Até o fim
1 End
Notas iniciais
Foram meses de investigação. Meses de solidão. Meses vazio.
Sem ele. Sem nós.
As pistas me levaram a uma pessoa. Uma pessoa que iria pagar com a própria vida a morte de Oliver Queen. Meu namorado.
Eu não contei o que descobri aos rapazes, eu não revelei o nome do assassino de Oliver. O confronto final seria do meu jeito, sem Diggle e Roy pra me defender ou me impedir.
O treinamento foi intenso, cansativo, rigoroso. Agora meu corpo mostrava cicatrizes, marcas e cortes sutis de um treino ardil que me levaria a vingança cruamente planejada.
O plano seria confrontar e matar.
Eu me vesti toda de preto, como um anjo cruel e vingativo, ajeitei os coldres escondidos sob as roupas. Duas armas. Várias munições. E um juramento. Matar Laurel Lance.
Ela estava de costas no lugar marcado. Algumas horas antes eu havia ligado pra ela, dizendo que precisávamos nos encontrar e conversar sobre Oliver. Ela aceitou o convite sem saber que nessa noite a morte chegaria sorrateiramente pra ela.
A morte seria brutal e implacável.
— Laurel? — Chamei com amargura seu nome. Ela virou com lentidão, um sorriso malicioso nos lábios. Ela sabia que eu havia descoberto o assassino de Oliver. Só não previa a sua morte. Quase sorri com esse pensamento maldoso.
— Ora, ora. Felicity Smoak. Vejo que já sabe. — Ela gargalhou rispidamente alto. Cerrei os dentes, apertei minhas mãos em punhos com violência. — Sozinha? — Ela perguntou e olhou ao redor, apenas balancei a cabeça confirmando. — Corajosa! — O elogio soou irônico, falso, truculento. — Eu matei o Arqueiro, o que faz você pensar que poderá me vencer? — Laurel arqueou a sobrancelha em zombaria. O ódio fez com que meu coração batesse com urgência e revolta. Deixei o silêncio responder por mim. Eu a venceria por estar terrivelmente preparada.
Matar.
Ou morrer tentando. Esse era meu lema. Minha sentença.
A decisão final da minha vingança.
Laurel deixou um sorriso cruel e desdenhoso cruzar sua boca. Rancor. Aquela mulher exalava isso. Sem ressentimento algum por tirar a vida de um herói.
Meu herói.
— Eu posso te matar agora, é isso o que você quer? — Ela ameaçou num rosnado atroz.
Aproximei ainda mais dela sem demonstrar medo algum. A expressão de meu rosto era indecifrável. Olhei diretamente em seus olhos com avidez, as palavras saíram cuspidas, raivosas.
— Hoje terá apenas uma morte. E te garanto que não será a minha. Eu poderia ter te matado sem nem mesmo chegar perto de você. A distância. Uma bala. E sua cabeça seria apenas uma lembrança despedaçada nesse chão áspero. — Suspirei pesadamente, ela respirava alto, o medo invadindo seu olhar atormentado. — Mas eu quero que você saiba e sinta a sua morte e principalmente, quero que saiba que será através das minhas mãos que a sua vida chegará ao fim. — Conclui num riso sem emoção.
Laurel se afastou, um pouco assustada. Visivelmente perturbada.
A caçada tinha chegado ao fim. Laurel morreria naquela noite. Prometi.
— A doce e patética Felicity, assassina? Não, acho que não. Blefe? Talvez. Será que Oliver apoiaria sua decisão de tirar uma vida? Tsc. tsc. tsc! Acho que não. — Ela fazia um barulho irritante com a língua.
Provocando. Afrontando. Desafiando.
— Eu não tenho mais nada a perder. Você tirou tudo o que eu tinha. — Gritei com ímpeto. Meu corpo estremecendo de raiva e furor.
— Verdade. Eu tirei. Quão triste é viver sem ele? — Ela parecia se divertir com meu sofrimento. Rindo descaradamente do meu luto.
— Chega! — Gritei em desespero e aflição. — Eu não quero conversar. Não quero te ouvir. — Olhei pra ela com voracidade. Meus lábios contraídos ferozmente em repulsa.
Num momento de descuido, ela me acertou com um soco no estômago, pega desprevenida eu me curvei de dor, Laurel correu. Fugindo.
Ela estava com medo. De mim.
Já recomposta, corri atrás dela, a derrubando no chão, cega de ódio, meus punhos pareciam chumbo acertando seu rosto, tive a satisfação de ver seu nariz se entortar num ângulo doloroso, sangrando muito, talvez quebrado, jorrava sangue pra todos os lados. Ela revidou com as pernas me lançando ao chão duro, cai num baque violento, urrei de dor ao sentir uma costela trincar e minha respiração falhar. Laurel novamente queria fugir correndo. Levantei-me depressa, recuperando o equilíbrio, movimentei meu pescoço impacientemente. Ela já estava quase perto de seu carro, eu não poderia deixar ela ir embora.
Ela continuava respirando. Ela continuava pateticamente viva.
Eu poderia acabar com ela com minhas próprias mãos, mas resolvi agir de um modo rápido. Retirei a pistola presa no coldre, a arma fria em minhas mãos quentes, apertei fortemente, sentindo o metal esquentar entre meus dedos impacientes, meu coração pulsava selvagemente veloz, fechei os olhos e pensei nele antes de atirar. Pedi perdão por me tornar uma assassina e disparei. O cheiro de pólvora inundou minhas narinas, a bala seguiu seu caminho rapidamente, atingindo o alvo sem piedade num impacto poderoso. Explosivo.
Eu sorri. Ela caiu.
Me aproximei do corpo jogado ao chão, o sangue molhava suas roupas abundantemente, Laurel abriu os olhos lentamente, a mão pousou no ferimento, desajeitada e trêmula. Meu corpo pulsava um ódio latente. Ela abriu a boca, balbuciando palavras incertas, respirava com dificuldade, a morte já presente em seus olhos enevoados de dor.
Novamente sorri, quase vingada.
— Laurel Lance, você decepcionou essa cidade. E matou o homem que eu amava. Amo. — Minha voz saiu embargada com a lembrança do meu amor por ele.
Laurel ergueu seus olhos pra mim, a boca se retorceu num arremedo de um sorriso fraco. Ela tossiu demoradamente, engasgando em seu próprio sangue. A voz saiu entrecortada e sarcástica.
— Se ele não podia ser meu. — Ela pausou a frase, gemendo de dor no momento em que eu pisei com agressividade em seu ferimento, sem compaixão. — Também não seria seu. — Concluiu num gemido dolorido e num xingamento baixo, enfurecido.
Movida pela raiva, meu dedo apertou novamente o gatilho. Um som alto cortou o silêncio da noite. Um som alto, rasgante. Eu vi e senti a carne se abrindo, o corpo dela se contraindo, o sangue esvaindo, seus olhos se fechando. A morte chegando.
Ela já não respirava mais.
Um meio sorriso deixou os meus lábios. Um sorriso perverso. Um sorriso de vingança. Logo depois, eu estava chorando convulsivamente. Eu havia conseguido. Vinguei a morte dele. Matei sua assassina, friamente. Cai de joelhos e deixei a escuridão me envolver num manto sombrio e gélido, eu não senti a paz que pensei, na verdade eu não sentia nada.
Absolutamente NADA.
A brisa da noite soprou em meus cabelos, os bagunçando totalmente, com um gemido e um sussurro ergui a cabeça, olhei pro céu e deixei seu nome soar de meus lábios numa prece silenciosa de adeus.
— Oliver. Te amarei até o fim. — Sussurrei ternamente.
Deixei o local sem pressa, o corpo da Laurel jazia no chão, frio e morto. Estendido. Ensanguentado.
E naquele instante eu me senti aliviada.
Vingada. Perigosa.
Quando Oliver vivia, eu era o seu sol, que derramava luz dourada em seu vida agitada, ele me dizia isso sempre. Hoje, depois de meses após sua morte, depois do mordaz silêncio mortalmente imposto, eu era apenas um resquício de uma luz quase apagada. Sem ele, eu era apenas... escuridão.
Mergulhando a cada novo dia em trevas e dor.
Uma vez alguém disse que quando deixamos a escuridão entrar, não conseguimos mais deixá-la sair.
Sem ele, eu havia me tornado uma outra pessoa.
Emocionalmente fria. Vazia. Sombria.
Sem Oliver.
Sem o seu amor.
As lágrimas corriam dos meus olhos, mas eram lágrimas silenciosas.
– Charles Bukowski
*Fim.
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