Notas iniciais
Essa historia foi tirada de minha mente nem um pouco criativa. Os personagens nao pertencem a mim. Obrigada por lerem.

09 de abril de 2006 – 05:30 a.m.


Mais um dia como os outros, ou seria, se não fosse um pequeno detalhe: meu aniversário. Mas qual a graça de se fazer aniversario? A única diferença é que nós ficamos um ano mais perto da morte, e no meu caso, sozinho.
Hoje fazem quatro meses desde que brigamos. Nenhuma carta ou telefonema, nenhuma visita. A três meses não saio de casa, nem no psicólogo fui mais. Minha depressão só aumentou. Mas não se preocupe, a culpa não é sua, ela é somente minha. Por quê? É simples. Se não fosse por mim nunca teriam sabido de nosso relacionamento, então eu não teria sido espancado e você não iria embora, com o intuito de me proteger.
Mas, quer saber de uma coisa? Eu preferia ser espancado milhões de vezes, pois nenhuma dor física supera essa minha dor por dentro. Eu nunca imaginaria que eu, uma pessoa considerada fria e egoísta poderia se apaixonar desta maneira. Hoje me preocupo mais com você do que comigo mesmo. Passo as horas pensando em você, pensando se está bem, se está com frio ou fome, se pensa em mim. Nunca pensei que o amor fosse assim. Juro que tentei te esquecer, mas foi impossível. Desde o primeiro beijo você foi gravado em meu coração e em minha mente como tatuagem, iguais a tantas que você tem.
Eu me lembro de um tempo em que só nós dois importava. Que o mundo não existia. Um tempo em que as estrelas brilhavam e as horas corriam. Hoje estas lembranças me parecem sonhos, ilusões que estão tão longe da realidade. Saiba que as estrelas não brilham mais, o dia não é tão bonito quanto antes, e as horas se arrastam me levando à solidão.
Sinto minhas energias deixando meu corpo, assim como o sangue que vejo escorrer lentamente de meu pulso. Eu escrevo esta carta como um pedido de desculpas. Espero que apesar de tudo me perdoe por te amar tanto e espero também que entenda minha decisão, pois você é o único que poderia, é o único que me conhece e conhece até melhor do que eu próprio.
Antes do fim, queria lhe dizer que ainda te amo. Talvez mais do que antes. A cada dia meu amor por ti cresce. Eu só desejava ver teus olhos mais uma vez, ver teu sorriso e tua expressão. Te rever pela ultima vez, meu anjo. Pena não ser mais possível. Saiba que o mais difícil é pensar que não te verei mais. Mas estarei sempre com você.
Deixo-te agora, com tristeza, sim, mas acima de tudo com amor. Espero que encontre a felicidade, assim como encontrei a minha a teu lado.

Do seu, eternamente

Gerard Arthur Way

Xoxo

09 de abril de 2006 – 10:00 a.m.

“Quatro meses. Hoje fazem quatro meses Gerard. Eu não suporto mais sua ausência. Maldita hora em que me afastei de ti, tentando proteger-te. Mas hoje tomei minha decisão. Hoje, no seu aniversario irei lhe implorar para voltar pra mim. Espero que ainda me ame tanto quanto eu te amo.”

Frank foi afastado de seus devaneios pelo som da campainha. Ao atender a porta se deparou com a figura pálida de Mikey (irmão de Gerard). Ele estava com os olhos vermelhos e inchados.


— Mikey o que houve? – Frank fez com que Mikey entrasse e se sentasse.
— Frank...eu...er...- Mikey mal conseguia formular frases.
— Acalme-se por favor – Frank entregou um copo de água a Mikey.
— Bem Frank, ele gostaria que você lesse isto – Mikey estendeu um envelope a Frank.
— Quem gostaria? O que é isto?
— Leia! – Mikey entregou a carta a Frank

Frank pegou o envelope. Olhou-o bem e reconheceu a caligrafia delicada e artística nas duas únicas palavras daquele envelope semi-branco: Para Frank. Abriu com cuidado o envelope e após retirar a carta de dentro e fita-la por alguns minutos começou a lê-la. A cada palavra lida Frank relembrava fatos ocorridos entre ele e Gerard. Lembrou-se do primeiro beijo deles, um pequeno acidente com uma casquinha de chocolate. A primeira tatuagem que Frank fez, onde Gerard que foi acompanhá-lo, quase desmaiou por causa do seu medo de agulhas. A primeira briga, onde Frank com ciúmes de Gerard quase batera em uma garota. Lembrou-se também da expressão de Gerard quando Frank o beijava, seu sorriso, sua voz. As canções escritas, as músicas cantadas. As palavras ditas sob a luz da lua. Frank continuou lendo a carta e começou a chorar. Via a caligrafia, antes perfeita e firme, agora tremula e borrada. Lagrimas e sangue borravam as palavras. Frank sentia uma grande dor ao ler aquelas frases. Frases antes ditas pela pessoa que lhe foi mais cara na vida. Frank sentia uma angustia em seu coração. Um medo. Por que Gerard lhe escrevera aquilo? O que teria acontecido com ele? Frank chorava muito ao terminar de ler a carta. Pegou o envelope mais uma vez procurando algo a mais, porém não havia nada. No fundo, Frank tinha esperança de que Gerard aparecesse e dissesse que tudo era uma brincadeira, que ele havia entendido errado aquelas palavras, que tudo era somente um sonho ruim.

— Mikey me explique o que significa isto? – Frank estava alterado.
— Bem o Gerard...ele – Mikey, assim como Frank, chorava muito.
— Mikey, por favor, diga que eu li errado. Diga que o Gee está bem, por favor – Frank estava jogado no sofá chorando desesperadamente. Sentia como se o ar lhe faltasse.
— Eu...sinto muito Frank...o corte foi profundo...ele não resistiu

09 de abril de 2006 – 14:00 a.m.


“Olhando pela ultima vez seu rosto tão branco, antes cheio de vida, agora triste e vazio vejo minha vida e minha felicidade a seu lado ir embora assim como as lágrimas que deixam meu corpo. Talvez não agüentarei muito tempo sem você ao meu lado. Agora que você não está aqui nada mais importa em minha vida.”

Muita gente, muito choro. Preto e vermelho. Cores preferidas de Gerard. Frank analisava tudo com muita calma. Seus olhos já vermelhos e inchados observavam tudo atentamente. Por que aquelas pessoas choravam tanto? Por que tanto barulho? Para que tanta gente? Para que? Pessoas hipócritas que só se lembraram de seu amado quando este morreu. Por que estas mesmas pessoas não tentaram ajuda-lo quando ele ainda vivia? Por quê?

09 de abril de 2006 – 22:00 a.m.

“A chuva bate em meu rosto. Já não me importo mais. A algumas horas vi seu caixão sucumbir sob a terra. Ainda não acredito que seja verdade. A cada segundo a mais que passo em frente ao seu tumulo fitando esta lápide fria me sinto mais vazio. Sua lápide de pedra negra. Nela há grafada a frase que tanto dizia. Se antes ela não fazia sentindo, hoje ela me parece a verdade do mundo. Agora olho pela ultima vez esta pedra fria e leio seu epitáfio:

Gerard Arthur Way
*09/04/1977 †09/04/2006
Tudo cai
Bem, depois de tudo”



10 de abril de 2006 – 18:00 a.m.

Frank Anthony Iero
*31/10/1981 †10/04/2006
O destino nos separou,
mas serei eternamente seu.


.....

O destino tende a ser incerto, assim como o amor. Os dois nem sempre são como esperamos. Mas será que não poderia ser diferente? Será que as pessoas podem evitar seu destino? Talvez se de mãos dadas estivessem, teriam superado, pois mesmo incerto, o amor supera o destino, pois nele não há somente um, mas sim dois corações.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!