Atena

6 Ataque Final


— Saga já desistiu das boas maneiras...

— É melhor irmos logo então. — disse Kamus — Afrodite, talvez seja melhor que fique...

— Não! Agora que sei da verdade, não deixarei de lutar pela verdadeira Atena. — levantou-se com dificuldade — Eu irei.

E seguiram em frente. Ao passar da casa de Peixes e chegar ao templo de Atena, viram Saga na entrada. Logo, o chão tremeu. Viram as enormes estátuas douradas que decoravam o templo começarem a se mexer e sair de onde estavam.

— O que são aquelas estátuas? — Sasha perguntou.

— Autômatos. — Afrodite respondeu — Eles servem para ajudar em guarda e combate.

— Deve haver mais de trinta! E ele pretende despertar mais.

— Ele não irá. — Sasha se adiantou — Cavaleiros, por favor, cuidem dos autômatos. Eles estão se dispersando, não deixem que se aproximem das cidades próximas. Eu deterei Saga. — anunciou sem hesitar, firmada em sua decisão.

Todos a olharam com determinação e concordaram. Os cosmos de todos brilharam forte, a proteção facial dos elmos fechou e partiram para o combate. Sasha avançou ágil como um dos dourados, empurrando Saga e destruindo as paredes para chegar ao espaço atrás do templo, onde estava a estátua de Atena.

— Saga! Já chega. Os cavaleiros não estão mais sob seu comando, pare com essa loucura agora.

— Se esquece de que sou considerado o cavaleiro de ouro mais forte? Não vou me render só porque os outros estão contra mim. Morra!

Ele deu um grande salto e Sasha desviou pouco antes de Saga aterrissar com um soco que destruiu o chão. Ela o chutou no flanco direito, fazendo-o rolar e logo se recompor.

Os olhos e punhos de Sasha se iluminaram, mostrando que seu cosmo queimava forte. O mesmo aconteceu com Saga.

Atacaram. Cada um segurou o soco do outro, ocasionando deslocamentos de ar no impacto. Após a breve disputa de força, Saga empurrou as mãos dela e já iria golpeá-la, porém, Sasha se abaixou e avançou agarrando as pernas de Saga e o jogou no chão, ficando em cima dele. Acertou alguns socos, quando Saga conseguiu virar e desta vez ele a atingiu até Sasha segurar as mãos dele e afastá-lo com uma explosão de cosmo.

Ambos enxugaram o sangue que escorria do supercílio. Avançaram e começaram a trocar golpes. O cosmo de cada um queimava intensamente e só aumentava. Sasha já estava atingindo a velocidade da luz assim como Saga. Desferiam e bloqueavam golpes incessantemente e a uma velocidade fantástica de um milhão de golpes por segundo. A adrenalina era tanta que mal sentiam quando se atingiam. A única desvantagem para Sasha é que sua armadura era um tanto comum e pedaços dela caíam a cada golpe que Saga acertava, enquanto ela apenas havia lançado para longe o seu elmo e trincava a armadura dele. Causar algum dano sério nela exigiria muito esforço. Por fim, Saga explodiu seu cosmo, afastando-a. Sasha já estava apenas com a roupa que vestia por debaixo da armadura e desta, restaram apenas caneleiras e manoplas trincadas. A armadura de gêmeos só tinha pequenas rachaduras no torso, mas em compensação, Saga, além do supercílio aberto, tinha o nariz sangrando, os cantos da boca também e um inchaço no osso malar. Sasha também teve o supercílio aberto, mas seu rosto fora menos escoriado por se defender bem. Porém, como Saga lhe atingiu sem a armadura, ela sentia algumas costelas fraturadas e luxações nos braços e ombros.

— Já me cansei! Se não fosse por Aiolos eu já teria resolvido isto há muito tempo. Explosão Galáctica!

Sasha conjurou o báculo para formar o campo de força e o fincou no chão. No entanto, a força do golpe conseguiu jogá-la contra a estátua de atena e destruiu parte do campo de força. Sasha não foi obliterada por pouco. Tossiu sangue ao cair.

— Agora, o Santuário será meu.

Sasha começou a queimar o cosmo, tentando se levantar. Ela poderia curar seus ferimentos, mas devido à gravidade deles, demandaria tempo.

...

Os dourados posicionaram-se em frente aos autômatos. Os robôs eram grandes estátuas de bronze representando um soldado da Grécia Antiga. Eles tinham um núcleo no peito, energizado com cosmo que provavelmente era de Saga. Isso tornava seus golpes poderosos, mas dificilmente poderiam fazer frente aos cavaleiros de ouro.

Aiolia saltava até o peito deles e desferia um potente soco, destruindo o núcleo. O Leão era ofensivo em combate e pulava de um autômato para o outro, destruindo seus núcleos ou eles inteiros com o Relâmpago de Plasma, quando estavam juntos.

Aldebaran quebrava as pernas de alguns e destruía seus núcleos enquanto a parte de cima do corpo caía. Abusava de sua força, chegando a derrubar autômatos apenas empurrando-os.

Mu utilizava a Revolução Estelar em grupos de autômatos e a Muralha de Cristal nas costas quando sentia algum se aproximando. Um golpe na defesa de cristal e o robô caía com a força refletida.

Shaka fulminava os autômatos dos pés a cabeça com seus golpes devastadores.

Os raios escarlates de Milo eram certeiros em atingir os núcleos a distância.

Shura cortava o peito dos robôs ao meio com a Excalibur, destruindo assim os núcleos.

Kamus congelava os autômatos, que se quebravam em mil pedaços ao caírem.

Afrodite despedaçava os autômatos completamente com as Rosas Piranhas.

Os cavaleiros de bronze e prata também não deixavam por menos, por vezes parecendo disputar com seus irmãos dourados quem destruía mais.

...

— Eu... Não posso... — tossiu — deixar que o Santuário fique em suas mãos... — O cosmo da deusa já atingia grandes proporções — Eu e os cavaleiros vamos proteger a Terra. Não vou recuar, não agora que vi o verdadeiro mal. Vou lutar, ainda que morra, porque essa é a missão de Atena.

Um clarão tomou conta do lugar. Até os cavaleiros viram. Saga cobriu os olhos e, assim que a luz diminuiu, viu o impressionante fenômeno: o sangue de Sasha caído na estátua estava brilhando, e em seguida a estátua de Atena havia se tornado uma esplêndida e divina armadura, que equipou Sasha. A amplificação do cosmo foi tamanha que seus ferimentos se curaram rapidamente.

Saga não acreditava no que via. A lendária armadura divina da deusa Atena ressurgida.

— Maldição... Explosão Galáctica!

Sasha se defendeu com o escudo, que conteve todo o impacto do golpe. Em seguida, ela energizou o escudo, que começou a brilhar intensamente.

— Saga. Desperte sua verdadeira pessoa.

O escudo emitiu um facho de luz sobre Saga. Ele permaneceu estático, enquanto um cosmo negro saiu do seu corpo e se desfez como fumaça. O cabelo escuro do guerreiro se tornou azul escuro, seus olhos tornaram à cor normal e até seu semblante se tornou mais sereno.

Naquele instante, todos os cavaleiros chegaram.

— Os autômatos não serão mais problema. — Aiolia anunciou.

— Parabéns a todos vocês, santos cavaleiros.

Saga olhou em volta, lembrou-se dos velhos irmãos de batalha, e de tudo que fez enquanto dominado pelo mal.

— Atena... Por favor... Mate-me.

— O quê?

Ele simplesmente se aproximou de Atena, pegou o báculo e perfurou o próprio peito com a ponta laminada enquanto Sasha gritou que não fizesse isso. Ele caiu, e Sasha se abaixou próxima a ele.

— Não precisava fazer isso Saga...

— Nem isto seria suficiente para pagar por tudo que fiz...

— Não era você.

— De certa forma era eu sim... Eu sempre tive aquela personalidade, mas no momento crucial, não consegui dominá-la. Eu queria sim, ter sido o Grande Mestre... E, por mais que eu aceitasse Aiolos nessa posição, esse pequeno desejo interior frustrado deu margem para meu lado ruim aumentar. Eu devia ter sido forte, não fui forte o bastante. — tossiu — Aiolia...

O Leão se aproximou.

— Perdoe-me, pelo que eu fiz ao seu irmão... E pelo que fiz você passar com o rótulo de “irmão do traidor”.

Aiolia apertou a mão de Saga.

— Isso já passou Saga... Eu me dediquei ao máximo como cavaleiro de ouro, sempre me voluntariei para as mais diversas missões. De certa forma, foi por sua causa e das missões que nos passava que eu me tornei forte. Eu o perdoo.

Saga sorriu e fechou os olhos.

Sasha não evitou derramar lágrimas pela triste alma de Saga.

— Depois de tudo que ele fez, nem lhe guardo rancor. — disse Aiolia — Deve ter sido horrível para o bom Saga, em todos os momentos em que sua personalidade boa vinha à tona, conviver com tudo que sua personalidade maligna fez... Em um momento, ele amparava as pessoas pobres dos vilarejos próximos, em outro queria destruir tudo.

— Com certeza, Saga foi quem mais sofreu nesta batalha. — disse Mu ao se ajoelhar perto de Gêmeos — Sempre perdido na divisão entre o bem e o mal...

— Pelo menos ele terminou como alguém valoroso, que é quem ele era de verdade. Vamos levá-lo.

E o sepultaram. Todos os cavaleiros e soldados do Santuário estavam presentes. Atena foi a primeira a jogar uma rosa sobre o caixão. Após todos darem o adeus, se reuniram no templo de Atena, onde todos os cavaleiros, após Aiolia e Mu contarem toda a história, juraram lealdade à deusa Atena.

— Agora que sabemos o que aconteceu com Saga, não podemos deixar que esse tipo de coisa aconteça novamente. Eu entendo que vocês procurem deixar as emoções de lado às vezes, mas não é preciso tanto. Todos no Santuário são irmãos de batalha, devemos estar sempre unidos e confiando uns nos outros como os antigos espartanos. Se não for assim, como poderemos combater o mal? Como enfrentaremos inimigos sem que os guerreiros confiem uns nos outros? Os cavaleiros de Atena são todos honrados e de grande noção de ética e moral. Mantenham vivas essas características, continuem treinando e se aperfeiçoando, mas nunca se permitam dominar pelo poder. É verdade que um cavaleiro deve ter grande capacidade individual, mas a nossa verdadeira força está na nossa união. O Santuário só resiste até hoje pela força conjunta dos soldados, cavaleiros de bronze, prata, ouro e Atena. É assim que triunfaremos sobre quaisquer inimigos que ameacem a Terra. — Ela se levantou do trono e bateu com o báculo no escudo algumas vezes e depois o ergueu — O Santuário prevalecerá!

Todos gritaram juntos, como soldados espartanos.

A deusa finalmente estava em seu lugar. Sua base, de onde dali em diante, lideraria seus cavaleiros em todas as batalhas vindouras, sempre na linha de frente.

Afinal, ela é Atena, a deusa da sabedoria...

E da guerra!

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