Ativistas Dos Direitos Do Amor.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
A chegada da família Vongola em Nanimori não provocou nenhum estardalhaço. Muito pelo contrário, foi até discreta para os padrões italianos, contudo, não foi completamente silenciosa.
No aeroporto, o irmão de Kyoko já fez um escândalo extremo quando a viu do outro lado do portão e quase derrubou 5 seguranças na expectativa de abraçá-la e quase foi preso por isso. Haru também estava lá, para buscar Bianchi e o pai de Yamamoto também tinha ido recepcionar o filho.
A mãe de Tsuna estava muito aérea, (trocadilho infame), mas Fuuta, Lambo e I-pin estavam realmente felizes em tê-lo de volta. Os três acharam melhor não irem pra Itália para não deixar a Nana sozinha, já que ela não quis ir para Itália na esperança de seu marido um dia retornar. Aquilo matava Tsuna, mas era escolha dela. Agora ele estaria ali para protegê-la.
Só pra convencer Nana a morar na mansão Vongola foi um sacrifício, mas as crianças conseguiram convencê-la de que era infinitamente mais fácil para Iemitsu encontrar Nana em Nanimori, que não era necessário ela morar naquela casa pequena, sendo que tinha uma maior à disposição.
Depois dos abraços dados e dos cumprimentos, foi o momento de cada um ir ao seu destino. Claro, Tsuna não tinha conseguido falar duas palavras para Kyoko, no entanto, ela, com o coração diferente disse que tinha sentido muito a falta dele.
“Tsuna-kun, é bom ver você. Senti sua falta. Espero que se readapte aqui.”
“Oe Kyoko, você não sentiu minha falta também??”
“Onii-chan, claro que eu senti, mas eu falo com você quase todos os dias e eu nunca mais falei com o Tsuna-kun. Você sabe o quanto eu gosto dele, né?” e essa fala se seguiu com um tapa forte nos lábios.
Ela ficou mais vermelha do que era possível, mas se lembrou com um pouco de tristeza que Tsuna não era conhecido pela sua sagacidade, então provavelmente consideraria aquilo como um gostar de amigo, e era o que ela queria dizer. Não podia comparar seus sentimentos de adolescente com o que Haru sentia, por exemplo. Ou ainda pelo que podia perceber de Gokudera ou até mesmo de Yamamoto. Ela se sentia em um turbilhão de emoções, mas as dela não pareciam tão puras quanto as dos outros.
“Obrigado Kyoko-chan, vou me readaptar com certeza.”
Tsuna não acreditava no que tinha ouvido. Ela disse que gostava dele e que sentiu sua falta. Aquilo não era possível. Ou era? Bom, podia ser só coisa de amigo, mas mesmo assim, era muito melhor do que todos os sonhos que tivera. Ele nunca tinha tido nem a graça de sonhar com Kyoko quando morava em Nanimori. Sonhou com Haru uma vez, antes dela e de Gokudera começarem essa salada que era o relacionamento deles. Nem nos sonhos Kyoko era sua. Aquilo devia ser um sinal de que ele deveria ter voltado antes.
Enquanto Tsuna, Kyoko e mesmo sem querer Ryohei estavam naquele clima de algodão doce, a tempestade se aproximava de Yamamoto, Gokudera, Bianchi e Haru.
“O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI, MULHER IDIOTA?” Gokudera gritou.
“Bianchi-san, já se despediu?” Haru nem se dignou a olhar pra ele, o que o deixou furioso. Sem falar que aquela coisa dela falando com Bianchi não era normal. Aquilo o deixou mais irritado ainda e aparentemente Yamamoto parecia desconfortável.
“Pra onde você vai Bianchi? Não vai ficar comigo, ops, quer dizer, com a gente, lá na mansão, hehe?” Yamamoto perguntou totalmente sem graça e decepcionado
“Não vou ficar na mansão, Yamamoto Takeshi, vou ficar com a Haru.” Bianchi respondeu. “Acabei de me despedir. Chame a Kyoko.”
“Kyoko-chan, vamos?” Haru gritou.
Kyoko saiu daquele torpor criado pela presença de Tsuna e foi ao resgate das duas garotas. Percebeu que o clima estava esquisito e foi correndo. “Vamos Haru-chan, Bianchi-san, vamos lá? Vamos pegar sua bagagem, Bianchi-san?”
“Já peguei Kyoko, obrigada. Vamos embora.”
Nesse meio tempo, o celular de Haru toca e ela atende sem pestanejar. Gokudera que estava furioso pelo fato dela não estar nem se importando com a presença dele, não pode deixar de prestar atenção. Pelos detalhes que ele pegou, ela estava marcando um encontro pra hoje! Hoje!! Ela tinha um encontro com um homem!! Ficou mais furioso ainda. Foi correndo em direção a ela, mas foi contido por Yamamoto.
“ME SOLTA SEU IDIOTA DO BASEBOL, EU PRECISO FALAR COM ELA.”
“Falar o que? Que ela é idiota? Porque foi a primeira coisa que você falou quando a viu. E faz quanto tempo mesmo que você não a vê? Ah, uns 4 anos? 3? 2? Porque ela nem sonha que você vem pra Nanimori pra vê-la, não? O idiota é você.!
Tsuna foi correndo apartar seus dois amigos que estavam a ponto de começar uma briga, na verdade, mais pelo lado de Gokudera, já que Yamamoto era mais calmo, sem falar que ele estava muito triste por Bianchi nem ter contado que não ia ficar na mansão.
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O trajeto para a Mansão Vongola foi até tranquilo, mas tenso dentro da limousine. Ryohei como sempre, não entendendo muito o que estava passando, fazia suas brincadeiras com Gokudera que nem se dignava a responder. Yamamoto não parecia o homem mais feliz e isso era mesmo muito esquisito, sem falar que Tsuna estava fazendo uma cara de idiota.
Chegaram à mansão e deram de cara com Reborn que exigia falar com Yamamoto naquele exato instante em particular. Ouvindo isso, todos se retiraram para seus aposentos deixando somente os dois na sala.
Não que Yamamoto fosse um cara ruim, mas Reborn era uma das pessoas que ele realmente não queria ver nesse momento, já que achava que Bianchi ainda gostava dele e por isso o tratava de uma maneira mais fria, mesmo o respeitando muito.
“Sim, garoto?”
“Quero falar com você sobre a Bianchi.”
“Sobre a Bianchi, mas o que eu tenho a ver com ela? Ela é só irmã do meu amigo, nada além disso. Ela nem gosta de mim, vive me chamando pelo nome inteiro Sem falar que o namorado dela é você, não é? Eu realmente preciso ir com você?”
“Se não precisasse, eu não te chamaria primeiro. Tem que começar por você pra esse plano dar certo.”
“Plano?”
“Plano de X-Burner Happiness Vongola.”
“O que diabos é isso?”
“Você vai entender quando chegar a hora.”
“Eu não quero falar dela com você, entende?”
“Então escute.”
Yamamoto fez um bico, que realmente não combinava com sua personalidade e assentiu.
Reborn disse que ele e Bianchi nunca tiveram nada real, que o relacionamento deles não passava de uma troca de favores, sem falar que eles nunca se relacionaram fisicamente. Eram bons amigos e nada mais além. Sabia que ela tinha um mundo só dela e que nesse mundo, Reborn era o homem perfeito. Isso era mais que sabido, só que Bianchi estava no mundo real agora e sabia que ela sentia algo por Yamamoto, mas ela ainda não sabia.
Yamamoto não sabia o que dizer. Primeiro, sempre se sentia preterido, menosprezado por sua natureza bondosa, segundo, foi se apaixonar, porque era isso que ele sentia, justamente pela irmã de Gokudera que já não ia muito com a cara dele e sabendo do amor profundo que ela sentia por Reborn que era só a pessoa que nunca tinha conhecido o significado da palavra fracasso na vida. Aquilo era uma piada, um embuste. Só pode. Carma por nunca ter dado a devida atenção para as mulheres que se aproximavam dele.
“E o que eu tenho que fazer? Pra esse plano funcionar?”
“Não desista da Bianchi.”
“Mas desistir dela?? O que você acha que eu tenho com ela??? Eu não tenho nada com ela. Desistir de ser amigo dela? Mas ela não me considera nem isso.”
“Yamamoto, você é o executivo perfeito, não me faça me arrepender de considerar isso. Eu sei do caso de vocês. Além de eu ter visto, ela mesma veio me dizer. “
“Você viu? O que você viu? Você está louco.” Yamamoto negava veementemente, já que era isso que via Bianchi fazendo o tempo todo.
“Yamamoto, sério? Você está negando por quê? Você prestou atenção que eu falei que ELA me contou?”
“Ela está mentindo.”
“Você quer protegê-la tanto assim? Isso é bom de ver. Eu gosto mesmo da Bianchi, é uma garota estranha, mas muito leal e foi essa lealdade dela que fez com que ela viesse me contar sobre vocês dois. Apesar dela achar que essa coisa é toda física, principalmente da sua parte, ou você não percebeu que não saímos mais juntos ou ficamos conversando, essas coisas?”
Yamamoto não sabia o que dizer e aquilo estava se tornando uma coisa recorrente. Ele nunca sabia o que dizer, o que falar, sempre se escondia atrás do sorriso fácil. Que coisa! E agora ele estava nessa situação horrorosa. O que fazer? O que fazer?
“A minha relação com ela é inexistente. Você está enganado”
Reborn ficou tão furioso com a burrice de Yamamoto que deu um murro nele, mas nisso ele não se fez de rogado e os dois começaram a brigar no meio da sala. As coisas começaram a cair e todos correram para ver Reborn e Yamamoto em uma briga memorável.
Cada soco era uma bênção, como se eles descontassem toda a frustração que o moreno sentia por praticamente não ser correspondido. Claro que ele estranhou a atitude meio passiva de Reborn, mas não se deixou abater, continuou socando e socando até ser apartado por Gokudera e Tsuna.
“Satisfeito, Yamamoto?”
“Não. Não estou.”
“Você quer mais?”
“Eu quero e eu preciso de mais.”
Claro que Tsuna e Gokudera não estavam entendendo nada daquilo, mas Yamamoto e Reborn sabiam que não era bem da briga que estavam falando.
“E o que você vai fazer?”
“Pra variar, eu não sei garoto, mas eu não quero que você me fale. Eu vou dar uma volta, ver o meu pai. Depois eu volto.”
Yamamoto saiu correndo e deixou dois amigos intrigadíssimos e um tutor com um sorriso maroto. Reborn tinha conseguido, como sempre.
“O que vocês dois estão fazendo aqui olhando com cara de idiotas? Vão arrumar as coisas. Temos reunião também. Andem logo.”
“SIM SENHOR.”
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Na casa das meninas a coisa não estava tão tranquila também. Depois daquela explosão de Gokudera, Haru simplesmente desabou no carro. Chorava sem parar e nem conseguia respirar. Como podia? Fazia anos que estava solteira e não se importava com o fato de Gokudera a chamar de idiota. Ele sempre fazia isso, mas o cretino estava na Itália. Kyoko tinha razão, aquilo não ia ser bom, mas não podia deixar Bianchi sem abrigo, já que ela contou uma estória muito da estranha de que estava se apaixonando por Yamamoto e precisava ficar um tempo longe dele. E também o recrutamento para a ALF. Era muito importante que estivessem juntas.
Seria interessante ter um espião dentro da base Vongola, mas estava certa de que os chefes não sabiam o que estava acontecendo por ali. Tsuna não era tão idiota a ponto de usar os animais dessa maneira. Alguém o estava enganando e era isso que fazia Haru e Kyoko continuarem. Elas salvariam os Vongola, mesmo que tivessem que destruí-los.
Foram pra casa naquele clima de velório, mas tinham um compromisso naquela noite. Iriam se reunir para os novos planos da organização, a apresentação de Bianchi e os alvos a serem abatidos. Aquela noite seria no mínimo muito longa.
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