Eu sou como um baralho de cartas que já não é mais possível de ser organizado; por ter esquecido a minha própria ordem, por ser indiferente a isso ou simplesmente em algumas tentativas, nunca encaixar minhas cartas nos lugares corretos. A vida é a mão que me embaralha, que me desfaz, tirando partes de mim pouco a pouco e lançando-me sobre a mesa para que mais um jogo comece. E bem, nunca se sabe quando a vida quer jogar com você. Acredito que a minha seja uma viciada em jogos; compulsiva principalmente por aqueles jogos arriscados, que demoram a terminar e em que você sempre sai sendo o perdedor. Esse tipo de jogo é terrível, a demora faz com que você alimente suas esperanças para ganhar a ponto de sonhar com o seu prêmio. Não é o que costuma acontecer no final. Não comigo.

Cada traço da minha personalidade, cada traço dos meus sentimentos. Eles variam. São os diversos naipes, diversos números; um para cada exato momento, que deveria ser utilizado corretamente. Deveria, porque, às vezes, em jogo, o naipe errado é lançado e dói ter essa parte simplesmente arrancada de você. Dói ter outra carta posta sobre você, talvez um rei ou uma rainha, vitoriosos por natureza, e ser soterrado e arrastado pelos seus egos.

E como todo objeto em jogo, o baralho se deteriora com o passar do tempo. As cartas passam a ficar sujas, desgastadas, até mesmo amassadas. Os jogos e o tempo corroem as suas bordas e passam a deformá-las, de forma que sua restauração já não seja mais possível. Às vezes algumas cartas desbotam ou se perdem também, mas a vida jamais descartará seu baralho, por mais lamentável que esteja o seu estado, até que desista de todos os jogos possíveis. E como eu tenho comparado até agora, nada é diferente das pessoas e os meus sentimentos.

Sinceramente, eu não sei se deveria generalizar. Mas comigo é assim: As derrotas estão reservadas a mim sem que eu as deseje. E elas se tornam mais difíceis de lidar, gradativamente. Muitas dessas derrotas giram em torno de uma mesma aposta. E mesmo que em algumas vezes eu esteja por cima, não significa que o jogo chegou ao final.

Agora eu pergunto a mim mesmo se estou pronto para uma nova partida. Pronto ou não, se a vida quiser jogar comigo, infelizmente, não há nada que eu possa fazer se não tentar fazer o meu melhor ou simplesmente me deixar levar. Um fracassado insistente. Sou Takashima Kouyou, ou Uruha, como você quiser me chamar; um baralho usado que só serve para ser cada vez mais usado. .

Notas finais
Um pequeno texto que resolvi escrever em mais um dos meus momentos difíceis. Se ele faz sentido para outras pessoas além de mim, eu não sei; no fundo eu espero que sim, assim como gostem, já que decidi divulgar.
Penso que talvez fosse uma boa opção dar continuidade, fazer realmente uma história seguida desse textinho, mas no momento, não sei. Me faltam ideias e creio que até animação para algo mais complexo. Um dia no futuro, quem sabe.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!