Atlântida: O Motim

5 O trono de Atlântida


Calliste entrou no Templo de Guerra. O lugar estava escuro e silencioso.

O templo aparentava não ter sido usado já havia muitos anos. A poeira estava acumulada nos móveis de madeira apodrecida, e o chão estava coberto de teias de aranha.

Calliste encontrou uma fonte de água corrente dentro do templo, que descia por uma rachadura visível no teto. Ela se aproximou da fonte e lavou o sangue do rosto.

Enquanto se lavava, Calliste relembrava o tempo em que treinava com Theltor naquele templo. Ela se lembrou de como ele era paciente e gentil, e de como ele sempre acreditava nela.

Calliste também pensou em seu avô, Poseidon. Ela se lembrou de como ele a levava ao templo quando ela era criança, e de como ele lhe contava histórias sobre os heróis da Atlântida, bem como do brilho em seu olhar enquanto contava essas histórias..

Calliste andou pelo templo, recordando suas memórias. Ela se sentiu mais forte e determinada, não havia uma forma da princesa simplesmente entregar toda a sua vida, e o seu povo, para serem governados por um general traidor.

Ela chegou a um estande e viu a armadura dourada. A armadura era linda e reluzente. Forjada com ouro e metais encontrados no fundo do mar, foi especialmente projetada para ser usada naquele ambiente.

Calliste se lembrou de quando Theltor lhe deu a armadura. Ele disse que ela era uma princesa de Atlântida, e que ela merecia usar a armadura.

Calliste se aproximou da armadura e a tocou. Ela sentiu uma energia poderosa fluindo através dela, algo que não poderia explicar em palavras.

Calliste vestiu a armadura. Ela se sentiu como se estivesse vestindo uma parte de si mesma, pela primeira vez em sua vida, ela poderia se dizer pronta para um briga, mesmo sendo uma princesa criada sobre a proteção de um grande reino.

Ela estava pronta para enfrentar Ragendra e libertar Atlântida.

De repente, enquanto estava ajustando as últimas amarras da armadura em seu corpo, ela ouviu um barulho. Ela se virou e viu um grupo de soldados chegando ao templo, inicialmente, estes soldados pareciam confusos, mas atentos enquanto olhavam pela porta aberta.

Os soldados estavam armados e preparados para o combate. Eles sabiam que alguém havia aberto a porta do templo, e eles estavam determinados a descobrir quem era.

Os soldados se aproximaram de Calliste, reconhecendo que aquela mulher trajando uma armadura era a princesa de Atlântida.

"O que você está fazendo aqui?", disse um dos soldados, com um tom severo, mas confuso ao mesmo tempo.

"Eu estou aqui para libertar Atlântida", disse Calliste.

Os soldados riram.

"Princesa, você é muito mimada para entender o que está dizendo", disse um dos soldados. "O general é o libertador de Atlântida, o nosso lar já está livre da tirania dos nobres."

"Vamos ver", disse Calliste.

Os soldados avançaram contra Calliste. Ela sacou sua espada e se preparou para o combate.

A luta foi rápida e violenta. Calliste usou sua força de semideusa para derrotar a todos eles.

Ela derrotou os soldados, alguns utilizando as armas que estes carregavam e outros com seus próprios punhos, por mais estranho que ela considerasse estar lutando contra jovens soldados que ela via em suas caminhadas pela cidade.

Quando a luta acabou, Calliste estava vitoriosa. Ela estava ferida, com alguns poucos cortes em seus braços e um machucado em seu punho, causado pela sua própria força ao golpear as armaduras, mas ela estava viva.

Ela pegou a espada de um dos soldados e perguntou sobre Ragendra.

"Onde está Ragendra?", disse ela.

"Ele está no palácio", disse um dos soldados moribundos. "Ele está se preparando para algo."

Calliste agradeceu com um movimento. "Obrigada", disse ela.

Calliste partiu para o palácio. A princesa saiu do templo com passos firmes, decidida a derrotar Ragendra e libertar o seu reino das mãos de um tirano que estava fazendo lavagem cerebral em seus próprios subordinados.

Ragendra estava no palácio de Atlântida, rodeado de relatórios entregues pelos soldados. Ele estava lendo os relatórios com atenção, procurando por qualquer sinal que pudesse indicar que alguma coisa estava fora dos seus planos, ou que alguma nova ameaça ao seu motim estivesse surgindo.

Os relatórios eram sombrios. O motim havia causado grande confusão e derramamento de sangue, com diversas ruas sujas com o sangue de civis inocentes. Muitos civis foram mortos no fogo cruzado e muitas das instalações comerciais da cidade estavam danificadas pelo uso das armas que o general havia financiado, algumas pensadas especialmente para este conflito.

Ragendra estava preocupado. Ele sabia que precisava restaurar a ordem rapidamente, ou Atlântida cairia no caos, e isto poderia levar ao surgimento de novos líderes entre os civis do reino.

De repente, ele ouviu um barulho. Ele se virou e viu um soldado de sua guarda, um jovem de pele clara como a neve e cabelos ruivos cuidadosamente cortados, entrando na sala.

"General", disse o soldado. "O capitão Dimitrios ainda não retornou. Senhor."

Ragendra franziu a testa.

"Isso é estranho", disse ele. "Ele deveria ter voltado horas atrás, ele só deveria fazer uma vistoria de rotina em um dos meus batalhões."

"Nós já enviamos homens para procurá-lo", disse o soldado. "Mas ainda não há notícias. Senhor."

Ragendra se levantou.

"Eu vou investigar isso", disse ele.

Ragendra saiu da sala e foi diretamente para o pátio do palácio, com passos apressados. Ele ordenou que seus soldados se reunissem.

"Eu quero que todos procurem por Dimitrios", disse ele. "Ele está desaparecido, e eu preciso saber o que aconteceu com ele. Este atraso não estava em nossos planos… ainda temos muitas tarefas para terminar, e o nosso tempo está apertado."

Os soldados assentiram e começaram a procurar por Dimitrios.

Ragendra ficou parado no pátio. Ele estava preocupado. Ele temia que algo estivesse errado.

Ele começou a pensar em voz alta.

"O que se passa?", disse ele. "Por que Dimitrios está demorando tanto para voltar? Ele deve ter ido até algum outro lugar antes de voltar… "

"Será que ele foi capturado pelos legalistas?", completou, com um semblante assustado. "Ou será que ele desertou?".

Ragendra não sabia o que pensar. Eram tantas opções que ele não conseguia processar todas as possibilidades, ele só sabia que precisava descobrir o que estava acontecendo.

Ragendra estava parado no portão principal do palácio, esperando por notícias de Dimitrios. Ele estava impaciente e irritado. Ele queria saber o que estava acontecendo.

Repentinamente, ele ouviu um barulho. Ele se virou e viu um grupo de soldados se aproximando de forma descoordenada.

"General", disse um dos soldados. "Temos notícias da princesa Calliste."

Ragendra se apressou para encontrar o grupo de soldados.

"O que aconteceu? Diga logo.", disse ele.

"A princesa foi vista nadando em direção ao palácio. Senhor.", disse o soldado, com um tom receoso em sua voz.

Ragendra sentiu seu sangue ferver dentro do corpo. Ele sabia o que isso significava.

"Calliste derrotou Dimitrios", disse ele.

Os soldados assentiram com um movimento de cabeça, para logo depois olharem para o chão, com um semblante de tristeza.

Ragendra se virou e olhou para o palácio, a imponente estrutura criada antes de Poseidon afundar o reino, e que servia de moradia para a família do Deus desde aquela época. Ele sabia que a batalha final estava chegando.

Ele empunhou sua espada e olhou ao redor. Ele encarava os soldados que o apoiavam e olhava para sua grande arma secreta, a fusão que seus magos haviam feito da tecnologia das armas da superfície com um ser vivo, uma grande baleia azul, que nadava calmamente sobre a área periférica da cidade.

"Preparem-se", disse ele. "A princesa Calliste está chegando, e nós vamos capturá-la!"

Calliste nadava freneticamente, entre as ruas submersas de Atlântida, indo em direção ao palácio. Ela estava determinada a enfrentar Ragendra em combate e libertar o povo de Atlântida.

De repente, ela viu os soldados que cuidavam do portão do palácio. Os soldados a avistaram e se prepararam para enfrentá-la, com armas em punho.

Calliste não teve medo. Ela sacou a espada que carregava embainhada e avançou contra os soldados com sua grande força.

A luta foi rápida e violenta. Calliste usou sua força de semideusa para derrotar os soldados sem nem ao menos ser tocada por suas espadas ou pelos disparos de energia daqueles carregavam as bestas douradas do exército atlante

Ela ultrapassou a entrada e chegou no pátio do palácio, encontrando Ragendra.

O general estava parado no meio do pátio, esperando por ela. Ele estava furioso e ele também confirmara que Calliste era uma ameaça para seu poder recém conquistado.

"O que você está fazendo aqui, princesa Calliste?", disse ele, olhando a princesa de cima para baixo.

"Estou aqui para te derrotar", respondeu ela.

"Você é uma tola", disse Ragendra. "Você não tem chance contra mim."

"Vamos ver", disse Calliste.

Os dois começaram uma tensa discussão. Ragendra acusou Calliste e os outros nobres de não se importarem com o povo do reino.

"Vocês são apenas uma elite privilegiada que se preocupa apenas com seu próprio bem-estar", disse ele.

Calliste ficou furiosa. Ela sabia que Ragendra estava mentindo.

"Isso não é verdade", disse ela. "Nós nos importamos com o povo de Atlântida."

"Vocês mentem", disse Ragendra. "Vocês só se importam com seu poder, enquanto os pobres da cidade lutam para ter um prato de comida em suas mesas."

A discussão ficou cada vez mais acalorada. Calliste e Ragendra estavam prestes a se atacar quando...

Subitamente, um barulho alto ecoou pelo pátio.

Todos olharam para cima e viram a baleia azul gigantesca que agora nadava próxima ao palácio, quase encalhando na parte não submersa da cidade. A baleia havia sido despertada, e agora estava nadando conforme foi ordenada.

Calliste e Ragendra se viraram e ficaram olhando para a baleia. Eles sabiam que a batalha estava prestes a começar.

Calliste ficou impressionada, e até mesmo um pouco chocada, com a visão da grande baleia azul nadando sobre a cidade. Ela nunca havia visto nada tão grande e poderoso.

Ragendra aproveitou este momento de distração e iniciou o combate. Ele avançou contra Calliste com a espada em punho.

Calliste não teve tempo de reagir. Ela foi surpreendida pelo ataque do guerreiro amotinado.

O combate foi acirrado no início. Calliste lutou bravamente, usando sua força de semideusa para se defender e contra-atacar de forma eficiente.

Mas Ragendra era um adversário formidável. Ele era um guerreiro experiente e habilidoso.

Logo, Ragendra passou a ter controle sobre o combate. Ele começou a dominar Calliste, forçando-a a recuar, enquanto desferia golpes rápidos e contínuos com a sua espada, enquanto calmamente dava curtos passos em direção a princesa.

Calliste estava cansada e ferida. Ela sabia que não poderia vencer Ragendra por si só.

Ragendra riu de Calliste.

"Você não tem chance contra mim", disse ele. "Minha armadura é especial. Ela é feita com as escamas negras de um dragão marinho morto décadas atrás. Foi o último presente do meu antigo instrutor."

Calliste ficou chocada. A princesa conhecia a habilidade das escamas dos dragões marinhos negros, estas criaturas tinham a capacidade de anular os poderes dos Deuses antigos, as histórias de seus confrontos eram lendas contadas até os dias de atuais. Ela sabia o que isto representava e não poderia derrotar Ragendra sem seus poderes.

Ela sentiu-se perdida. Definitivamente, não sabia o que fazer para continuar o confronto.

Ragendra avançou com ferocidade, atingindo um soco no estômago de Calliste. A princesa foi atingida e sentiu o golpe, cuspindo sangue com o impacto.

Calliste cambaleou, caindo de joelhos diante do general. Ela estava ferida e desorientada.

Ragendra aproveitou a oportunidade. Ele arrancou a espada das mãos de Calliste e jogou fora do alcance dela.

A semideusa tentou se levantar, mas Ragendra a chutou nas costas, jogando-a para o chão.

A princesa caiu com um baque, batendo a cabeça nas pedras do chão.

Ela ficou inconsciente por alguns segundos.

Quando acordou, viu Ragendra se aproximando dela. Ele estava segurando uma corda nas mãos, que este havia arrancado de uma barricada na entrada do palácio.

Antes que Calliste pudesse se mover, Ragendra a amarrou, prendendo suas mãos e pernas.

Ele então colocou a princesa em seu ombro e disparou, nadando para fora do perímetro do palácio.

Calliste estava presa. Ela estava à mercê de Ragendra.

Ragendra nadava rapidamente, cada vez mais longe do palácio, ainda carregando Calliste. Ele estava confiante de que havia derrotado a princesa e que agora ela estava sob seu controle, colocando um fim na ameaça que ela representava para o seu plano de tomada do poder em Atlântida.

Mas, de repente, ele sentiu um calafrio passando pelo seu corpo. Ele parou de nadar e olhou ao redor.

Ele viu alguns soldados passando em carruagens puxadas por golfinhos indo em direção ao horizonte, em fuga. Eles pareciam ter pressa.

Ragendra se virou e olhou para a baleia, que nadava calmamente acima de todos no palácio. Mas, de repente, a baleia pareceu agitada.

A baleia começou a energizar o equipamento preso a sua boca. Uma luz verde emanava do equipamento.

Ragendra e Calliste ficaram olhando, confusos. Eles não sabiam o que estava acontecendo.

De repente, uma grande imagem se formou na água. Era uma imagem gigante de Poseidon, feita pelos poderes do Deus dos Mares utilizando o movimento das águas.

A baleia lançou um raio de energia nesta grande imagem. Após o impacto, as ondas moveram-se rapidamente, parecendo como um soco na direção da baleia.

Ragendra ficou horrorizado. Ele sabia que a baleia estava sendo atacada por Poseidon.

A baleia tentou fugir, assustada pelo imenso poder se aproximava dela, mas foi tarde demais. O soco das ondas a atingiu em cheio, enviando-a para o fundo do oceano.

O general estava furioso. Ele não aceitaria ser governado por um Deus. Ele havia derrotado Calliste, a princesa de Atlântida, e agora estava sozinho, com ela amarrada em suas costas.

Ele a colocou no chão do oceano e, cruelmente, a acertou um soco no nariz, quebrando-o. Calliste perdeu os sentidos, enquanto o sangue escorria tomando conta da água ao seu redor.

Ragendra olhou para ela, com desprezo. Ele sabia que ela era uma ameaça para seu poder, e ele não iria deixar que ela o impedisse.

Ele pegou sua espada e partiu nadando rapidamente, em direção a onde a imagem de Poseidon estava.

Ao chegar lá, ele encontrou o idoso, mas imponente Deus. Poseidon estava parado no meio da água, com um olhar severo no rosto.

"Você é um insolente", disse Poseidon. "Como ousa desafiar um Deus?"

"Eu sou o general de Atlântida", disse Ragendra. "Eu sou o governante deste reino, e eu não vou permitir que você me diga o que fazer."

"Você é apenas um homem", disse Poseidon. "Você não tem o direito de me desafiar."

"Eu tenho minha armadura", disse Ragendra. "Ela pode anular seus poderes."

"Isso não importa", disse Poseidon. "Eu sou um Deus. Eu sou mais forte do que você."

Os dois se encararam, a tensão no ar era palpável. Ragendra sabia que estava em desvantagem, mas ele estava determinado a lutar.

Ele avançou contra Poseidon, sua espada em punho. Poseidon o recebeu com um golpe de seu tridente, que Ragendra bloqueou com sua espada.

Os dois começaram a lutar, trocando golpes poderosos. A água ao seu redor ficou agitada, e o som dos golpes ecoou pelo oceano.

Ragendra estava lutando bravamente, mas ele estava ficando cada vez mais cansado. A armadura o estava pesando, e ele estava tendo dificuldade em respirar.

Poseidon, por outro lado, estava se mostrando invencível. Ele era um Deus, e ele tinha o poder da natureza em suas mãos.

Um golpe de Poseidon finalmente acertou Ragendra no peito, e ele foi lançado para trás. Ele caiu na água, desmaiado.

Poseidon olhou para ele, com desdém. "Você foi derrotado", disse ele. "Agora, você vai pagar pelo que fez."

Poseidon levantou seu tridente, pronto para dar o golpe final.