Atlanta
29 Capítulo Vinte e Oito
Notas iniciais
Ryan e Lorene haviam andado pela estrada principal, e desviaram de alguns errantes no caminho. Os pés da jovem não estavam mais suportando andar descalços e o soldado estava cansado também, foi quando avistaram um grande Walmart, a poucos metros de distância.
―Sabia que tinha um desses por perto... ―falou Ryan.
―É, você acertou. ―sorriu a jovem tentando esquecer-se do caos que tomou conta do mundo.
Eles continuaram a andar com cautela, e em um determinado momento, antes de se aproximarem mais do enorme estabelecimento, abaixaram-se perto de uma moita. Ryan observava se possivelmente poderia haver zumbis dentro do local, mas viu que parecia estar fechado desde antes do caos. Mas, com sorte estaria abastecido de suprimentos que eles precisariam.
―Vem, e não faça barulho. ―falou o rapaz, guiando Lorene até a entrada do hipermercado. Ela olhava em volta, e caso visse algo suspeito, sussurraria para Ryan.
Eis que conseguiram chegar a entrada e Ryan tentava arrombar com cuidado a fechadura da porta de vidro que era bem resistente. Lorene virou-se de costas e vigiava o local. Ela olhava aflita para o rapaz e quis tomar a frente.
―Deixe-me tentar. ―ela pegou a ferramenta das mãos dele e tentou arrombar. Quase conseguiu, mas falhou em um momento.
―Pode deixar que eu termino. Sou um soldado, sei fazer muitas coisas, aprendi muitas coisas no exército. ―ele resmungou para ela. A jovem rapidamente virou-se para continuar a vigiar e avistou um errante vindo a alguns metros de distância.
―Um errante! ―ela sussurrou para ele. Lorene procurava alguma ferramenta que pudesse usar, pois, além disso, usaria também sua coragem para eliminar o primeiro zumbi, como nunca havia feito depois que tudo ruiu.
Olhou mais a frente, o que parecia ser um pedaço de ferro de tamanho perfeito para ela atingir seu alvo. Ryan continuava tentando abrir, mas viu a jovem correr na direção do zumbi, quis impedi-la.
―Lorene! ―ele largou a ferramenta de abrir a porta. ―Não... ―sussurrou.
―Fique na sua! Tente novamente a porta, esse aqui está perfeito... ―ela disse, parecendo sentir prazer no que faria naquele momento.
Segurou o cano de ferro com firmeza e olhando diretamente pro errante, mirou a cabeça, com um impulso logo acertou o crânio de lado, fazendo o cadáver cair no chão. E, ainda grunhindo, ela mirou a ponta no mesmo local em que havia acertado, perfurou a cabeça do zumbi, eliminando-o por completo. A garota suspirou, puxando o cano de ferro e levando-o consigo caso precisasse mais vezes.
―Consegui! ―falou Ryan sentindo a porta de vidro deslizar, realmente conseguira abrir a porta e entrar por um pequeno espaço. Lorene sorriu de canto um pouco ofegante e apressou o passo para entrar. Após ela entrar, Ryan encostou a porta devagar e com cautela, para nenhum errante conseguir entrar, colocou um suporte na porta.
**
Ivne e Owen haviam levado a pequena casa os suprimentos que conseguiram pegar, e o trailer que achou com tanque cheio. Ao chegar lá, os sobreviventes adoraram a ideia de ter mais um veículo disponível e cheio de combustível. Carla analisou o veículo por dentro e descobriu que tinha até um pequeno freezer, onde pôde guardar as cervejas que Gavin encontrou. Carla e Alicia haviam ido pescar mais cedo, e conseguiram uma boa quantidade de peixes que daria para alimentar o grupo perfeitamente. Quem prepararia os peixes seriam Amy e Ivne. Caleb também ajudaria, antes do caos, aprendera um pouco de culinária com sua mãe, e ela havia ensinado como preparar um peixe para as refeições.
―Poxa, a pesca foi realmente boa para todos nós. ―sorriu Phillip.
―Sim, realmente foi. ―falou Alicia. ―E fortaleceu a minha convivência com a Carla... ―a garota finalmente deixou-se esboçar um sorriso sincero ao olhar para a mulher que estava ao seu lado. Havia sido ela que cuidara de Alicia quando estava machucada, e alimentado a garota também. Alicia tinha em mente que se tivesse que lutar para proteger alguém, estes seriam Carla e Gavin primeiramente, por terem salvado-a.
Judy e Levi ficaram conversando e continuavam o debate pelas hipóteses do vírus, mas até que depois acabaram deixando o assunto de lado um pouco, indo entreter Penny, que precisava de um pouco de atenção para se distrair.
**
Lorene admirava o hipermercado, foi logo à procura de uma mochila na sessão de objetos desse gênero, e achou uma que seria confortável para carregar e que coubesse várias coisas. Ryan estava dando uma verificada no que seria necessário para levar, aonde fossem ir.
―Preciso de roupas... ―a garota sussurrou para si mesma e segurando a mochila, foi até a sessão vestuário. Logo encontrou blusas, calças, sapatos e vestidos. Pegou uma blusa e uma calça para vestir ali naquele momento, um par desses para levar, um vestido e um short. Pegou um sapatinho e um tênis. Guardou tudo na mochila. Precisaria achar um lugar para poder se lavar, assim como Ryan também o faria, por isso a moça sugeriu que ele também pegasse peças de roupa para ele. Enquanto isso, ela foi pegar alimentos que poderia manter.
―Ryan, pegue roupas para você. Coloque na mochila, iremos precisar, pelo menos até chegarmos a Freeport. Não sabemos como será lá... ―ela falava, em busca de alimentos que pudesse conservar por pelo menos algum tempo.
―Tente encontrar alimentos frescos também, quem sabe podemos comê-los agora. ―ele falou enquanto procurava roupas para si mesmo.
Lorene percorreu os corredores e encheu a mochila com garrafinhas de água mineral, algumas caixinhas de suco, biscoitos, salgadinhos, macarrão instantâneo, latas de comida enlatada como sardinha, atum e salsicha. Conseguiu até encontrar um pacote de pão de forma que ainda estava dentro da validade e pegou pasta de amendoim, seria ideal para o café da manhã. Ryan viu o que ela distribuiu nas mochilas dos dois e sorriu com animação.
―Você é boa em questão de sobrevivência. ―ele sorriu para ela que retribuiu. ―Mas lhe falta sutileza. ―Ryan foi em direção a onde ficavam pilhas, lanternas e outras ferramentas. ―Também precisaremos disso. ―ele mostrava.
―Eu iria percorrer o mercado ainda para ver o que estava faltando... ―ela tentou mostrar-se esperta.
―Ei, fique tranquila. Estou aqui para te proteger e te orientar também... ―ele acariciou o rosto da jovem. Mas foi esperta, pois depois de comer, algumas horas depois estaremos com, fome novamente. ―ele sorriu novamente para ela, que se encaminhou para pegar o que faltava.
Após recolherem o que precisavam do Walmart, Ryan e Lorene saíram do lugar e já faltavam poucas horas para anoitecer. Eles estavam pensando onde passariam a noite, e Ryan lembrou-se que havia uma base do exército ali, onde poderiam ficar tranquilamente. Ao chegar lá, foram recebidos por Edward e Mary Grant, filhos de Berenice e Vincent Grant, o homem em questão era o sargento do exército americano que indiretamente comandava Ryan. Pois eram divididos em sub-grupos. Mas Berenice analisou os dois que pediram abrigo e cederam, foram acolhidos e quem sabe seria uma ajuda a mais. Um ajudar o outro não seria uma má idéia em meio a tudo que estava acontecendo.
Lorene e Ryan puderam tomar um banho, trocar de roupa, comer e descansar pelo menos uma noite, ou mais, dependendo do humor de Berenice. Não sabiam o que realmente ela pensava de acolher sobreviventes, mas pelo menos descansariam antes de seguir viagem.
**
Naquela noite, o grupo inteiro de Jack pôde saborear um delicioso peixe frito graças à Alicia e Carla, que se uniram apesar das diferenças, para fazer algo que beneficiasse a todos. Comeram e os maiores de idade tomaram cerveja após a refeição. Owen acendeu uma fogueira perto do lago e todos puderam se reunir para tomar uma cerveja.
―Me conte sobre como foi dada sua missão, Jack... ―pediu Amy.
―Desculpe, se não se importa, não queremos falar sobre isso... ―interviu Grace, vendo que aquilo não seria boa coisa no momento.
―Isso é coisa que Amy e Jack poderiam conversar à sós depois... ―falou Logan ajudando Grace. ―Lembro que alguns tempos atrás, meus amigos e eu, nos reuníamos quase todos os fins de semana ao redor de uma fogueira assim, para tomar vinho e contar histórias. ―ele sorriu ao lembrar, ao mesmo tempo tentando mudar o rumo do assunto.
―Eu fazia isto também. ―falou Alicia. ―Aliás sempre fui espoleta. ―ela riu ao dizer.
―Eu imagino. ―disse Gavin olhando-a fixamente.
―Gavin e Owen me conhecem, também sou um pouco dá pá virada, tanto é que nas últimas semanas depois de tanto trabalho com edição de fotos, paramos para tomar uma cerveja e assistir o jogo.
―Isso era uma das melhores coisas, principalmente meio de semana. ―falou Phillip rindo e dando um gole em sua cerveja.
Ao redor da fogueira, todos contavam histórias sobre suas vidas, talvez tentando relembrar, reviver ou trazer de volta costumes de suas vidas, como se nada houvesse acontecido. A refeição estava deliciosa, Ivne e Amy que limparam e temperaram os peixes com o que haviam encontrado na despensa, e pela primeira vez após o caos eles puderam ter uma refeição mais apropriada, digamos assim. E deu para matar a fome e repetir o prato, pois Alicia e Carla capricharam na pesca. Naquela noite, após o dito “acampamento”, Carla ficou de guarda em cima do trailer juntamente com Jack. O trailer era o mais alto, então dava uma visão de campo melhor. Pelo menos eles puderam ter uma noite tranquila.
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