Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem

5 Capítulo 5 - Tempo de Enganar


Notas iniciais
AVISOS: Estava fic tem o conteudo SLASH, quer dizer relacioamentos entre homens, não gosta, por favor não leia..
Nesse capitulo vamos descobrir o que houve no prédio, será que vamos ter algumas mãos boba? E será que Sherlock vai descobrir por que John estava gemendo seu nome?
Enjoy!!!!

Tempo de enganar

A primeira coisa que John sentiu ao abrir os olhos foi uma dor profunda nas costelas. Ele andava se machucando muito ultimamente, o que tinha acontecido? Estava escuro e ele sentia algo em seu tórax que o impedia de respirar direito; por fim percebeu que não conseguia se mover.

Ele tentou enxergar naquela escuridão, mas ainda não conseguia ver nada. Como era um soldado treinado ele empurrou toda a onda de pânico que começou a sentir para o fundo da mente. Tentou lembrar-se do que tinha acontecido ou de onde estava, mas naquela escuridão, o peso em seu tórax e sua imobilidade estava ajudando sua imaginação a criar cenários nada agradáveis.

John devia ter batido a cabeça em algum lugar, ele se sentia levemente tonto e desorientado. Sentiu o sangue gelar quando percebeu que o que estava prendendo-o ao chão, respirava.

- Oh meu Deus! – Ele sentiu um leve perfume de sabonete o que foi suficiente para ativar sua memória. – Sherlock. – As lembranças vieram a sua mente. Lembrava de Sherlock gritando para ele não se mover, do detetive tentando ir a sua direção, mas o chão embaixo deles tinha sumido. Seu ouvido ainda zumbia um pouco por causa do barulho. Como ainda estavam vivos?

- Sherlock? – O loiro percebeu que seu amigo não se mexia, sua respiração era irregular. – Sherlock está me ouvindo? – Seu amigo estava sobre ele, com o rosto na curva de seu pescoço, o cabelo do moreno fazia cócegas em seu rosto, tinham um cheiro bom e eram macios como tinha imaginado.

- Que inferno! – John xingou. Eles estavam presos sabe-se lá onde, não conseguia se mover, Sherlock estava desacordado e ele só pensava em como os cabelos de seu amigo cheiravam bem e como eram macios? Ele devia ir direto pro inferno.

Será que o barulho que havia escutado tinha sido uma bomba? Se fosse o caso, era sorte eles estarem vivos, o prédio parecia que tinha ido a baixo. Mas onde estavam?

John tentou lembrar-se dos procedimentos padrões para situações como aquela, ele sentia dor, não conseguia se mover, não sabia se era por causa do peso de Sherlock sobre seu corpo ou se tinha quebrado algo.

Ele tentou mexer seu corpo aos poucos, começando pelos dedos dos pés, dedos dos pés ok, então não tinha quebrado os pés ou as pernas o que queria dizer que não tinha uma lesão mais séria na coluna; bom era o que ele achava no momento. Tentou mexer os dedos e mãos, um pouco dos braços, pois não conseguia se mexer direito com Sherlock em cima dele. Seu amigo era magro, mas pesava consideravelmente ele pode perceber.

Quando ele se mexeu um pouco para o lado tentando tirar seu amigo de cima dele, sentiu uma dor excruciante do lado.

- Oh inferno! – Ele xingou, provavelmente tinha quebrado alguma costela, ou estava muito machucado, ou algum pedaço de qualquer coisa tinha entrado em sua pele. Ele moveu a mão aos poucos tentando passar os dedos por suas costelas e sentiu algo molhado e pegajoso, seria sangue? Ele tentou levar os dedos ao nariz para cheirar, mas não conseguiu.

Ele tentou mover-se novamente, abriu um pouco as pernas, e ao fazer isso a coxa do moreno foi parar em cima da sua virilha.

- Oh Deus! – O loiro gemeu. O que mais podia acontecer?

Ele se lembrou do episódio do banheiro, de como tinha ficado excitado com as imagens em sua cabeça, de que seu amigo tinha aparecido e o interrompido, e agora isso. Ele riu. Alguém lá em cima não gostava dele ou tinha o humor muito negro.

- Sim, oh claro, vamos fazer John Watson sofrer! vamos fazê-lo ir para o Afeganistão, levar um tiro e vamos quase matá-lo, depois vamos fazer ele quase entrar em depressão, depois vamos fazê-lo encontrar um ser humano maravilhoso, para só então fazê-lo perceber que ele não pode tê-lo, mas que está irremediavelmente apai...

- Humm.. – Sherlock gemeu. Seu amigo se mexeu e sua coxa foi mais de encontro a sua virilha.

- Oh Deus Sherlock não se mexa! – Ele fechou os olhos e pensou que realmente ele devia ir direto para o inferno.

- Johnnn... – Seu amigo disse com a voz rouca e tentou se mover.

- Sherlock PELO AMOR DE DEUS FIQUE PARADO UNS SEGUNDOS. – Seu amigo parou de tentar se levantar, com certeza tinha sentido algo duro sobre sua coxa. John queria morrer, ele estava querendo muito isso ultimamente.

- Sobrevivemos à explosão. – Seu amigo disse com uma voz rouca e um pouco entorpecida. – Algum dano permanente, John?

- Só no meu orgulho.

- Perdão, como?

- Nada Sherlock.

- Posso tentar me mover agora? – O moreno perguntou já totalmente desperto — Pelo que percebo da sua respiração, sofreu algum dano nas costelas. – Seu amigo disse sobre seu pescoço.

- Sim, você pode se mover, mas cuidado, não sei a extensão dos danos, não sei se quebrei ou se tem algo cravado na minha pele. — Quando Sherlock fez menção de se levantar John prendeu a respiração. Seu amigo se levantou e quando saiu de cima dele um frio intenso o afligiu.

Agora ele conseguiu respirar direito, mas a dor aumentou.

- Consegue se mover, John? – A voz de Sherlock estava bem próxima a ele.

- Consigo, acho. – O loiro fechou os olhos.

- Vamos, vou ajudá-lo a se levantar. – Seu amigo se aproximou e pegou em seu braço.

Depois de algumas tentativas, John estava sentado e encostado à parede. Seus olhos tinham se acostumado à escuridão. Eles estavam no que parecia ser uma garagem no subsolo do prédio. Eles só não tinham sido esmagados pelas paredes e escombros por causa de uma pilastra que tinha no meio do caminho, mas que não parecia que ia durar muito tempo, pois rangidos e estalos eram ouvidos a todo o momento.

- Me deixa ver como estão suas costelas. – Sherlock abriu as várias blusas que John estava usando.

- Sherlock você não é médico. – John tentava não pensar em como a forma em que seu amigo abria os botões das suas blusas era tão sensual com sua mão grande e os seus dedos longos. Ele balançou a cabeça tentando afastar aquele pensamento.

- Não sou médico, mas conheço bem a anatomia humana para lhe dizer o real dano nas suas costelas. – O loiro sentiu os dedos de Sherlock tocar suas costelas, ele pressionou e apertou, John mordeu os lábios para evitar gritar. – Você tem possivelmente duas costelas quebradas, uma eu tenho certeza, mas a outra só com raios-X. Temos que imobilizar para evitar que elas perfurem seus pulmões.

Duas costelas? Deus isso era mal.

- Desculpe. – O moreno disse.

- Como?

- Suas costelas...

- O que têm elas?

- Se quebraram provavelmente devido à absorção do impacto dos nossos corpos no chão, você absorveu todo o impacto por eu ter caído sem cima de você. – O moreno se levantou e parecia procurar algo.

- Então eu peço desculpas também. – Seu amigo parou de fazer o que quer quê estivesse fazendo e se voltou na direção de onde tinha deixado John.

- Por que você está pedindo desculpas?

- Suas costas... — O loiro apenas disse isso e se calou, o moreno voltou a se mover. – Suas costas estão machucadas, não tiveram um dano maior por causa do seu casaco, mas ainda sim estão machucadas, por você ter ficado em cima de mim, todos os escombros caíram sobre você. Você me protegeu.

- Não sei do que está falando. – Sherlock voltou a se movimentar. John riu.

- O que está fazendo Sherlock?

- Estou procurando madeira adequada para fazer uma tala para suas costelas.

- Oh. – Foi só o que John conseguiu dizer, ele levou a mão aos botões da blusa para fechar, pois ele sentia muito frio, mas a voz de seu amigo o fez parar.

- Não feche a blusa John! ainda tenho que fazer a tala, mas se fechar vou ter que ter o trabalho de abrir de novo. — John suspirou, ele se sentia tão nu daquele jeito com o abdômen a mostra; ele devia ter feito um pouco de academia quando voltou do Afeganistão.

- Já te vi nu John, e você está bastante vestido agora. – John olhou para o lado, lembrou-se do banheiro novamente. Quando Sherlock iria tocar no assunto? Ele devia estar fazendo de propósito só para atormentá-lo.

Depois de alguns minutos, Sherlock tinha voltado com alguns pedaços de madeira, e parecia procurar mais alguma coisa.

- O que está procurando? – Seu amigo tinha sentando no chão ao seu lado.

- Preciso de algo para prender a tala no seu tórax. — Ele pensou por alguns segundos e depois tirou o cachecol do pescoço, e começou a rasgá-lo em tiras e emendou um pedaço no outro. – Preciso que se deite para eu fazer isso John.

O loiro começou a se mover e seu amigo o ajudou a se deitar. Começou a colocar a tala no lugar e a amarrar e fazer pressão nos lugares certos. John ficou observando os movimentos de seu amigo, era tão graciosos e precisos. Ele teria sido um ótimo cirurgião com mãos tão hábeis e firmes, mas ele preferiu trabalhar com o cérebro, ser médico deveria ser por demais entediante para ele. John sorriu.

- Está com febre e já começou a delirar John? – O loiro percebeu um leve tom de humor na voz de seu amigo.

Depois que seu amigo havia colocado as talas, ele conseguiu respirar um pouco melhor e a dor diminuiu um pouco. John olhava para Sherlock de vez em quando. Ele sabia que as costas de seu amigo estavam bem machucadas, mas ele não tinha se queixado em nenhum momento.

- O que foi John? Não para de olhar para mim.

- Suas costas...

- O que têm elas? – O moreno se ajeitou melhor no chão frio.

- Não estão doendo?

- Eu não ligo para a dor John.

- Como assim não liga para a dor? – O loiro tentou se mover, mas depois de uma pontada achou melhor ficar na posição que estava.

- A dor é um aviso do corpo que tem algo de errado, como sei que as minhas costas estão feridas, já analisei a profundidade do dano e vi que não é tão sério.

- Mas a dor continua por que você não tratou o ferimento. – O loiro não entendia o raciocínio do amigo.

- Sim, a dor na maioria das pessoas continua, no meu caso eu faço meu cérebro ignorar essa informação, já que a informação não é mais útil. – John piscou algumas vezes, ele iria contestar que isso era impossível quando seu amigo continuou a falar.

- Esse assunto é chato, John. Vamos falar de assuntos que estão pendentes. – O loiro sentiu seu rosto queimar, e tratou de mudar de assunto rápido.

- Alguém sabe que viemos para cá? – Sherlock olhou para o loiro.

- Não. — Foi só o que o moreno disse.

- Não? Ninguém? – John começou a ficar preocupado.

- Só uma, acho.

- Quem?

- A pessoa que armou isso para nós.

- Ah, ótimo. – O loiro disse exasperado. – E quem te disse para vir para cá Sherlock? Pois caímos em uma armadilha.

- Eu consegui a informação que tinha alguém nesse prédio em atitudes suspeitas, e pela bomba eu estava certo, era nosso homem.

- Quem te disse que tinha alguém nesse prédio Sherlock?

- Alguém da minha rede de informações.

- Rede de informações? Ah está falando daquela moça que você entregou um papel e dinheiro? Sherlock esse pessoal é facilmente comprável, é só alguém pagar mais e você terá todo tipo de informação errada e armadilhas, como essa que caímos.

- Aí que se engana John. Essas pessoas são mais fiéis que cães.

- Amigos são fiéis, Sherlock.

- Não tenho amigos John, não posso contar com ninguém a não ser comigo mesmo e meu cérebro.

O loiro se sentiu traído com o que seu amigo tinha dito, então ele era quem na vida de Sherlock? Ele ia discordar quando um estalo forte o fez quase pular. Sherlock e ele olharam para a viga que sustentava o teto em cima deles. A viga deu outro estalo.

- Ela não vai suportar o peso por muito mais tempo John, vamos para aquele lado. – O moreno pegou John pelo braço e praticamente o levantou do chão, o arrastando para o outro lado da garagem. Segundos depois o local em que haviam estado tinha sido soterrado por terra e a viga cedeu um pouco; o teto estava baixo e eles não poderiam ficar de pé. O ar estava carregado de poeira e John começou a tossir.

John tossiu mais algumas vezes e cobriu a boca e o nariz com o braço, viu que seu amigo tinha o ouvido colado na parede.

- O que foi Sherlock? Ouvindo alguma coisa?

- Sim, e se for o que acho que é...

- Ah o que é? Não tem como isso ficar pior tem?

Sherlock se afastou da parede e empurrou John de encontro ao chão; outra explosão foi ouvida e John escutou o barulho de água. Ele levantou a cabeça e viu água jorrando da parede, ele deitou a cabeça no chão e fechou os olhos.

- Eu tinha que perguntar? – Ele gemeu, suas costelas estavam doendo e agora ele sentia a água molhar suas costas.

- Tudo bem John?

Sherlock se levantou e ajudou o loiro a se levantar, eles foram para o lado oposto à parede que minava água.

- Claro Sherlock estou muito bem! primeiro fomos soterrados vivos e agora além de soterrados vamos ser afogados, claro, estou ótimo. Esqueci-me de algo?

- Sim...

- Oh claro! Eu não consigo ver todas as possibilidades, eu não tenho o seu cérebro brilhante Sherlock, será que pode me iluminar?

- Você esqueceu que agora com a água podemos ter hipotermia antes de morrermos afogados. E, além disso, tem uma grande possibilidade de morrermos sem oxigênio.

John olhou para Sherlock e mesmo naquela escuridão ele pode ver um sorriso nos lábios do amigo, o que era tão engraçado? Mesmo naquela situação aterradora ele não se dava ao trabalho de se preocupar e estava pensando em outra coisa como que se estar às portas da morte não fosse sério o suficiente? John gemeu exasperado.

- Irritado? – Seu amigo perguntou.

- Sim, Sherlock. Estou irritado.

- Por quê? – Seu amigo se aproximou.

- Sherlock estamos presos aqui, acho que tenho o direito de ficar irritado e estou sentindo dor. – O moreno o olhou e virou o rosto para lado como quem perde o interesse na conversa.

- Acha que vamos morrer? – O loiro perguntou, sem saber se realmente queria uma resposta.

- Teve uma explosão, John. O prédio veio abaixo e não creio que isso passe despercebido mesmo pela nossa policia. E tem Mycroft.

- O que tem seu irmão? – John sentiu muito frio e viu que a água já estava chegando até eles.

- Mycroft segue cada passo meu, ainda não entendi o porquê, mas isso não vem ao caso. Eles já devem estar aqui, só ainda não sabem como nos tirar, e se é que acham que estamos vivos.

Aquilo soou como uma sentença de morte aos ouvidos do médico.

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Ele estava sentado, pois toda vez que se movimentava suas costelas doíam mais, tinha perdido a noção do tempo, não sabia o quanto eles estavam presos ali. Seu amigo estava do outro lado de onde ele se encontrava, o moreno vasculhava as paredes procurando uma forma de sair. Se tinha alguém que poderia tirá-los dali era Sherlock.

Depois de um tempo o moreno voltou e sentou-se do lado de John sem dizer nenhuma palavra.

John sentia muito frio. Nem quando estava no Afeganistão ele sentiu tanto frio. Ele achava que seus dedos iam congelar, suas costelas doíam.

Estava um pouco escuro, mas ele podia ver Sherlock sentando do seu lado com os olhos fechados, seu amigo tinha um corte feio no supercílio direito, e sua camisa estava com várias manchas de sangue.

John começou a tremer descontroladamente, devia estar entrando em hipotermia ou em estado de choque por causa do ferimento, a água continuava a inundar o local, e isso fazia com que o frio fosse pior. Ele se abraçou o máximo que suas costelas doloridas permitiam, mas o frio não ia embora. Ele sentia seu corpo entrar em letargia, se aquilo acontecesse ia morrer com certeza.

Mas quando estava quase caindo na inconsciência, sentiu algo quente próximo a ele, o cobrindo.

- Venha John, vamos nos esquentar. – O loiro sentiu braços quentes ao seu redor. Ele nunca se sentiu tão feliz e quente... – Vamos John acorde, você não pode dormir, ou vai morrer.

Como seu amigo pedia a ele para não dormir? Seria tão fácil simplesmente fechar os olhos e deixar-se ir. A dor nas costelas estava insuportável, o frio envolvendo-o, atingindo como mil farpas. Mas agora ele tinha algo quente sobre ele, seria tão fácil simplesmente dormir.

- John, acorde! – Sherlock o sacudiu.

- Me deixe dormir Sherlock, por favor.

- Se dormir vai morrer John, então vamos conversar.

- Sherlock pelo amor de Deus, conversar? Sobre o quê? – Mas assim que disse isso se arrependeu.

- Vamos falar do que estava fazendo no seu banheiro hoje.

Sherlock estava com o casaco e o braço sobre seus ombros, John se sentia mais quente, e agradecia aos céus por seu amigo não poder ver seu rosto. Como ia explicar aquilo? Ele poderia mentir, sim, ele poderia mentir, falando que disse o nome do amigo por qualquer outro motivo e não pelo fato de que estava se tocando e imaginando suas mãos o tocando. Poderia mentir e dizer que não estava pensando nele quando estava quase chegando ao clímax.

- Não minta John, eu saberei. – O moreno disse com o queixo sobre o topo da sua cabeça.

Ele poderia simplesmente dizer a verdade, que desde o dia em que tinha cuidado dele, quando retirara sua roupa para colocá-lo na banheira, não tinha parado de pensar em como seria tocar aquela pele. Que desde o dia em que o havia visto nu enxugando o cabelo no quarto, desejava aquele corpo sobre o dele.

Que mesmo que nunca tivesse olhado para nenhum homem como ele olhava para Sherlock, ele o desejava desesperadamente.

John não sabia o que estava sentindo, se era só desejo, curiosidade ou se era algo mais profundo, ou se estava confundindo tudo, pois sempre fora uma pessoa solitária e Sherlock começou a preencher aquele vazio em seu peito que o incomodava desde que se entendia por gente.

John lembrou-se de uma frase que Mycroft havia lhe dito: “... quando se der conta vai estar irremediavelmente apaixonado. E terá seu coração estraçalhado, acredite, eu já vi acontecer mais vezes do que gostaria”.

Apaixonado... Ele estava apaixonado pelo seu melhor e único amigo.

A situação era a pior. Eles estavam soterrados, a água subia cada vez mais rápido, o frio estava insuportável e John só conseguia pensar em como estava apaixonado pelo seu melhor amigo, que nunca, de acordo com Mycroft não tinha mostrado interesse por ninguém e que o havia alertado para não se apaixonar, pois teria o coração dilacerado.

John fechou os olhos, como ele se sentia patético. Em um momento ele saia com mulheres e em outro momento ele descobria que gostava do seu amigo, que era HOMEM.

- John eu lhe fiz uma pergunta simples. – Seu amigo passava a mão por suas costas, à sensação era tão boa, apesar das costelas quebradas.

- Nada com você é simples, Sherlock. – John tinha fechado os olhos, a água continuava a subir.

- Sim é simples, você é que está complicando a resposta. – John tentou olhar para cima para ver o rosto do moreno, mas não conseguiu.

- Se eu estou complicando a resposta, é porque você já sabe qual é, então por que me perturba com isso? – Ele encostou a cabeça no ombro de Sherlock, o loiro sentia a inconsciência querer lhe abraçar.

- John não durma será pior. Você não pode dormir! – Sherlock afastou o loiro do seu ombro e o sacudiu.

- Sherlock, por favor. Não consigo ficar mais acordado, estou sentindo muita dor, devo esta entrando em choque por causa das costelas quebradas e tá muito frio. Não consigo ficar mais acordado. – John mordia os lábios por causa da dor que sentia. – Você pode ignorar a dor, mas eu não. Aiii INFERNO!!! – O loiro gritou, pois seu amigo o tinha sacudido.

O loiro respirava com dificuldade, cada respirada era como se estivesse enfiando facas na sua pele, a dor era absurdamente insuportável. John sabia que se caísse na inconsciência seu estado ficaria pior, mas a dor era mais forte que ele. O loiro foi fechando os olhos lentamente.

Ele sentia Sherlock lhe sacudindo de novo, o loiro abriu os olhos novamente.

- Droga Sherlock... – Ele disse exasperado e cansado. – Vou precisar mais que uma conversa para ficar acordado. – O loiro viu Sherlock se afastar e olhá-lo, ele abriu um pouco os olhos como quem tem uma ideia.

O detetive se aproximou e começou a abrir a jaqueta do médico, John o olhou sem entender, ele estava morto de frio e Sherlock iria tirar suas blusas para quê? Para matá-lo de frio mais rápido?

- Sherlock, o que você está fazendo?

- Tentando mantê-lo acordado. – O moreno disse abrindo os botões da jaqueta que o loiro estava usando.

- Como? Me matando de frio? – John congelou quando percebeu que Sherlock tinha aberto sua jaqueta e sua mão estava descendo em direção ao zíper da sua calça. – Sher...lock.. o que... – Ele prendeu a respiração quando sentiu a mão do seu amigo abrindo os botões da sua calça e abaixando o zíper.

- SHERLOCK! – John gritou, e segurou à mão do amigo, o moreno parou e o olhou. – O que está fazendo?

- Estou fazendo a única coisa que me vem à minha cabeça para lhe manter acordado, preciso que fique acordado pelo menos pelos próximos cinco minutos. – E voltou à atenção para a calça de John, seus dedos longos indo em direção da braguilha aberta.

- Tá maluco? – O loiro tentou se afastar, mas seu amigo o segurou pelo braço.

- Qual o problema?

- Qual o problema? O problema é o que você está tentando fazer. – O loiro tinha se esquecido da dor nas costelas e do frio, ele sentia que seu rosto queimava.

- E o que eu estou tentando fazer John? – Seu amigo disse bem próximo a ele, John podia sentir o hálito de Sherlock sobre seu rosto.

- Você está... está... – John fechou os olhos e gemeu de frustação.

- Vamos diga!

- Você abriu a minha calça, o que você acha que estou pensando? – Ele fez menção de fechar o zíper, mas Sherlock segurou sua mão.

- Sim, eu vou fazer isso que você está pensando, você não diz, mas posso ouvir seu cérebro praticamente gritar isso. Eu vou te tocar John, não era isso que estava imaginando no banheiro hoje? Minhas mãos no seu corpo? – John abriu os olhos e abriu a boca, mas a fechou, Sherlock se aproximou mais e falou bem próximo ao seu ouvido. – É isso que estava imaginando John? Minhas mãos aqui? – Sherlock levou a mão para dentro da calça de John e o tocou.

- OH Deus! — John gemeu e prendeu a respiração, aquilo era mil vezes melhor que ele tinha imaginado. Sherlock começou a movimentar sua mão para cima e para baixo. Oh Deus aquilo não podia estar acontecendo, ele só podia estar sonhando, só isso explicaria o que Sherlock estava fazendo.

- É assim que gosta de ser tocado? É assim que imaginou? – Sherlock sussurrava em seu ouvido, sua respiração ofegante. — Mais rápido John? – o Loiro escutou seu amigo sussurrar com a voz rouca em seu ouvido.

- Oh Deus sim... – Seu amigo parou por alguns segundos de tocá-lo e lentamente movimentou seus dedos longos para dentro de sua cueca. – Oh Jesus!! — John sentiu a mão quente de Sherlock o tocando, o estimulando, aquilo era o céu! ele devia ter morrido, só podia ser isso.

Sherlock movia sua mão mais rápido. John queria desesperadamente tocar seu amigo, mas temia que se fizesse isso ele acordaria do que quer que fosse aquilo. Ele tentou levantar o quadril buscando mais contato com a mão de Sherlock, mas a dor que sentiu nas costelas o fez parar. De repente seu amigo parou o que estava fazendo e John gemeu de frustação e de dor.

A dor que sentia era realmente insuportável, John aos poucos estava perdendo a consciência, ele escutou algo como uma explosão; também pode ouvir bem ao longe Sherlock xingando alguém; e a última lembrança de que teve foi de ver um homem entrando no local com o que parecia ser um guarda chuva na mão.

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John não soube dizer quanto tempo ficou desacordado, mas quando abriu os olhos estava deitado na cama do hospital, suas costelas estavam imobilizadas. Seu corpo doía horrores.

O loiro fechou os olhos e se lembrou do que tinha acontecido, ou do que achava que tinha acontecido, será que estava tão desesperado que estava tento sonhos eróticos com seu amigo? Sherlock nunca faria algo daquele tipo, ou faria? A única explicação plausível para o que aconteceu era que estava delirando, provavelmente as costelas quebradas, febre, frio... o fizeram imaginar coisas.

Mas as sensações pareciam tão reais, ele ainda podia sentir os dedos de Sherlock o tocando, fechou os olhos e gemeu, ele estava virando um grande pervertido, se continuasse assim ele iria precisar voltar ao seu terapeuta com certeza.

- Sentido dor? – John quase enfartou quando ouviu uma voz dentro do quarto, assim que se virou viu alguém sentado em uma cadeira próximo à porta e viu Mycroft.

- O que faz aqui, Mycroft?

- Bom dia, doutor Watson! – Mycroft parou de ler um pequeno caderno de capa de couro, o fechou e colocou no bolso do seu casaco e voltou os olhos para John. – Se sente melhor?

- Sim, eu acho. – John tentou se sentar.

- Te aconselho a ficar deitado. – O Holmes mais velho disse e se levantou e puxou a cadeira próxima a cama. – Podemos conversar?

John o olhou, Mycroft tinha os mesmos olhos azuis de Sherlock, uma expressão mais descontraída, mas seus olhos diferentemente do seu amigo, eram frios. O apelido de Iceman lhe caia muito bem.

- Não creio que estou com ânimo para conversar. Principalmente se for o mesmo conteúdo da nossa última conversa.

- Gostaria de saber o que houve lá embaixo.

- A polícia não tomou o depoimento de Sherlock?

- Sim, e logo virão tomar o seu depoimento, mas eu gostaria de conversar com você antes, eu queria a versão não oficial. – Mycroft olhava para John, o loiro sempre tinha a impressão de que o irmão mais velho de Sherlock poderia ler sua mente.

- Versão não oficial?

- Sim, tem alguns buracos na versão de meu irmão, claro que a policia não percebeu, mas...

- Mas você acha que Sherlock não estava contado toda a verdade? ... Mas o que te leva a crer que eu saiba o que Sherlock não disse para policia?

- Como eu disse, eu quero a versão não oficial. O que aconteceu desde o momento em que a bomba explodiu até a hora que chegamos.

John desviou os olhos de Mycroft e olhou para as próprias mãos. O Holmes mais velho levantou a sobrancelha e deu um pequeno sorriso.

- Vocês caíram praticamente três andares, você quebrou uma costela, fraturou outra. O que aconteceu até chegar o socorro? – John sentiu que ficava vermelho até a raiz do cabelo.

- Nósficamosconversando. – John disse mais depressa do que queria. – Acho.

- Conversando? Sobre o que?

- Por que isso te interessa? – John ainda olhava para as próprias mãos.

- Ora John, eu só quero sabe se as duas versões batem. – John gemeu.

- Sentindo dor?

- Só no meu orgulho.

- Como? – Mycroft parecia se divertir.

- Nada. – O loiro se afundou mais no colchão. Onde estaria Sherlock? Ele olhou pesaroso para a porta.

- Meu irmão veio lhe ver mais cedo, mas você estava dormindo. – John o olhou. Como ele sabia o que estava pensando?

- É obvio para mim John. Tão óbvio que...

- Mycroft o que faz aqui? Não tem que lamber as botas da rainha?

Mycroft olhou para a porta e viu seu irmão com a médica logo atrás dele. John também tinha olhado para a porta, Sherlock estava com um curativo no supercilio e vestia uma camisa roxa, John sorriu, ele adorava aquela camisa.

- Você não estava com o inspetor?

- Nós já terminamos, a doutora veio ver se o John está em condições de ser liberado. – O moreno se virou para a médica e a olhou. – Está esperando um convite?

Sara olhou para os dois Holmes no quarto de John, ela não sabia qual dos dois era mais amedrontador. Ela olhou para John e ele tinha um sorriso conciliador. Ela entrou no quarto e se aproximou da cama.

- Será que os dois podem sair para eu examinar o John?

- Mycroft já está de saída. – Sherlock entrou e se sentou em uma cadeira perto da janela. O Holmes mais velho o olhou e abriu a boca, mas foi interrompido por seu irmão – Não Mycroft, não me interessa.

- Se você diz. – Mycroft pegou seu guarda chuva que estava encostado a parede. – Te desejo melhoras e espero que meu irmão saiba o que está fazendo. – Tanto John quanto Sara olharam para Sherlock, mas ele continuava olhando pela janela e nem pareceu escutar o que seu irmão tinha falado.

- Hum... se importa de ser examinado com seu amigo aqui? – A doutora parecia sem graça. – Sherlock deixou de olhar a janela e olhou para Sara estreitando os olhos. E antes que seu amigo dissesse qualquer coisa ele respondeu.

- Não, eu não me importo. – Seu amigo deu um meio sorriso e tirou o celular do bolso e começou a digitar furiosamente.

Sara examinou John por vários minutos, enquanto a médica o examinava John ficou olhando para Sherlock que estava concentrado em seu celular, ele estava com um meio sorriso nos lábios, ele parecia uma criança que tinha encontrado um novo brinquedo. Ele poderia ficar horas olhando para Sherlock, ele observava os olhos tão azuis, os lábios tão bem desenhados, as mãos de dedos longos, Oh Deus as mãos, John gemeu.

- Sentindo dor? – Sara perguntou.

- Oh Deus não... quer dizer um pouco – O loiro disse sem graça, Sherlock tinha parado de digitar e estava olhando para ele, John o ignorou e falou com Sara. – Então quando irei pra casa?

- Hoje mesmo, se você quiser eu saio daqui há alguns minutos e posso te...

- Não se preocupe doutora, ele vai de táxi comigo, e mesmo porque nessa situação ele não iria conseguir fazer nada. – Sherlock estava de pé ao lado da cama.

John olhou para seu amigo horrorizado, Sara estava com o rosto vermelho.

- Não sei do que o senhor está falando senhor Holmes...

- Não? – Sherlock perguntou inclinando a cabeça para o lado. – Vejamos...

- Sara será que pode providenciar a minha liberação? – John interrompeu. Sara não pensou duas vezes e saiu, quando eles estavam sozinhos, John virou para Sherlock.

- O que foi isso Sherlock?

- O quê? Ela está interessada em você John, só que com as costelas quebradas você não ia conseguir fazer o que ela queria.

- Jesus Sherlock para com isso...

- Vai querer que eu saia para você se trocar? – Sherlock perguntou.

- Sim, mas eu queria ... – John disse um pouco hesitante.

- O quê? – Sherlock sentou na cama.

- Lá no prédio eu desmaiei?

- Sim desmaiou, por quê? – John balançou a cabeça como quem disse deixa para lá.

- A dor era muito forte para você suportar. – O moreno voltou sua atenção para o aparelho de celular, pois tinha acabado de receber uma mensagem. Seus olhos brilharam.

- Algum caso?

- Sim, Lestrade me chamou parece que encontram um corpo em uma situação não muito comum. – John suspirou.

- Pode ir, eu pego um taxi para ir para casa. – Sherlock o observou por algum tempo.

- Chinesa ou indiana? Disse por fim.

- Como? – John não tinha entendido.

- Comida John, chinesa ou indiana... podemos parar no meio do caminho para pedir comida. Vejo que está cansado e pela forma que os músculos do seu pescoço estão rígidos você deve estar sentindo dor, porém vejo que você também deve estar com fome.

- Você não vai até Lestrade?

- Ele pode sobreviver algumas horas sem mim.

Sherlock preferiu ficar em sua companhia a ir investigar um caso?

- Oh! – Ele disse. — Eu prefiro indiana!

- Vou te esperar lá fora, me chame se precisar de ajuda. – Sherlock deu um pequeno sorriso e piscou da mesma forma que tinha feito quando se conheceram no hospital.

Seu amigo tinha saído do quarto e quem quer que tenha passado ali naquela hora teria visto o loiro com um sorriso extremamente bobo no rosto.

Continua...

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Nota da autora: Oie pessoal!! \\o\\... esse é o quinto capitulo da fic, espero que tenham gostado. E espero que tenham gostado da mão boba xD e não me matem.. *sai correndo*

Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi.

Queria agradecer a minha irmã a SHOLMES que é super fofa, que leu o capitulo primeiro, surtou horrores e betou a fic pra mim \\o\\...mas se sobraram alguns erros, se lembrem, eles são todos meus.. @_@

E faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida!! \\o/

Devo atualizar no dia 30/06, no sábado.

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Próximo capítulo: Vamos ter a morte de um personagem, sim eu sou má. Vamos ver o quanto nosso soldado pode ser forte. E vamos ver um pouco de abraços... eu amo abraços.. \\o/

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Cenas do próximo capítulo:

Quando John chegou à cena do crime, ele viu um corpo de mulher nu deitado de bruços. A mulher era jovem e loira, os cabelos tão claros quanto os de John, algo incomodou John naquela cena, ele se aproximou devagar, ele viu uma marca nas costas da mulher.

John sentiu o peito doer, não... não podia ser.

Seu amigo tinha parado de olhar o corpo da mulher, e se virou olhando para John, ele olhava de John para o corpo no chão.

- Sherlock... – John disse numa voz débil... ele se aproximava do corpo.

O detetive saiu de perto do corpo e foi em direção a John.

- Não se aproxime John, você não precisa ver isso. — O loiro olhava para Sherlock, e lá estava a verdade naqueles olhos tão azuis que ele aprendeu a ler...

John sentiu os braços de Sherlock o segurando, pois suas pernas fraquejaram...

- Não... não pode ser ela.

- Sim John é ela...