Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
18 Capítulo 18 - Tempo de Jantar
Notas iniciais
Aviso 2: Ler a fic sem qualquer outra presença humana por perto OU ter admiráveis habilidades de reflexo e audição para poder minimizar a janela toda a vez que ouvir passos se aproximando. Ponto principal: Visão de 180º graus porque a tela do computador ou do note que podem denunciar o que quer que você esteja lendo ou vendo. By leitora Lara - xD
Nota da Autora: o/ olá! Quanto tempo! xD Eu sei que nada justifica o atraso da atualização. Eu só quero dizer que amo todos vocês... Ç_Ç e espero do fundo do coração que esse capítulo compense os quase 50 dias sem postagem.. _ . E sugiro a todos que deem uma relida no capitulo anterior para se lembrarem do que se trata a fic. Eu tive que fazer isso. xD Maiores detalhes e outros assuntos no final do capitulo.
Até os mais fortes, às vezes caem – Capitulo 18.
Autora: Karla Malfoy;
Beta: Iza Amai e Ash Queen;
Par/Personagem: Sherlock Holmes e John Watson;
Classificação: M (16+)
Disclaimer: Sherlock Holmes, suas histórias e seus personagens foram criados por Sir Arthur Conan Doyle, a serie televisionada foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss e são de propriedade da BBC. E eu sou só uma fã ardorosa de seus personagens, quer dizer de alguns, pois têm outros que dá vontade de matar... (cara de brava) e só para lembrar... Eu não quero e nem pretendo ganhar dinheiro com eles. Seria felicidade demais para uma pessoa só, deixo isso com o povo da BBC...
Tempo de Jantar
- O.. o que...o q.. o que você está fazendo? – John gaguejou.
- Isso deve ser óbvio até mesmo para você John. – Sherlock revirou os olhos. – Indo dormir. – Ele emendou, vendo que John aparentemente não tinha entendido. – Problema?
- 'O inferno sangrento. Como vou sobreviver a isso?' – perguntou mentalmente.
Sherlock continuava o olhando, parecia esperar por uma resposta que John definitivamente não se lembrava de ter ouvido a pergunta. A noite não estava tão fria, o loiro tinha colocado um edredom para se cobrir, mas se recriminou mentalmente, deveria ter colocado só um lençol, um desses lençóis muito finos ou quase transparente. O médico abriu os olhos em espanto, tomando ciência do que estava pensando.
Olhou para Sherlock ao seu lado, ele já não o olhava, tinha ligado o abajur ao lado da cama e estava com um pequeno livro entre as mãos de dedos longos e finos, mas não disfarçava o pequeno sorriso em seus lábios. Estava sentando com as costas apoiada na cabeceira da cama, a capa do livro que lia tinha umas letras estranhas: "Skillnadenmellanmedicin ochgift"¹.
John se deu por vencido, ele sabia que não iria conseguir dormir, principalmente com um moreno deliciosamente sensual e nu ao seu lado. Então limpou a garganta e tentou se distrair com outras coisas, ele precisava se distrair, pois tinha começado a ficar duro quando Sherlock entrou no quarto e tirado o robe de seda azul. Seu pênis começava a lhe incomodar e se destacar por sobre o edredom. Ele precisava pensar em outras coisas, não queria que Sherlock o visse assim, mesmo com a luz fraca do abajur, sua ereção seria evidente em algum momento. John fechou os olhos e pensou em um cenário frio, gelado, e não funcionou.
- Tente pensar em Mycroft, funciona comigo. – A voz rouca do moreno lhe tirou dos próprios pensamentos.
Mas pensar em Mycroft, lembrar que o tinha visto com a camisa quase aberta e com os braços a mostra fez seu pênis pulsar um pouco. – "Oh Deus." – Ele pensou.
- Não? Então pense em corpos em decomposição. – A voz tinha um leve tom de divertimento.
John gemeu frustrado e irritado, Sherlock estava lhe dando conselhos de como eliminar uma ereção. Ele tinha chegado ao fundo do poço. Olhou para o amigo que continuava com os olhos sobre as páginas do livro que lia. Limpou a garganta novamente e falou, tentando o seu melhor para fazer com que sua voz soasse casual.
- Então, você pensa em Mycroft quando quer se livrar de uma ereção? Isso não é meio... estranho? – Se houvesse um pouco mais de claridade o vermelho em seu rosto iria ser evidente.
Sherlock fechou o livro que estava lendo, mas teve o cuidado de marcar a página antes de fechá-lo. Ele olhou para o loiro, porém a expressão em seu rosto ficou obscurecida pela falta de claridade.
- Sim, John eu às vezes acordo com uma ereção, sou um homem com as funções do corpo em perfeito funcionamento. Só por que você não me vê com uma ereção com tanta frequência como você...
- Como assim, como eu? – John não estava entendendo.
- Pelas minhas observações, em média você tem pelo menos três ereções por dia, nas mais diversas horas do dia, uma delas é quando você acorda; talvez por causa de algum sonho erótico; quando você está em alguma situação com algum grau de risco. E as demais ainda não pude identificar os motivos. Eu ando ocupado.
Se seu rosto estava vermelho antes, agora John podia senti-lo pegando fogo, se continuasse assim, seu rosto começaria a sangrar pelo acúmulo de sangue. Ele sentia vontade de se afundar na cama, cobrir a cabeça e nunca mais sair dali. Gemeu de profundo desgosto. Mas ao repassar em sua mente o que o moreno havia lhe dito, algo chamou sua atenção.
- Então você também fica excitado? – Sherlock suspirou e revirou os olhos com a pergunta do loiro.
- Claro, isso é obvio, você já me viu excitado e com uma ereção, John. Qual é a surpresa?
- Só achei que você não tinha interesse em sexo. Casado com o trabalho, se bem me lembro. – John não conseguiu afastar o tom de amargura da voz.
- Eu não tenho interesse em sexo. Sexo é chato.
- Sexo é chato? – seu tom de voz soou levemente ofendido. – Como, em nome de Deus, sexo pode ser chato, Sherlock?
- É tudo muito previsível, John.
- Previsível? Como assim? – John olhou de forma curiosa para o amigo ao seu lado na cama. Ouviu um som estrangulado sair da garganta do amigo.
- É tudo muito chato e previsível, os movimentos, toques, pressão, sons, calor, dor...
- Dor? – John perguntou curioso, mas como sempre, foi prontamente ignorado.
- As pessoas são simples, John, tão chatas e... eu com menos de um minuto sei o que fazer para que a pessoa fique de joelhos aos meus pés. Sei onde tocar, como tocar e quando tocar, sei se ela gosta de sexo simples, ou algo mais selvagem, menos tradicional. Sei como fazer uma pessoa gozar só com o som da minha voz em seu ouvido e eu não preciso estar dentro dela para conseguir. – Agora Sherlock olhava para ele. John olhou para o lado, ele sabia, ou tinha quase certeza de que seu amigo estava falando dele.
- Então você não gosta de sexo por que as pessoas são previsíveis? Então você deveria parar de analisar as pessoas, deveria parar de tentar estar um passo à frente de todas elas.
Sherlock colocou o livro sobre o criado ao lado da cama e se levantou, John acompanhou o movimento com os olhos. O moreno foi em direção à janela e puxou as cortinas que impediam que a claridade da rua entrasse no quarto. Sherlock ficou de costas olhando pela janela. Agora sem a cortina a claridade dançava pelo quarto, John podia ver o corpo do amigo perfeitamente.
Sherlock era magro, suas roupas lhe davam um ar esbelto, John sabia que ele estava abaixo do peso ideal para sua altura e constituição física, contudo sem as roupas... John suspirou. Onde ele escondia tudo aquilo? O loiro sentia a garganta fechar, Sherlock possuía músculos que não eram evidentes por sob a roupa.
Oh Deus e aquela sua bunda? John mordeu o lábio para impedi-lo de gemer. A maioria das pessoas tinha essa parte do corpo mais clara, mas o moreno não, a cor de suas nádegas estava em perfeita harmonia com as demais partes do corpo, só Deus devia saber por quê. Uma imagem de um Sherlock andando completamente nu por ai se formou na mente de John.
- Eu sou assim John, eu deduzo, é o que eu sou, meu cérebro é assim, não posso desliga-lo ou fechar como se fosse uma torneira. – Sua voz tinha uma leve nuança de raiva, John não sabia dizer ao certo.
- Talvez não tenha feito isso com as pessoas certas. – Assim que fechou a boca, ouviu um riso seco sair da boca do moreno.
- Acho que minha amostra teve um número satisfatório. – Sherlock ainda continuava a olhar pela janela.
- E de quantas pessoas estamos falando? – Ele não sabia se queria saber da resposta, e sentia um peso sobre o coração.
- A quantidade de pessoas foi suficiente como toda experiência que eu fiz.
- Espera, você fez sexo como uma experiência científica? – A voz do loiro não escondia a incredulidade que sentia.
- Sim, o sexo parecia ter um apelo estranho para a maioria das pessoas e, eu queria saber o porquê de tanto estardalhaço. Então fiz minhas próprias experiências. Testei com várias pessoas, das mais variadas idades e etnias, mas no fim tudo se mostrou chato e previsível. Aprendi algumas técnicas interessantes que me foram úteis em alguns casos, mas nada mais que isso.
John sentia algo rasgar seu peito, raiva... frustração? Não, isso que estava sentindo tinha outro nome... ciúme. Sim, ciúme. Saber que outras pessoas tocaram aquele corpo perfeito o fazia doente. Ele sentia o monstro do ciúme arranhar a camada de controle que tinha, controle esse que diminua a cada dia, cada segundo.
O loiro queria Sherlock, queria aquele ser maravilhoso e extraordinário só para si. E quando falou por fim, sua voz vibrou, era baixa, sensual e predatória de uma forma que ele mesmo nunca tinha ouvido antes.
- Então, você não fez sexo com a pessoa certa. – John viu os ombros de Sherlock tremer, ou seria o efeito do tremeluzir da luz no contorno da cortina na parede?
Depois de alguns segundos parado, Sherlock se virou, John ofegou com a visão.
Ele nunca tinha tido a oportunidade de apreciar plenamente Sherlock antes. John sabia que estava com a boca aberta, os olhos amplamente arregalados e sentia o coração bater com força sob suas costelas. O homem era todo linhas longas de carne pálida e de músculos rijos, que falavam de uma força oculta. Seu membro era igual ao resto do corpo, longo, não era nem fino nem grosso. Se alguém perguntasse sua opinião, John diria que era... perfeito.
- Então, resumindo você está se oferecendo para uma experiência?
- SIM... – John percebeu que respondeu muito rápido e com muito entusiasmo, ele limpou a garganta e respondeu com mais calma. – Sim...
- E por que sexo com você seria diferente? – O tom de voz de Sherlock era neutro.
Mas John sabia que era uma calma aparente, seus vários anos de treinamento militar lhe ensinaram a identificar quando alguém estava nervoso, era mais difícil ver quando a pessoa estava vestida, contudo quando ela estava nua as linhas de tensão por sobre o corpo eram muito mais visíveis e fáceis de ver.
- Eu não tenho o apelido de "três continentes Watson" a toa.
Sherlock semicerrou os olhos e, começou a se movimentar daquela forma lenta e elegante que só os felinos possuíam. Era uma visão única e estonteante, o moreno parou a poucos centímetros da cama e ele tinha um sorriso quase diabólico nos lábios.
- Ah sim, o apelido... – Sua voz era de alguém que saboreava alguma coisa. — E aquela história de que "não sou gay"? – Sherlock ainda estava parado próximo à cama.
- Mas eu não sou gay. – John tinha a voz indignada, ele podia jurar que tinha borboletas em seu estomago, ele não devia ter comido tanto macarrão.
- Bom John, eu não queria acabar com seus sonhos, mas eu sou homem.
- Sherlock, mesmo não tendo o seu cérebro, isso é muito evidente até para mim, principalmente com você nu na minha frente e, com uma... – John não conseguia falar, pois seu cérebro tinha entrado em pane assim que tinha visto o membro de Sherlock, ele estava excitado.
Se antes John estava tendo problemas para disfarçar a própria ereção, agora seu pênis era evidente e completamente duro por sobre o edredom. Quando John percebeu, Sherlock tinha se aproximado da cama e estava muito próximo, o loiro podia sentir o calor irradiar do corpo do moreno em sua direção.
- Você é uma distração, John! – Algo na voz do moreno dizia a John que isso não era bom. Quando o médico ia dizer alguma coisa, um barulho vindo da sala chamou a atenção dos dois. Era como um som de um pequeno alarme.
Sherlock se levantou muito rápido e pegou seu robe que estava por sobre a cadeira e, quando já estava longe, ele gritou.
- Venha John, o programa terminou a busca. Vamos descobrir quem é nosso real assassino.
-x-
John ficou vários segundos sem saber o que fazer; a situação de segundos atrás dançava em sua mente como um tornado revirando e consumindo tudo, sua conversa com Sherlock ainda parecia inverossímil para ele. Ele se oferecendo para seu amigo, se oferecendo para fazer sexo?
- "Oh Deus, onde estava com a cabeça?" — O loiro pensou e colocou o travesseiro por sobre cabeça, gritou de frustração e rezou silenciosamente esperando que o travesseiro tivesse abafado o som. Ele estava excitado, muito excitado, seu membro doía por liberação. John jogou o travesseiro contra a parede com raiva, mas ver o objeto pousar suavemente no chão, só fez sua raiva aumentar mais.
Ele estava no quarto de Sherlock, em sua cama e ele estava naquela situação por causa dele. Se aliviar ali, bem ali, nos lençóis do detetive, pareceu errado de tantas formas que uma nova onda de excitação percorreu por todo o seu corpo, indo direto para o seu pênis.
Perdendo toda a hesitação que sentia, abaixou as calças de seu pijama junto com sua cueca até seus tornozelos, deixando assim sua ereção livre. Seu membro estava ereto e inchado. John se tocou, mas sua mão estava seca e não deslizava com facilidade por seu membro, em seu quarto tinha um tubo de lubrificante em sua gaveta, mas ele não estava em seu quarto, o loiro pensou em levantar e ir ao banheiro umedecer as mãos ou pegar um pouco de sabonete, mas se conhecia muito bem e sabia que se fizesse isso perderia a vontade e a coragem de se aliviar na cama de Sherlock.
Mas ao virar a cabeça para o lado, na direção de uma das cômodas ao lado da cama do amigo, viu um tubo de lubrificante. John o reconheceu, era o tubo de KY que tinham comprado outro dia no mercado quando Sherlock saiu com ele. O loiro não pensou duas vezes, se levantou rapidamente, pegou o tubo e voltou para a cama. Abriu e espremeu um pouco em suas mãos, esfregou o lubrificante nas palmas para esquentar e logo em seguida passou por toda a extensão de seu membro.
O lubrificante facilitava em muito o movimento de vai e vem da sua mão, John se tocava, forte e rápido, ele não iria durar muito e nem queria, ele precisava se aliviar. O loiro evocou imagens de Sherlock em sua mente, fantasiava que eram as longas mãos de seu amigo o tocando e não sua própria mão a fazer o trabalho. Lembrou-se do dia em que Sherlock invadiu seu quarto, entrou em seu banheiro e lhe chupou.
- Oh Deuss! – John mantinha os olhos fechados, agarrando-se às imagens de Sherlock o estimulando. Sua mão se movimentava cada vez mais rápido, ele estava próximo, podia sentir a sensação crescer em seu corpo.
John se lembrou das palavras que Sherlock lhe disse no dia do banheiro, ainda conseguia sentir o calor dos lábios do moreno em seu ouvido:
- "Alguém já o fez gozar só com o som da voz? – Sherlock perguntou e colou os lábios aos ouvidos do loiro. Sua voz era rouca e era a coisa mais sensual que John já ouviu na vida. – Então goze John!"
O loiro gemeu mais alto com a lembrança.
- OH DEUS, SIM! — E seu corpo começou a tremer, sendo completamente tomado pelas ondas de prazer que o inundou, ele arqueou as costas e sentiu que gozava em sua mão.
John respirava com dificuldade, seus batimentos cardíacos ainda estavam alterados. O loiro ainda permanecia com os olhos fechados esperando seu corpo se acalmar. Ainda podia escutar as batidas do seu coração em seus ouvidos e, como estava distraído, não percebeu uma presença ao lado da cama.
- Você vai ter que trocar os lençóis. – Uma voz rouca arrancou John de seu estado de torpor.
O loiro abriu os olhos e viu um par de olhos cinzentos olhando em sua direção, não necessariamente para ele, mas sim para sua mão e para seu membro que ainda estava meio duro e nu.
Sherlock parou de olhar para a mão de John, o loiro seguiu seu olhar e viu que ele olhava para sua barriga, pois além de gozar em sua mão, um pouco tinha caído em seu abdômen e lençóis e, era em direção a sua barriga que o moreno olhava. John ofegou quando viu o amigo mover a mão em sua direção e congelou quando sentiu o toque frio em seu corpo.
- Sherlock... mas o.. q.. – John parou o que estava dizendo e prendeu a respiração quando viu o moreno tirar o dedo de seu corpo e levá-lo em direção a boca. Para John o movimento parecia em câmera lenta, Sherlock com os lábios entreabertos e sua mão se movimentado de forma lenta. Mas por algum motivo o moreno parou a centímetros dos lábios e olhou para o loiro que ainda estava com a respiração suspensa e o coração aos pulos no peito. Sherlock abaixou a mão e em uma voz estranhamente fria para a ocasião, disse:
- Se limpe e venha para a sala, Mycroft nos espera.
O moreno disse "Mycroft" como se fosse algo sujo e contagioso. Sherlock se dirigiu ao banheiro e voltou com uma toalha na mão que jogou em direção a John e saiu do quarto, deixando um loiro paralisado sem saber o que fazer.
Depois de alguns segundos de torpor ele se limpou com a toalha, vestiu sua roupa de baixo e calça do pijama, logo em seguida colocou um roupão por cima da roupa. E antes de sair pela porta, o médico respirou fundo e tentou se acalmar, jogando para o fundo de sua mente os acontecimentos daquela madrugada. Ele iria pensar naquilo depois, ou quem sabe nunca mais em sua vida, quem sabe poderia fazer como Sherlock, simplesmente apagar da mente a visão e a sensação do amigo lhe tocando e... John balançou a cabeça para limpar as imagens do pensamento e foi em direção à sala.
Chegando lá, Sherlock estava sentado no sofá com o computador no colo, olhando sabe-se lá Deus o quê e Mycroft em pé próximo à janela. Eles não pareciam ter percebido sua presença na sala, ou a estavam ignorando.
John suspirou cansado e foi em direção à cozinha; encheu a chaleira com água e a ligou. Ele encostou-se a pia e começou a prestar atenção nos sons vindos da sala, mas o único som que se fazia ouvir era os ruídos dos dedos de Sherlock por sobre os teclados do computador. Era impressionante a rapidez com que aqueles dedos deslizavam pelas teclas, era quase inumano. O loiro levava horas para escrever, pois ficava catando as teclas enquanto digitava; Sherlock sempre lhe direcionava um olhar meio indignado como se sua lentidão fosse uma ofensa mortal ao resto da humanidade pensante, claro que isso se resumia ao próprio detetive.
Mycroft aparentemente não fazia barulho algum, nem seu costumeiro bater com o guarda chuva no chão ele estava fazendo. O que estaria acontecendo? O "Governo Britânico" com certeza já havia descoberto que seu irmão tinha lhe roubado o cartão. Mas então por que ele não o tinha pegado e ido embora? Mycroft parecia esperar por algo. Ou estavam conversando em sua forma silenciosa. Não, não estavam fazendo isso, eles não se olhavam. Então o que estaria acontecendo realmente? Sim, era isso, Mycroft esperava para saber o que Sherlock tinha descoberto no programa que estava processando em seu computador.
- Boa dedução, John! – Mycroft tinha saído da sala e estava sentado em uma das cadeiras na cozinha.
- JESUS, que susto! – Mycroft o olhava com certo interesse. O loiro apertou mais o roupão em torno de si como se isso fosse impedir que o irmão mais velho do amigo descobrisse qualquer coisa que tivesse acontecido através de seu pijama. – Como... como assim boa dedução? – O loiro perguntou tentando mudar o foco da atenção do "Homem de Gelo".
- Enquanto esperava pela fervura da água, você pensava nos motivos que me trouxeram aqui e a sua ultima dedução foi a certa, simples. – Mycroft tinha certo ar de diversão em seu rosto, John queria muito saber o que estava divertindo aquele homem sempre tão sério. Ok, melhor não saber, isso seria melhor para sua paz de espírito.
- Como sabe o que eu estava pensando? Não tem como você saber. Não mesmo. – John cruzou os braços sobre o peito.
- Oh, não acredita em mim? Não acredita que eu saiba o que vai por sua mente, Doutor Watson? – Mycroft se levantou da cadeira com uma graça que parecia ser natural para todos da família Holmes e parou a frente do loiro. John ficou incomodado com a proximidade, mas não se afastou, levantou o queixo e olhou para o homem a sua frente, o enfrentando.
- Não, não acredito que saiba o que eu estava pensando.
John encarava Mycroft, ele esperava que o homem o olhasse de cima abaixo, mas ele só o encarava. O escrutínio do irmão de Sherlock estava começando a lhe incomodar, mas ele não desviou os olhos nem por um minuto.
- Se eu lhe disser exatamente o que lhe vai à cabeça, posso contar com sua colaboração em um determinado assunto? – Mycroft propôs e deu um passo para trás, agora olhando John completamente.
- Como assim? – O loiro perguntou, confuso.
- Simples, uma troca. Eu satisfaço sua curiosidade sobre minhas capacidades de dedução e você me faz um pequeno favor. – O homem mais alto parecia muito satisfeito consigo mesmo. John o olhou incrédulo.
- Presumo que esse pequeno favor tem a ver com Sherlock, estou certo?
- Certíssimo John. – Mycroft voltou a se sentar.
John olhava para o irmão de seu amigo sem saber o que dizer, vários sentimentos passaram por ele em poucos segundos. A água estava fervendo, o loiro parou de olhar para o homem a sua frente e começou a preparar o chá, tentando assim se acalmar. A vontade de socar aquele homem estava muito forte. O médico limpou a garganta e falou:
- Você tentou me comprar quando nos conhecemos, você viu que dinheiro não é um motivador bastante forte para mim, então agora está tentado me comprar com minha curiosidade? Entendi direito? É Isso mesmo?
- Comprar seria uma palavra muito forte aqui, John. Digamos que é um incentivo. Você está duvidando de mim e estou lhe oferecendo a oportunidade de ver minhas deduções sobre você e em troca lhe peço somente um favor, nada potencialmente perigoso ou ilegal ou mesmo que irá lhe deixar desconfortável. – Mycroft cruzou as mãos sobre a mesa e esperou.
- Você sabe onde pode colocar seu incentivo, não é? — John disse em um tom frio e logo em seguida ouviu um pequeno riso vir da sala.
- Não precisa ser rude, John. – Mycroft tinha descruzado as mãos e tinha os dedos da mão esquerda por sobre os lábios, ele parecia considerar alguma coisa e não parecia feliz com isso.
John terminou de preparar as bebidas e colocou uma caneca na frente de Mycroft. O homem levou a caneca aos lábios, mas logo fez expressão de desgosto quando sentiu o gosto amargo do chá.
- Sinto muito, estava pensando em sua dieta, por isso não acrescentei açúcar. – John saiu da cozinha com um sorriso muito satisfeito nos lábios e duas canecas nas mãos.
Quando chegou à sala, o loiro entregou a caneca a Sherlock que já estava com a mão estendida esperando. Ele levantou os olhos do teclado por alguns segundos e seus olhares se encontraram. John viu um brilho de divertimento e algo mais que ele não conseguiu identificar.
O loiro se sentou em sua poltrona favorita, colocou a almofada com a bandeira da Inglaterra em seu colo e começou a bebericar seu chá, esperando que alguma coisa acontecesse. Ele não queria tocar no assunto da investigação que estavam fazendo, pois não sabia se Sherlock queria comentar qualquer coisa que fosse enquanto Mycroft estivesse em Baker Street.
Olhando para a sala não seria difícil deduzir o que eles estavam fazendo, pois tinha papéis e pastas com as fotos das vítimas por toda a parte, E o cartão de acesso de Mycroft estava sobre a mesa próxima à janela. Olhando para esse cartão de Mycroft, John se lembrou do cartão que Sherlock lhe mostrou na boate, na noite anterior, e que seu amigo não havia comentando mais nada sobre ele.
O loiro tinha milhares de perguntas que queria fazer, mas com Mycroft ali... Ele levantou a cabeça e olhou novamente para Sherlock, ele ainda permanecia focado no que estava fazendo no computador e seu irmão, que tinha saído da cozinha, agora olhava por sobre o ombro do detetive o que ele estava fazendo. Seu amigo parecia alheio à presença de seu irmão. John suspirou cansado e, olhando para seu relógio, deu um gemido estrangulado, eram cinco horas da manhã.
O loiro se acomodou da melhor forma que pode na sua poltrona e fechou os olhos, dali a duas horas ele deveria ir trabalhar.
- "INFERNO!" – Pensou irritado. Deveria ter ido dormir e não ficado enrolando na cama. Se tivesse dormido mesmo não teria visto Sherlock entrar no quarto quase nu, eles não teriam tido aquela conversa estranha, ai ele não precisaria ter se aliviado na cama do amigo e, como por consequência, ele não teria sido pego com a "mão na massa" por Sherlock.
- Merda! – agora disse em voz alta e na mesma hora abriu os olhos, quando fez isso viu expressões idênticas de aborrecimento no rosto de Sherlock e Mycroft.
- Isso ainda vai demorar muito, Sherlock? – Mycroft parecia impaciente.
- Não tenho culpa se existem milhares de servidores clandestinos pelo planeta, Mycroft. Você pode fazer o cálculo, ou seu cérebro está tão arruinado que uma conta simples como esta está fora de sua limitada capacidade? – Sherlock olhou para o irmão, seu sorriso carregado de ironia.
- Não tenho tempo para esperar. – O homem pegou seu guarda chuva e antes de se dirigir para a porta, pegou seu cartão em cima da mesa. – Da próxima vez peça, Sherlock, esse tipo de acesso é controlado e não é para seu uso pessoal.
Sherlock fez um som com a boca e nem se dignificou a olhar para o irmão. Mycroft suspirou de forma dramática e disse boa noite a John antes de descer as escadas.
O loiro nunca iria entender qual era o problema desses dois, ou melhor, ele não queria saber. John bocejou cansado, quem sabe se ele cochilasse um pouco conseguiria trabalhar sem maiores problemas? Mas antes de fechar os olhos olhou para o computador no colo de Sherlock e piscou sem entender. O computador que seu amigo usava era o seu próprio e se ele lembrava bem o computador que o moreno tinha usado para fazer a pesquisa com o acesso de Mycroft era o seu.
- Sherlock, esse não é o seu computador?
- Vejo que seus poderes de observação estão melhorando. – Sherlock disse com um pequeno sorriso.
Quando John iria reclamar do insulto, desistiu, não valia a pena. Sherlock levantou e colocou seu computador sobre o sofá, foi em direção à janela e afastou a cortina. Com certeza se certificava se seu irmão tinha mesmo ido embora.
- O que significa isso tudo, Sherlock? – John perguntou para o amigo.
- O quê? – O moreno pareceu não prestar atenção à pergunta de John. – Não importa, preciso de você aqui as 20h00min, você tem um smoking, não tem? – Sherlock andava agitado pela sala.
- Claro que tenho um smoking. Mas para quê preciso de um? – Seu amigo indicou um envelope sobre a mesa, John se levantou e abriu. Eram dois convites para um jantar beneficente. – Jantar beneficente? Não sabia que se importava com essas coisas. – John disse divertido e recebeu um olhar assassino do amigo.
- É para o caso, John, não seja denso.
- O que tem o caso a ver com um jantar beneficente?
Seu amigo tirou do bolso da calça do pijama um pequeno cartão preto com escritas douradas, ele entregou o pequeno cartão a John e o loiro leu:
" "
- Cromwell? Esse sobrenome não me é estranho. – O loiro disse.
- Sim, existem poucas pessoas com esse sobrenome na Inglaterra, então fiz uma pequena pesquisa e descobri que uma das pessoas com o sobrenome Cromwell vai estar nesse jantar beneficente hoje à noite, podemos abordá-lo e vermos o que ele sabe.
- Mycroft veio aqui lhe entregar esses convites e em troca você irá lhe informar o que achou?
John sentou no sofá em que Sherlock havia deixado o computador. O moreno voltou a se sentar no sofá ao lado de John, pegou o computador e levou ao seu colo.
- Sim, essa seria a troca.
- Mas a busca você fez no meu computador e não no seu e, se bem me lembro, o programa tinha terminado a busca quando estávamos no quarto. – John comentou.
- Sim. – respondeu.
- Você está passando a perna no seu irmão?! – John disse rindo e olhando para seu amigo sentado ao seu lado viu que ele ria também.
-x-
John trabalhou o dia todo se sentindo cansado e com sono, mas o sentimento que o incomodava era a ansiedade. Ele estava ansioso pelo jantar mais a noite, vários anos haviam se passado desde a última vez em que tinha usado um smoking. Se ele se lembrava bem, foi no casamento de sua irmã, Harriet. Pensar na irmã ainda lhe doía e muito. John suspirou pela enésima vez naquele dia.
- Você está agitado hoje, John. Algum problema? – Sara estava sentada à mesa da sala dos médicos, bem próxima ao loiro.
- Ah, não, nada demais, vou sair com Sherlock para um jantar hoje à noite. – disse sem entrar muito em detalhes. Como não tinha olhado para a médica, não viu seu olhar de surpresa.
- Você... você vai sair com Sherlock? – Sua voz tinha um leve tom de incredulidade. O loiro se virou para ela e respondeu sem entender o tom da amiga.
- Sim, por quê? Qual o espanto? – Ele perguntou sorrindo, esfaqueando seu sushi com o garfo. Claro que ele estava usando um garfo, Hashi era para homens habilidosos como Sherlock, aquele bastardo.
- Não... nada, só impressionada, você não parecia o tipo. – Sara voltou seus olhos para seu sanduíche. – Você poderia ter me dito ou me dado alguma pista para que eu percebesse.
- Não parecia o tipo? Dado pista? Do que você está falando, Sara? – Depois de algum tempo o sushi na boca de John não parecia mais tão gostoso. – Espera, você não está achando que é... – e antes que terminasse a frase, sua amiga disse exasperada.
- Pelo amor de Deus, John! – ela disse com um tom de voz um pouco alto demais. – Você vai sair com Sherlock, isso quer dizer muita coisa.
- Sim, vou. Vou a um jantar beneficente, não é um encontro, pelo amor de Deus, Sara.
- Ah, bom... – o sorriso tinha voltado aos lábios da médica. Desculpa, é que não te vejo mais comentando que está saindo com alguém e você fica muito estranho quando está perto do Sherlock, até parece que são um casal. Esse tipo de comportamento faz você parecer... você sabe... bem... claro que você não é... – a médica não sabia como terminar a frase.
- Não sou o quê, Sara? – John tinha parado de comer e tinha os braços cruzados sobre o peito.
- Você sabe... – ela mexia de forma desconfortável na cadeira e passava uma das mãos na cicatriz que tinha adquirido no pulso esquerdo. John suspirou cansado e sem muita paciência com a situação.
- Você diz que as minhas atitudes e comportamentos não indicam que eu seja gay, mas meu relacionamento com Sherlock diz outra coisa aos seus olhos? É isso?
- É, basicamente isso. – Ela tinha o rosto muito vermelho.
- Olha, Sara! Meu relacionamento com Sherlock não é da conta de ninguém, nem mesmo sua, que é minha amiga, ou pelo menos acho que você ainda seja minha amiga.
- Claro que sou, John! – a mulher estava desconfortável agora. – Só que essa situação deixa as pessoas confusas.
- Se eu te disser que sou gay, sua amizade por mim iria diminuir? – John estava juntando suas coisas sobre a mesa, sua próxima consulta começaria em dez minutos.
- Não, claro que não! – disse inserta.
- Bom. – John se levantou, pegou a metade da sua comida intocada e jogou fora, lavou as mãos em uma pequena pia que tinha na sala dos médicos e se dirigiu para a amiga médica, parando à sua frente. – Desculpe Sara, mas não tenho que te dar satisfações da minha vida ou da minha orientação sexual, mas vamos deixar uma coisa clara aqui, eu não sou gay... – a médica suspirou de forma audível, o que deixou o loiro com raiva. – Mas eu me interesso por homens da mesma forma que me interesso por mulheres.
Não era completamente verdade o que tinha dito para Sara, ele tinha estado com homens em sua época de faculdade, mas nada além de toques curiosos, ele nunca tinha feito sexo de "verdade" com um homem antes, por isso sua curiosidade nos sites que Sherlock tinha visto anteriormente em seu computador, seu interesse era em Sherlock, mas Sara não precisava saber disso. Talvez agora ela desistisse de tentar ficar com ele.
- O QUÊ? – A mulher praticamente gritou. John não lhe deu atenção e foi para sua sala, pois tinha pacientes para atender.
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John atendeu seu último paciente do dia. Ele olhou para o relógio e viu que chegaria em casa com muito tempo para se arrumar. E ele precisaria, pois não tinha tido tempo de olhar em que estado estava seu smoking, de certo precisaria de uma passada. Ele só esperava que a senhora Hudson estivesse em casa para lhe emprestar o ferro.
O loiro arrumou sua mesa e separou as fichas dos pacientes que tinha atendido no dia para que fossem registrados no sistema da clínica amanha pela manhã, ele poderia fazer isso hoje, mas se o fizesse acabaria se atrasando e ele não queria lidar com um Sherlock mal humorado.
Acabou por guardar as fichas em sua gaveta, tirou seu jaleco, colocando-o no local destinado a lavanderia e trancou sua sala. Passou pela recepção e sorriu para Daniely que ainda estava trabalhando.
- Já vai, doutor Watson? – A garota sorria.
- Já, tenho um compromisso. – John piscou e sorriu para a garota. – Posso olhar minha agenda para amanha?
- Claro, doutor Watson, aqui está! – Ela entregou a agenda nas mãos de John e se debruçou, colocando os cotovelos sobre a mesa, apoiou o rosto nas mãos e olhava John com um sorriso estranho.
- Tem dois pacientes marcados para a parte da manhã, será que tem como ver se pode remarcar para a tarde? – O loiro levantou o rosto da agenda e olhou para a recepcionista e, para seu imenso decote. John limpou a garganta e tirou os olhos do decote da garota. – Será que você pode fazer isso para mim, Daniely?
- Claro, doutor Watson! O que o senhor quiser. Posso perguntar se será uma noite agitada?
A moça ainda estava debruçada sobre a mesa. John sorriu vendo que a garota estava flertando com ele, então usou seu sorriso mais charmoso e olhou para ela.
- Bem, eu acho que provavelmente sim, será agitada. – Ele disse e pensou logo em seguida. – "Claro, se Sherlock achar o assassino lá na festa".
- Mas o senhor virá trabalhar na parte da manhã? – Daniely perguntou tentando soar desinteressada, mas não conseguiu.
- Vou tentar, mas como vou sair com Sherlock nunca se sabe. – Ele entregou a agenda para Daniely e olhou novamente para seu relógio.
- Sherlock é seu companheiro de apartamento, não é? O Detetive? Lindo, alto e com belos cachos negros que eu mataria para passar as mãos.
- É, esse mesmo. – O sorriso no rosto do loiro esmoreceu. – Bom, tenho que ir, não quero me atrasar.
- Claro, doutor! Dê um beijo na boca dele por mim! – e riu.
John se virou para a moça, mas ela estava atendendo uma ligação.
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Vinte minutos depois John estava descendo do táxi em frente ao numero 221B. Ele pagou o taxista e estava destrancando a porta quando viu um saco de lixo do lado de fora do prédio, era segunda-feira e o lixeiro só passava na terça. John destrancou a porta, mas deu uma segunda olhada para o saco de lixo. Tinha um tecido verde que lembrava muito a cor da sua gravata favorita. John riu e balançou a cabeça. Ele subiu os 17 degraus de dois em dois e em alguns segundos estava na porta de casa. Girou a maçaneta, pois sabia que a porta estava destrancada — Sherlock nunca se lembrava de trancar a porta ou não se dava ao trabalho de fazê-lo, no mínimo achava perda de tempo se preocupar com a segurança do apartamento. Suspirando ele entrou.
Sherlock não se encontrava deitado no sofá e nem estava na cozinha. O computador do detetive estava em cima da mesa perto da janela e a tela de descanso do computador era vários tipos de abelhas que vez ou outra apareciam na tela. John sorriu ao ver o descanso de tela do amigo. Abelhas? Sério?
O loiro se encaminhou para o quarto do moreno e ao chegar à porta ouviu o barulho de água vindo do banheiro. John bateu na porta.
- Sherlock?
- Banheiro, John. Estou quase pronto, vá se arrumar, em meia hora nós saímos. – O moreno gritou do banheiro.
- Ok, vou tomar banho e me vestir. – John ia saindo quando a voz do amigo o deteve.
- Assim que se vestir volte ao meu quarto, temos que conversar sobre a festa antes de irmos.
- Ok.
O loiro foi para seu quarto, entrou em seu banheiro e tirou a roupa. Em pouco tempo já estava debaixo do jato d'água. Ele não levou mais que dez minutos para tomar banho, desligou o chuveiro e saiu, pegou a toalha e começou a se enxugar, enrolando-a logo em seguida na cintura.
John se dirigiu ao seu guarda roupa e ao passar por sua cama queimada e sem colchão viu uma embalagem preta sobre ela, mas a ignorou abrindo seu guarda roupa e procurando por seu smoking. Depois de cinco minutos revirando seu armário e não encontrando nada, ele se lembrou da sacola de lixo com um tecido verde lembrando a cor da sua gravata do lado de fora do apartamento. John sentiu a raiva acender dentro dele. Foi em direção à cama, abriu a embalagem preta e viu um smoking novo da marca Calvin-Klein dentro dele. Na embalagem tinha também uma gravata da cor lilás.
- SHERLOCK! – John gritou de seu quarto. – O que você fez com meu smoking?
O loiro desceu as escadas se encaminhado para o quarto do amigo e entrou sem nem ao menos bater.
- Sherlock, você jogou meu smoking fora? Você não pode pegar as minhas coisas e simplesmente jogar fora! – John não se aguentava de tanta raiva, o moreno estava olhando para fora através da janela de seu quarto e quando se virou o loiro perdeu a fala.
Quando Sherlock se virou, John viu que ele já estava pronto para sair, vestia uma calça social preta; camisa branca que provavelmente era de seda e tinha um cachecol cinza enrolado ao pescoço, sobre sua cama tinha uma embalagem com a logo marca: Dolce&Gabanna.
Mas não foi a roupa que tirou o fôlego do ex-militar e sim seu rosto. Seu amigo tinha os cachos ruivos e os olhos estavam tão claros que pareciam brancos, suas pupilas negras se destacavam em seus olhos.
Seus lábios sempre vermelhos estavam ligeiramente pálidos. Sherlock parecia infinitamente mais novo do que realmente era e estava muito diferente, John quase não conseguia ver seu amigo naquele jovem a sua frente. Mas ele estava ali, na boca, nos cachos, mesmo de outra cor, ele estava ali. Sherlock o olhava com tanta intensidade que o loiro sentiu a temperatura do quarto subir alguns graus, John experimentou o sangue correr mais rápido em suas veias.
Sherlock parecia quase irreal de tão bonito que estava. John queria dizer alguma coisa, mas não se atrevia a tentar dizer nada, pois seu cérebro ainda não estava funcionando corretamente. Depois de alguns segundos parado feito um idiota, suas funções cognitivas voltaram a funcionar e ele se dirigiu ao moreno.
- Sherlock, o que é isso? Você está... você vai assim? – inquiriu ao amigo.
- Não quero que me reconheçam no jantar, por isso mudei a cor do meu cabelo e estou usando lentes. Pela sua reação acho que consegui o efeito desejado. Mas você ainda não está vestido? Vamos nos atrasar. – Sherlock saiu da frente da janela, colocou as mãos nos ombros de John e o empurrou para fora do quarto em direção as escadas que davam para o quarto do loiro.
Assim que chegaram ao quarto, John saiu de seu estado de paralisia e olhou para seu amigo que tinha começado a tirar o smoking da embalagem preta.
- Vista! – o moreno empurrou as roupas na direção de John.
- Sherlock, o que você fez com meu smoking? – O loiro segurou as roupas, mas não se moveu.
- John, vamos nos atrasar, eu ainda tenho que dar um jeito na sua aparência. E aquela coisa que estava no seu guarda roupa não podia ser chamado de smoking, ou mesmo de roupa. – Os ombros do moreno tremeram como se ele estivesse lembrando-se de algo muito desagradável e continuou a falar. — Eu lhe fiz um favor jogando aquela coisa fora. Vamos!
- Sherlock... – John começou a falar, mas parou, ele fechou os olhos e respirou fundo, sabia por experiência de longa data que não adiantava reclamar. – Ok, vou me vestir, quando eu terminar eu te chamo.
- Você tem cinco minutos para se vestir, vou buscar as coisas que preciso lá em baixo e venho aqui para cima.
Assim que o amigo saiu do quarto, John se pôs a se vestir. E em exatos cinco minutos, Sherlock havia retornado com várias coisas nas mãos, inclusive uma peruca. Depois de vinte minutos, o moreno o havia transformado em uma pessoa diferente. Seus cabelos eram escuros, claro, uma peruca e eram um pouco maiores, com algumas mechas caindo pela testa, tinha um pouco de barba e cavanhaque e seus olhos, outrora azuis, estavam castanhos, quase pretos. John se olhava no espelho e pouco se reconhecia.
- Se não fosse pelo seu blog, não precisaríamos nos disfarçar. Como a maioria das pessoas nos conhecem pelas fotos que você postou lá, devemos ficar o menos reconhecível possível.
- Sim, claro! A culpa é minha... e essa barba incomoda. – John passava a mão por sobre a sua barba postiça.
- Não toque, ainda deve levar uns minutos para secar completamente. – Sherlock olhava para o loiro e parecia satisfeito com sua obra.
- Meninos! – a senhora Hudson chamou da porta da sala. – Tem um taxi lá embaixo.
- Já vamos! – Sherlock gritou. – Vamos repassar o plano quando estivermos no taxi a caminho do evento.
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John entrou no grande salão e se impressionou com a grandiosidade do local, ali provavelmente só estariam os figurões de Londres. O ambiente era luxuoso e refinado, várias mesas estavam dispostas pelo ambiente com um grande espaço ao meio. Era um jantar ou um baile? John pensou consigo.
Um pequeno palco estava à esquerda e os músicos já se posicionavam em seus lugares. Um quarteto de cordas ao vivo? John levantou uma sobrancelha.
Garçons elegantes já andavam pelo local com suas bandejas de prata, servindo bebidas em elegantes copos e taças, o ambiente bem decorado com arranjos de flores exóticas, esculturas de gelo no hall de entrada. Vários casais já estavam sentados à mesa e conversavam animadamente, outras pessoas conversavam em pé com taças de champanhes nas mãos, muitas mulheres exibiam seus vestidos de grife e joias, e era tudo muito exagerado, se alguém perguntasse a opinião dele.
Mesmo vestindo seu novo smoking caríssimo, John se sentia pouco a vontade e completamente fora do lugar. Sherlock estava a suas costas, uma das suas mãos estava pousada a suas costas na linha da sua cintura, ele estava muito próximo. Tão próximo que subiam calafrios pela espinha do loiro, a cada passo que ele dava.
John se lembrou da conversa do táxi e ainda sentia seu estômago embrulhar. Eles se passariam por um casal, o loiro deveria deixar sua postura militar e se mostrar mais relaxado e afável. Ele riu da palavra que Sherlock havia usado. O moreno disse que tudo na postura dele gritava militar e o detetive não queria que as pessoas se intimidassem com John.
- Onde vamos ficar? – John se virou para o moreno.
- Nossa mesa é logo ali ao fundo, perto da janela, são mesas menores apenas para o casal do convite, mas antes de sentar quero dar uma volta pelo local e observar. Vamos fazer isso separados e depois de meia hora nos encontramos na mesa, que é aquela logo ali. – Sherlock apontou para uma mesa distante, mas com um arranjo floral roxo, depois da uma pilastra, com uma boa visão para o pequeno palco. – Olhe para todos e observe.
- Mas o que devo procurar Sherlock? Não sabemos quem é esse P. Cromwell. – o loiro passou a mão atrás do pescoço, sentia que aquela noite não iria terminar bem.
- É só prestar atenção nas pessoas suspeitas, John. – O detetive disse irritado.
- Sherlock, para mim todos aqui são suspeitos. – O loiro disse exasperado. – Por exemplo, aquela mulher ali no canto, a de vestido decotado preto, ela olha para todos os lados e parece que espera ser esfaqueada a qualquer momento. – comentou cruzando os braços sobre o peito.
- Descruze os braços, John! – disse enfático. – E ela não é suspeita, só está drogada. – Sherlock respondeu, sua voz soando fria e sem emoção.
John olhou para o amigo, ele olhava em outra direção, como ele sabia que a mulher estava drogada? Sherlock o olhou e suspirou consternado.
- Como você bem observou ela está inquieta, parece confusa, pode-se ver mesmo sob as várias camadas de maquiagem as olheiras, então ela está tendo insônia. Mesmo daqui posso ver que suas narinas estão irritadas e está com os olhos vermelhos, sintoma que não se pode esconder mesmo com colírio. E claro o mais obvio, ela tem uma pequena linha de pó branco no rosto.
E mais uma vez Sherlock tinha respondido a uma pergunta que ele não tinha feito, leitura de mente, ou ele era um livro aberto? Sherlock o olhou e revirou os olhos.
- Então vamos?
- Vamos. – Já que não tinha outro jeito, John deu de ombros conformado e ia se afastando, mas Sherlock o segurou pelo braço. – O que foi?
Seu amigo olhava para o salão que já estava com muitas pessoas e algumas delas os olhavam com certa curiosidade.
- Temos que ser convincentes em nosso papel. – John o olhou confuso.
- Como assim?
Sherlock se aproximou puxou John para si pela nuca e o beijou. Não foi um roçar de lábios, foi um beijo lânguido, longo e possessivo. John perdeu o chão e o ar saiu correndo de seus pulmões. Quando conseguiu sair de seu estado de torpor, levou as mãos aos cachos de Sherlock. "OH Deus, eram tão macios".
Durante o beijo, ele sentia a língua de Sherlock exigir a sua, sentia a pressão que aquela mão fazia em sua nuca, e foi então que o loiro saiu de seu torpor de surpresa e relutantemente tirou as mãos daqueles cabelos ruivos e desceu os dedos sensualmente pelo pescoço, passando pelo peito, em cima da lapela do terno, e foi em direção à cintura e então, com dedos firmes e a mão bem espalmada nas costas do outro, ele pressionou seus corpos juntos e foi gratificado com um gemido saindo da boca do detetive.
Eles se afastaram quando o ar se fez necessário, Sherlock tinha a expressão confusa, com os lábios avermelhados e ainda abertos, e piscando, com aqueles grandes olhos azuis, encarando John com surpresa.
- Acho... que devemos ir.
O moreno alisou sua roupa e saiu meio sem rumo. John encostou-se a uma pilastra próxima, pois não sabia se tinha forças em suas pernas para ficar de pé sozinho. Ele riu ao se lembrar da expressão no rosto do amigo.
Quando se sentiu mais confiante, John fez o que Sherlock havia pedido, andou pelo salão observando as pessoas, eram dos mais variados tipos, velhos, novos, ingleses, estrangeiros.
O médico ouviu várias línguas sendo faladas ali naquele local, inglês, francês, alemão, português, hindí, mas ao passar por um grupo de homens percebeu que um deles, um homem moreno, alto com longos cabelos levemente grisalhos e presos em um simples rabo, e olhos verdes tão claros que poderiam ser azuis, uma postura militar e falava Dari, uma das línguas do Afeganistão.
John se aproximou e o homem o olhou.
- Olá meu jovem! – O homem disse educado.
- Boa noite! – John colocou seu melhor sorriso no rosto e se aproximou do grupo. – O senhor fala Dari? – O loiro o olhava interrogativamente.
- Sim. – respondeu.
- Eu falo um pouco, já fui ao Afeganistão. – Logo em seguida se recriminou mentalmente.
- Mesmo? – O homem parecia curioso. – Militar?
- Ahn não, médico.
- Mesmo? Sou o coronel Afegano, esse são meus amigos. Digam olá rapazes.
- Eu sou... – John quase disse seu nome, mas se interrompeu lembrando-se do combinado com Sherlock. – Meu nome é Timoty Smith. – John estendeu a mão para um aperto firme.
Eles ficaram um bom tempo conversando, era fácil conversar com eles, eram médicos ou militares, o homem cujo nome era Afegano era muito simpático e sorria muito na direção de John. Durante um tempo o loiro achou que ele só estava sendo simpático.
Afegano tinha uma conversa fácil, era inteligente e fez com que John risse a maior parte do tempo. Durante a conversa o loiro pegou o homem mais alto em vários momentos lhe direcionado olhares e ao invés de desviar os olhos ao ser pego observando, Afegano sorria mais.
A taça em sua mão não ficava mais que alguns minutos pela metade, logo era trocada por uma cheia. Vou ficar bêbado, John pensava consigo.
O loiro conversava com um homem mais baixo e carrancudo, que fez com que se sentisse melhor por ter alguém naquele lugar menor que ele, enquanto discutiam sobre novas técnicas de incisão sem deixa muitas cicatrizes sentiu uma mão em seu ombro, se virando viu que era Afegano.
- Já se cansou da minha conversa? – O homem perguntou.
- Não, só socializando com seus amigos. – disse o loiro.
- Deixa de monopolizar o rapaz, Afeg. – o homem mais baixo que tinha um forte sotaque inglês.
- Não estou monopolizado, só quero que o Timoty aqui se divirta. – Afegano se aproximou mais e colocou sua mão nas costas de John. O toque fez uma onda de repulsa percorrer por seu corpo. E se controlando para não socar o homem, tentou ser educado e sair o mais rápido dali antes que as coisas se complicassem.
- Eu tenho que ir agora. – John tentou se afastar, mas a mão em suas costas não deixou.
- Fique mais Timoty, tem umas salas mais privativas por aqui, podemos ir até elas para conversar melhor. O que acha? Bom? Senhores se nos dão licença, vamos nos ausentar. – Quando John iria reclamar sentiu alguém atrás de si.
- Timoty, meu bem, vejo que fez amigos. – Sherlock estava atrás dele e dirigia um olhar fulminante na direção de Afegano.
- Quem é você? – Afegano perguntou, não parecia feliz com a interrupção.
- Sou Carlton, companheiro de Timoty e ficaria feliz se direcionasse suas mãos para longe dele. – E se encostou mais as costas do loiro que podia sentir cada milímetro daquele corpo atrás dele com um arrepio gelado e quente ao mesmo tempo.
Afegano se afastou, mas antes de sair lhes deu um olhar estranho, parecia com raiva e mais alguma coisa, John não souber dizer.
- Eu saio alguns segundos e você já está flertando com meio mundo? – Sherlock disse a suas costas.
- Eu não estava flertando com ninguém e não foram segundos, você se afastou por quarenta e cinco minutos. – disse carrancudo.
- Você contou os minutos que estive fora? – A voz em seu ouvido o fazia se sentir quente e levemente zonzo e os quadris de Sherlock logo atrás dele não estavam ajudando em nada para melhorar até voltar à completa sanidade.
O moreno se afastou e John logo o seguiu, eles se dirigiram a uma mesa exclusiva que tinha seus nomes em uma pequena plaquinha dourada, passando pela área central, onde as pessoas já estavam dançando lentamente conforme a música suave que os instrumentos produziam. E quando se sentaram John percebeu o olhar mal humorado Sherlock.
- Que foi? – perguntou.
- Estou pensando não me perturbe. – Sherlock foi para sua posição de meditação, cotovelos sobre a mesa e dedos se tocando.
O médico suspirou consternado, ele estava com fome. Então ele se levantou e foi em direção ao buffet que servia o jantar, pegou um pouco de Penne e filé com molho de Gorgonzola para si, outro prato parecido para Sherlock e voltou para a mesa. Colocou o prato na frente do amigo que nem se moveu ou parecia que tinha notado a sua ausência.
Um garçom passou e deixou duas taças de vinho na mesa, que para John eram a mesma coisa, mas o garçom muito solícito havia dito que um era um Camis, 2006 que deixou na frente de Sherlock e a outra taça tinha vinho Morandé, John tomou um gole aprovando o sabor e começou a comer, ele olhava para o amigo. Ele mexia a boca como quem conversa, mas não sai nenhum som.
John tinha parado de mastigar e ficou olhando para aqueles lábios de formato tão bonito, o loiro se viu desejando senti-los de novo nos seus, e em seu corpo. Mexeu-se desconfortável na cadeira, balançando a cabeça tentando espantar os pensamentos, pois aquilo estava deixando ele excitado, e não seria legal levantar dali exibindo uma ereção. Suspirou tentando se acalmar e ouviu a voz do amigo que parecia ter saído do seu palácio mental.
Sherlock o olhava, John se sentiu desconfortável com o olhar.
- O que foi?
- Eu sei o que está pensando.
John soltou um pequeno riso sarcástico, ah claro que sabia. Sherlock o olhou um pouco irritado.
- Então, você está começando a ficar excitado, você deve está se sentindo desconfortável em suas calças. Pois está se mexendo constantemente na cadeira, está tentando disfarçar, mas não está tendo sucesso. Suas pupilas estão dilatadas, posso ver um pouco de suor em sua pele e o músculo da parte superior da sua pálpebra esquerda está relaxada. – Sherlock comentou como se fosse a coisa mais natural do mundo dizer em um jantar com várias pessoas ao redor que seu amigo está com o pau duro.
- Eu não estou excitado. – o moreno sussurrou e lhe lançou um olhar de advertência. – Ok, estou meio duro. — John admitiu, brincando um pouco com a massa com o seu garfo. — Eu estou supondo que você está também, porque você está apresentando as mesmas reações.
Sherlock baixou as mãos e pegou o próprio garfo.
- Totalmente duro, na verdade. — Disse ele, imperturbável. — Precisamos mudar o assunto para algo mais mundano, para não chamar a atenção quando nos levantamos para ir embora.
John o olhou sem saber se ria ou se chorava, como ele conseguia dizer essas coisas sem ficar vermelho?
- É uma reação natural do corpo, John. Por que eu ficaria desconfortável com isso? – A expressão de confusão no rosto do moreno era genuína. – Diferentemente de você eu estou muito bem com a minha sexualidade e com as reações do meu corpo.
- Sherlock eu não... Como assim? Você acha que eu não estou bem com a minha sexualidade? – John largou o garfo e o som do talher batendo sobre o prato chamou atenção de algumas pessoas ao redor. Ele pigarreou, e tentou despistar tirando o guardanapo de linho do colo, limpando a boca e ainda se mexendo na cadeira.
O olhar de Sherlock não desviou nem por um segundo dos olhos de John. O loiro o observava, seus olhos claros agora estavam escuros, apenas uma linha azul restava, deixando todo o resto com as pupilas dilatadas. Ele observou Sherlock tirar os dedos que estavam por sobre os lábios e abaixar as mãos as pousando sobre a mesa, seu corpo se inclinou um pouco na direção de John.
- Negue John.
- Eu não tenho problemas com a minha sexualidade. – O loiro respondeu indignado.
- Não? – Sherlock se recostou em sua cadeira. – Então por que não assume que está atraído por mim?
John, que estava tomando um gole de vinho e quase cuspiu o pouco que tinha bebido.
- Eu..eu não estou...
- Então sua ereção é porque você está muito feliz de está aqui? Ou é porque aquela loira da terceira mesa da esquerda para direita sentada de frente a nós que parece estar interessada em você e não está vestindo roupa intima por baixo do vestido curto e toda hora cruza e descruza as pernas na esperança de que você veja sua genitália? — A voz de Sherlock era debochada.
- Que...quem, on...de? – John gaguejou e inclinou o corpo para a direita para ver a mulher que Sherlock havia descrito, mas quando estava na metade do movimento sentiu a perna de Sherlock lhe chutar por baixo da mesa. – Ai! – gritou em protesto.
- Preste atenção em mim! – a voz era imperiosa. – Responda!
- Responder o quê? – O loiro se abaixou e passou a mão na panturrilha para aliviar a dor.
- Não se finja de idiota, pois isso eu sei que você não é... lento sim, mas idiota não! – a voz de Sherlock era alguns decibéis mais baixa, rouca e sedutora.
John devia estar com algum problema, ou possivelmente bêbado, como em nome de Deus, ser chamado de idiota podia deixar alguém mais excitado? O loiro se recostou na cadeira e tentava controlar sua respiração, suas mãos estavam sobre a mesa, mas ele queria se tocar para aliviar a dor pulsante em suas calças, mas se movesse a mão Sherlock veria e saberia o que ele queria fazer.
Não que ele fosse se masturbar ali na frente de todo mundo em um ambiente com mais de trezentas pessoas ao redor. Apesar de que esse pensamento acabou por lançar outra onda de excitação para seu pênis.
Ele queria se tocar só para aliviar a dor e o incomodo que sentia, e não conseguia encarar o amigo. Mas quando John levantou os olhos e viu o olhar de Sherlock para ele, o fez esquecer-se de como respirar. O jeito que o moreno o olhava só podia ser descrita como... faminta.
O ex-soldado se sentia tímido, perturbado, excitado, e acabou abaixando os olhos e tentou pensar em outras coisas, se imaginando em outro lugar. Ele sentia dois sentimentos em conflito dentro dele, a vontade de levantar e agarrar Sherlock ali mesmo na frente de todo mundo bem em cima daquela mesa e a outra vontade era de sumir ou ser engolido pela terra por estar nessa situação.
E antes que pudesse pensar mais em alguma coisa John quase pulou da cadeira quando sentiu algo em sua coxa.
- Mas que inferno... – levantou a cabeça e se deparou com um sorriso debochado de seu amigo. – Sherlock o que você tá fazendo?.. o qu... – Ele parou de falar quando sentiu o que estava em sua coxa deslizar em direção a sua virilha.
- Se eu fosse você eu ficaria comportado, se não as pessoas irão perceber é isso que quer? – Sherlock tinha deslizado um pouco na cadeira e John percebeu que ele usava seu pé para lhe tocar por baixo da mesa, acobertado pela linda e escura toalha de mesa.
John sentiu o pé de Sherlock tocar seu pênis por sobre o tecido da calça, ele mordeu os lábios para se impedir de gemer. Depois de algumas respirações o loiro conseguiu concentração suficiente para formar palavras.
- O que está fazendo? – foi a frase mais difícil de articular que John já fez na vida, e ele acabou se entregando, pois só conseguiu perguntar isso em um sussurro e mordeu novamente os lábios para tentar ganhar novamente o controle quando sentiu o pé de Sherlock se movimentar mais em frente em sua calça. – Oh Deus... – John soltou um pequeno gemido.
- Não é obvio? Estou provando um ponto.
Oh Deus, ele precisava sair dali e rápido. Como se levantar com o pau tão duro a vista de todo mundo daquela festa? Isso era muito conflitante, mas o seu pensamento foi interrompido quando sentiu o pé de Sherlock o pressionando mais, com movimentos circulares e movimentos para cima e para baixo. John levou a mão à boca e mordeu o dedo para se impedir de gritar. O loiro sentiu Sherlock empurrar sua coxa levemente para o lado, numa dica muda para que ele abrisse mais as pernas para dar maior acesso a sua virilha, ele mandou o bom sendo para o inferno e afastou mais as coxas uma da outra.
Ele fechou os olhos e pressionou o dedo mordido por um momento saboreando a sensação de ser tocado, de estar fazendo isso na frente de um monte de gente desconhecida e pensando que a pessoa que o estava tocando era Sherlock.
- Acho melhor você disfarçar um pouco mais, pois você está com cara de que tem alguém tocando seu pênis por debaixo da mesa. – Sherlock tinha um leve tom de diversão na voz.
- Filho da mãe... – John xingou entre dentes.
John estava fazendo um esforço sobre humano para permanecer com a expressão neutra e sem se mexer, mas as sensações que sentia estavam ficando intensas demais, ele precisava se aliviar. Deus, como ele precisava. O loiro fechou os olhos para tentar se controlar.
Depois de alguns segundos John sentiu o pé de Sherlock deixar sua virilha, ele abriu os olhos, seu amigo olhava por sobre o seu ombro e tinha um sorriso que só podia ser descrito como diabólico, John sentiu um frio no estomago e tremeu internamente. O moreno voltou a atenção para ele e em um segundo ele estava em sua cadeira e no segundo seguinte ele discretamente deslizou para debaixo da mesa.
- Sherlock, o que você tá fazendo? – Tentou olhar embaixo da mesa, mas seu movimento de abaixar foi interrompido por uma voz feminina ao seu lado.
- Olá bonitão!
- Oi..oi.. – Gaguejou e limpou a garganta e quando ia dizer mais alguma coisa sentiu um par de mãos sobre seus joelhos. – Jesus. – Fechou os olhos, ele nem queria pensar no que Sherlock iria aprontar.
- Tudo bem? Você está um pouco vermelho. – A loira sorriu mostrando uma fileira de dentes perfeitos e brancos. – Posso me sentar? Achei que aquele rapaz que estava com você não iria embora nunca.
- Ele só foi ali.. al... – John sentiu Sherlock mover as mãos de seus joelhos para a sua coxa, e sentiu um leve aperto e teve que fazer sua melhor cara de paisagem para não denunciar o que estava acontecendo embaixo da mesa. – Ele já está voltando e receio... – parou a frase no meio ao sentir as mãos do moreno se dirigir para sua virilha. – receio.. que ele não ficaria feliz de ver você na cadeira dele... sem ofensas.
- Ele te mantém em rédea curta. – A loira sorriu de novo. – Se você fosse meu, eu também te manteria na coleira. – Ela se abaixou e quase esfregava os seios no rosto de John. Com isso, ela passou o indicador no queixo do loiro, e se virou para sair, rebolando descaradamente.
Enquanto isso, um par de mãos embaixo da mesa desabotoou sua calça e deslizou o fecho para baixo, John arregalou os olhos e quase teve um infarto quanto sentiu os dedos de Sherlock o tocando por cima da cueca que vestia.
- Puta que pariu! – John colocou o cotovelo na mesa e escondeu o rosto na mão, o que Sherlock estava fazendo?
- Algum problema, meu amor? – A loira se virou e falou próximo ao ouvido de John.
John sorriu, e fez um gesto com as mãos de "não foi nada não", fazendo a mulher se afastar novamente, ainda sorrindo. Quando ele tentou se levantar da cadeira, mas um par de mãos embaixo da mesa o segurou pelas coxas e deixou preso no lugar. Ele ainda sorria para a mulher que flertava descaradamente com ele de longe, rezando para que ela não voltasse, e se perguntando como foi que infernos ele foi parar nessa situação. O seu sorriso podia ser descrito como amarelo e morto-de-vergonha.
Ele podia estar sentado, lutando por retomar o controle emocional de seu corpo, aturdido pela situação que se passava debaixo da mesa, sob os tecidos do forro, Ele estava em um frenesi de emoções e excitação, seu sangue correndo rápido e seu coração martelando no peito. A maior surpresa ainda estava por vir, seus sentidos foram completamente tomados e qualquer que fosse a linha de pensamento de antes sumiu, quando ele sentiu Sherlock tirar seu membro de dentro da cueca segura-lo com seus dedos longos.
Ele sentiu a respiração do moreno, e acabou soltando um suspiro quando sentiu a língua dele passar de leve na extremidade. Quando ele voltou a respirar, teve que pausar no meio, pois sentiu o amigo cobrir seu pau com a boca. John engoliu um grito e segurou com as mãos a boca, tentando não vacilar no seu autocontrole, que alí, era muito pequeno. O suor escorria de sua testa, Sherlock lambia até a base do seu pênis, ele olhava ao redor, frenético, desesperado, igual a menina que ele viu no começo da festa, e Sherlock o abocanhava novamente e começava a chupá-lo. John segurava a testa agora, mordendo as bochechas por dentro. Um vazio na sua cabeça, seu corpo e pensamento completamente tomados pelas sensações que o moreno proporcionava alí, embaixo da mesa.
Ele não conseguia mensurar o tempo que aquilo já estava acontecendo, seu pau parecia que ia explodir, ele inteiro parecia que ia explodir. Seu maxilar estava tensionado, ele segurava com ambas às mãos a testa, tentando não soltar nem um pio, mas suspirando de vez em quando. O loiro já nem se importava de manter as aparências de "nada acontecendo aqui, move on" para as pessoas ao lado. Ele nem se lembrava mais de ninguém nas mesas ao lado.
Sherlock, parecia perceber suas mal fadadas tentativas de autocontrole, e parecia se divertir com a situação alí embaixo. Ele sentiu o moreno sugar só a ponta e se aprofundar, ele sentia suas mãos apertarem as suas coxas.
- "OH MEU DEUS" – Ele pensou desesperado.
Ele queria deslizar um pouco mais para baixo na cadeira, para dar mais acesso ao amigo. Ele já começava a fazer isso, segurando ainda a testa, e cobrindo a visão, quando ele ouviu:
- Tudo bem doutor Watson?
John levantou a cabeça e seus olhos pousaram em um homem alto que se apoiava em um guarda chuva.
- Mycroft! – Ele disse em um tom estrangulado.
Continua...
Nota da autora: Oie pessoal! \\o\\... Esse é o décimo oitavo capitulo da fic, espero que tenham gostado...
Por favor, não briguem comigo, esse capitulo foi imenso e pelo menos eu acho que eu toh perdoada pelos trocentos dias sem atualizar.. toh perdoada não estou? Ç_Ç Não?
Bom nesse período de ausência, eu estressei, briguei, disse 50 vezes a palavra não e viajei de férias para Fortaleza. E conheci a linda da Moe minha antiga beta, ela é fofa e muito linda, e me ajudou algumas vezes nas minhas crises de falta de inspiração.
A Ash Queen é uma amiga de longa data que está me ajudando nesse pequeno projeto, ela pegou todos os capítulos anteriores e está corrigindo para mim, os benditos erros de português e alguns pontos incoerentes na fic.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Meus planos para esse capitulo eram para terminar na parte que eles saiam de casa para ir para a festa, pois não tinha gostado que tinha escrito para o jantar. Mas com seus dedos fantásticos e seu humor brilhante ela me ajudou a tirar água de pedra.. xD
Sou muito grata por sua ajuda e por surtar comigo no telefone, pelo celular e na pizzaria... xD
Então, algumas pessoas devem ter se perguntando: Sherlock Ruivo? O_O como assim? Tá doida fia? Pois é.. ruivoooo.. *_* tem uma foto do Benedict ruivo e elficamente linduuuu que compartilho com vocês e claro que tem uma do John também, com o cabelo um pouco maior... tenho certeza que tem gente eu vai AMAR xD é só entrar no meu meu Tumblr só procurem por: karlamalfoy
Tradução da capa do livro que Sherlock está lendo na cama:
1 — "Skillnadenmellanmedicin ochgift" — A diferença entre remédio e veneno. — Em sueco.
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi do capítulo 17: Naty, Lara, Mylena, Dilikilol, Klastiel, Mitsukusu, Aurora, Gabby, Paulinha, Nini, Makie, Ash Queen, Bia, Nathalia,
Se eu esqueci de alguém, forgive me!
Repostas das reviews sem login do capitulo 17:
Naty: Safadinha? Eu? Quem me dera.. xD O safadinho é o Sherlock por ficar se exibindo por pobre do John.. xP
Mitsukusu: Oh, fico feliz que esteja gostando.. também não sou muito fã de drable ou oneshot tipo com 1000 palavras.. _ seis da manha? Vai dormir! \\o/ mentira.. continue lendo.. \\o\\.. brigada por ler e comentar...
Makie: Não se descabela não amore! Ç_Ç tá aqui.. /o/ É sua primeira fic JohnLock? *_* a primeira a gente nunca esquece.. X_X tenso.. kkk espero que tenham gostado do capitulo.. \\o/
Bia: Leu em tempo recorde? Sério? xD acho que gostou né? Espero que tenha gostado desse capitulo também.
Nathalia: Oh linda, sorry pela demora... mesmo... Ç_Ç mas espero que tenha gostado desse capitulo, as coisas estão começando a ficar quentes.
Mesmo com a Betagem da Iza Amai e Ash Queen se por acaso sobraram alguns erros, lembrem-se eles são todos meus.
Notas sobre a fic
Os vinhos que Sherlock toma é um Camis, 2006, um vinho carbenet servinohn, destinado ao paladar masculino e o Morandé que é o que John toma é um vinho pra mulher, notas amadeiradas) – é um pinot noir. Ambos chilenos e muito bons. (dica de um conhecido) Coitado do John, eu sei sou má, mas em minha defesa eu digo que a ideia não foi minha.
Contatos: Para quem quiser entrar em contato comigo, fique a vontade e me adicionarem no Twitter: karlamalfoy, MSN: karlamalfoy Hotmail. com ou pelo e-mail: karlamalfoy yahoo . com . br . Serão todos muito bem vindos!
Atualização no dia – 24/02/2013, sim agora temos prazos, pois descobri que preciso ser pressionada.. xD
Campanha façam uma autora feliz e com inspiração, mandem reviews \\o/
Próximo capitulo: Teremos um pouco da da fic sobre o ponto de vista do Lestrade...
Cenas do próximo capítulo:
Lestrade subia as escadas de Baker Street 221B, eles estava cansado, já tinha perdido a conta de quantas horas de sono tinha perdido por causa do caso do "Homem Bomba" e mais uma vez Sherlock estava escondendo provas dele.
Subiu o último degrau da escada e quando ia bater na porta escutou sons estranhos, parecia que dentro do apartamento estava acontecendo uma briga.
- Não... – comentou consigo. Alguma coisa parecia ter caído no chão e quebrado.
Lestrade pegou sua arma do coldre e a destravou e quando ia chutar a porta, uma voz atrás de si o fez parar.
- Não seria sábio da sua parte interromper.
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