Até o final deste ano. (EM REVISÃO)
8 Quente no Frio
Notas iniciais

||°°||
Casa dos Haruno, 11:36 da noite
Sakura Haruno
As mãos de Sasori apertavam seu pescoço, o ar não chegava em seus pulmões e sua boca lhe fazia imaginar um peixe se debatendo em busca de água. No seu caso, em busca de ar.
Seus braços se levantavam e batiam nos ombros do seu agressor, seu corpo se erguia e se contorcia para tentar sair do agarro, mas... nada. Sua vista estava ficando turva , as palavras que seu -ex?-namorado dizia pareciam meio dispersas na sua mente. Se arrepender? Vingança? Do que? Ela não sabia.
Os cabelos avermelhados de Sasori manchavam a pouca imagem de seus olhos. Pois, oh sim, ela não enxergava nada com as mãos do Akasuma a enforcando.
Epa, enforcando?
Seu cérebro raciocinou sozinho, instinto talvez, fez imagens da confusão, do término, da surra, dos xingamentos a recordar onde estava, quem era e o que deveria fazer.
Sakura Haruno podia se entregar e relaxar, esperar o seu pai agir, ou quem sabe algum raio cair na cabeça de Sasori. Mas não.
Ela queria mostrar para si mesma que era capaz.
Reunindo o pouco de força que lhe restara, sem pensar ou dar uma brecha ao medo, ergueu o joelho sem tocar nas pernas do Akasuma, e ao mesmo tempo que fingia levantar os braços para as mãos que tiravam seu ar, aplicou o golpe que Tenten havia ensinado.
Chutou as bolas do ex, afundou as unhas nos olhos do vagabundo girando o corpo e agarrando o sofá, ofegante, para ficar em pé, enquanto Sasori assoprava com as mãos na genitais.
Seu pai saiu da cozinha com uma panela de pressão, correndo desajeitado gritando um "Não é para encostar na minha filha, seu moleque atrevido!". Pronto, a panela foi acertada em cheio na cabeça de Sasori que caiu no tapete de volta.
Sakura passou os dedos no pescoço e olhou para o pai que empunhava agora a frigideira, a panela estava no outro sofá aguardando ser utilizada.
—Chame a polícia, Sakura! -e aplicou quatro golpes no corpo do garoto no tapete.
—Seu velho idiota! Me deixe i... — se ergueu segurando a frigideira em pleno ar — Eu vou acabar com... -foi impedido de completar por Sakura que o nocauteou com a panela. O corpo girou e PUM, estava estirado no chão.
Silêncio.
—Nós matamos ele? -perguntou ao pai.
—Poderia ser verdade,...
—Pai!
—...mas ainda está respirando -cutucou as costelas com a ponta do chinelo.
O choro entalado na garganta começou a sair lentamente, aos pouquinhos respirando fundo se permitindo fungar.
—Ei, calma princesa. Já acabou, viu? Papai está aqui, tá tudo bem. -abraçou a filha trêmula.
—O-O que... -fungou agarrando a blusa do pai.
—Shiu... -Kizashi afagou seus cabelos antes de responder. -Hoje vamos ir à delegacia, um maluco desses não pode ficar solto por aí.
—Eu não ligo para o que vai acontecer com ele -falou com a voz firme- Se Sa-Sasori ficar impune, de bater em outras mu...mulheres -sussurrou.
—Isso mesmo, e amanhã... não, vamos no sábado que é a folga da sua mãe...Vamos na escola pedir a expulsão dele, não vou permitir que ele frequente o mesmo ambiente que...
—Eu. -falou olhando para o ex-namorado no chão.
—Você não vai ir para a escola amanhã, tira o dia pra descansar e pensar. Domingo você vai na casa de uma de suas amigas, vai na casa da... qual é o nome da loira mesmo?
—Ino, pai -riu enxugando as bochechas.
—A Ino! Sabia que o nome dela era esse. -bagunçou os cabelos rosa — Vamos, florzinha. Vamos mostrar para esse garoto o resultado de um relacionamento abusivo.
|--x--|
Mansão Hyuga, sexta-feira
Eu deveria saber.
E você sempre pensa,
sempre fala enigmaticamente
Eu devia saber
que você não era bom pra mim
Porque você é quente, depois é frio.
Você é sim, depois é não.
Você está dentro, depois está fora.
Você está por cima, depois por baixo.
Você está errado quando está certo.
...
Você não quer realmente ficar, não
(Você)
Mas você também não quer ir, oh
— Hot N' Cold (Katy Perry)
Atual Presidente da C.B, Hiashi Hyuga
A porta do escritório foi aberta, ouviu os passos do seu sobrinho se aproximarem determinados até estancarem no meio da sala. Mesmo de costas podia sentir a seriedade e a frieza que emanavam do rapaz. Um perfeito Hyuga.
—Tio -avisou sua presença.
Hiashi não se virou, no entanto, continuou observando o jardim sem flores e cores pela janela do escritório.
—Neji -o cumprimentou abaixando centímetros mínimos a cabeça, parecia mais um sinal de consentimento do que um "olá".
—O senhor me chamou, tio? -perguntou o sobrinho em sua postura ereta.
Hiashi, que observava o jardim sem flores e cores, se virou para notificar Neji de suas escolhas e as decisões de Hinata. Podia ser um tanto precavido da sua parte, ou um pouco egoísta, afinal sempre gostou muito do filho do seu irmão, mas seria necessário. Entre a futura presidente da Corporação Byagukan, e o membro da Segunda Ramificação, quem é mais importante?
—Quer se sentar? –Neji puxou a cadeira, mas com um aceno da mão do patriarca voltou a sua posição original- Fique de pé mesmo, será rápido, Neji.
Silêncio. Hiashi estava esperando o protegido perguntar sobre o assunto, e é claro que não tardou a entender.
—Tio...?
—Venho te notificar, como é último membro da Segunda Família, que a tatuagem de proteção, Sõke, voltou com seu significado. Seu dever hoje, Neji, é vigiar Hinata aonde for, ir com ela e me notificar sobre algo fora do normal. É o ano da maioridade, não me surpreenderia que tentassem estraga-lo para queima-la na mídia.
Neji respirou fundo. E como um grande observador, o presidente, como uma águia em pleno voo, pode ver seus olhos prateados trabalhando para um meio de tirar proveito da situação. Hiashi quase, quase mesmo, sorriu orgulhoso por aquele quem criou.
Entretanto continuou com a expressão fechada.
—Quais são as ideias de Hinata? Ela quer sair ou...
—Hinata decidiu mostrar as garras e presas desta vez. Pediu permissão para realizar uma lista de objetivos antes de assumir as empresas. Coisas de adolescente –desdenhou ainda com o jeito frio- : mudar o visual, sair de casa, bobagens como essas.
—E o senhor concordou? –questionou com uma preocupação evidente. Uma preocupação de irmão, de uma vida dedicada a pagar a dívida com a tia que o salvou. Uma preocupação de uma vida.
Era por isso que seus planos dariam certo. Ele protegeria Hinata com a vida, e Hiashi poderia começar a investigar a fundo sobre o que acontecia nas suas empresas por debaixo dos panos.
—Concordei sem discussões ou empecilhos. Hinata não sobreviveria um mês na presidência com o jeito dela hoje, penso que um pouco de rebeldia e experiência façam bem a sua prima. Hinata poderá realizar essa lista idiota se não envergonhar nossa família, se suas notas permanecerem altas e se concordar em você acompanha-la. –estreitou as orbes para a mesa, se lembrando de outro tópico para tratar com o sobrinho- Hinata aceitou meus termos, e tem meu apoio para criar força e se tornar capaz de tomar o posto de presidente da corporação depois de seu aniversário.
—Entendo –assentiu o rapaz.
Hiashi se sentou, enquanto o Hyuga mais novo permanecia em pé sem permissão para acompanhar o gesto.
—Não te chamei aqui apenas para lhe avisar da tatuagem de proteção, acredito que já sabe que fará outra.
Assentiu novamente, tocando o pulso levemente como um lembrete.
“Que seus punhos sirvam para proteger, e que sua mente seja guiada para o bem dos seus protetores.”
Como o significado havia sido esquecido não foi necessário fazer a tatuagem na testa, mas se voltou...
—Quero que fique de olho nas amigas de Hinata.
Um leve levantar de sobrancelhas, quase que imperceptível.
Quase.
—As amigas de Hinata?
—Uma amiga em especial. –se ajeitou sob a cadeira, enquanto encarava o sobrinho- Acredito que a Senhorita Yamanaka não apresenta nenhuma ameaça a reputação de Hinata, muito menos a neta de Tsunade, Sakura Haruno, uma vez que confio na educação aplicada da Senju e é uma boa influência. –remexeu na gaveta procurando alguns papéis, finalmente achou uma pasta amarela que foi aberta encima da mesa escura. Uma foto de uma garota de coques apareceu- Essa é Tenten Mitarashi, é uma imigrante que entrou de forma ilegal no país. Seus pais não conseguiram o visto e a garota passou uma época num orfanato de Suna até a tia conseguir sua guarda e o visto como cidadã do Fogo. É uma pobretona da periferia e a quero longe de Hinata, entendeu, Neji?
O pomo-de-adão desceu na garganta do gênio Hyuga.
—Por que, tio? –falou com um pouco de raiva na voz, Hiashi estranhou o comportamento do filho de seu irmão- Se ela conseguiu a autorização das autoridades não vejo problema algum em...
—Não vou permitir um ser fútil desses perto da herdeira dos Hyuga’s. Alguém que não tem condições de se manter e de origem duvidosa não deve caminhar em meio da classe alta. –sua voz como uma navalha. Ah, essa navalha, essa adaga perfurou os escudos de Neji, o deixando de cabeça baixa, o deixando a mercê de Hiashi. O deixando a mando de Hiashi, o irmão de seu pai, seu responsável legal e dono do seu destino- Cachorros não devem andar no meio de reis, Neji. Não me importo com as condições atuais desta garota, ou das antigas, mas não quero que quando Hinata assuma o poder as duas continuem próximas. Ela pode tirar proveito da fama da sua prima e começar a subir na vida, e nós dois como justos, devemos priorizar o mérito dos próprios feitos, e creio eu que Tenten deve achar seu próprio caminho e não pegando carona com Hinata.
—Mas tio...! –tentou intervir.
—Silêncio, Neji. –o cortou com a adaga mais uma vez- Até o final deste ano quero essa garota longe da minha filha, pois não posso ponderar outro acidente como aquele que matou sua tia. Quero essa puta de classe menor longe da nossa família, e confio na sua capacidade de realizar tal feito. Quebre seu coração, faça-a se apaixonar por você e a abandone... Não me importo desde que não manche os panos limpos dos Hyuga com sua linhagem impura, é uma estrangeira e deve ser tratada como tal.
O menor não respondeu. Os punhos estavam cerrados e os olhos frios pegando fogo, chamas prateadas que poderiam queimar todos e qualquer um que fosse corajoso o bastante para se aproximar do incêndio no peito do garoto.
Mas Hiashi Hyuga era como um oceano revolto, sempre afogaria aqueles que não o obedeciam.
—Não se esqueça, Neji, a família e o bem de seus protetores sempre virão em primeiro lugar. Seus punhos –apontou com o queixo para os nós dos dedos brancos- devem eliminar ameaças, e a partir do instante em que o nosso futuro, que a nossa honra, fica ameaçada por causa de alguém, esse deve ser excluído.
—Compreendo... tio -respirou fundo, podia imaginar as cinzas das suas chamas geladas saírem de suas narinas, e Hiashi sorriu, realmente, um perfeito Hyuga.
|--x--|
Voltou a encarar o jardim assim que Neji saiu. Sem girassóis e sem lírios, apesar de que algumas flores começassem a brotar, algumas raízes ainda permaneciam intactas e insistiam em crescer.
A folha do bloco de notas estava entre seu polegar e indicador, observava avidamente um gato correr atrás de uma borboleta no jardim morto. Os empregados o colocavam para fora, mas o felino sempre voltava.
Hiashi não contou a Neji o motivo real de permitir a lista de Hinata. Himawari vivia dizendo que todos deveriam aproveitar a vida nos dias de folga, mas o Hyuga não tinha essa chance por causa de seu pai e das cobranças da empresa e mídia.
Ele queria dar essa chance para Hinata antes que a mesma ficasse infeliz com a corporação.
Olhando o jardim descolorido, soltou um suspiro.
—É, querida. Talvez ela seja melhor que nós dois.
No bloco de papel, o rabisco de palavras formava:
Hinata está criando coragem, Hima.
na segunda quinta de janeiro, ano da maioridade
—Ela não será mais um gatinho medroso?
Aquilo para Hiashi poderia ser uma pergunta, mas talvez, pudesse ser uma afirmação no futuro.
||°°||
Hinata
Hanabi estava cantarolando enquanto passava geleia em sua torrada. Seus olhos brilhavam ao entrar na sala de jantar e cumprimentar as empregadas, sorriu até para a cozinheira da porta. Ela estava bem, feliz.
E isso me alegrava. Nabi depois que me entregou a carta parecia ter murchado, me olhava sem brilho nos olhos, e eu sabia, sabia exatamente da mesma forma que sabia como escovar os dentes, que ela se sentia triste por não receber uma também.
Eu bebericava meu café, mas parei ao ouvir Nabi me chamando.
—Hina?
Coloquei a xícara no pires, limpei a boca e a olhei.
—Pode falar. –respondi com um sorriso gentil.
Sua voz ficou baixa, assim como sua cabeça. Os cabelos castanhos se derramaram em seu busto. -Obrigada.
Eu sorri, estendi a mão para pegar outro pão de queijo da cesta de café da manhã.
—Você encontrou a minha primeiro, eu que agradeço, Nabi.
Ela assentiu, passando os dedos delicados debaixo dos olhos para em seguida me oferecer uma risada estonteante como ela própria.
—Vou ter que refazer sua trança, você é um desastre para penteados.
Minha irmã voltou a ser ela mesma.
||°°||
Ino Yamanaka
Sakura não viria hoje na escola, ela tirou o dia para descansar e se recuperar dos machucados de Sasori. Depois de sair da delegacia mandou um áudio contando sobre o que aconteceu, e avisou que o idiota do Akasuma ia ficar na escola até o final do mês. Descobriram isso graças a Tsunade que tinha o número do diretor Hiruzen que já respondeu todas as perguntas do pai de Sakura. Eles também levaram o ex-namorado da amiga para o hospital, que tomou um analgésico e foi para casa depois de prestar depoimento.
Ino entendia completamente Sakura, mas era estranho, na verdade tudo estava estranho ultimamente.
Mas era mais estranho ainda não vê-la chegando com um sorriso, dizendo um “Vem, porca. Vamos tentar achar a Tenten”, era estranho ouvir sua amiga chorando e receber detalhes da situação pela Mitarashi que viu o estado da cor-de-rosa.
Mas agora as três estavam ali, logo na entrada, esperando algum milagre acontecer para entrarem logo. Sakura não estava ali, mas isso não significava que não estaria com elas no intervalo.
Chamada de vídeo e dados móveis, era por isso que Ino amava ser bem de vida.
—Esse portão não abre logo! –murmurou assoprando a franja loira dos olhos cristais.
—Daqui a pouco abre –Hinata tentou ser positiva, mas Ino nem ligou. Estava impaciente, queria falar com Gaara logo, queria esclarecer tudo e saber o que o ruivo sentia de fato.
—Eu não estou com a mínima pressa de entrar na escola –a de coques ajeitou a alça da mochila nos ombros- Pensar em encarar Danzou hoje, e estudar com Neji... e ainda por cima ajeitar minha casinha para aquele babaca ir lá...
—Oi? Como é que é?! –a loira berrou segurando o braço de Tenten- O tesão reprimido vai para o ralo essa tarde então? É isso mesmo produção?
—Ino!
—Cala boca! Não é nada disso! –se soltou da Yamanaka, que cruzou os braços e estreitou os olhos- A Rapunzel ali quer fazer “algo bem feito”, eu até dei a ideia de fazermos o trabalho da Kurenai por whats, mas aquela anta “preza mais pela qualidade do que a praticidade” –imitou a voz do garoto num revirar de olhos, não vendo uma troca de cumplicidade entre a perolada e a loira.
—Neji não é muito de se relacionar com outras pessoas, principalmente aquelas que ele não gosta. –Hinata comentou dando de ombros- Se ele diz algo assim, é porque...
—Vira essa boca pra lá. –repreendeu a de coques. Ino gargalhou- Longe de mim esse idiota ir com a minha cara.
A Yamanaka sorriu, maliciosa.
—Acho que não é só com a sua cara que ele vai não, ein Tenten.
Torceu o rosto de nojo, puxou as duas para que subissem as escadas logo.
—Nem me venha com essa. Diz para ela, Hinata: seu primo me odeia, e eu o odeio. Simples assim. Acho o ele completamente babaca, arrogante, ignorante e totalmente...
—Espero que não esteja falando de mim –comentou alguém. Hinata automaticamente se enrubesceu, outro sorriso malicioso surgiu no rosto de Ino.
—Narutinho, o que nos dá a honra de sua presença? –as pratas da Hyuga se arregalaram.
—Vim perguntar se a Sakura não vai vir, -coçou a nuca, e de canto pode ver Hinata segurar um suspiro. Estava tão explícito! Como esse cabeça-oca não via? – ela ficou de me passar as questões do Kakashi e...
—A Hinata fez! –berrou Ino.
—Fiz? – perguntou chorosa. E sim, ela tinha feito.
—Fez sim, lembra, Hina? –acotovelou a coitada. Tenten balançou a cabeça apertando os coques encarando o espelho da porta do seu armário.
—É-É, a-acho que sim –respondeu gaguejando. Ino pode ver seus olhos se fecharem, as bochechas se encherem de ar, ela estava ganhando força- Na-Na... –respirou fundo de novo, Naruto a olhava intrigado, como se achasse o fato dela respirar a cada fala fosse curioso. Ino e Tenten a encaravam dando apoio, ela precisava do apoio delas- Na-sala-eu-te-entrego! –falou rápido demais.
Ino sorriu, era um belo começo.
Naruto coçou a nuca de novo, ele também parecia constrangido.
—Hã...certo, Hina. –sorriu de novo. Deu um passo para trás e quase esbarrou em um casal que se pegava. A menina se virou e empurrou o par por sobre a porta do armário a fechando, e agora os dois estavam de lado para elas–Opa cara, foi mal ai –Naruto deu um tapinha no obro do rapaz que grunhiu. Ele riu e se virou para as três novamente, sem reparar na expressão estática de Ino- Tchau meninas, tchau Hina. –sorriu fechando os olhos azuis.
Então se foi correndo para o corredor.
—“Tchau Hina” –Tenten zoou a Hyuga vermelha.
—Pa-Para, Te-Tenten.
—Ai meu deuso, a Hina fica uma gracinha envergonhada né In... Eita, o que aconteceu?
Era Gaara que beijava a garota, era Gaara o cara do casal. Ele estava beijando Isaribi. Beijando com vontade. Com paixão. Com querer e voracidade. Na frente dela, na frente delas. No meio do corredor, como disse que faria com ela.
Gaara não valia nada mesmo.
As lágrimas desceram devagar, silenciosas. Sai não havia chegado, e Ino nem queria vê-lo, porque doeria ainda mais saber que estava o enganando.
Ela sabia, sabia e sabia que não era uma boa ideia. Sabia que quem sairia machucada daquela história seria ela, mas lá estava.
Gaara nem sequer a respondeu, só a procurou nas férias, a tratou bem demais, contou seus problemas e tudo para ela. Mas no fim a tratou mal, enquanto Sai dizia que a amava, se encantava e elogiava cada poro de pele. Enquanto a dava prazer atrás de prazer, diferente de alguém que nunca a procurou para ficarem.
Ela se sentia uma idiota. Uma completa idiota.
—Eu-Eu fiz uma coisa horrível...
As três não foram ás suas classes na primeira aula, não saíram daquele banheiro até Ino parar de chorar, não até retocar a maquiagem e estar pronta para encarar uma aula na classe.
Ino contou tudo, desde a primeira conversa, passando pelos nudes e depois para a declaração.
Elas não a julgaram, a ajudaram a entender –Tenten principalmente com seu discurso enérgico sobre empoderamento feminino- que não deveria se menosprezar e se humilhar para alguém assim.
E que deveria...
—Dar uma chance para o Sai –falou Hinata ao afagar os ombros da loira, era quase a segunda aula e ambas já iam em direção ás suas classes- Ele é meio estranho, mas se importa com você, é gentil e sempre te elogia, te coloca para cima.
—Ou então fique que nem minha tia! Adote uma iguana de estimação no lugar de um homem.
—Não gosto de lagartos –disse rindo. Estava melhor, bem melhor.- Obrigada meninas, muito obrigada.
O sinal bateu, a segunda aula havia começado, mas antes se despediram, duas indo em uma direção, e a de coques indo sozinha em outra.
||°°||
Tenten Mitarashi
É claro que não iria com Ino e Hinata na casa de Sakura, é óbvio que não. Sabe o por quê? Porque teria que arrumar a casa para aquele Hyuga idiota.
E ah, hoje o relógio parecia estar de palhaçada com ela, com toda certeza o tempo estava se acelerando para ver a linda explosão dos dois acontecerem.
Pois Tenten não tinha um pingo de paciência restando. Danzou implicou com sua pessoa a porcaria da aula inteira, fora que deu um sermão –um sermão!!- durante a aula sobre “irresponsabilidade para com os horários aplicados das matérias, e a falta de compromisso para os estudos, e blá blá blá”. Ela esperava que Neji dissesse algo, esperou pacientemente na sua carteira um comentário sarcástico do cabeludo concordando com o velho dos números, mas nenhum foi feito.
Era um milagre! Estava torcendo para que chovesse, assim não molharia as plantas do quintal.
Se tinha algo que Tenten odiava era perder o controle, por isso quando algum aluno inscrito no centro Ino-Shika-Cho aparecia sem estar na lista de chamada a enfurecia. Ela preparava aula para os recém-integrados no projeto, para crianças em geral, porém tinha alguns adultos, e os grupos estavam todos divididos. To-di-nhos separados de acordo com a idade, a habilidade e a dificuldade de cada um, graças a um processo avaliativo que a mesma fazia assim que botavam os pés no tatame. Era minuciosa e maluca por estar tudo conforme ela planejava.
O susto que a Mitarashi levou quando um carro escuro –enorme também- encostou no meio-fio do ponto de ônibus com as janelas negras foi colossal! Tenten imaginava cento e um golpes para diferentes situações, para diferentes coisas, para diferentes possíveis estranhos que quisessem fazer algo á ela.
Sua surpresa foi maior ainda em saber que não era um estranho.
Ficou totalmente sem ação ao ver Neji baixar o vidro, e, sem olha-la, dizer:
—Aconteceu um imprevisto comigo, vamos ter que acelerar esse trabalho.
A única coisa que passava na cabeça da Mitarashi era que o Divino estava de graça para cima dela.
Isso só pode ser brincadeira.
—Era duas horas e vai ser duas horas. Ponto e acabou. –o olhou furiosa- Agora acho bom o senhor arrogância sair daí antes que o meu ônibus chegue.
Ouviu Neji respirar fundo, impaciente.
—Tenten, eu estou tentando ser legal. Eu também não queria perder meu almoço indo direto para a sua casa, mas...
—Como assim perder o almoço? –perguntou com as mãos na cintura. Seus coques estavam começando a se soltar e isso também estava a irritando. Então ele achava que não tinha comida na casa dela? Ata. –Destrava a porta para mim, virou uma questão de honra almoçar na minha casa agora.
—Não foi isso que quis dizer é só...
—Vai logo, não tô boa hoje. –bateu os pés.
Neji suspirou fundo, bem fundo. Seu queixo trincou e seus olhos ficaram um pouco mais sombrios.
Um arrepio subiu pela espinha de Tenten, um que subiu em sua medula e a fez ficar um pouco, só um pouco, mais quente.
A porta foi destravada e ela entrou, se sentando no banco do passageiro sem olhar ou ousar respirar perto de Neji.
—Qual seu endereço? –perguntou já com o carro em movimento.
Neji é completamente estranho em sua cabeça. Em um momento era até que tolerável, em outro era insuportável e irritante. Em uma hora ele era todo sim, em outro não. Quente e... Na realidade nunca Neji foi quente, podia ser gostoso e ter um tanquinho fenomenal –um viva para a Ed. Física!-, mas sempre era frio. Gelado como um iceberg, mesmo sendo muito, -muito, muito mesmo, pelo menos para ela- lindo.
Argh, chega disso. Pareço uma adolescente boboca.
—Pode prestar atenção? –ele a tirou de seus pensamentos.
A castanha revirou os olhos.
—Eu estava prestando atenção!
—Não estava. –expirou- Coloca seu endereço no GPS, preciso ir logo por...
—...Causa do seu imprevisto, já sei, já sei.
Endereço digitado, sem música tocando, vidros fechados e a merda do ar-condicionado ligado no mínimo.
Tenten ia congelar ali dentro, talvez pela frieza do Hyuga idiota, ou pelo vento gelado. Ia virar o Capitão América e ficar dentro de um cubo de gelo por 75 anos.
Ela não deveria se preocupar com se congelar ou não, e nem deveria pensar em como o “quente no frio” era bipolar e cheio de personalidades. Deveria se preocupar nessa sensação de estar se esquecendo de alguma coisa.
Olhou a paisagem do lado de fora da janela, tudo escura graças ao vidro fumê.
Se fosse algo de importante, Tenten se alembraria. Era assim que funcionava.
Né?
Fale com o autor