Ativistas Dos Direitos Do Amor.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Yamamoto ficou chocado e ao mesmo tempo confuso com o fato de voltarem a Nanimori, claro, ele também ficou feliz, porque o pai dele ainda estava lá, mas tinha uma coisa o incomodando. Bianchi. Ele se colocou a pensar quando foi que começou a se sentir atraído pela irmã do amigo. Deu-se conta que foi desde sempre, mas ela só tinha olhos para o tutor de Tsuna, que sabia se aproveitar muito bem da situação. “Maldito.”
Não, ele não detestava Reborn, muito pelo contrário. Só sentia inveja dele. O garoto mais popular de Nanimori sentindo inveja de um outro homem por causa de algo que ele não quer. Patético.
O lance entre eles começou ou melhor tomou forma, quando o primeiro laboratório foi explodido pela ALF, Reborn tomou as providências não tão éticas para evitar que aquilo vazasse, sem falar que até ele mesmo libertou alguns animais. A coisa tinha tomado uma proporção assustadora e eles foram beber.
Tsuna ligou pra sua mãe e conversou horas com ela. Gokudera colou as fotos da ex-namorada na parede e ficou pelo menos umas duas horas gritando com aquela “mulher idiota” da qual ele sentia tanta falta. Ryohei ligou pra Kyoko, coisa que Tsuna também queria fazer. Chrome ligou pra um pessoal da Kokuyo Land, mas ficava muda o tempo todo, mas podia se ouvir os gritos do Ken falando pra ela voltar pra casa, mesmo sendo idiota daquele jeito. Hibari nem ligou, mas foi pra algum lugar distante com Dino Cavalone e Yamamoto foi fazer sushi.
Ele estava na cozinha dos Vongola com todo aquele aparato e começou. Fazer sushi costumava acalmar Yamamoto. Um momento ou outro ele escorregava, mas, em geral, ele costumava ser muito habilidoso na arte do sushi. Ele cortava, separava e embalava os ingredientes como se não tivesse amanhã. Ele estava nisso havia umas duas horas quando ele percebeu que não estava sozinho no recinto.
“Bianchi?”
“Yamamoto Takeshi. Por que você acha que pode cozinhar melhor do que eu?”
“Eu não disse isso.”
“Mas por que você está cozinhando?”
“Porque eu preciso fazer alguma coisa. Eu não sei mais o que fazer.”
“Hummm, eu tenho uma ideia. Vem comigo.”
Yamamoto ficou intrigado. O que ela podia fazer por ele? Já que a família Gokudera parecia odiá-lo de alguma forma.
Eles foram para a sala de treinamento e começaram a lutar, mas em um determinado momento, ele a pressionou na parede e finalmente, o gigante havia acordado.
“Bianchi, agora eu que tive uma ideia.”
O que se sucedeu depois disso, dá pra se imaginar. Só que eles iniciaram esse caso, que ela determinou que fosse secreto e isso incomodava Yamamoto profundamente. Ela tinha vergonha dele? Ela ainda gostava do Reborn? Como ela o via? Eles não se falavam mais, só combinavam os encontros por um código que consistia em um biscoito envenenado dentro de um armário. E para a alegia de Yamamoto, só naquela semana, ele tinha recebido 3 biscoitos e foi quando Bianchi começou a ir trabalhar de óculos, para a alegria de Gokudera.
Yamamoto sabia o que sentia. Ele estava apaixonado. Simples assim. Desde que a viu no telhado tentando matar Tsuna por causa de Reborn. O mesmo Reborn que o ensinou tanto e o transformou no executivo que era. Yamamoto queria ser Reborn, queria que aquela mulher o olhasse como ela olhava pra ele. Mas as coisas não eram assim, pelo menos era o que ele achava, mas ele tinha que saber. Tinha que saber se ela iria. Então, encheu-se de coragem e foi até ela.
“Bianchi, preciso falar com você, mas falar, só.”
Ela o olhou com aquele olhar estoico que sempre lhe dispensava.
“Quero saber se você vai pra Nanimori com a gente, comigo.” Ele falou por fim.
“Yamamoto, eu não posso ficar aqui e deixar o Hayato sozinho, ele precisa de mim, sem falar que eu também acho que eu não posso ficar aqui sozinha, eu já me acostumei com o que a gente tem.”
“E o que é? Eu preciso saber.”
“É isso. Não tem definição, não tem título e não tem necessidade de pressão. É uma distração, não é?”
Naquele momento, ele ficou triste em ser uma distração, mas pra ser sincero, ele nunca fez mais do que isso. Nunca a levou a sério, já que ela não permitia. Mas em Nanimori, as coisas eram diferentes, ele não sabia o motivo, mas eram.
O que ele não sabia também, era que Bianchi tinha acabado de se ingressar na Animal Liberation Front, não que ela fosse agente dupla dos Vongola, mas ela não estava aguentando mais ficar sem uma causa e não queria que aquele sentimento estúpido por Yamamoto a deixasse menos mulher. Então, o motivo principal era exatamente esse. O ingresso real para a Liberation Front.
Claro que isso só foi possível ligando para a cunhada ou melhor, ex-cunhada. Haru foi reticente, já que Bianchi era extremamente leal aos Vongola, mas com a entrevista de Mukuro, que é o agente duplo mais descarado que já se viu, ele percebeu que as intenções dela eram boas. Ou tão boas quanto aquele grupo poderia ser. As coisas estavam meio arranjadas e a ida foi providencial. Era como se Reborn soubesse e precisasse que o plano saísse dessa maneira.
Bianchi disse que ia arrumar as coisas e foi para seu aposento, quando deu de cara com Reborn.
“Reborn?! O que você está fazendo aqui?”
“Vim dizer que o Yamamoto gosta de você, você gosta dele e como são idiotas demais, acham que é só uma brincadeira, uma distração.”
“Como eu já fui uma distração, eu acho que sei reconhecer uma, você não acha?”
“Não, não acho. Mas vem falar comigo depois que você perceber. Boa arrumação.”
Aquele maldito, como ele podia falar com ela assim? Mas claro que Yamamoto não devia gostar dela, como o irmão gosta da Haru ou ainda aquele idiota do Tsuna gosta da irmã do Ryohei. Ela era uma distração e se conformaria como tal.
“Hora de arrumar as malas.”
Kyoko não sabia o que dizer. Haru estava dizendo que a ex-cunhada moraria com eles, mas ela nem sabia que os Vongola voltariam. Aquilo era no mínimo confuso.
“Haru-chan, vou trabalhar, ok? Pensa melhor sobre isso, ok? Vai aguentar receber as visitas que virão?”
“Não sei, mas obrigada por se preocupar Kyoko-chan.”
A garota ruiva saiu correndo porque estava atrasada para o trabalho. Era recepcionista de uma empresa de cosméticos que por sinal faziam testes em animais e ela, com essa vibe ativista, já estava pensando em uma maneira de acabar com aquilo. Começou a pesquisar.
Uma coisa sobre Kyoko que ela tinha muita consciência é que as pessoas a menosprezavam e só a viam como um rostinho bonito. Não por acaso era a recepcionista e não uma das secretárias internas. Seu jeito suave também não era bem quisto pelo mundo dos negócios, que exigiam alguém mais incisivo. Ela não podia deixar de pensar no irmão com todo aquele jeito intenso de ser, uma pessoa que parecia viver naquela chama do último desejo eternamente. Ele sim seria útil naquele meio e como Kyoko era suave demais, seu destino era atender telefones.
Mas algo provou que ela não era tão suave assim. A forma como ela arrebentou as grades daqueles cães também provava que ela tinha tenacidade, que tinha vontade. Só precisava de uma causa pra lutar. A encontrou e não a deixaria agora. As pessoas iriam ver que a doce e meiga Kyoko era capaz de lutar também, de ser furiosa, sagaz e ativista.
Aquela semente estava plantada e só faltava florescer. O cultivo estava pronto.
Chegou em sua mesa e viu os recados a serem passados, os documentos para protocolo e os compromissos a serem agendados. Começou a ver os nomes e teve a ideia de checar os documentos. Ninguém lhe disse que não podia fazer isso. Ninguém lhe disse que não podia ler. Um deles se tratava de uma autorização para o começo de testes com macacos, mas isso era um dos laboratórios da Vongola que estava terceirizando o serviço para a empresa de Kyoko. Também tinha algo relacionado com uma tal de Milfiore que ela não sabia bem o que era. Achou uma boa medida fotocopiar os documentos e colocar em um envelope. O motivo ainda não era bem certo, era uma cisma, decidiu seguir. Xerocou tudo e enfiou em sua gaveta.
Naqueles momentos era muito bom ser insignificante. Kyoko tinha acesso a praticamente tudo, até na sala da diretoria. Tinha as chaves, senhas, tudo. As coisas não eram bem passadas pra ela, mas não se escondia nada. Ela realmente não tinha muito valor na empresa. Começou a testar seu acesso e as coisas eram relativamente fáceis.
Foi um dia no mínimo produtivo. Claro, ela atendeu ao telefone em algum momento do dia e era Mukuro, o presidente da ALF. Queria falar com o patrão dela. A ligação foi feita em concordância e tudo parecia óbvio, certo, mas havia um código ali. A ALF estava preparando mais uma invasão.
O dia de Haru foi infernal. Primeiro aquela mensagem de Bianchi, a irmã de seu ex-namorado, segundo o sonho e terceiro, o retorno da família toda. Ainda bem que Kyoko-chan estava engajando na causa. A coisa com Bianchi era toda estranha. Ela tinha mesmo entrado para a ALF, mas agora vir morar com Haru e Kyoko? Aquilo já era demais. Não que não gostasse da ex-cunhada, mas Gokudera poderia vir visitar a irmã e isso seria demais pra ela. Terminou com ele ou ele terminou com ela, mas ainda existiam sentimentos, que aumentavam cada vez que ela tentava se envolver com outra pessoa. Ninguém era mais inteligente do que ele, mais esperto, mais sagaz. Nem mesmo Mukuro-san, com quem ela teve um breve affair, nada se comparava com aquele grisalho idiota. E o cretino estava voltando à Nanimori. Cidade que não era conhecida por sua imensidão.
“Droga, vamos ver os e-mails.”
A caixa estava lotada como sempre. Isso de ser chefe do departamento de matemática da universidade não era uma profissão tranquila como se imaginavam, mas essa vida dupla de ativista também não estava ajudando. Ela tinha que ter dois e-mails, acessá-los de computadores diferentes e todas as precauções. Sem falar que até teve algumas instruções de pesquisas na Deep Web que a deixaram doente por uma semana. Como que as pessoas podiam ser tão cruéis? Com animais, crianças? Quando? Como?
Com o tempo, Haru aprendeu a selecionar a causa para lutar. Aprendeu que cada coisa que faz reverbera como a tal borboleta que cria o furacão. E essa esperança no furacão é o que faz com que ela se levante de manhã todos os dias e encare essa vida dupla exaustiva. A coisa começou quando o relacionamento acabou. Teve todo aquele choro, a saída de casa. Morou sozinha por uns tempos e depois se encontrou lutando.
A luta de Haru pelos outros é a luta dela por ela mesma. Não podia parar. Não queria e não iria. Recebeu uma sms de Kyoko comentando sobre a ligação de Mukuro-san. Admirou-se em receber no celular descartável. Kyoko estava pegando o jeito e olha que fazia apenas um dia que era efetivamente uma lutadora. Sempre soube guardar segredos e agora aquilo estava surtindo resultados. Finalmente tinha achado alguma utilidade para a superdiscrição da amiga, sem falar que tinha dado um motivo pelo qual ela lutar.
Agora só faltava Haru não perder o foco também, com a chegada de Gokudera. Ela simplesmente não podia errar.
Para aqueles que achavam que Gokudera estava triste por voltar à Nanimori, estavam completamente certos. Tanto Nanimori quanto Haru eram enigmas para ele. E tudo o que ele queria era uma vida tranquila, com algumas discussões aqui e acolá. Agradecia à natureza apaziguadora do décimo por não prolongar as coisas. Mas aquela mulher idiota não sabia se calar. Sem falar que depois de tudo ainda tinha a coragem de seduzí-lo com aquele rosto corado como se não fosse nada demais. Aquela cretina o manipulava como ninguém. Ele sentia falta, não podia negar, mas gostava quando ele conseguia se controlar diante dela. Gostava quando tinha pleno poder de seus sentimentos, gostava de se sentir no controle.
Aquela morena estúpida o tirava disso, o tirava de seu estado normal e aquilo ele não podia perdoar. Claro, que queria que ela fosse com ele quando ele anunciou a volta à Itália, mas não. Aquela idiota tinha que permanecer. Tinha que fazer a sua vontade, enquanto ele era nada mais, nada menos do que um brinquedinho nas mãos dela. Como ele sentia falta daquelas mãos.
Ele não sabia lidar com o fato de que Haru lhe fazia falta. Que as brigas, discussões e as reconciliações eram mais que bem-vindas, aquilo o deixava simplesmente doente, doente feliz e doente de nojo. Talvez ele precisasse mesmo de terapia.
Além do fato de voltar à Nanimori, na mesma cidade de Haru, tinha percebido que Tsuna estava mais do que feliz, e grande parte dessa felicidade se devia à Kyoko Sassagawa. A garota foi burra o suficiente em deixar o décimo ir para a Itália e nem perceber os sentiementos dele e tinha a irmã dele. Que história era aquela de conversar com Yamamoto? Aquele idiota do baseball? Que coisa era aquela que não ia morar na casa deles? Tudo bem que a presença dela o deixava enjoado, mas aquilo não era motivo para ela cortar totalmente a presença dele na sua vida. Ele tinha mesmo muita coisa pra pensar.
Tsuna estava empolgado, iria voltar à Nanimori. Finalmente! Agora era um homem feito, bem apessoado, bem sucedido. Ainda tonto, mas mesmo assim. Ele ao menos ficaria perto da Kyoko-chan. Recebeu com pesar a notícia de que ela não moraria na mansão com eles. Tsuna não podia deixar de ter essa esperança, mas ela ainda estaria lá, não com uma boa parte do mundo os separando.
Claro, Tsuna tinha esse sentimento, mas atitude que é bom, nada! Só o fato de se aproximar de Kyoko era o suficiente para ele e isso certamente aconteceria, já que o irmão dela era seu funcionário de confiança. A coisa tinha que funcionar ao menos nesse nível.
“Ótimo! Vamos nessa!”
Fale com o autor