Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
6 Capítulo 6 - Tempo de Sofrer
Notas iniciais
Vamos ter a morte de um personagem, sim eu sou má. Vamos ver o quanto nosso soldado pode ser forte. E vamos ver um pouco de abraços... eu amo abraços.. o
Desculpem pela postagem tardia... Ç__Ç
Enjoy...
Tempo de sofrer
Já tinha se passado três semanas desde a explosão no prédio. John estava com as costelas imobilizadas e agora ele sabia qual era a sensação de se sentir entediado, o loiro nunca mais iria reclamar quando Sherlock lhe dissesse que estava entediado. Claro que ele não iria morrer de tédio, ninguém morria de tédio, ou pelo menos ele achava, mas se ele fosse honesto consigo mesmo, não era o fato de ficar sozinho e sem fazer nada que o estava incomodando, o que realmente lhe incomodava era ver Sherlock sair pela porta todos os dias sem nem mesmo olhar para trás.
Primeira Semana:
Ele não sentiu muito os efeitos de ficar sozinho, pois ele pôde atualizar seu blog que estava jogado as traças; porque com o trabalho na clínica e os casos com Sherlock não lhe sobrava muito tempo.
Como ele não estava na cena do crime e não estava acompanhando Sherlock, não tinha como ele escrever no blog os casos novos que seu amigo desvendava. O loiro tinha até tentado pedir ao seu amigo para descrever o que tinha feito, mas o moreno lhe lançou um olhar que dizia: Você está sendo muito chato, e John não tocou mais no assunto.
Ele ainda lembrava-se do primeiro dia depois que tinha voltado do hospital. Sherlock tinha lhe chamado para ir em um caso com ele, mas John não conseguia se mover direito, e ainda doía para respirar.
- Sherlock não posso me movimentar direito! — O loiro disse exasperado, e seu amigo pousou o olhar por cinco segundos sobre ele e saiu porta a fora sem dizer uma palavra.
Ele devia ter ido, John pensava. Mesmo sentindo dor e todo o inferno.
Segunda Semana:
John já estava desesperado, ele se sentia tão entediado que começou a catalogar cada mofo da parede, cada desenho, cada degrau que estalava das escadas.
Por fim teve a péssima ideia de fazer uma limpeza na cozinha, apesar de sentir dor ele não aguentava ficar parado. Ele era um porcaria de soldado do exército oras! Mas quando Sherlock chegou à noite da Scotland Yard e parou na porta da cozinha, John se virou e ele nunca tinha visto seu amigo com os olhos tão arregalados.
- Meus experimentos! – Sherlock disse em uma voz que não passava de um sussurro.
- Eu não toquei em nada que estava na geladeira, só limpei por cima da mesa, tinha muita poeira e umas coisas mofadas dentro de alguns potes. – John se defendeu, o moreno entrou na cozinha e procurava algo em cima da mesa.
- Meus experimentos, onde estão John?? – O moreno tinha alterado um pouco o tom de voz.
- Que experimento? – John o olhava sem entender.
- O que estava no pote de margarina.
- Você fala daquele mofo? Joguei for... – John nem terminou a frase percebendo o que tinha feito. – Sherlock sinto muito eu não sabia...
- Você jogou FORA? – Agora seu tom era irritado. – Aquele experimento tinha duas semanas, DUAS semanas JOHN! – Seu amigo foi em direção à lata de lixo.
- Hum... o lixeiro já passou. – John disse num fio de voz já encostado a parede.
- SAIA!
- Sherlock, eu sinto muito...
- SAIA John, vou avaliar a extensão dos danos no meu laboratório.
- Laboratório? Isso é uma porcaria de cozinha Sherlock! – Mas John se calou ao ver o olhar assassino que o moreno lhe direcionou.
John saiu da cozinha e subiu as escadas para seu quarto, suas costelas pareciam que iam explodir toda vez que ele subia aquela porcaria de escada. Ele normalmente ficava na sala para não subi-las, mas seu amigo estava muito nervoso então o loiro preferiu ficar fora de vista.
Ele se sentia muito arrependido, mas como ele iria adivinhar que uma porcaria mofada no pote de margarina era algum experimento? Ou que aquela coisa verde na garrafa era algo importante; será que Sherlock iria sentir falta do que estava na garrafa?
John achou que iria escutar Sherlock xingando e derrubando coisas, mas o apartamento estava silencioso, Todavia ele não iria descer para ver o que tinha acontecido, não agora. O loiro ficou deitado na cama e acabou cochilando e acordou com uma dor muito forte nas costelas. Ele olhou para o relógio e viu que tinha se passado três horas da hora de tomar seu anti-inflamatório e antibiótico.
Ele se forçou a levantar e gemeu de dor. Quando olhou para o lado da cabeceira da cama, viu seus remédios mais um copo de água. John não se lembrava de ter deixado seus remédios ali ou aquele copo com água. Será que Sherlock tinha entrado em seu quarto e deixado os remédios? O loiro sentiu algo quente se espalhar dentro do peito, mas logo passou. Não, era mais provável que tinha sido a senhora Hudson, pois ela estava sempre indo lá para ver se ele precisava de alguma coisa.
Terceira Semana:
Terceira semana e suas costelas ainda doíam. De acordo com seu conhecimento médico suas costelas já eram para estar emendadas e não era para existir dor, mas o esforço para subir as escadas para o seu quarto estavam atrasando a calcificação das suas costelas.
John tinha pensando em pedir Sherlock para trocarem de quarto só pelo período em que estivesse com as costelas imobilizadas, mas em vista dos atuais acontecimentos ele preferiu não dar vazão a sua imaginação ficando deitado na cama de Sherlock sentindo seu cheiro no travesseiro; isso não iria fazer bem para sua paz de espírito nem para seu corpo.
No momento John estava deitado, já tinha lido todos os jornais e revistas, entrou no seu blog para ver se algum comentário novo precisava de resposta, já tinha visto todos os programas da televisão e não tinha mais nada para fazer, ele até tentou dormir, mas não conseguia. Toda vez que ele ficava assim sua memória traiçoeira lhe enviava para o dia da explosão. Ele ficava esmiuçando o que tinha acontecido naquele dia, tentava se lembrar do momento que tinha desmaiado. Mas não se lembrava, sua memória mostrava os acontecimentos em uma sequência perfeita, sem intervalos ou interrupções.
Oh Deus ele ia ficar louco, se lembrasse das mãos de Sherlock no seu corpo mais alguma vez ele iria surtar, devia ter alguma técnica para bloquear lembranças em algum lugar, ele já até tinha procurado até na internet, contudo suas buscas tinham sido infrutíferas.
Ele estava novamente contando os quadrados que tinha no papel de parede da sala quando seu celular vibrou informando uma mensagem recebida. Havia muito tempo que seu celular não tocava e John levou um susto. O loiro esticou o braço, pegou seu celular e leu a mensagem.
“ Lestrade estará ai em 20 minutos. Entregue a ele um envelope pardo que está em cima da mesa da cozinha.
S.H”.
John riu, agora ele era garoto de entregas? Ele já ia levantando quando recebeu outra mensagem.
“ Só o pacote, não toque em mais nada.
S.H”.
O loiro se indignou, e xingou.
- Scheiße ¹ — E seu celular vibrou de novo.
“ Muito bem John, xingar em alemão alivia o tédio.
S.H".
Xxxxx
Exatamente vinte minutos depois Lestrade estava subindo as escadas.
- Oi John! – O inspetor se aproximou e cumprimentou o médico. – Como está?
- Melhor Lestrade obrigado! – John sentou-se melhor na poltrona. – Sente-se, aceita um chá? – O inspetor sentou, mas ele parecia desconfortável. – Algum problema Greg?
- Hum não John. É só que... – Lestrade sentou na beirada da cadeira e se aproximou mais de John, ele olhou para os lados, parecia que ia contar um segredo. – Você vai demorar muito a voltar ajudar Sherlock nos casos?
- Hum não sei Greg, normalmente as costelas se calcificam com quatro semanas...
- QUATRO SEMANAS??? – John se assustou com a explosão de Lestrade. – Desculpe... – Ele parecia envergonhado.
- O que está havendo Greg?
- Sherlock... ele está deixando todo mundo louco, eu sei que o normal dele é deixar qualquer um maluco, mas ele está mais, mais insuportável John. Fora que ele chama todo mundo de John. – O loiro sentiu o rosto começar a esquentar. – Eu preciso muito das opiniões dele, mas eu não sei quanto tempo posso aguentar ele desse jeito. Ele parece que regrediu sem você por perto.
- Impressão sua Greg. – John disse.
- Você é a bússola moral dele, ele fica menos insuportável quando você está por perto. – O inspetor levantou e passou a mão pelos cabelos. – Anderson está tendo que ficar quilômetros de distância da cena do crime porque Sherlock se irrita até com a respiração dele. Eu não deixo Donovan se aproximar dele, pois da última vez Sherlock disse para Donovan usar uma toalha nos joelhos quando fosse à casa do Anderson fazer um..um... boq... um... ah.. deixa pra lá. – John riu.
- Desculpe, eu sei que não é motivo para rir.
O inspetor sentiu o celular vibrar.
- Desculpe John só um minuto. – Lestrade tirou o celular do bolso e viu que tinha recebido uma mensagem.
O inspetor leu e ficou vermelho, e tratou de apagar a mensagem do celular.
- Sherlock está aqui? – Ele perguntou.
- Não, ele saiu bem cedo, eu acho. – John franziu o cenho, ele não se lembrava da hora que seu amigo tinha saído.
- Na verdade ele me disse que você vinha pegar um envelope que está na cozinha, só um minuto que vou buscar. – O inspetor viu John fazer cara de dor quando se levantou. Em poucos minutos ele tinha voltado com um envelope nas mãos. – Você sabe o que tem ai dentro? – O loiro perguntou curioso.
- São umas análises que eu pedi a ele para fazer.
- E seu pessoal do laboratório? – John quis saber.
- Eles erraram em duas análises semana passada, e o assassino quase foi solto se não fosse por Sherlock ter visto irregularidades nos exames. Você pode imaginar como ele ficou feliz de jogar isso na cara do pessoal. E isso... – Lestrade mostrou o envelope para o loiro. – Isso vai me custar caro. – O inspetor riu sem humor.
- Por favor, John! Volte a ajudar Sherlock nos casos.
- Mas o que posso fazer? Eu ainda estou na terceira semana de recuperação.
- Não se incomoda de ficar aqui sem fazer nada o dia inteiro? – O inspetor perguntou.
- Eu não fico aqui sem fazer nada... – O loiro se indignou. — Ando... fazendo muita coisa. – Ele respondeu um pouco sem graça, e seu celular tocou informando nova mensagem.
“ É feio mentir, John.
S.H”.
John abriu a boca e xingou. Lestrade o olhou intrigado.
O loiro foi em direção a janela, ele olhava para fora tentando ver se via o amigo escondido em algum lugar.
- Você não sabe onde Sherlock está Greg?
- Não, não sei. Ele estava na cena de um crime comigo uma hora atrás, e saiu dizendo que precisava procurar alguma coisa em algum lugar. Você sabe como ele é. Sempre diz para onde vai e que horas vai voltar. – Lestrade disse sarcástico. John sorriu.
Xxxxxxxx
Já no final da terceira semana, John desistiu de ficar em casa e se aventurou na rua. Era bom sair e sentir o ar frio no rosto. Seu amigo tinha saído bem cedo e claro não se dignou a dizer para onde ia.
John andava por uma praça quando sentiu fome, e resolveu parar em uma cafeteria para tomar alguma coisa. Quando entrou percebeu que era a mesma cafeteria que tinha ido no mês passado. Ele reconheceu o rapaz que tinha lhe atendido e sorriu para ele, o atendente foi em sua direção todo sorridente.
- Bom dia, doutor Watson.
Como o rapaz sabia seu nome? John pensou.
- Bom dia... é...
- Sebastian, meu nome é Sebastian. – John sorriu sem jeito.
- O que o senhor deseja?
- Pode me chamar de John. – O loiro sorriu. – Um chá de hortelã e um pedaço de torta de... — John olhava para o cardápio tentando decidir qual comer.
- Se eu puder sugerir, a torta doce de prestigio está fantástica.
- Mas torta doce não é para quem está com o coração partido? – John brincou se lembrando da vez que tinha ido lá.
- Oh, você lembrou! – O atendente lhe deu um sorriso muito brilhante. Sebastian era alto, ele usava uma jaqueta de couro preta e uma camiseta branca por baixo. John pôde perceber que ele era magro, mas atlético, seu cabelo era claro um loiro quase branco, tinha uma boca sensual e incríveis olhos azuis. Boca sensual? John balançou a cabeça, quando começou a reparar em homens?
- Vou querer uma torta salgada, por favor. – Ele disse pegando um jornal para ler para disfarçar seu desconforto.
- Nada de coração partido hoje? – Sebastian perguntou em um tom tímido.
- OH não... nem naquele dia.
- Não? – O rapaz perguntou um pouco incrédulo. – Eu normalmente sou bom em ler as pessoas. Bom, deixa-me buscar seu pedido, só vai levar alguns minutos. – E saiu sorridente.
Alguns minutos depois como Sebastian havia dito, ele voltou com o pedido de John, o chá era simplesmente delicioso. O loiro pode perceber Sebastian o olhando de longe, e toda vez que passava por sua mesa lhe dava um sorriso. Mas algo no sorriso do rapaz o estava incomodando.
- Ele está flertando com você, John!
- JESUS que susto Sherlock! – John estava com a mão no peito e tinha os olhos arregalados. – Brotou da terra?
- Você faltou à aula de reprodução humana, John? – Sherlock perguntou com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
- Ah, cala a boca Sherlock! – John respondeu rindo.
O atendente se aproximou, ele olhava do detetive para o loiro.
- Bom dia, Sherlock! – Sebastian sorriu.
- Sebastian... – O detetive meneou a cabeça cumprimentando.
- O de sempre? – Ele perguntou já anotando o pedido sem esperar pela resposta.
- Sim. – O moreno simplesmente disse e pegou o jornal que John estava lendo, o loiro o olhou indignado.
- Só um minuto que já trago seu pedido. – Sebastian saiu e não estava mais sorrindo.
- Você sabe que ele é gay, não é John? E que está interessado em você! e ele deixou o telefone dele debaixo do prato da sua torta. – Sherlock comentou por sobre o jornal que estava lendo.
- Oh! – John olhou debaixo do prato da sua torta e tinha um bilhete com um telefone celular anotado em uma caligrafia bem bonita e rebuscado, o loiro ficou com a boca aberta.
- Sebastian é gay. – Seu amigo abaixou o jornal e olhou nos olhos do loiro.
- O que tem isso? – John não estava entendendo onde Sherlock queria chegar com aquele assunto da orientação sexual do rapaz da cafeteria.
- Achei que você... – o moreno parou o que estava falando, para depois continuar. – Ohhh agora entendo, você é Bi. – Sherlock voltou a ler seu jornal. – Ou você ainda não decidiu que orientação seguir.
- Eu o quê? – John sentia o rosto queimar.
- É normal. – O moreno disse.
- Sherlock que conversa mais sem pé nem cabeça é essa?
E antes que o moreno respondesse Sebastian chegou com o seu pedido. John preferiu ignora a conversa anterior. Seu amigo lia o jornal, John viu a reportagem:
“Impeachment destitui Fernando Lugo da Presidência do Paraguai”
- Nossa, mais um presidente deposto. – Nossa... conversando sobre política? Ele devia está muito desesperado para escutar a voz de Sherlock. John se chutou mentalmente.
- Mycroft devia estar entediado.
- Como? O que tem Mycroft com isso? – John apontou para a reportagem.
- Quando meu irmão está com raiva ele autoriza guerras, quando está entediado ele derruba presidentes. – Sherlock disse isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Mycroft trabalha para o governo britânico, o que ele tem haver com outros países?
- Consultor nas horas vagas... vamos mudar de assunto, conversar sobre Mycroft é chato e me irrita.
Eles ficaram na cafeteria por um tempo, John sentia tanta falta da presença do seu amigo no apartamento, os casos interessantes pareciam pipocar de todos os lados depois que ele tinha se machucado e Sherlock ficava fora a maior parte do tempo, e ele ficava no apartamento sozinho. Então ele ficou conversando com Sherlock o maior tempo que conseguiu até que o moreno pediu para John ficar calado, pois ele estava ficando com dor de cabeça. John tinha rido, até disso ele sentia falta. O moreno olhava para ele confuso vendo o sorriso em seu rosto.
O Loiro pediu a conta para Sebastian e o atendente trouxe, John pagou e ia se levantando quando o rapaz puxou conversa novamente.
- Você podia voltar amanha John. Vai sair uma torta maravilhosa, tenho certeza que vai adorar.– Sebastian disse com uma voz sensual, Sherlock o olhou por alguns segundos e saiu da cafeteria deixando John para trás.
John teve que correr para alcançá-lo.
- Sherlock, por que não me esperou? Você sabe que não posso correr. – O loiro disse sem entender o que tinha acontecido.
- Tenho mais o que fazer. – O moreno disse carrancudo.
- O quê? Está interessado no rapaz e está assim porque ele parece preferir a mim a você? – John disse brincando, Sherlock parou e John trombou em suas costas.
- Ai, Sherlock, não pare assim do nada.
- John eu já disse que não estou interessado e como disse no dia que te conheci, sou casado com meu trabalho. — E continuou andando.
- Sei... – John disse desconfiado. Algo na reação de Sherlock tinha sido estranha... era quase como se ele.. se ele... estivesse com... Não... ele devia tá vendo coisas.
Quarta Semana:
Os casos interessantes tinham sessado, dois dias e nada. John começou a sentir falta do silêncio do apartamento sem a presença de Sherlock. Seu amigo estava entediado e nesse momento estava tocando algo em seu violino. Era alguma música que John não conhecia, eram notas agudas e rápidas e estavam quase estourando os tímpanos do loiro, Sherlock devia está fazendo de proposito.
- Sherlock pelo amor de DEUS para com isso! – John disse por fim não aguentando mais o barulho. E no mesmo minuto Sherlock parou e olhou para ele com um sorriso no canto dos lábios. – O que foi?
- Estava vendo quanto tempo você aguentaria o barulho. – E se jogou no sofá, ele estava vestido seu roupão roxo.
- O quê? – o loiro perguntou indignado.
- Estou entediado John! O que aconteceu com os bandidos dessa cidade?
- Você deve ter pego todos nas últimas quatro semanas. – John queria que seu tom de voz não tivesse saído tão sentimental. Sherlock o olhou.
- Tem algo que queira compartilhar John?
- Eu? Não. – Ele voltou para seu jornal.
- Vejo que mesmo após as quatro semanas suas costelas ainda o incomodam, por quê? – O moreno comentou voltando sua atenção para John.
- Você está preocupado comigo ou está usando o assunto para acabar com o seu tédio?
- Tédio. – Sherlock disse depois de pensar um pouco.
- Ah vai pro inferno Sherlock. Você tem algum tipo de prazer de me ver com raiva?
- Não, pois quando você está com raiva você não faz chá pra mim. Você não devia subir as escadas com as costelas desse jeito.
- Como? – John ficou confuso com a mudança de assunto.
- Suas costelas John, estão assim por você não ter ficado de repouso adequadamente e ficou subindo e descendo as escadas.
- Meu quarto é no andar de cima Sherlock, logo eu tenho que subir as malditas escadas.
- Por que não dormiu no meu quarto? – John cuspiu o chá que estava tomando.
- Perdão como? – o loiro achou que estava escutando demais.
- Meu quarto John, devia ter dormido nele para não lesionar mais suas costelas.
- O quê? Na mesma cama com você? – John deve vontade de se socar quando terminou de falar.
- Tem quanto tempo que moramos juntos John?
- Quase um ano. – o loiro respondeu sem entender o que isso tinha haver com a suas costelas.
- Quase um ano e você não sabe que eu praticamente não durmo? Que posso passar mais de uma semana sem necessitar de descanso? Ou que quando preciso dormir ou pensar sobre algum caso eu fico aqui mesmo no sofá?
- Claro que eu sei Sherlock — John disse indignado. – Eu sei disso tudo, várias vezes eu levantei de madrugada fiz chá para você e coloquei do seu lado enquanto você estava em seu “palácio mental” ou você acha que canecas de chá aparecem do nada? E as poucas vezes que você se dignifica a dormir eu sempre coloco um cobertor em cima de você para que não pegue uma gripe por causa do frio. – John olhou para Sherlock, seu amigo estava sorrindo.
- Você estava me testando? Seu filho da mãe.
- Fico feliz que saiba dos meus hábitos. Mas se você sabe, não entendo porque não usou minha cama. Era só ter pedido, o lhe incomoda John? – Sherlock se levantou do sofá e se aproximou do loiro. John estava sentado em sua poltrona vermelha e desbotada, ele viu Sherlock se aproximar lentamente. Ele se abaixou e colocou as mãos nos braços da poltrona o aprisionando, ficando a poucos centímetros do loiro.
John podia sentir a respiração do moreno sobre seu rosto, ele podia ver aqueles olhos tão azuis tentando ler sua alma, John apertou a mão no braço da poltrona, pois tinha sentindo uma vontade louca de colocar as mãos naqueles cachos negros. Sentiu uma vontade insana de puxá-lo pra si pela nuca e provar daqueles lábios, oh os lábios... John percebeu que estava perdido quando olhou para os lábios de Sherlock, tão vermelhos e tão perto e extremamente convidativos e completamente irresistíveis. John sem nem perceber se aproximou do rosto do moreno e umedeceu os lábios com a língua.
Sherlock o olhava fixamente e provavelmente via seu rosto vermelho, suas pupilas dilatadas, sua respiração entrecortada, seus narizes estavam quase se tocando. Seu amigo se aproximou mais inclinando o rosto, John fechou os olhos em expectativa, mas por vários segundos nada aconteceu. Quando abriu os olhos, Sherlock estava do outro lado da sala próximo a janela, ele tinha puxado a cortina.
- Lestrade... – Ele disse. – Deve ter acontecido algum assassinato.
John olhava para Sherlock sem saber o que tinha acontecido. O que era aquela sensação de aperto no peito? Uma dor tão profunda, ele sentia uma frustação que não tinha tamanho, se sentia magoado. O que ele achou que ia acontecer? Que Sherlock iria beijá-lo e declarar amor eterno? Era isso que ele achou que ia acontecer? Ele riu internamente.
Se algum dia Sherlock se interessasse por alguém, essa pessoa não seria ele, John Watson. Seu amigo era um homem brilhante, extremamente inteligente, músico talentoso. O que quer que ele fizesse sairia perfeito, ele era perfeito, para ele. O que ele iria querer com um homem como ele? Estatura mediana, afastado do serviço militar por invalidez, com problemas de confiança, problemas psicológicos, e que nem conseguia se sustentar direito?
- John?
O loiro escutou a voz de seu amigo lhe arrancando de seus devaneios.
- O que estamos esperando? – John engoliu o que estava sentindo, enterrou a dor que lhe consumia no fundo de sua mente e pensou. Mycroft estava certo o tempo todo, ele sentia os olhos arderem, ele piscou tentando afastar as lágrimas. Ele olhou para Sherlock, seu amigo tinha um olhar confuso e parecia frustrado com alguma coisa. — Temos um crime para desvendar. – John tentou parecer animado, se levantou e ao passar por seu amigo para pegar sua jaqueta Sherlock segurou seu braço.
- John...
- Sherlock! – Lestrade chamou da porta ainda respirando com dificuldade por ter subido as escadas correndo. – Um assassinato...
- Quais são as circunstancias? – Sherlock perguntou sem tirar os olhos de John ou mesmo largar seu braço. Lestrade tirou um caderno do bolso do casaco e leu:
- Mulher branca, provavelmente trinta e poucos anos...
- Não, o estado do corpo. – ele continuou onde estava, John sentia os dedos de Sherlock como garras de aço em seu braço, ele não iria deixá-lo ir dessa vez. Como iria sair daquela situação sem se expor?
- Ah ok, encontrada num beco, sem roupas ou pertences, foi brutalmente violentada e foi encontrada sem coração.
Ao ouvir a frase “ foi encontrada sem coração” Sherlock desviou os olhos de John e olhou para o inspetor, o aperto no braço de John foi diminuindo.
- Sem coração? – O moreno perguntou. – Hum crime passional, brutalmente passional, ele queria acabar com a vítima de todas as formas.
- E conseguiu não é Sherlock, ele arrancou o coração dela. – Lestrade disse sem paciência. – Você vem?
- Claro, me dê alguns minutos e já vamos. – Lestrade ouviu a frase e sentiu como se tivesse ganhado na loteria.
- John vem junto, não é? – Lestrade perguntou tentando não parecer ansioso demais.
- Claro, ele já está bem recuperado, não é John?
- Sim, claro que vou. – John se viu concordando, o que ele estava fazendo? Naquele momento ele queria distância.
- Então espero vocês. – Lestrade saiu.
- Dessa vez você não vai fugir. Quando voltarmos nós vamos conversar. – Sherlock soltou o braço de John e pegou seu cachecol e seu casaco e saiu, logo em seguida John o seguiu.
xxxxxxx
Eles chegaram à cena do crime, era um beco escuro e sujo. O que uma moça poderia está fazendo em um local tão medonho? será que era uma prostituta? Sherlock tinha ido à frente e estava conversando com Lestrade, John tinha ficado para trás para vestir a roupa azul para não contaminar a cena do crime. Mais alguém tinha morrido e conforme Lestrade tinha dito não se parecia com as mortes do homem bomba, pois a vitima tinha sido encontrada sem coração.
Quando John chegou ele viu um corpo de mulher nua deitado de bruços. John nunca tinha se acostumado a ver corpos de mulheres sem vida, aquilo sempre lhe incomodou desde a época da faculdade.
A mulher era jovem e loira, os cabelos tão claros quanto os de John. Sherlock estava pairando sobre o corpo da mulher, vendo todos os detalhes em volta da mulher morta. John estava tão absorto na imagem da mulher que não tinha visto Sherlock hesitar por um momento.
Algo incomodou John naquela cena. Ele se aproximou devagar, viu uma marca nas costas da mulher. John sentiu o peito doer, não... não podia ser.
Seu amigo tinha parado de olhar o corpo da mulher, e se virou olhando para John. Ele olhava de John para o corpo no chão, ele olhou para Lestrade.
- Sherlock... – John disse numa voz débil... ele se aproximava do corpo.
O detetive saiu da cena do crime e foi em direção a John.
- Não se aproxime John, você não precisa ver isso. — O loiro olhava para Sherlock, e lá estava a verdade naqueles olhos tão azuis que ele aprendeu a ler...
John sentiu os braços de Sherlock o segurando, pois suas pernas fraquejaram...
- Não... não pode ser ela.
- Sim John é ela... é a sua irmã.
O ar sumiu dos pulmões de John, ele se sentia tonto, não... não podia ser Harriet jogada ali no chão, fria, sem vida.
John tentava se levantar e se soltar dos braços de Sherlock.
- Me larga Sherlock! – Ele tentava se soltar.
- Você não precisa ver isso John, você não pode fazer mais nada por ela, ela já morta.
John parou de lutar, ele olhava para aqueles olhos azuis tentando ver algo que não existia ali. Empatia. O loiro não conseguiu se segurar, fechou os punhos e acertou o rosto de Sherlock com um murro.
John viu a marca que deixou no rosto do amigo, o moreno não disse nada, só tinha levado a mão ao rosto.
- Ela pode estar morta, e eu SEI que não posso fazer nada por ela, mas ela é minha irmã Sherlock, minha irmã!! Tenha um pouco de compaixão.
John se afastou e foi em direção a cena do crime, todos que estavam próximos se afastaram, Donovan e Anderson ficaram olhando de longe e comentando aos sussurros.
John se aproximou do corpo da irmã, ela estava nua. Tinha ferimentos nos pulsos, pernas, coxas, e nas partes íntimas. John respirou fundo e se lembrou do que Lestrade tinha dito no apartamento, a vítima tinha sido brutalmente violentada. John soluçou. Ele olhou para o tórax da irmã e viu o local onde deveria estar seu coração, era uma visão hedionda. John se levantou, tirou o casaco e colocou-o sobre o corpo da irmã. Quando sentiu as lágrimas descendo pelo seu rosto, ele se virou rápido e ficou de costas para o corpo da irmã.
John ficou parado vários segundos sentindo os soluços balançar seu corpo. Ele sentiu alguém se aproximar e quando levantou o rosto viu Sherlock e ele ficou parado a sua frente. John queria bater, xingar, mas quando deu por si ele se aproximou de seu amigo, encostou a testa no peito de Sherlock e o abraçou. Ele sentiu o corpo de Sherlock ficar tenso em contato com o seu, ele afundou mais o rosto no peito do moreno e chorou mais.
Sherlock parecia não saber o que fazer e ele não se importou, ele não se importou com as outras pessoas falando e cochichando, ele só precisava chorar. Depois de alguns segundos ele sentiu Sherlock relaxar e o abraçar de volta.
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Depois da sua ida a cena do crime suas memórias eram confusas. Ele não se lembrava de como tinha saído do beco, não se lembrava se tinha ido para casa, se tinha ligado para os seus pais, ou quem tinha organizado o velório, ou como o corpo de Harriet tinha sido liberado tão rápido para o enterro. Ele não se lembrava de nada, ele se sentia dopado, entorpecido, quase sem vida.
E ele não tinha visto Sherlock desde a cena do crime
Ele estava no velório. Várias pessoas passavam, colegas de escola, da sua infância e de Harriet. Alguns conhecidos da faculdade, e do exercito. Sua mãe e seu pai estavam na cabeceira do caixão de Harriet, sua mãe chorava, seu pai estava forte como uma rocha ao seu lado. John estava sentado em uma cadeira no fundo da sala, ele não via nada, seu cérebro não estava registrando nada. Ele sentiu uma mão em seu ombro ele fechou os olhos e quando olhou para cima viu Mycroft Holmes.
- Posso me sentar com você John? – John olhou para ele e balançou a cabeça, e não disse uma palavra.
- Sinto pela sua perda. – Mycroft disse com uma voz calma.
- Sente? – John riu. – Para sentir você precisa ter sentimentos Mycroft. – O loiro disse sem se preocupar se tinha sido rude ou não. Ele voltou sua atenção para seus pais.
- Entendo seu ponto de vista John. Mas...
John ignorou Mycroft ao ouvir a porta do salão onde estava sendo o velório abrir. Uma pontada de esperança o inundou e quando ele olhou para porta uma pessoa desconhecida entrou. O loiro suspirou e voltou a olhar para os seus pais.
- Ele não virá John. – Mycroft disse brincando com a ponta do seu guarda chuva.
- Eu não te perguntei nada e não me interessa se ele vem ou não.
- Então por que olhou para a porta esperando vê-lo? John eu te disse...
- Eu sei o que você disse Mycroft, eu me lembro de cada porcaria de palavra que você disse... – John alterou o tom de voz. – E você estava certo, era isso que queria ouvir? Então, você estava certo, está satisfeito? Agora pode ir embora e durma feliz.
- Apesar de você pensar o contrário, não me satisfaço com a sua tristeza John.
- Não se preocupe, não vou pular da ponte.
- Eu sei que não.
Algo na voz de Mycroft o fez voltar sua atenção para ele. John o olhou, ele estava digitando alguma coisa no seu celular. O loiro lembrou-se de que Sherlock lhe disse que Mycroft só mandava textos quando não podia falar.
- Bom, tenho que ir. – Mycroft se levantou e John fez o mesmo. – Não seja muito duro com ele. Com Sherlock.
- Onde ele está? – John perguntou.
- Ele está no lugar que precisa estar John. – Mycroft disse misterioso. John se irritou com a resposta.
- Ele devia estar ao meu lado Mycroft, do MEU lado! Minha irmã morreu, ela foi assassinada! Ele é a porcaria do meu melhor amigo e melhores amigos apóiam uns aos outros. – John sentia os olhos arderem então virou o rosto, não queria que aquele homem tão frio o visse chorando. John arregalou os olhos quando sentiu uma mão no seu rosto, onde uma lágrima tinha descido.
Ele virou o rosto em direção a Mycroft, ele viu o Holmes mais velho olhar para a lágrima em seu dedo.
- Eu te avisei, e eu realmente queria muito estar errado dessa vez. – John sentiu seu estômago afundar.
- Mas ele se importa John, do jeito dele, mas se importa. E nesse caso quem saiu perdendo fui eu. – John o olhou sem entender o que ele queria dizer com aquilo. Mycroft saiu sem dizer mais nada.
O enterro decorreu sem maiores transtornos e em nenhum momento John viu Sherlock. Ele se sentia tão sozinho e vazio.
Seu pai estava abatido, e quando todos tinham ido embora ele se aproximou do filho.
- Você está bem John? – Henry perguntou.
- Sim pai. – John respondeu de forma seca.
- Hum você não quer ficar lá em casa um tempo? – O Watson pai perguntou. Ele sentia que seu filho não estava bem; nunca o tinha visto chorar em nenhum momento. John nunca dizia o que estava realmente sentindo, ele guardava tudo pra si. E isso iria acabar com ele algum dia.
- Então agradeça a seu amigo por mim.
- Como pai? Agradecer? Por quê?
- O enterro foi todo por conta da família Holmes. E até a liberação do corpo dela foi mais rápida porque eles solicitaram. Seu amigo inspetor disse que vai dar prioridade no caso da sua irmã. – Henry limpou a garganta, ele parecia emocionado. — Agradeça a eles por mim. Eu já vou meu filho, sua mãe não está bem.
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John tinha ido para casa, o apartamento estava vazio e silencioso. John subiu para o seu quarto e ficou vários minutos no meio do quarto sem saber o que fazer. Não tinha animo para nada, então ele jogou uma pasta que tinha nas mãos no chão e caminhou em direção à cama. Tirou sua roupa ficando só com sua roupa de baixo e contrariando sua formação militar jogou-as no chão e se deitou.
Ele pegou seu travesseiro e abraçou. Ele queria chorar, mas as lagrimas não vinham. Seu peito parecia que ia explodir. Por que ela? O que ela estava fazendo naquele lugar imundo? O que ela poderia precisar ali? Ele sabia que Harriet tinha voltado a beber, mas o que tinha aquele lugar? Ou será que ela tinha sido sequestrada?
John se odiou com todas as forças, ele resolvia casos com Sherlock, eles já tinham salvado várias pessoas e não pode salvar sua única irmã? Ele esmurrou o travesseiro e gritou de frustração. Por que aquela sensação não ia embora? Era a mesma sensação de inutilidade que sentiu quando voltou do Afeganistão.
Ele se levantou e pegou a pasta que tinha jogado no chão, ele a abriu. Era o dossiê de Harriet e mostrava fotos do corpo de sua irmã. John sentiu o aperto no peito aumentar, ele estava lendo a análise do legista que provavelmente tinha sido Anderson. Ela tinha sido brutalmente torturada e violentada, várias marcas podiam ser vistas nas fotos. Mas não tinha sido encontrado sêmen no corpo dela e nem traços de DNA para localizar o assassino. Mas John sabia que estava falando informações ali, não tinha nada ali de Sherlock. Sua frustração aumentou e jogou a pasta longe de encontro com a parede.
Ele sentiu o desespero tomar conta. Ele não podia deixar isso acontecer, não podia. Ele pensou em Sherlock e pensar no amigo fazia a dor aumentar, o que mais podia dar errado em sua vida?
Tinha ido para guerra, se machucou, quase morreu, voltou, entrou em depressão, sua irmã morreu e agora ele sabia que estava apaixonado pelo seu único e melhor amigo. Não tinha como esse amor ser correspondido, pois Sherlock preferia não sentir. E ele era quem para achar que Sherlock poderia reparar nele?
Por mais que ele tentasse as lágrimas não vinham. Ele pegou seu roupão que estava na cabeceira da cama, foi em direção à sala, mexeu na estante e tirou alguns livros do lugar. Acabou encontrando uma garrafa de conhaque e John sabia que um dia iria precisar daquilo.
Várias horas depois e uma garrafa estava quase vazia. John se sentia tonto, enjoado e terrivelmente pior. Mesmo assim ele não conseguia colocar para fora o que o estava sufocando. Ele estava sentado em sua cama, olhava para a parede sem ver realmente, não percebeu quando a porta do seu quarto foi aberta e uma mão lhe tirou a garrafa do colo.
- Você tomou isso tudo? – Sherlock perguntou parecendo entre irritado e surpreso.
- O que... v..o.ce.. táfa..znedo a..qui? – John disse sua língua não parecia querer colaborar, ele se sentia muito bêbado, como as pessoas gostavam daquilo?
- Eu queria lhe ...
- Por ..q.ue.. voc.ceee ... nn..aaa..oofoiii. Nooentereeer...rrr..o.. – John tentou se levantar, mas tropeçou nas pernas e quase caiu se não fosse Sherlock o segurar.
- Eu estava...
John não deixou o moreno terminar. Ele respirou fundo e tentou não gaguejar.
- Você é meu me..l..hor amigo Sher..lo..ck.. MEU a..mi..go.. vocêde..via.. es..t..rar... lá.... – Ele empurrou Sherlock. – Saia... n..a..o que..r..oot.e.. v..er.. – Ele se soltou do moreno e foi tropeçando para a cama.
Sherlock saiu do quarto sem falar nada.
Muito tempo depois, John se sentia um lixo. Sua cabeça estava explodindo, tinha colocado o travesseiro sobre sua cabeça e quase não escutou o seu celular vibrar. Ele gemeu, esticou o braço sobre a cama e pegou o celular. Viu que tinha recebido uma mensagem. Ele forçou as vistas e a leu:
“ Você está melhor?
S.H”
Sherlock estava lhe mandando mensagens? Mas que porcaria.
“ Por que está me mandando mensagens se estamos no mesmo apartamento?
J.W”.
“ Você disse que não queria me ver.
S.H”
John piscou.
“ O que quer?
J.W”
“ O assassino da sua irmã está preso.
S.H”
“ Como assim o assassino da minha irmã está preso?
J.W”
“ A bebida deve estar afetando seus olhos, não leu minha mensagem anterior? Sim ele está preso, enquanto você estava no velório eu estava procurando quem a matou.
S.H”
“ Foi por isso que você não foi? Por que não disse?
J.W”
“ Você não deixou.
S.H”
O homem que tinha matado sua irmã estava preso. John sentiu a mão que apertava seu coração sumir aos poucos, ela seria vingada, ela teria justiça.
“ John, você está bem?
S.H”
Ele sentia o peito doer, como ele tinha sido ingrato! seu amigo estava lá fora se arriscando por sua causa e ele achando que Sherlock não se importava. Sua respiração estava irregular.
“ John?
S.H”
Quando John sentiu as lágrimas molharem seu rosto a porta do seu quarto se abriu e Sherlock entrou. Ele se aproximou da cama. John tentou chorar de várias formas para ver se a dor que sentia sumia, e agora que ele tinha conseguido ele não queria, não queria chorar na frente de Sherlock. Seu amigo lhe olhava e ele parecia não saber o que fazer. Ele achava que Sherlock devia estar vendo sua angustia, sua dor, seu desespero. John era pura emoção.
- Me diga o que fazer? – Sherlock pediu. John engoliu em seco, as lagrimas começaram a descer mais forte, John agora soluçava. E entre um soluço e outro ele conseguiu dizer.
- Apenas... me abrace.
Sherlock se aproximou da cama e o abraçou de forma tímida de como alguém que nunca tinha feito aquilo antes, John sentiu o perfume de seu amigo de encontro ao seu rosto, ele abraçou Sherlock como um naufrago perdido no oceano, se aconchegou mais ao seu corpo.
John deixou o choro sair, ele chorou por sua irmã morta, chorou por não ter tido a chance de dizer que a amava, chorou por não estar ao lado dela quando se separou, ou lhe ajudado com o problema da bebida, por não estar ao seu lado em seu último suspiro e chorou principalmente por não tê-la protegido.
- Você não tem culpa John. Não poderia prever que isso tudo ia acontecer a ela.
John chorava, ele sentia seu corpo tremer por causa dos soluços. Sherlock segurava seu corpo trêmulo ele passava a mão por seu cabelo.
Depois de muito tempo quando estava um pouco mais controlado, ele falou com seu amigo.
- Obrigado por achar o assassino da minha irmã. – Ele disse com o rosto enfiado ainda no peito de Sherlock, ele sentia o cheiro do amigo e era tão bom.
- Eu não fiz isso para vingá-la. Eu não me importo. – John se mexeu desconfortável. – Eu fiz isso por você John.
John sentiu um sorriso se formar em seu rosto e o mundo naquele momento não pareceu tão cinza.
Continua...
Nota da autora: Oie pessoal!! \\o\\... esse é o sexto capitulo da fic, espero que tenham gostado. E espero que não me odeiem por matar a irmã do John, foi por uma causa nobre xD
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi: Cintia, Bentinho, Moe, Yuna, Aurora e AyyaChan.
E agradeço a Anabellemor por ter favoritado a fic, por que não deixou um comentário? Ç__Ç
Queria agradecer a minha irmã a SHOLMES que é super fofa, que leu o capitulo primeiro, surtou horrores e betou a fic pra mim \\o\\....mas se sobraram alguns erros, se lembrem, eles são todos meus.. @_@
E faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida!! \\o/
Devo atualizar no dia 07/07, no sábado.
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Próximo capitulo: Vamos descobrir como Sherlock achou o assassino da irmã de John, vamos ter noticias do homem bomba. E John terá vários pesadelos.
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Cenas do próximo capítulo:
John gritou, e acordou. Ele sentia o suor por seu corpo ele respirava com dificuldade.
- John? – Sherlock entrou no quarto do loiro.
O loiro olhou para o amigo.
- Desculpe eu tive um pesadelo com a morte de Harriet. Sinto muito.
Sherlock ia saindo, John se enroscou na cama, ele colocou o travesseiro sobre a cabeça e gemeu. Ele sentiu seu colchão abaixar um pouco. Sherlock estava ao seu lado.
- Quer companhia para dormir? – John o olhou incrédulo, mas balançou a cabeça, ele não confiança na sua fala naquele momento.
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