“Você me chamou de Yamamoto.”

“O que?”

“Me chamou de Yamamoto, sem o Takeshi. Isso não deve ser bom, eu acho.”

“Do que você está falando homem?”

“Nada.”

“Achei que você ia gostar de eu te chamar do jeito que todo mundo que gosta de você te chama. Não achei que fosse reparar já que está gritando feito um louco e nem prestando muita atenção no que eu tive a dizer. Nem quis saber.”

“E você quis dizer o quê exatamente? Quis dizer que está explodindo tudo e eu tenho que aceitar isso calado? Sem questionar? Você podia ter se machucado! Você tem noção do que aconteceria se você se machucasse, hein? Você sabe o que seria de mim se você se machucasse? Mas que DROGA.”

“Não..eu não..eu não, mas do que você está falando? Como assim o que seria de você? Eu nunca achei que você gostasse de mim. Não era só sexo? Como você gosta de mim? Como isso aconteceu?”

“Você acha que eu estou brincando?”

“Eu acho impossível isso ter acontecido.”

“Por quê?”

“Eu não sou gostável. Pergunte ao meu irmão.”

“O que você disse?”

“Eu não sou gostável e não falemos mais disso.”

“Bianchi..eu...eu gosto de você.”

“Não. Você não gosta.”

Enquanto os dois estavam naquele diálogo que mais parecia um teatro mal ensaiado, Haru foi na cozinha e estourou umas pipocas. Ela passeava pela cozinha da mansão e procurava os ingredientes. Incrível como que tudo permanecia no mesmo lugar, era como se nunca tivessem saído dali. Como se Gokudera nunca tivesse lhe deixado ou ela o deixado. Até os potes continuavam na mesma ordem. Ou aquilo era ordem da máfia ou tinha alguém ali com muita mania de organização. Nem percebeu quando Gokudera entrou. O homem ficou observando a desenvoltura com a qual a morena fazia tudo, mesmo que fosse só pipoca. Gokudera gostava de observá-la.

Terminou de fazer o chá e colocou as pipocas na travessa. Salpicou o sal e misturou. Colocou o chá nas xícaras e foi ajeitando na bandeija. Gokudera foi ajudá-la e parecia normal, corriqueiro. Simplesmente como sempre foi.

Levaram a pipoca e o chá para a sala, ajeitaram na mesinha de centro e começaram a assistir Bianchi e Yamamoto. Chrome não estava muito certa do que estava acontecendo, mas ao ver Gokudera e Haru trazendo a pipoca, não se fez de rogada. Também queria saber o que iria acontecer com Bianchi e Yamamoto.

O referido casal nem percebeu a movimentação. Tinham se enclausurado no silêncio e esperando alguma solução. Yamamoto estava tenso. Bianchi tinha dito que ele não gostava dela. Como ela sabia? Como ela ousava saber? Quem era ela pra dizer que ele não gostava dela? Que absurdo era aquele?

“O que quer dizer com isso Bianchi? E que cheiro de pipoca é esse?”

“Não sei. Parece pipoca. Eu quero dizer exatamente o que eu disse. Você gosta do meu corpo. Não de mim. São coisas diferentes.”

“E como você sabe disso? Você alguma vez me perguntou? Você sempre conclui e nunca me pergunta nada. Porque não havia espaço pra perguntar nada. Eu por exemplo sei que você não gosta de mim. Gosta do Reborn e eu aceito. Ok, não aceito muito bem, mas tento compreender. Não é fácil gostar tanto tempo de uma pessoa e não ser correpondido. Eu sei como se sente, acredite em mim.. Uma coisa eu sei, sei que eu estou apaixonado por você. Só isso. Estou completamente apaixonado e eu não sei como assimilar isso. Eu não quero sexo. Ok, eu quero, mas eu quero sair pra tomar sorvete, ver filmes e comer pipoca junto. Eu sei que você não quer nem saber, mas eu acredito que você deveria saber.”

“Eu gosto de você. Eu não gosto de gostar de você, mas eu gosto. Não gosto da sensação de esperar algo que eu não deveria. Eu sempre me virei sozinha em todos os aspectos. Simplesmente não faço o tipo de mocinha apaixonada. Me desculpe e acredito que você mereça alguém que siga esse plano aí. Não sou eu e eu não quero isso.”

“Eu não entendi nada do que você disse, isso não é verdade. Como você pode gostar de mim e simplesmente não acreditar no que eu tenho a lhe dizer?.”

“Se você não quer acreditar, problema seu. Gosto do seu sorriso meio torto que ri de tudo. Do seu senso de preservação meio tosco e de como você vê as coisas com leveza. Eu estranho tudo isso, mas gosto. Claro, eu gosto muito de transar com você, mas quem não gostaria? Só que acredito que não seja o suficiente pra ficarmos juntos. Sei lá, deve passar, né? Essa coisa de paixonite.”

“Passar? Não! Essa sensação não vai embora. Eu preciso ficar perto de você. Eu sei que faz pouquíssimo tempo que estamos juntos, que não tem como comparar os sentimentos, mas quem disse que é necessário comparar? Você é tudo no momento e não tem como eu me desviar disso, por favor, será que você não pode tentar também?” E foi em direção aos lábios da Poison Scorpion.

Enquanto o casal estava se beijando, várias coisas aconteceram. Gokudera ficou tentado a beijar Haru, mas nem tinha montado sua estratégia ainda. Chrome conseguiu ficar mais estóica do que já era e Tsuna e Kyoko saíram da biblioteca cheirando à sexo recente. E como não poderia deixar de ser, Tsuna fez uma pergunta completamente descabida.

“Mas o que está acontecendo nessa sala ?”

“Décimo, e como foi tudo?”

Tsuna, mais vermelho do que um pimentão se recusou a responder, mas não contava com a sua parceira.

“Foi tudo certo, bom até demais Gokudera-kun, mas o que estamos assistindo?”

Gokudera que não esperava uma resposta de Kyoko disse que aquilo era uma prova de que os planetas não estavam alinhados decentemente e uma catástrofe estava para acontecer, enquanto Haru, com sua recente paciência, explicou para Kyoko que Bianchi e Yamamoto estavam tentando retomar um relacionamento funcional, o que quer que aquilo fosse.

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“VOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI, eu não entendo porque ainda não atacamos as empresas Vongola ou atacamos aquele imbecil do Mukuro. Está virando um covarde Xanxus.?”

Sem dignar Squalo com uma resposta, Xanxus jogou uma caneca de café quente na cabeça do 'colega' e voltou ao que não estava fazendo.

“Squ, não irrite o nosso chefe, ainda estamos confusinhos sobre o que fazer em relação aos Vongola daqui. Se bem que eu ia adorar rever o cara do sol, aquele corpo lindo que eu faria miséria se tivesse uma chance.”

“VOOOOOOOOOOOOOOOOOI, cala essa boca Lussúria. A gente nem sabe o que tem que fazer. Esse chefe insano nem nos dá satisfação e ainda tenho que aguentar essa sua paixão pelo cara do sol? Temos que saber quem é o cretino que está explodindo as coisas e não está nos chamando.”

“Shi shi shi, é um absurdo que essas pessoas não pensem em chamar um príncipe para acompanhá-las nesse processo. E todos sabem que ninguém destrói melhor do que nós. Nós somos da Vária, pelo amor da realeza.”

“Eu cobrarei muito caro caso tenha que ajudar os Vongola, ainda mais com aquele exibido do Reborn. Não sei como ele ainda não convocou uma reunião dos arcobalenos. Com coisa que eu me importo com isso.”

“Vocês estão falando demais. Calem essa boca.”

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Enquanto Yamamoto e Bianchi estavam quase atentando contra o pudor, Tsuna, Gokudera, Haru, Chrome e Kyoko estavam pensando em uma maneira de reação.

“Não tem como reagir contra o que não começou ainda Tsuna-kun. Eu só passei os documentos, não tem mais nada além disso. Não sei o que eles farão e nem os próximos laboratórios. E tem outra coisa, a Milfiore testa em animais, só que eu não tenho o mapa desses laboratórios. E não tem conexões deles com os Vongola pelo que eu chequei no sistema.”

“Kyoko, qual é o seu acesso a este sistema? O que você pode extrair dele?” Tsuna perguntou um pouco envergonhado por conversar com ela tão normalmente após a experiência deles.

“Eu posso chegar a todo e qualquer lugar, por mais que eu seja a recepcionista, ninguém realmente me restringe acesso. Eu também tenho cópias de chaves e todos os documentos passam por mim, pelo menos para serem carimbados. É muito fácil tirar uma fotocópia de tudo, sem falar o acesso aos e-mails. A não ser que eles tenham criptografado as contas, eu tenho pleno acesso, mas desde que seja do computador de onde eu trabalho. Se for daqui por exemplo, eles podem descobrir.”

“Mas Sassagawa, não tem como eles descobrirem do seu computador também, porque tem como rastrearem Ips e as operações.” Gokudera disse contrariado.

“Não quando o seu computador é o que rastreia. Eles deixaram o servidor no meu computador e o programa que vasculha está no computador da recepção. Foi um erro de percurso, mas não perceberam nada. Desde que se bloqueie uma pornografia ali e uma rede social acolá, eles não acham que está acontecendo nada. Claro que os técnicos sabem dos bloqueios e tudo o mais e não fazem nada. Julgam as recepcionistas muito simplórias para saber o que está acontecendo e eu simplesmente aproveito.”

“Kyoko-san, e teria como você ter acesso aos planos de ataque?”

“Não. Mukuro-san não deixou nada pra nós. Ele simplesmente dá um sinal e vai. Só que tem que ver se não tem nenhum associado dos Vongola que faz esse tipo de teste.”

“Algum associado dos Vongola que seria nocivo o suficiente?” Tsuna perguntou.

“Sim, alguém nocivo o suficiente.”

Repentinamente Gokudera, Tsuna e Chrome disseram em uníssono: VARIA.