At the ballet
1 At the ballet
Notas iniciais
Rose Minerva Granger-Weasley, vulgo furacão Weasley, jamais sentira-se bonita.
A morena havia feito aulas de balé desde que se conhecia por gente e o único local em que já sentiu-se bem consigo mesma era ali, no balé.
Rose era a mistura perfeita de Ron e Hermione; com a insegurança e olhos da cor do pai, a inteligência e seu cabelo castanho cacheado como o da mãe e a pele cor chocolate ao leite. Definitivamente, era linda. Porém mesmo sabendo que sua família a achava maravilhosa, nunca se sentiu assim. Quando criança, usou aparelhos – por ser dentuça como a mãe e por influência de seus avós maternos –, era magricela e era a mais alta da turma. Sentia-se um monstro, toda desengonçada, sempre esbarrando em uma coisa ou outra. E as crianças não perdoavam.
"— Vara-pau Weasley!"
"— Lá vem o furacão, cuidado!"
Comentários como esses faziam a pequena Weasley querer abrir um buraco e sumir da face da Terra. Acreditava ser horrorosa, a garota mais patética do Universo.
Em Hogwarts, a situação não mudara muito. Continuava a ser a mais alta, continuava a usar seus aparelhos, e continuava a ser atrapalhada. E os comentários ainda eram feitos. Os piores eram de Scorpius Malfoy, sempre parecendo cínico, nunca a olhando realmente nos olhos.
"— Está linda hoje, Rosie." –dizia enquanto passava por ela nos corredores, e Rose sentia-se enojada, andando mais depressa.
"—Gostei do penteado, Rosie." – e a bruxa saia correndo para o banheiro para desfazer suas tranças tão bem feitas, que foram ensinadas por sua mãe ainda enquanto Rose era criança.
"—Você fica estonteante nesse uniforme." – e Granger sentia vontade de parar de jogar Quadribol.
Porém, aos seus treze anos, veio a puberdade e já não era mais tão magrela, não parecia ser muito alta (sendo que os meninos haviam espichado), e tirou seus aparelhos.
"—Seu sorriso está perfeito, Rosie." -fazendo Rose querer parar de sorrir pra sempre.
Seus dias eram estressantes. Não conseguia sentir que era boa o bastante jamais. Então ela tentava sumir. Ia para algum lugar que alguém não a iria procurar. Ela gostava de tentar convencer-se de que só iria ficar quieta, sem fazer nada. Apenas aproveitar sua companhia, talvez ler um livro. Mas quando encontrava-se sozinha, lhe vinha um sorriso maroto e então começava a rodopiar.
A dança parecia lhe ser um calmante. Uma pena que somente durasse enquanto estava sendo praticada.
Dia após dia, ano após ano e ainda a primogênita Granger-Weasley não conseguia ser capaz de achar-se bonita.
No seu sexto ano, veio o seu baile de inverno, no qual pôde caprichar: vestido, brincos, saltos, maquiagem, penteados e um pouquinho de mágica. Todos do salão não conseguiam tirar os olhos dela, o que a fez pensar que de duas uma: 1) estava incrivelmente linda ou 2) estava ridícula e ninguém conseguia parar de encarar. Rosie acreditou na segunda opção e foi a primeira a ir para os dormitórios, mesmo suas amigas e seu par insistindo para que fica-se.
"— Por que vai tão cedo? Fiz algo errado?" – perguntava Oto Finnigan, seu par.
"— Mas já vai? Você ficou a semana toda animada pra esse baile e não quer mas ficar?!" – indagou Roxanne, sua prima.
Rose não sabia o que dizer, inventou uma desculpa qualquer e subira as escadarias.
Havia chegado ao seu dormitório e estava arrasada. Nem sequer havia conseguido dançar mais de duas danças. Decidiu então pegar seu reprodutor de fita cassete enfeitiçado. Colocou o volume no máximo, e começou a dançar suas coreografias mais loucas. Ali ela estava bem, dançando, pulando, se divertindo. Era assim que conseguia aceitar-se.
Todas as vezes em que a insegurança a consumia, sentia a necessidade de ir para um local afastado – normalmente, a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, vulgo sala do seu primo e melhor amigo, Teddy – e dançar todos os números clássicos que já havia aprendido. Era assim que conseguia se acalmar.
E ali estava ela, como sempre. Dançando, rodopiando. Ela cantarolava baixinho a sintonia da música sendo tocada e sentiu-se por fim satisfeita naquele dia. Seu penteado ia se desfazendo enquanto fazia seus passos, e suava bastante, devido à todos aqueles movimentos. Seus pés provavelmente estavam já sujos – por ela estar descalça, sendo que odiava usar salto.
Rose jamais sentira-se aceita ou apreciada, até mesmo com seus parentes. Mas ali naquele momento, em que para muitos ela estaria no mínimo desarrumada, era a hora em que mais estava confortável. Pois ela estava lembrando de seus dias na Academia da Madame Heleonor.
Porque com o balé, Rose conseguia finalmente sentir-se graciosa.
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