Até mais, Castiel
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Não sei o porquê, mas um dia me deu uma luz e eu resolvi escrever uma fanfic com o Castiel. Ele não é meu paquera preferido, mas eu não consegui imaginar isso com outro paquera. Achei que o enredo combinou mais com ele.
Espero que gostem e boa leitura!
“Castiel, posso?”
Não pude deixar de sentir certa ansiedade ao ler aquela mensagem.
Eu não estava esperando. Não estava.
“Já terminou tudo?”
Assim que terminei de escrever, fui tomar um banho rápido.
“Já. Estou indo.”
Li enquanto me trocava, ficando pronto em cinco minutos.
Apesar de ter estado debaixo da água quente, minhas mãos estavam geladas.
Sentia meu coração acelerado.
Olhei ao redor, vendo se eu teria deixado alguma roupa no chão ou em qualquer lugar visível. E é claro que tinha.
Comecei as pegando sem prestar atenção, com a mente longe, lembrando daquele dia.
As taquei dentro da máquina de lavar roupas de qualquer jeito, e assim que fechei a tampa, ouvi a campainha sendo tocada repetidas vezes.
Acabei rindo. Era tão ela.
Voltei à sala e girei a chave na fechadura, abrindo a porta e a vendo, toda encolhida pelo frio.
Sara sorriu de orelha a orelha ao me ver, e já foi entrando, fazendo seus cachos castanhos balançarem com o movimento rápido.
— Não sabia que estava tão frio assim fora da minha toca. — Ela parou no meio da sala e virou-se para me olhar.
Fechei a porta, ainda sentindo o rastro de perfume que ela deixou e a encarei.
— Eu sempre digo como as coisas são difíceis fora da sua toca, mas parece que você nunca acredita em mim — falei com um sorriso de canto, com ar de quem sabia de tudo.
Ela sorriu, revirando os olhos, fazendo sua marca registrada. — Tá bom então, sabichão. Senhor do conhecimento, guardião das informações... — começou, fazendo gestos com as mãos, como se estivesse recitando uma peça.
— Tá, tá, chega. — Balancei a mão para ela, fazendo cara de tédio.
Dando uma risada baixinha, andou até o sofá e sentou nele de forma relaxada. — O que estava fazendo antes de eu mandar a mensagem?
— Eu nem lembro. — Dei de ombros, sentindo um leve frio no estômago.
— Não lembra ou não quer contar? — Me encarou com seus olhos perspicazes.
— Ah, eu estava tentando fazer um trabalho, mas você me atrapalhou — admiti.
— Te atrapalhei, né? Está mais com cara que eu te livrei, isso sim.
— Se você quiser ver dessa forma. — Desviei o olhar. — Você... terminou tudo mesmo? — Tentei puxar assunto, mas me xinguei mentalmente por ter tocado naquele assunto.
Sara suspirou, encostando a cabeça no estofado e olhando para cima. — Terminei. Foi bem cansativo... — E me olhou. — Vai ficar aí de pé?
Olhei para o chão, vendo a distância que estávamos um do outro, e engoli seco. Novamente, meu estômago deu sinais de nervosismo.
Sob o olhar dela, me forcei a andar e me sentei ao seu lado, mantendo certo espaço entre nós.
Ela virou de lado, sentando de frente para mim. — Você vai continuar assim até amanhã? — Lançou, de repente, me fazendo olhá-la assustado.
— Assim como?
— Qual é, Castiel — exclamou, com um pequeno sorriso nos lábios. — Você está assim desde que te contei.
Dei um riso irônico. — Isso é coisa da sua cabeça.
— É, é coisa da minha cabeça ver você cada vez mais distante. Se continuar assim, daqui duas semanas já não vamos mais conversar.
Balancei a cabeça, negando sua afirmação, olhando para frente.
Senti o estofado mexendo, e logo as mãos frias de Sara tocaram meu antebraço.
— Eu não quero que a gente pare de conversar. Não quero perder sua amizade, não consegue perceber isso?
Virei a cabeça, encontrando seus olhos me encarando, mais perto do que antes. Meus olhos analisaram, de forma automática, cada parte de seu rosto.
As sobrancelhas que ela se recusava a “limpar” igual ela falava. Não que precisasse. O piercing fino de argola preta no lado direito do nariz. A boca com alguns riscos, indicando que ela tinha esquecido de passar algum hidratante ou batom, e ela sempre reclamava disso.
Sara me olhava, meio impaciente, esperando minha resposta.
Acabei dando um riso soprado, mas para mim mesmo.
Como eu deveria lidar com isso?
— Você não vai falar nada? É isso então? Você não se importa se a gente parar de conversar?
— Para de ser dramática, mulher. — Franzi o cenho.
— Não, parece que só assim as coisas funcionam com você. — Deu de ombros, me soltando e olhando as unhas curtas.
Suspirei, a olhando. Levei minha mão esquerda até seus cachos e os puxei para trás. — Não, eu não quero parar de conversar com você.
Seu olhar levantou para mim, um pouco desanimado. — Então por que você está se afastando cada vez mais?
Olhei para baixo e segurei as mãos dela entre as minhas, tentando esquentá-las, ao mesmo tempo que sentia as bochechas esquentando.
Ela continuava me olhando. — Fala, Castiel. Não me faça arrancar de você. Eu estou vendo suas bochechas vermelhas.
Merda.
— Eu não sei, tá legal? É meu instinto — respondi de uma vez.
— Instinto de se afastar das pessoas quando elas vão para longe de você? — Continuei com a cabeça baixa, evitando contato visual. — Igual você fez com seus pais. Você sabe que isso não dá muito certo, né, “garotinho”? — Deu uma risadinha no final.
Soltei um sorriso espontâneo e acabei a olhando.
— Sério, Castiel. — Levantou a mão e enfiou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha. — Sabe que isso só te machuca mais. Não faça isso com a gente. — Sua mão permaneceu ali, em cima da orelha.
Era engraçado estar ao lado dela. Eu me sentia à vontade de ser eu mesmo, mas ao mesmo tempo, me sentia um tanto temeroso de agir igual um idiota.
— E além do mais, eu não vou para outro país, nem outro estado e nem para outro planeta. Então pare de agir igual a um “boboca”. — Sorriu, toda meiga.
Suspirei e dei um sorriso mínimo. — Tá.
— Isso. E se ficar de graça de novo eu volto para te socar.
— Se é assim eu fico de graça, assim você volta logo — soltei sem pensar, e corei no mesmo segundo.
— Você é tão besta. — Riu, divertida, e senti sua mão parando em minha nuca, em cima dos fios.
Apesar de sermos próximos e termos o costume de nos tocar, acabei estranhando um pouco aquele gesto, e olhei em seu rosto, tentando entender o que ela iria fazer.
Sua outra mão fria veio para o meu rosto, e ela se aproximou, encostando nossas testas.
Eu sabia que ela estava mais emotiva esses dias, e talvez quisesse manter um contato mais próximo para...
Senti seus lábios quentes encostando nos meus, e por um momento achei que estava imaginando aquilo.
Continuei com os olhos abertos, olhando diretamente nos dela, que também me observava.
Forcei minha cabeça a tentar entender o que ela estava fazendo, mas em vão.
Sara se afastou um pouco. — Eu... sinto que não tenho demonstrado o tanto que gosto de você.
— Você realmente está carente, hein? — Soltei com ironia, recuperando meu estado natural de sarcasmo em um estalo.
— Talvez, qual o problema se estiver? Eu estou tentando dizer para todos meus amigos o quanto os amo.
— E você beijou eles também? — perguntei zombando, mas sentindo uma pontada de ciúmes, que não entendi de onde veio.
— Não. Eu só beijo idiotas.
— Disso eu já sei, mas não estou incluso na sua lista.
— Agora está. — Suspirou e colou sua boca de novo na minha, puxando meu pescoço
Senti muita vontade de retribuir, mas isso não era normal. — Sara — chamei baixo, e ela me olhou. — O que você tem?
Percebi que seus olhos estavam ficando úmidos e brilhosos — E-eu... acho que agora caiu a ficha de que eu vou embora...
— Mas você estava tão bem com tudo isso...
— Eu sei. Parece que eu recebi a notícia só hoje de manhã, por mais que estivesse arrumando minhas coisas a mais de uma semana. Eu... — Seu rosto corou. — Vou sentir sua falta.
Suspirei. — Eu também vou sentir a sua — admiti, com vergonha.
Toquei seu rosto com a ponta dos dedos e passei pela única lágrima que escorreu.
Sara se aproximou de novo e me beijou, e dessa vez, retribui, unindo nossos lábios em um selinho singelo.
Enquanto ela abria seus lábios nos meus, se moveu, ficando de joelhos no estofado. Levantei a cabeça para não interromper o contato, e aproveitei para abraçar sua cintura e puxá-la para mais perto, colando nossos troncos.
Nossas línguas se tocaram, primeiro de forma tímida, mas nos aprofundando aos poucos, me fazendo sentir o gosto da bala que ela sempre tinha na bolsa, e consequentemente, na boca.
Suas mãos, agora quentes, desceram para o meu pescoço, e depois para a nuca. Enroscou os dedos nos fios dali, e os apertou de forma leve.
Acabei sorrindo no beijo, e respondi a apertando mais contra mim.
Eu conhecia o jeito dela. Não que tivesse visto, mas ela sempre me contava.
Nos conhecemos desde o fundamental, e desde aquela época falávamos sobre tudo. Nossos problemas, nossas alegrias, nossas paixões e pegações.
Já rolou muitas brigas de ciúmes de namoro devido nossa proximidade, mas o que prevalecia era nossa amizade.
Nenhum namoro ia nos separar. E ela tinha razão. Eu não poderia deixar a distância fazer isso.
“Eu consegui, Castiel! Consegui a bolsa!”
Lembro que eu levantei do sofá e a abracei, tão feliz quanto ela.
“Finalmente vou poder estudar o que eu tanto quero! Chega de sofrer para o direito!”
Depois daquela frase, minha ficha caiu. Ela tinha conseguido a bolsa para a faculdade de Gastronomia... Em outra cidade.
“Vai ter uma vida de adulta agora, hein?” brinquei com ela, mas já pensando no momento em que ela teria que partir.
Fui um idiota essas últimas semanas. Tentei evita-la, querendo a afastar de uma vez, com medo de quando chegasse o dia, eu fraquejasse.
Devia ter aproveitado melhor sua companhia, suas risadas e piadas sem graça.
Agora o que me restava era aproveitar as últimas horas com ela.
Sara me tirou de meus pensamentos com uma mordida no lábio inferior, me causando certas sensações.
Sorri e abri as pálpebras apenas o suficiente para vê-la sorrindo de uma forma charmosa e provocativa.
Eu estava negando aquele tempo todo. Negando que a queria. Achava que era besteira, ou até que nossa amizade era tão forte que eu estava confundindo as coisas.
Era um amor tão grande. Uma vontade de estar sempre junto, falando besteiras e trocando ironias. Eu era capaz até de trocar minha “liberdade” em casa, para morar com ela aqui. Tudo para poder passar mais tempo juntos e conhece-la ainda melhor.
Foi nesse momento que comecei a me achar estranho. Eu amava morar sozinho, ou melhor, com Dragon. Nunca que eu me veria morando com alguém além de meu companheiro, ou até meus pais, em casos extremos.
Onde eu estava com a cabeça, imaginando Sara no quarto ao lado, acordando de manhã e indo até a cozinha com a cara amassada e seus cachos bagunçados, parecendo um leão.
Foi ficando pior quando minha imaginação a fez ficar com apenas uma camiseta minha no corpo, totalmente à vontade e sexy.
Nesse dia, eu me xinguei e tentei esquecer. Mas a cada vez que tentava, me pegava imaginando de novo e de novo.
Pelo menos consegui bloquear os pensamentos antes que eu imaginasse coisas piores.
Se eu fosse um adolescente, eu até me perdoaria, por estar com os hormônios desregulados e à flor da pele. Mas não, sou um adulto fantasiando com sua melhor amiga. Isso era muito errado.
Senti o peso de Sara contra mim, e como não estava prestando tanta atenção, acabei caindo para trás, em cima das almofadas.
Ela continuou me beijando, mesmo meio deitada em cima de mim.
A sala começou a esquentar. Ou era apenas eu.
Com uma última mordida de leve, Sara começou a distribuir beijos em minha bochecha, fazendo uma trilha até minha orelha, indo para o pescoço em seguida.
Virei a cabeça para o outro lado, a deixando trabalhar melhor. Sentia os pelos do braço se eriçando com aqueles toques e mordidas leves.
Abri um sorriso quando ela mordeu a pele entre o ombro e o pescoço, me causando mais arrepios.
Seu rosto voltou a levantar e me olhou, parecendo se divertir. Então senti suas mãos entrando por debaixo da minha blusa, acariciando minha barriga.
— Gostou da mordida, senhor Grey? — zombou.
— Ah não, isso não — resmunguei, rindo. — Assim você me brocha.
— Ué, Quando sua ex te chamou assim, você nem se importou.
— Eu não estava ligando para o jeito que ela me chamava para as amigas. E ela não é uma ex, não namoramos.
— Que seja, ex ficante. — Revirou os olhos.
Analisei seu rosto corado, ainda sentindo suas mãos deslizando por minha barriga.
— O que você quer, Sara? — perguntei baixo, colocando meus dedos em seus cabelos próximos à orelha.
Seu olhar foi parar em minha boca, e ela ficou ainda mais corada.
— Quero... — sussurrou — transar com você.
Travei por um momento, pensando se tinha ouvido direito. — Quê...?
Ela olhou em meus olhos. — Quero transar com você — disse firme, um pouco mais alto.
Pisquei algumas vezes, tentando entender. — Por quê?
— Porque... eu gosto de você.
— Mas... você gosta dos seus amigos e não sai querendo transar com eles, eu imagino...
Sara suspirou, meio impaciente. — Por que é tão difícil com você? Não pode simplesmente ficar animado e aceitar?
— Ora, eu só quero entender o que te levou a querer isso — expliquei um pouco confuso. — Você queria que eu falasse “beleza” e tirasse sua roupa?
— Não, mas... — Hesitou, pensando, e deu uma coçada na cabeça. — Esquece. — Fez menção de sair, mas a segurei no lugar.
— Sara, agora é você que precisa falar... Não estou dizendo que não quero. Eu só quero... entender.
Notas finais
Deixem seus comentários, vou adorar respondê-los!
Logo posto a próxima parte.
Até mais o/
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