Atados Ao Pecado.

4 Capítulo três.


Notas iniciais
Depois de mil anos consegui postar, espero que gostem e comentem.

Oxford, Inglaterra — Junho de 2006

As gostas de suor escorriam pelas costas de Edward, seu olhar era brando e indecifrável. Seu coração martelava dentro de seu peito e na sua frente estava ela, a loira que conhecera há um ano e desde então era dona de seus sonhos e fonte de sua paixão.

– É... – Ele pensou em formular frases, mas as palavras lhe escapavam com a mesma facilidade que vinham. Sua mão foi diretamente para a sua nuca, um sorriso nervoso escapou por seus lábios. – Sabe... – Gaguejou novamente. O que tinha na cabeça? Era Rosalie, só a Rosalie.

– Estamos aqui há meia hora e você não diz palavra alguma. – Respirou fundo. – Acho que posso lhe ajudar com isso. – Os lábios de Rosalie se encontraram com os de Edward e ela deu o mesmo sorriso que dava sempre. Ela o mordeu nos lábios e sussurrou-lhe palavras desconexas nos ouvidos.

– Droga! – O rapaz esbravejou. – Se acha que isso é algum tipo de ajuda está enganada, Rosalie Hale. – As mãos dele se fecharam em torno da cintura da moça. – Quero te chamar para passar as férias na casa de minha mãe. – As palavras saíram como um jato e pegaram a loira de surpresa e a fizeram parar por alguns segundos.

– Na casa de sua mãe? – O ar adentrou em seus pulmões com dificuldade. – Quer dizer... Conhecer toda sua família? – Ela ergueu a sobrancelha tentando não demonstrar todo seu nervosismo. Ela tinha medo de saber o que significa ter uma família. Sempre foi carente de carinho e tinha medo de suprir essa carência.

Edward ergueu a mão, não sabia por que estava nervoso até aquele momento e estava feliz pelo nervosismo evaporar.

– Namoramos há quase um ano e deste então minha mãe insiste em conhecê-la. Vou para Forks de qualquer maneira para encontrar minha família e você não tem nenhuma viagem planejada...

– Edward... Não sei se é uma boa ideia.

– E por que não seria? – O nervosismo voltou e sem pedir licença instalou-se no jovem novamente. – Não me ama o suficiente? – Sabia que estava sendo dramático, mas não tinha como evitar.

– Claro que não! – Rosalie apressou-se em dizer. – Tenho medo de sua família não gostar de mim.

– Tenho certeza de que eles vão amá-la. – ele sorriu segurando a mão do rapaz. – E seria uma ótima oportunidade para você conhecer o Emmett.

Emmett. Eles sempre conversavam sobre esse amigo, mas Rosalie nunca teve oportunidade de conhecê-lo e muito menos ver uma foto, a única coisa que sabia era que ele provinha de uma família importante.

– Tenho que falar com a Angela. – Ela rapidamente encontrou uma desculpa. – Não sei como ela vai se sentir a respeito de passar alguns dias sozinha.

– Você sempre disse que não gostava dela. – Ele rebateu e ela ficou levemente ruborizada.

– Não vai desistir dessa ideia, não é?

– Não, não vou.

Nova Iorque, Junho de 2006

Os risos eram altos e vinham de uma mesa com apenas quatro cadeiras em um bar do Brooklyn em Nova Iorque. Isabella mantinha em suas mãos algumas cartas de baralho, suas pernas estavam cruzadas e ela encarava fixamente, com um sorriso malicioso nos lábios, o rapaz a sua frente. Mentalmente ela agradecia sua amiga Elena pelas experiências que havia lhe passado.

Muitas pessoas acreditam que dois anos em uma faculdade não pode mudar coisas, mas depois que seus dois anos se passaram ela mudou rapidamente sua conclusão. O responsável por isso era o rapaz que estava ao seu lado que por sua vez mantinha uma das mãos, discretamente, no colo da moça. Quem os olhava não tinha a mínima ideia do que aqueles dois jovens passaram e pelo passado que os atormentava.

Passaram alguns minutos e ela irritou-se com a oportunidade que havia perdido. Emmett, o rapaz que mantinha a mão em seu colo, fazia movimentos circulares em sua pele, aos poucos ela sentia seu corpo estremecer.

– Se me derem licença... – Ela não esperou a resposta, apanhou sua bolsa e caminhou até o banheiro do estabelecimento.

O espelho refletia uma imagem diferente de alguns anos. Sua mãe não a reconheceria e sua irmã muito menos, mas ela não precisava desse reconhecimento. Não mais. Ano passado, dois meses depois de ter conhecido Emmett, ela retornou até sua casa e em um de seus passeios sofreu um acidente de carro o que acabou vitimando sua mãe e sua pequena irmã. Seu braço continuava com as marcas de seu sofrimento. Cicatrizes percorriam toda a dimensão dele. Sem se dar conta, uma lágrima escapou por seus olhos e escorreu por sua bochecha.

Isabella respirou fundo. Balançou a cabeça e secou seu rosto em um papel toalha e ao sair do banheiro deparou-se com ele. Emmett.

– Você sabe que não precisa encarar tudo sozinha, não sabe Isabella? – Ele ergueu o dedo indicador e passou ao redor das bochechas da garota.

Ela balançou a cabeça e sorriu de lado.

– Não preciso? – Ergueu a sobrancelha e o encarou.

– Sei que não sou e talvez nunca serei a melhor companhia do mundo, mas algo que aprendi nesse ano com você é que não podemos desistir e agora você simplesmente parece que quer dar as costas para tudo que me ensinou. O que mudou?

– Fora a morte de minha família? – sussurrou amargamente.

– Uma vez um amigo meu disse que Deus nunca nos dá um fardo maior do que podemos aguentar.

– É mesmo? Parece que ele errou a dose comigo. – Ela cruzou os braços e preparou-se para se retirar do local. Emmett apenas balançou a cabeça e a seguiu enquanto percorria as ruas.

– Isabella... – Ele a segurou pelo braço e a puxou para si. – Quando vai perceber que eu te amo?

Bella já havia percebido isso e tinha certeza que retribuía esse amor, entretanto não sabia se era digna dele. Ela havia mudado muito. Nunca pensou que faria as coisas que fez.

– Eu sei que acha que não merece meu amor. – Emmett sussurrou e diminuiu o espaço entre eles. – Mas se tem alguém que não merece o amor aqui, sou eu. Você não tomou aquela decisão sozinha. – Ele sabia como ela odiava tocar naquele assunto, mas era algo inevitável.

– Eu poderia ter dito que não aceitava. – Isabella pronunciou aquelas palavras com raiva. – Eu não precisava deitar naquela maldita mesa e ter deixado um homem dar uma de Deus e matar o meu filho. – Naquele momento lágrimas caia por seus olhos, ela não tinha certeza de como a conversa havia tomado aquele rumo, mas sabia que o que ela realmente precisava era um abraço daquele homem. Aquele homem que havia feito ela se sentir mulher.

– E eu não deveria ter dado a ideia para você. – Ele segurou o rosto dela entre as mãos. – Eu não posso mudar o passado, você também não pode. – Ele a olhou nos olhos. – Mas podemos tentar transformar nosso futuro. – Emmett aproximou o rosto dele do dela e a mão dela rapidamente foi direcionada a nuca do rapaz. Os lábios se encontraram e ela finalmente conseguiu deixar de lado toda a dor que guardava em seu peito, porém, ela sabia que aquele alívio era temporário. Ela sabia que aquele era o tipo de alívio que ela sentia somente perto dele e por mais que quisesse tê-lo sempre consigo aquilo era algo que ela nunca podia exigir. – Eu te amo, Isabella Swan.