Até Que A Morte Nos Separe... Ou Não.

1 One Shot - Até que a Morte nos separe... Ou não.


Notas iniciais
Aproveitem queridos leitores *-*
E não esqueçam de comentar (:

Eu estava andando de mãos dadas com ele, rindo alegremente, sobre um campo de flores, que mais parecia um imenso jardim. Ele havia colhido uma bela orquídea, e colocado atrás da minha orelha. Eu ainda lembro-me de quando ele segurou meu rosto com as duas mãos, e falou em um tom baixo: “Ei... Eu te amo, minha princesa”. E logo em seguida beijou-me, aqueles beijos perfeitos dele. Depois ele me envolveu em seus braços, abraçando-me carinhosamente, e acariciando meus cabelos. Deu-me um beijo na testa, e segurou minha mão. Logo puxou-a, fazendo com que meu braço esquerdo ficasse em volta de seu pescoço, e enlaçou minha cintura. Voltamos a caminhar lentamente, sentindo o doce aroma das flores que ali se encontravam. Logo avistei uma rosa, minha paixão, e percebi que ele viu que eu a admirava. “Linda, não é?” Disse ele. “Mas nem se compara a sua beleza.” Completou, olhando-me nos olhos, e dando um belo sorriso. Deixei escapar um suspiro, e retribui o sorriso. Estar com ele ali era a melhor coisa do mundo. Ainda lembro de que depois daquele passeio no campo, fomos a um laguinho próximo dali, eu escorreguei e cai lá dentro, e quando ele foi tentar me ajudar, puxei-o para dentro. Começamos uma guerrinha de água. Depois disso, ele me deixou em casa, e entregou algumas flores a minha mãe

“Como eu queria que ele estivesse aqui agora”, Pensei. Eu não devia tê-lo deixado ir. Não devia. Mas uma lágrima brotou em meus olhos, e deslizou livremente sob meu rosto, assim como todas as outras. Eu segurava sua camisa, e apertava contra meu corpo, tentando de algum modo, lembrar a mim mesma que algum dia ele já esteve nela. Por quê? Por que aquilo havia acontecido? Era para ter sido eu. Mas não... Ele salvou a minha vida. Mas ele se foi. Será culpa minha?

Nós estávamos indo ao parque. Ele fazia isso todos os sábados, e já virara rotina. Estávamos atravessando a rua, eu estava agarrada ao seu braço, e veio uma luz. Não consigo me lembrar do que aconteceu ao certo, mas a última coisa que me lembro depois do choque, foi de tê-lo visto sendo carregado por macas, entrando no carro da ambulância. Pessoas olhavam chocadas para mim. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas algo bom não era.

Fiquei quatro horas seguidas na sala de espera do hospital, buscando notícias. Minha mãe já estava lá ao meu lado, e os familiares dele também. Minha futura sogra estava aos prantos. Eu estava totalmente atordoada, não conseguia falar com ninguém, nem sequer emitir uma única palavra. E foi quando ele veio. O médico veio. E o que eu mais temia aconteceu, as palavras que eu nunca desejaria ter ouvido veio à tona. “Eu... Eu sinto muito. Lamento. Ele não resistiu.”

Lágrimas. Umas atrás das outras. Sua mãe gritava desesperadamente. Eu estava no mais profundo silêncio. Depois de cinco minutos, caiu a ficha. Ele estava morto. Não, não podia ser. Há pouco tempo eu estava abraçada a ele, indo para o parque... Ele não pode estar morto. Não, não pode.

“É mentira!”, berrei. Chorei como nunca havia chorado antes. Sentia-me como uma criancinha indefesa, estava totalmente insegura. Cai no chão do hospital, e comecei a me contorcer. Meu rosto estava vermelho, e meus cabelos, bagunçados. Comecei a arranhar o piso. Soluços e mais soluços vieram, e eu não conseguia pronunciar nenhuma palavra sequer. A única coisa que eu ainda conseguia dizer era não. Meus soluços eram tão fortes e altos, que as pessoas começaram a se preocupar. E logo depois, desmaiei.

Acordei, e logo percebi que estava em uma sala toda branca. E então lembrei. Desejei que tudo aquilo não tivesse passado de um sonho. Mas quando vi o médico, o mesmo que me deu a notícia, voltei a chorar. Eu estava arrasada. Ao chegar em casa, não comi nada o dia inteiro. Fiquei trancada no quarto, chorando sem parar. Meu mundo havia acabado. Não tinha mais motivos para viver. Queria entender tudo aquilo, mas eu simplesmente não aceitava a realidade.

Minha mãe bateu na porta, e depois de muita insistência, a deixei entrar. Ela estava com os olhos vermelhos, mas nem se comparava aos meus. Ele me deu um caloroso abraço, seguido de um suspiro.

“Ele era um bom rapaz, filha. Eu gostava dele, você sabe.” Disse ela. Suspirei, e a abracei ainda mais forte. “Mãe... Pode me contar o que realmente aconteceu?” Perguntei, aflita.

“Bom, filha... Vocês estavam a caminho do parque, quando um carro desgovernado foi para cima de você. O motorista estava bêbado. Segundo as testemunhas, ele empurrou você, que aterrizou na grama, e bateu a cabeça. Mas ele não conseguiu escapar. O carro que ia lhe atropelar, acabou sendo pra ele e...” Suspirou, e logo uma lágrima caiu de seus olhos. Então era isso.

Agora, eu já abraçava a camisa com mais força. Aquelas lembranças me deixavam cada vez mais depressiva. Eu estava ouvindo a música preferida dele. Logo olhei para um foto dele, e tentava encaixar tudo aquilo. Por quê...? Ele era tão bom. Por que ele, justo ele, morreu, e aquele bêbado ainda estava vivo? Eu não entendia. Não entendia mesmo.

Caminhei com passos pesados até o banheiro, e lavei meu rosto. Assustei-me ao olhar-me no espelho. Eu estava com uma aparência horrível. Tomei um banho, e depois coloquei uma roupa no estilo que eu costumava usar, bem escura. Peguei meu casaco e um guarda-chuva, pois estava chovendo e estava frio, e sai. Fui ao parque. Era um parque próximo a minha casa, o mesmo parque que íamos todos os sábados, o mesmo parque em que ele foi atropelado. Caminhava lentamente, sentindo respingos molharem minha bota, enquanto eu andava, espalhando água. Estava incrivelmente deserto e escuro, aquele que antes era um belo parque. Agora, era só um local de boas lembranças e recordações. O local onde trocamos inúmeros beijos. Onde trocamos sorrisos, olhares e abraços. Onde o ouvi dizendo que me amava quase o tempo todo. Onde conversávamos, brincávamos, chorávamos. Onde eu bagunçava o seu cabelo. Onde eu fazia cócegas nele, e ele segurava meus braços, deixando-me imobilizada. Mas também era o local onde ele se foi.

Um vento frio soprou, chacoalhando meus cabelos levemente, e apertei-me mais em meu casaco, e prossegui. Andava com passos curtos e rápidos, olhando para o chão.

“Lauren.”

Impressão minha ou alguém me chamou?

“Ei, amor! Lauren!”

Eu não acreditei. A voz... A voz era dele! Oh, meu amor, eu já estou indo.

“Lauren, estou com tantas saudades. Não esqueça que eu te amo, Lauren.” Disse.

Ouvir a voz dele novamente era algo inexplicável. Olhei para os lados, e vi um casal, e o cenário mudou completamente. Era dia, e eles estavam sentados em um banco, conversando. Ela ria, enquanto ele contava piadas. Logo depois ele deu um beijo surpresa nela, e ela ficou sem ação. Depois foi a vez dela. Eu sorri, coisa que não fazia há muito tempo, quando vi aquela cena. Porque o casal era eu e ele. Era como uma visão de nós dois, em algo que já aconteceu. Fui me aproximando deles, quando eles olharam para mim, e o vi me chamando. A garota, que era eu, olhou assustada e gritou, e ele a abraçou, gritando também. Depois disso, a visão acabou, tudo ficou embaçado, e senti minha cabeça pesar, e ainda pude ouvir:

“O que foi que eu fiz? Ela não vai resistir, oh Deus, me perdoe!”.

Depois disso, a escuridão foi me puxando, e levando minha alma para descansar ao lado do meu maior amor. Estava indo para onde era o meu lugar. Ao lado dele.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Ainda assim, não deixem de comentar ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!