At The End Of The Match.
1 At the end of the match.
Eu sou como um baralho de cartas que já não é mais possível de ser organizado; por ter esquecido a minha própria ordem, por ser indiferente a isso ou simplesmente em algumas tentativas, nunca encaixar minhas cartas nos lugares corretos. A vida é a mão que me embaralha, que me desfaz, tirando partes de mim pouco a pouco e lançando-me sobre a mesa para que mais um jogo comece. E bem, nunca se sabe quando a vida quer jogar com você. Acredito que a minha seja uma viciada em jogos; compulsiva principalmente por aqueles jogos arriscados, que demoram a terminar e em que você sempre sai sendo o perdedor. Esse tipo de jogo é terrível, a demora faz com que você alimente suas esperanças para ganhar a ponto de sonhar com o seu prêmio. Não é o que costuma acontecer no final. Não comigo.
Cada traço da minha personalidade, cada traço dos meus sentimentos. Eles variam. São os diversos naipes, diversos números; um para cada exato momento, que deveria ser utilizado corretamente. Deveria, porque, às vezes, em jogo, o naipe errado é lançado e dói ter essa parte simplesmente arrancada de você. Dói ter outra carta posta sobre você, talvez um rei ou uma rainha, vitoriosos por natureza, e ser soterrado e arrastado pelos seus egos.
E como todo objeto em jogo, o baralho se deteriora com o passar do tempo. As cartas passam a ficar sujas, desgastadas, até mesmo amassadas. Os jogos e o tempo corroem as suas bordas e passam a deformá-las, de forma que sua restauração já não seja mais possível. Às vezes algumas cartas desbotam ou se perdem também, mas a vida jamais descartará seu baralho, por mais lamentável que esteja o seu estado, até que desista de todos os jogos possíveis. E como eu tenho comparado até agora, nada é diferente das pessoas e os meus sentimentos.
Sinceramente, eu não sei se deveria generalizar. Mas comigo é assim: As derrotas estão reservadas a mim sem que eu as deseje. E elas se tornam mais difíceis de lidar, gradativamente. Muitas dessas derrotas giram em torno de uma mesma aposta. E mesmo que em algumas vezes eu esteja por cima, não significa que o jogo chegou ao final.
Agora eu pergunto a mim mesmo se estou pronto para uma nova partida. Pronto ou não, se a vida quiser jogar comigo, infelizmente, não há nada que eu possa fazer se não tentar fazer o meu melhor ou simplesmente me deixar levar. Um fracassado insistente. Sou Takashima Kouyou, ou Uruha, como você quiser me chamar; um baralho usado que só serve para ser cada vez mais usado. .
Notas finais
Penso que talvez fosse uma boa opção dar continuidade, fazer realmente uma história seguida desse textinho, mas no momento, não sei. Me faltam ideias e creio que até animação para algo mais complexo. Um dia no futuro, quem sabe.
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