Até Um Dia

1 Capítulo 1 - Único


Notas iniciais
Eu quando escrevi essa história pensei em diversos filmes e livros, e chorei muito com ele então se alguém gostar por favor recomende e favorite.
Irei ficar muito grata.
Um beijo, xoxo

Eu estava a caminho de casa em meu carro quando liguei o rádio no canal de músicas e tudo foi cortado para o assunto do momento: um acidente no meio da estrada. Passei a ouvir e a prestar atenção em tudo, até nos mínimos detalhes que contavam.

Era um acidente envolvendo uma garota de mais ou menos vinte anos, morena dos olhos claros e magra. A suspeita era que ela estivesse embriagada no volante ou que perdeu o controle do carro, mas nada ainda era concreto. Tudo eram suposições e o laudo sairia em alguns dias. Logo voltou para as músicas e continuei meu caminho para casa alegre e cantante.

- Amor? Cheguei. — chamei minha namorada, mas não obtive resposta. — Amor? — chamei de novo e nada.

Entrei em casa, joguei minha bolsa no sofá da sala e liguei a televisão. Logo entrou o canal de notícias e começou a passar o acidente que escutara no rádio. Não prestei a atenção, e fui indo para a cozinha mas quando falaram a placa do carro corri de volta.

A placa era RTE529 do Missouri, lugar onde eu morava e minha namorada também mas o que mais me chamou a atenção foi o número que era parecido com o dela. Sentei no sofá e rezei para que não fosse ela, mas quando deram o nome me desesperei e sai correndo até o hospital onde ela estava sendo transferida. Levei meia hora até o local.

- Olá, posso ajudar? — disse a recepcionista.

- Olá, sim. É Sophia Taylor Hall, ela deu entrada agora mesmo.

- Só um minuto. — me virei e coloquei as mãos na cabeça desesperada.

- Senhora, ela está aqui sim mas não pode receber visitas.

- Como não? Sou esposa dela.

- Esposa?

- Sim, desejo vê-la agora.

- Sinto muito, mas não pode.

- E por que não?

- Ela está a beira da morte, pode morrer a qualquer minuto.

- E não vai me deixar vê-la?

- É, tudo bem. Ela está no 2º Andar quarto 35.

- Ok, obrigada.

Corri até o elevador, mas ele demorou demais para meu gosto. Avistei uma escada e subi por ela. Nunca tinha corrido tanto em minha vida, mas sabia que eu precisava chegar lá logo. Cheguei no 2º andar e fui procurando o maldito número 35 e só achei depois de dez minutos procurando naquele hospital imenso.

- Sophia? — abri a porta e a vi.

Minha namorada estava em uma cama deitada cheia de machucados e curativos pelo corpo, respirava com ajuda de aparelhos e não conseguia se mover para ver quem entrara pela porta. Entrei já chorando e joguei a bolsa no chão mesmo. Fui devagar até ela e observando tudo.

- Sophia? — chorava enquanto a chamava.

- Niki? — ela falou bem devagar.

- Sim, sim meu amor. Estou aqui. — peguei a mão dela nas minhas e ela sorriu pra mim com dificuldade.

- Desculpe.

- Não, não tudo bem. Vai ficar tudo bem.

- Não Niki, só tenho algumas horas de vida.

- O que? Como assim?

- Niki, eu tenho uma doença mais do que terminal e só descobri hoje. Meu último dia aqui. — ela derramou algumas lágrimas e depois me olhou fundo.

- Não Sophi, não pode. Não pode.

- Sinto muito Niki. — um médico entrou.

- Senhora sinto muito, mas tem que sair.

- Não eu não vou.

- Por favor. Visitas não são permitidas.

- Ela é minha esposa.

- Esposa?

- Sim, algum problema?

- Nenhum, mas vocês são casadas no papel?

- Sim. — eu chorava cada vez mais e olhava pra Sophia.

- Então é com você mesma que devo falar.

- Sobre o que? — fiz carinho na cabeça de Sophia e dei beijos.

- Quero sua permissão para o desligamento dos aparelhos da paciente.

- O que? Não. — olhei para o médico.

- Sim. — Sophia me pediu.

- Senhora, ela não vai sobreviver a tantos ferimentos e a doença terminal.

- Não, não. Ela vai. Não vai Sophi? — olhei pra ela e me desabei em lágrimas cada vez maiores.

- Não senhora ela não vai.

- Então o que eu devo fazer? — olhei para ele.

- Venha comigo.

- Posso me despedir antes?

- Claro. Cinco minutos?

- Tudo bem.

O médico sorriu carinhosamente e saiu da sala nos deixando a sós por apenas cinco minutos. Puxei uma cadeira e me sentei ao lado dela olhando fixamente e chorando cada vez mais.

- Sophi não posso.

- Pode.

- Não meu amor, por favor fique comigo.

- Não dá. — ela chorou também.

- O que vou fazer sem você?

- Lembra quando eu estava com medo de ir na roda gigante e você segurou minha mão, quando ficamos a primeira vez, quando me pediu em namoro, quando nos mudados pra aquela casa, quando fomos no orfanato conhecer nossa filha, quando brigamos feio e dormimos separadas, quando tivemos nossa primeira vez, quando viajamos de avião a primeira vez e você estava ansiosa demais?

- Sim Sophi, lembro de tudo e cada momento foi o melhor da minha vida porque simplesmente eu estava com você.

- Então, vão ser sempre guardadas assim como eu dentro de você.

- Senhora preciso que saia. — o médico entrou.

- Já vou. — respondi.

- Niki, eu só vou sair da sua visão nunca do seu coração.

- Eu sei, mas não quero isso.

- Não podemos escolher.

- Eu te amo Sophi.

- Eu te amo Niki. Até um dia, meu amor. — tirei a máscara de oxigênio dela e a beijei.

O médico me fez sair enquanto desligavam os aparelhos que a mantinham viva. Observei tudo do lado de fora e chorava cada vez mais, mas sabia que onde ela estivesse estaria melhor do que sofrendo naquela cama.

- Senhora, está feito. Só preciso que assine alguns papeis.

- Ok.

Fui andando com o médico até a recepção onde preenchi tudo que precisava para ter legalização da morte da Sophia e depois me sentei em uma das cadeiras onde chorei muito até perder o fôlego. Levantei fui ao banheiro e segui até o carro.

Lá lembrei de tudo e mais um pouco do que a Sophia era pra mim e tudo que passamos juntas, então eu sabia e tinha plena consciência que vivemos bem e felizes, e que como ela me disse:

- Até um dia, meu amor.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!