldados não resistiriam por muito tempo.
Grace e Jack conseguiram quase alcançar a saída, mas bem lá na frente, onde já se estava perto da saída, havia um engarrafamento. Pararam atrás do carro de Phillip Blake, que estava encostado no capô. O soldado e a cientista saíram do carro e foram buscar informações.
―Ei, por favor, pode nos informar o que está acontecendo? ―pediu gentilmente Grace ao homem.
―O trânsito está parado. Não sei o que está havendo lá na frente. ―respondeu Phillip.
―Parece que muitas pessoas estão deixando a cidade. ―disse Penny. Grace deu um pequeno sorriso para a adolescente ruiva.
―Sou Jack Crueses, oficial do Exército. ―identificou-se.
―Phillip Blake. ―respondeu o outro, estendendo a mão para o soldado e cumprimentando-o, agora estavam na mesma situação. ―Estes são minha filha Penny Blake, e meu genro Angelo Cavasin. ―Phillip indicou o garoto que acabara de sair do carro e lançou um breve gesto para as pessoas novas.
―Oi. Sou Grace Hirschfelder. ―disse a mulher. ―Auxiliar de análises laboratoriais do CDC.
Penny logo arregalou os olhos. Ficou surpresa. Talvez a jovem loira fosse a resposta que eles procuravam. Talvez ela tivesse a resposta.
―Pai! Quem sabe ela não pode nos ajudar? ―disse Penny a Phillip.
O homem virou-se para a cientista.
―Por favor, não pode nos dizer o que está acontecendo?
―Sr Blake, por enquanto eu não posso dizer muita coisa. ―disse Grace. ―Eu fugi do Grady Memorial antes que o exército pudesse entrar lá.
―Mandaram executar os doentes e os mortos. ―Jack completou a fala dela.
―Você estava na missão? ―perguntou Phillip.
―Sim. Era para eu estar executando também. Fui mandado a vasculhar estabelecimentos comerciais e verificar se as pessoas estariam infectadas.
―O que houve? ―Penny perguntou calmamente ao soldado.
―Eu achei melhor fugir. ―ele sentiu-se culpado. ―Sei que é errado, mas precisava salvar quem eu amo. ―ele olhou para Grace que corou levemente.
―Não o culpamos, Jack. Nas atuais condições, todos querem estar com suas famílias. ―disse Phillip vendo a reação de culpa do soldado.
―Não se culpe, Jack. ―Grace acariciou o rosto do rapaz. ―Você fez o que era certo. Iria acabar morto se ainda estivesse lá. Esta missão seria um suicídio.
Jack assentiu e logo mais atrás, havia um carro parado. Dele saíram Levi e Judy que haviam fugido do Atlanta Medical Center. Eles andaram mais para a frente para ver se também obtinham informações sobre o trânsito e a fuga que todos queriam, acabaram encontrando Grace.
―Grace? ―indagou o rapaz.
―Levi? ―Grace arregalou os olhos e logo correu para abraçar o colega. ―Que bom que você está bem, e vivo! ―ela o examinou com os olhos.
―Você também. ―ele sorriu para ela. ―Esta é Judy Jeppesen, enfermeira do Atlanta Medical Center. Estava trabalhando comigo e outros médicos de lá.
―O exército chegou até lá? ―perguntou Jack.
―Sim. Judy e eu conseguimos fugir antes que fossemos pegos. ―ele parou para respirar um pouco. ―Não conseguiríamos ficar lá.
―Estaríamos mortos há muito tempo. ―falou Judy pela primeira vez. ―Eles não têm misericórdia de ninguém. ―referiu-se ao Exército.
Todos eles se juntaram ali, para ao menos tentar sair da cidade. E cuidariam uns dos outros, agora que estavam no mesmo barco. Fugindo para tentar salvarem suas vidas.
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