Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
11 Capítulo 11 - Tempo de Ouvir
Notas iniciais
Avisos: Está fic é de conteudo Slash, ou seja, relacionamento entre homens. Se não gosta, por favor não leia.
Avisos 2: Nesse capitulo alguém vai ter um pequeno ataque de ciúmes, e alguém vai ler um soco merecido.
Enjoy...
PS: O site do Nyah desabilitou a opção de formatar texto na hora que o autor está postando fics. Então se por ventura tiver algo sem formatação, a culpa não é minha ou das minhas betas.
Avisos 2: Nesse capitulo alguém vai ter um pequeno ataque de ciúmes, e alguém vai ler um soco merecido.
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Disclaimer: Sherlock Holmes, suas histórias e seus personagensforam criados por Sir Arthur Conan Doyle, a serie televisionada foi criada por Steven Moffat e Mark Gatiss e são de propriedade da BBC. E eu sou só uma fã ardorosa de seus personagens, quer dizer de alguns, pois têm outros que dá vontade de matar... (cara de brava) e só para lembrar... Eu não quero e nem pretendo ganhar dinheiro com eles. Seria felicidade demais para uma pessoa só, deixo isso com o povo da BBC... Tempo de Ouvir John desligou o alarme do seu celular pela décima vez, juntando coragem para se levantar. O alarme tocava a cada cinco minutos. Havia dormido por uma hora, apenas uma maldita hora. Sentia-se tão cansado, fisicamente quanto mentalmente. O loiro fechou os olhos por alguns segundos e o seu celular estava despertando novamente. Sentiu uma vontade louca de jogá-lo na parede. — JOHN, DESLIGUE ESSE MALDITO ALARME! Sherlock gritou do andar de baixo. Eu preciso pensar, mas esse maldito barulho não deixa! O doutor gemeu de frustração, se comportando como uma criança de cinco anos cobriu a cabeça com o cobertor enquanto o aparelho celular continuava a tocar. Sara havia saído do hospital, mas como seu estado era delicado, estava de licença médica por três meses. John, de alguma forma, se sentindo responsável pelo o que tinha acontecido a ela, se prontificou a atender todos os pacientes que estavam agendados para a médica. Logo, sentia na pele os efeitos do trabalho de jornada dupla, chegando cedo para abrir a clínica e ficando até tarde para fechá-la. — JOHN, DESLIGUE ESSE MALDITO TELEFONE OU SUBO E O JOGO PELA JANELA. Sherlock gritou novamente. John resmungou algo sem sentido, levou a mão ao lado da cômoda pegando o aparelho e desligando o alarme. Se o loiro não se levantasse naquele momento, não conseguiria tomar seu chá, chegaria atrasado para abrir a clínica e como por consequência, ficaria até mais tarde atendendo pacientes. Suspirou cansando. Levantou da cama sentindo os ossos do corpo reclamar. A dor que sentia era muito maior que qualquer outro tipo de dor. Poderia estar doente? Pois bem, não podia se dar ao luxo de ficar doente, afinal, era médico. Ao ver da população, os profissionais da área não adoeciam. Doce engano. Por fim, pegou seu roupão, vestiu por cima do pijama, descendo as escadas para o térreo. Chegando a sala, deparou-se com o detetive esparramado no sofá, o robe de ceda azul cobria-lhe o corpo. Sobre a pele do braço direito, havia três adesivos de nicotina. Seu amigo estava entediado e irascível desde a viagem. O último caso que Lestrade havia-lhe passado tinha-se revelado fácil e chato, como o mesmo classificou, quando colocou os olhos por poucos segundos em cima do corpo. Tinham voltado para casa depois disso, tendo Sherlock neste estado de humor desde então. O moreno passava seu tempo olhando para suas anotações do caso intitulado Homem Bomba, que estavam coladas na parede. Ficava por horas a fio conversando consigo mesmo. O caso estava deixando-o maravilhado e irritado simultaneamente. John passou pela sala e não disse nada. O loiro não era sociável pela manhã, enquanto não tomava sua caneca de chá. Colocou a água para esquentar voltando para o quarto, na intenção de tomar banho enquanto a água fervia. Quando voltou, preparou seu chá, sorvendo o primeiro gole como se sua vida dependesse disso. Mal havia terminado de tomar a caneca quando viu Sherlock estender o braço em sua direção. O doutor queria soltar alguns impropérios ou reclamar, contudo não tinha força ou ânimo para tal. No fim, colocou mais chá na sua própria caneca e entregou ao detetive. Buscou sua pasta, olhou o relógio e observou que já eram 06h30min da manhã. Devia estar na clínica as 07h00min, logo, precisaria correr para não chegar atrasado. Iria sair, mas ao se virar para fechar a porta pode ver Sherlock fitando a caneca de chá com uma expressão estranha no rosto. XxxxxxxxX John observou o relógio na parede da sala de seu consultório, já passavam das onze horas da noite. Suas costas estavam-lhe matando. Só gostaria de ter sua cama consigo. Ouvia a paciente em sua frente, tentava forcar no que ela dizia-lhe, mas suas pálpebras não queriam ficar abertas.
— Doutor? A mulher chamou-o, fazendo-lhe abriu os olhos. — Desculpe-me, o que dizia? John se endireitou na cadeira e a dor nas costas incomodou. A mulher repetiu os sintomas. Ela não poderia brigar com um médico tão cavalheiro e bonito como doutor Watson, só que parecia-lhe que o bom homem não tinha uma boa noite de sonos a dias. O doutor se levantou para medir a pressão da paciente quando seu celular vibrou. — Desculpe, só um minuto. John pegou o celular e observou que se tratava de uma mensagem. Preciso que compre amônia. Traga-a quando vier para casa. S.H. O loiro suspirou, colocando o celular sobre a mesa, começando a examinar a mulher. Estava ouvindo o coração da paciente com o estetoscópio quando seu celular vibrou novamente. Ignorou o aparelho, voltando sua atenção a mulher que tinha um sorriso nos lábios. Quando examinava as amídalas da paciente, o aparelho celular vibrou mais uma vez, fazendo com que John passasse os dedos sobre os olhos cansados. — Olhe doutor, deve ser importante. John Watson direcionou um sorriso amarelo para mulher e alcançou seu celular, que possuía duas mensagens. O leite acabou. Traga-o, também. S.H. O médico até sorriu, mas ao ler a segunda mensagem, teve vontade de socar o remetente do SMS. Você ainda não chegou com a minha amônia. Além de estar atrasando meu experimento, alguém pode estar sendo morto por sua causa nesse momento. S.H. — Oh, meu Deus! O loiro gemeu, segurou o aparelho telefônico com uma força desnecessária e respondeu. Compre você mesmo sua amônia, estou ocupado, trabalhando. J.W. Depois de cinco segundos, a resposta chegou. Seu trabalho pode esperar, meu experimento não. S.H. O doutor fitou seu celular sem acreditar no que estava lendo. Raiva borbulhava em sua pele. Se o seu experimento não pode esperar, não será um sacrifício tirar sua bunda magra da cadeira e ir comprar, já que tudo o que você faz é 'em nome da ciência'. Tenho mais o que fazer. J.W. — Sua namorada é ciumenta, hein?! A mulher sorria para John. O loiro tinha se esquecido da pobre senhora que estava atendendo. — Oh, me desculpe senhora Tobias. Não é minha namorada, só um amigo muito folgado. Desculpe-me, mesmo. Termino com a senhora em um minuto. — E quando ia deixar o aparelho celular em cima de sua mesa, o mesmo vibrou novamente. John respirava profundamente, enquanto pensava se lia a mensagem ou não. Por fim, suspirou, se sentindo derrotado e leu as palavras do detetive. Você já viu minhas nádegas vezes demais para saber que elas não são magras. S.H. John tinha um olhar indignado. Segundos depois, recebeu outro SMS. Se você não trouxer para mim o que pedi, vou acabar com todos os produtos de limpeza do apartamento para tirar a quantidade de amônia que preciso, então, não reclame depois. S.H. — Filho de uma mãe! O loiro disse em voz alta. — Algum problema doutor? A mulher parecia se divertir. — Não, senhora Tobias. O doutor pegou o aparelho e escreveu: Certo, me dê uma hora. Eu ainda te mato, Sherlock! J.W. Não se esqueça do leite e, quando for me xingar, faça em alemão. Já disse-lhe que é mais eficaz para liberar a raiva. Sim, John, você é um livro aberto. S.H. O loiro mordeu a língua, colocou o celular dentro da gaveta de sua escrivaninha trancando-a, como se o fato citado fosse fazer com que Sherlock não o atormentasse.xxxxxxx John Hamish Watson não teve uma vida fácil. Sua mãe sempre fora ausente, tendo por consequência seu pai o arrastando para morarem na Austrália. Anos depois, voltaram para Inglaterra onde entrou para a universidade de Londres, se formando em Medicina. Por um tempo, trabalhou como assistente de cirurgião no St. Barth, logo depois indo para a guerra e por fim, sendo baleado. Voltou para Londres como um inválido, até se encontrar com Sherlock. Já havia vivido muito, sobrevivido a muita coisa, se considerando um homem forte, com nervos de aço. Ou talvez de titânio. Era a única explicação plausível para viver ao lado de Sherlock e não ter o estrangulado. Bem, mas de todas as coisas que aconteceram consigo, de tudo o que já havia vivido só existia uma coisa que tirava o médico do sério: A MALDITA MAQUINA DO SUPERMERCADO. O loiro subia a escada do apartamento, a raiva transbordando como uma aura negra que podia ser sentida a vários metros de distância. O médico entrou, observando o detetive tocar seu violino com tamanha serenidade. Sentou-se em sua poltrona, fechando os olhos, numa tentativa de aplacar a raiva que consumia-lhe. John fora capitão do exército, era eximo atirador, tendo matado várias pessoas. Obviamente, não se orgulhava disso, mas sua redenção se adquiria nas vidas que havia salvado. Apesar de tudo o que passou, a essa altura da vida, sentia-se derrotado por uma maldita máquina. O homem suspirou cansado. — Minha amônia, onde esta? Sherlock havia parado de tocar, questionando o parceiro sobre suas encomendas. John lançou o seu melhor olhar assassino para o detetive consultor. O moreno arqueou a sobrancelha e em seus lábios um pequeno sorriso se formou. — A máquina de novo? John, você precisa aprender a operá-la corretamente. Disse Sherlock, em um tom despretensioso. — Aprender a operar a máquina? Aquele objeto infernal não gosta de mim! John protestou exasperado. — John, é uma máquina, não possui sentimentos. Você apenas tem que aprender a opera-la corretamente. O mais alto sentou-se em sua poltrona e começou a dedilhar seu violino. — Eu sei que aquela coisa infernal não tem sentimentos, Sherlock, não sou tão estúpido. Mas ela simplesmente não funciona comigo. A voz do médico tinha um tom irritadiço e derrotado. O doutor viu Sherlock se levantar e ir em direção ao seu quarto. O loiro ficou sem entender a atitude do moreno, então, optou por ignorar. Fechou os olhos, começando a trabalhar sua respiração, na tentativa de se acalmar. — Venha, John. O loiro abriu os olhos, percebendo que Sherlock havia trocado de roupa e estava abotoando seu casaco. Depois, pegou seu cachecol e colocou-o em volta do pescoço. — Para onde, Sherlock? Lestrade ligou? — Não, preciso da minha amônia. XxxxxxxX Os dois homens foram caminhado para o supermercado que ficava aberto vinte quatro horas, pois não era tão longe de Baker Street. John caminhava ao lado do amigo. O moreno parecia-lhe absorto em seus próprios pensamentos, enquanto John aproveitava a deixa para observar o homem ao seu lado. Caminhar com o detetive dava-lhe uma sensação agradável. Era diferente de correr, saltar ou se esquivar de balas. Andar ao lado daquele grande homem era no mínimo gratificante. John sentia como se tivesse borboletas no estômago. Sua mão estava tão próxima à do moreno que, se ele esticasse um pouco os dedos, poderia tocá-lo. Depois de alguns minutos de uma caminhada silenciosa, ambos chegaram ao supermercado. O loiro pegou uma cesta, começando a procurar o que precisava. O olhar de Sherlock era completamente entediado. — Foi você quem quis vir. John comentou displicentemente. — Não estou reclamando, estou? Sherlock pegou uma lata de extrato de tomate e começou a ler o rótulo. O médico o olhou desconfiado. — Por que, exatamente, você quis vir para o supermercado comigo? John pegou uma embalagem de torrada qualquer. — Só quero provar um ponto. Sherlock colocou a lata de extrato de tomate no lugar, deixando o loiro pegar o resto das coisas. Seguiu em direção à outra prateleira, ao fundo do mercado, na sessão de higiene. O médico terminou de pegar o que precisava e quando estava procurando pelo detetive com os olhos, sentiu a presença do mesmo ao seu lado. Observou-o jogar algo de forma displicente dentro da cesta que carregava. John olhou para o que Sherlock havia colocado em sua cesta e engasgou quando viu do que se tratava. O moreno havia colocado um tubo de KY junto com os outros produtos. O loiro conseguiu a proeza de ficar rubro em tempo recorde. — Sherlock, o que diabos é isso? John tentou não parecer tão perturbado, mas falhou miseravelmente. — Creio que o produto é auto explicativo, John. O mais alto respondeu, pegando seu aparelho telefônico do bolso, digitando algo. O doutor estava na fila para pagar os produtos, ainda sentindo o rosto arder de vergonha. O que Sherlock iria fazer com aquilo? O loiro balançou a cabeça, tentando dissipar as imagens mentais (nada puras) que se formavam a cada vez que olhava para a embalagem do produto. Olhou de relance para o moreno e pode perceber que o mesmo olhava com interesse para o lado esquerdo do supermercado, permanecendo com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
O loiro suspirou e voltou sua atenção para a fila. Havia uma senhora a sua frente, que olhou-lhe e sorriu, mas o sorriso sumiu quando a mulher viu o tubo de KY em sua cesta, além de perceber Sherlock logo atrás de John. Em um sussurro baixo, a senhora deixou escapar algo como: Pouca vergonha, fazendo com que John se sentisse um depravado. Quando chegou sua vez na máquina, John respirou fundo. Passou todos os produtos, pegou seu cartão que estava na carteira e o transpôs no leitor. — Cartão inválido, por favor, utilize outra forma de pagamento. A máquina respondeu com sua voz metódica e monótona. John respirou fundo e tentou mais uma vez. — Cartão inválido, por favor, utilize outra forma de pagamento. Foi-se ouvido novamente. O ex-soldado perdeu seu último resquício de paciência, começando a xingar a máquina. Escutou o detetive suspirar a suas costas, mas não se importou, continuando a descontar sua raiva. — John. Sherlock o chamou, mas foi ignorado. John Watson! A voz do moreno foi um pouco mais alta. — Seu monte de ferro inútil. O loiro sentiu mãos em seus ombros. — Se acalme. Dê-me seu cartão. E sem esperar por uma reação do loiro, Sherlock pegou o cartão de sua mão. Olhou o objeto por alguns segundos e suspirou cansado. A fila atrás de ambos só aumentava. John queria enfiar-se em um buraco. O moreno tirou a carteira do bolso do casaco e pegou um cartão. — Use o meu. Entregou-o ao médico. O loiro passou o objeto, vendo a máquina depois de alguns segundos, pedir a senha. Sherlock digitou-a, fazendo com que fosse liberado o cupom fiscal. John sentiu sua indignação aumentar. Mais que depressa começou a embalar os produtos escondendo o tubo de KY no fundo da sacola, pois além das pessoas estarem reclamando da demora, elas estavam olhando feio e cochichando sobre o produto. John mataria Sherlock qualquer dia desses.Xxxxxxx O médico e o detetive consultor voltavam para Baker Street, ambos em completo silêncio. — Você podia ao menos carregar as sacolas. John comentou, para quebrar o silêncio. — Eu estou pensando. Sherlock respondeu. — Você pode muito bem pensar e carregar as sacolas. Por que eu tenho que fazer todo o trabalho duro? John retrucou aborrecido. — Carregar sacolas é chato. — Sherlock ignorou-o, andando tranquilamente com as mãos atrás das costas. O ex-militar pode perceber — pela postura — que o homem ao seu lado estava concentrado em algo. O quebra-cabeça do caso do Homem Bomba estava-o consumindo. — Conseguiu descobrir algo mais sobre o caso? O loiro perguntou, fazendo com que Sherlock olhasse-o. — Eu observo os fatos, John. Olho para as cenas dos crimes, eu analiso as evidências... Contudo, essas não me dizem nada. Pelo menos nada do que eu já não saiba. Sei como é o assassino. Isso foi fácil, mas falta algo. Uma peça que por algum motivo não consegui assimilar. Falta um motivo para os assassinatos. Não há motivação aparente para os homicídios. — O moreno comentou, parecendo intrigado. — Você disse que sabe quem é o assassino? John parou de andar. Sherlock parou logo em seguida, revirando os olhos. — Eu disse que sei como é o assassino. Mas isso não é relevante, John. O detetive voltou a andar, com as mãos nos bolsos do casaco. — Não é relevante saber quem é o assassino? Você ficou doido? John voltou a andar. — Eu já dei o perfil do atirador para a polícia, mas eles prenderam-no? Não, são incompetentes demais para isso. Contudo, prendê-lo não vai fazer com que os assassinatos parem. O atirador só é a pessoa atrás do revólver. Eu quero saber quem é o homem por trás do atirador. O moreno comentou sombrio. Se prendermos o atirador, o mandante simplesmente contratará outra pessoa e as mortes continuarão. O homem mais alto suspirou, parecendo voltar a pensar. — Quem garante que o atirador não é a cabeça por trás dos assassinatos? O médico indagou. — Não, John! Concordo que o atirador é inteligente, mas sua inteligência tem limites, e pelo estado que encontramos o corpo do assassino da sua irmã, ele é muito passional. O moreno levou uma das mãos ao queixo como se analisasse as próprias palavras. — Passional? O doutor Watson franziu as sobrancelhas. — Sim. Os dois primeiros corpos dos assassinos que encontramos no beco, foram de certa forma profissional. Pólvora na medida certa, sem muitos vestígios para que eu pudesse fazer uma análise descente... Isso foi queima de arquivo, John. Ele só está limpando a bagunça de alguém. Pararam à porta do número 221B. — Limpando a bagunça de alguém? O outro homem não estava acompanhando o raciocínio do "homem máquina". — Não vou me repetir, John. Sherlock comentou exasperado. — Foi uma pergunta retórica. O loiro encarava o detetive de forma zombeteira. — Sim, John. Alguém está por trás dos assassinatos. Mas em algum ponto essa pessoa não fica contente com o que acontece e simplesmente manda sumir com tudo. Sherlock olhava para porta com o número 221B fixado. — Mas o que você quis dizer com ele ser passional? Acabou por perguntar. — Não ouviu nada do que eu disse-lhe? Onde está com a cabeça? O moreno retirou o cachecol do pescoço. — Escutei cada palavra. John desejou ter um pouco mais de paciência. Só cometi o erro de não conseguir acompanhar sua linha de raciocínio. — Aparentemente, ninguém consegue. Não vai abrir a porta? Estou congelando aqui fora. Sherlock olhava para o menor parado na calçada. — Eu estou com as mãos ocupadas. Acho que pode deduzir isso, não é? Não precisa ser um gênio. O loiro olhava para o amigo que mantinha um olhar curioso no rosto. — Minhas chaves estão lá em cima. Sherlock cruzou os braços atrás das costas. — Então bata na porta e chame à senhora Hudson. — A senhora Hudson não está. Saiu hoje e muito provavelmente só voltará amanhã. — O moreno parecia impaciente. Você tem a chave, abra a porta. Meus experimentos não podem esperar. — A chave está no meu bolso, pegue-a, depois abra a porta. John virou-se de lado. — Por que não abre você? O detetive revidou. — Sherlock, minhas mãos estão ocupadas. John disse exacerbado. — Coloque as sacolas no chão. O mais alto fitava-o. — Eu não vou colocar a comida no chão só porque você quer. Você tem duas opções: Ou pega as sacolas e eu abro a porta, ou você pega a chave no meu bolso e abre a porta. Simples, escolha. John olhou-o de forma desafiadora. O loiro presenciou Sherlock o analisando. Podia ver o cérebro do mago do raciocínio trabalhar nas possibilidades, só não entendia por que o moreno simplesmente não abria a porta. Bem sabia que Sherlock era avesso a contatos físicos, mas era isso ou sofrer hipotermia. O moreno pareceu escolher sua opção, pois tirou as mãos do casaco e se aproximou do loiro. Sherlock parou a poucos centímetros de John, olhando-o por alguns segundos. O loiro prendeu a respiração. Na maioria das vezes, conseguia prever os movimentos do inglês mais novo, contudo dessa vez não conseguiu perceber pela postura do amigo o que ele iria fazer. O médico observou Sherlock mover o braço em sua direção, quase como se fosse abraçá-lo. O loiro deu um pequeno grito sufocado quando sentiu a mão do detetive consultor em suas nádegas. Foi por apenas alguns segundos, mas para John pareceu uma eternidade. — Sherlock... O... Que... Está fazendo? John conseguiu se forçar a perguntar. Sherlock não respondeu. Afastou-se e foi em direção à porta, segundos depois John ouviu um clique e a porta se abriu. — Vamos. Não quero congelar aqui fora. Entrou, deixando um homem frustrado e raivoso para trás. XxxxxX Certo dia, o doutor estava saindo da clínica e resolveu ir andando para casa. Passou em frente a uma loja e viu algo na vitrine que o fez parar. Sorrindo, entrou na loja. Chegando ao apartamento, colocou o presente em cima da mesa, de frente a Sherlock. — Por que isso? O mais alto perguntou-lhe, sem retirar os olhos do microscópio. — É um presente. O outro respondeu. — Não precisava comprar outra camiseta roxa para mim. Sherlock disse. — Como sabe que é uma camisa roxa? John perguntou, olhando para embalagem. Tentava ver se havia alguma parte de tecido do lado de fora. Oh, tudo bem. Você é o extraordinário Sherlock Holmes. De qualquer forma, comprei-a porque a sua estragou quando viajamos e você gostava dela. — Eu não tenho preferência por cor. O outro rapaz olhou-o confuso. — Mas você a usava com mais frequência. — Isso porque você ficava mais aberto a sugestões quando eu usava-a. O orgulhoso Sherlock Holmes sorriu e foi em direção ao seu quarto. — Cretino. O mais velho disse em voz baixa. XxxxxX Já havia três dias que o moreno estava envolto com seus experimentos, três dias que não dormia, não comia e não falava com ninguém. Essa situação estava acabando com os nervos do médico. O loiro estava sentado na sala, vestido com seu roupão costumeiro, lendo o jornal. Não havia nada novo. Nenhum caso que poderia arrancar o detetive consultor daquele estado. O moreno já havia jogado vários objetos na parede da cozinha. Por fim, suspirou resignado, levantando-se e caminhando em direção a Sherlock. — Sherlock? John chamou-o, mas não obteve resposta. Nós poderíamos sair para comer, quem sabe isso ajude-o a pensar. — Não estou com fome. — Oh, você falou. Brincou. — Obviamente. Minhas cordas vocais funcionam perfeitamente, portanto possuo fala. Sherlock comentou irritado. — Eu venho conversando com você durante três dias, mas durante esses mesmos dias, não recebi resposta alguma. O loiro cruzou os braços sobre o peito, fazendo com que o outro homem olhasse-o. — Conversou? Não percebi. O moreno voltou sua atenção para o microscópio. — Não percebeu? Agora o loiro sentia vontade de jogar algo, não na parede, mas sim em Sherlock. Estava conversando, tentando ajudar-lhe no caso e você meramente opta por me ignorar? Tudo bem. John saiu da cozinha e foi para seu quarto, algum tempo depois, desceu as escadas. Estava indo em direção à porta quando escutou a voz do único detetive consultor existente. — Onde está indo? Perguntou-lhe. — Estou saindo para comer ou talvez me divertir. Há meses não sei o que é isso. John disse e sua voz saiu raivosa. Quem sabe eu consiga alguém para transar. Pensou consigo. — Você tem um encontro? O moreno tinha um "quê" de curiosidade na voz. — Por que a pergunta? John respondeu com outra pergunta. — Você está usando uma calça Jean nova, não está usando suas blusas xadrezes de costume e sim, uma de uma única cor. Também está com o perfume que normalmente usa quando sai para algum encontro. Estranho... Normalmente, quando tem algum encontro, você passa o dia todo nervoso e tenso, mas não observei esse comportamento hoje. — Só cansei de ficar aqui, sem fazer nada. Estou trabalhando como um maluco, além de sair com você correndo Londres a fora atrás de assassinos. Estou cansado, precisando de um tempo. Chamei você para que saíssemos, mas para variar, recusou. Pois bem, irei sozinho. Fique com seus experimentos e seu precioso silêncio. — Leve seu celular, para caso de Lestrade ligar. O moreno voltou para seu microscópio. — Não me espere acordado, talvez eu arrume companhia e fique por lá. John abriu a porta e quando saiu, bateu-a com toda força que tinha. XxxxxX Já passava da meia noite e John andava sem rumo. Queria tanto voltar para casa e simplesmente dormir. Só gostaria de jantar com Sherlock, passar uma noite agradável conversando com o mais novo no Ângelo ou em outro lugar qualquer. Era pedir demais? Sim, claro que era. Os experimentos eram muito mais importantes. Tudo era mais importante para o moreno. Por que ainda não havia entendido isso? — John? O loiro virou-se e fitou um rapaz muito sorridente olhando-o. — Sebastian? — Olá. O que faz por aqui? O rapaz se aproximou apertando-lhe a mão. Logo em seguida, ganhou um abraço. — Ah, só andando. John ficou sem graça, pois o garoto estava muito próximo de seu corpo. — Meu expediente terminou há poucos minutos. Estava indo para um Pub logo ali na frente, gostaria de me acompanhar? Parece-me que está precisando de uma bebida. John olhou para o rapaz ao seu lado, que era muito bonito. Tinha incríveis olhos azuis, mas possuía uma marca arroxeada na bochecha, quase como se alguém tivesse-o acertado. — Está se perguntando o que é essa mancha no meu rosto? Sebastian perguntou jovial. — Desculpe, não quiser ser indiscreto e ficar encarando.
— Não se preocupe, foi um cliente não muito satisfeito. Já não doe tanto. O dono dos orbes azuis passou a mão direita pela marca. Além de trabalhar naquele café, trabalho em um Pub. Por vezes, as pessoas bebem demais, falam demais e quando escutam o que não querem ficam violentas. O sorriso do rapaz diminuiu um pouco, mas ele balançou a cabeça como que para dispersar os pensamentos que o aborreciam, voltando-se na direção de John. Então, vamos? O doutor mirou o relógio em seu pulso. Não queria voltar para Baker Street e dar o gostinho a Sherlock de saber que não tinha encontrado nada. Beber um pouco não faria mal. — Bom, vou tomar só duas canecas de cerveja e depois vou embora. Disse, acompanhando Sebastian que tinha um sorriso redondamente assombroso no rosto. Quando chegaram, Sebastian arrastou o mais baixo para dentro do Pub. O local estava cheio. Uma música que John nunca havia escutado tocava ao fundo. Ouviu o garoto loiro pedir ao garçom uma cerveja e outra bebida que não conhecia para si. Depois de algumas canecas de cerveja, o loiro mais velho percebeu que o rapaz tinha uma conversa fácil, era jovial, além de encantador. Sentia-se muito leve e se viu rindo muito durante o tempo em que estavam conversando. Até que olhou para o lado e viu um casal se beijando. Só para constar, os dois eram homens. John piscou, olhando para a outra direção, envergonhado, mas mirou outro casal fazendo a mesma coisa. — Sebastian, esse Pub é um... — Sim, John, esse é um Pub GLS. Algum problema? Sebastian perguntou divertido, pois John estava corado. — Oh... Não... É só que... Nunca tinha vindo á um. O doutor olhou para um canto escuro do local e arregalou os olhos ao ver um rapaz sentado em uma cadeira, gemendo, por consequência das mãos de outro jovem em suas calças. Oh, JESUS CRISTO! O loiro virou o rosto mortificado. Sentiu seu celular vibrar, mas ignorou. — Então... Quer falar do seu problema? Acho que depois de algumas canecas de cerveja seja mais fácil. O jovem garçom sorria para o homem mais velho a sua frente. — Eu não tenho problema algum. John disse levando a caneca a boca e bebendo um longo gole da cerveja. — Sou um bom observador. Vejo que está cansado, além de frustrado. Só não consegui identificar se com seu trabalho ou com seu namorado. — Sherlock não é meu namorado. Disse aborrecido. — Em momento algum eu disse-lhe que o Sr. Holmes era seu namorado. O jovem mordia os lábios, segurando o riso. — Oh! Eu... Hum... Bom... Ah, esquece. John disse passando as mãos pelos cabelos. — Bi? Sebastian indagou. — Como? O loiro não havia entendido. — Hum... Não sabe? Ou não se decidiu? O garoto tinha uma expressão estranha no rosto, que o médico não conseguiu identificar. — Você sabe o quão adorável é? Sebastian colocou sua mão por cima da do loiro que estava sobre a mesa. John afastou a mão, estranhando o toque repentino. — Eu preciso ir embora. O doutor tentou levantar-se, mas se sentiu tonto e voltou a sentar-se. Me sinto estranho. Fechou os olhos com força e abriu-os, na tentativa de recuperar o foco. Sentiu o aparelho celular vibrar em seu bolso, tentou pegá-lo, mas não obteve sucesso na tentativa. — Caso queria, posso deixar-lhe em casa. Meu carro não está muito longe daqui. — Sebastian tentava ser solícito. — Você também bebeu, não pode dirigir. — John matinha os dedos sobre as têmporas. — Não bebi tanto quanto você. Sou perfeitamente capaz de dirigir. Vamos, eu te ajudo a levantar. Sebastian se levantou, dirigindo-se á direção de John, ajudando-o a caminhar para fora do local. John disse-lhe o endereço encostando a cabeça no banco do carro, logo depois fechando os olhos. Nunca havia passado mal com apenas alguns copos de cerveja. Talvez porque não houvesse comido. Sua cabeça girava e seu estômago reclamava. Tudo que podia esperar era não vomitar no veículo de Sebastian. — Chegamos. A voz do jovem loiro estava estranha aos ouvidos do médico... Ou seria a bebida afetando seus sentidos? John agradeceu, começando a tirar o cinto de segurança. Mesmo na situação em que se encontrava, pôde perceber que Sebastian também retirava o cinto. O loiro ficou sem entender o porquê e quando se virou para perguntar, sentiu Sebastian segurar seu rosto, beijando-lhe. O loiro ficou sem reação, sentindo os lábios de Sebastian nos seus. Algo dentro de si gritava que a situação estava errada, porém não estava em condição de reagir. John ouviu a porta ser destravada e logo um par de mãos grandes o arrastava para fora. — O que pensa que es... Sebastian parou no meio da reclamação, assim que observou quem estava retirando John do carro. — Sugiro que vá embora, Sebastian. Sherlock lançava ao rapaz um olhar aterrorizador. — Boa noite, John! O garçom ligou o carro e foi embora. O detetive ajudou o mais baixo a subir as escadas, já que este não conseguia ficar de pé. Quando chegaram à sala, o moreno largou-o no sofá e foi para o outro lado da sala, ele andava de um lado para o outro como um animal enjaulado. — Você tomou algo mais do que a cerveja? O moreno olhava-o do outro lado da sala. — Não... John gemeu, se o mundo parasse de rodar, ficaria muitíssimo grato. — Eu enviei-lhe duas mensagens. Sherlock reclamou. — Eu tentei ler, mas não consegui. Tentou defender-se. O mais velho encolheu-se no sofá, sentindo seu estômago queimar. Oh, Deus! — Sente tonturas, enjoos, queimação no estômago e boca seca? Alguém lhe drogou. Com passos lentos e predatórios, o detetive consultor se aproximou de John, virando-lhe para si, beijando-o. John congelou no lugar, arregalando os olhos. A língua de Sherlock pedia passagem para dentro da sua boca, John entreabriu os lábios deixando a língua de Sherlock explorar a sua, John gemeu de puro prazer e enlevo. Se esquecendo da dor, das tonturas e dos enjoos, levou as mãos a nuca do mais alto, trazendo-o mais para si. Mas tão rápido como começou, se findou. Sherlock se afastou. — Sher...lock? Chamou-o vacilante, sua voz soando abafada. — Sim, você foi drogado. — Como? Como sabe que fui drogado? A sensação de tontura retornava em maior intensidade. — Pelo gosto da sua boca. O detetive consultor parecia pensar sobre algo. — Oh, por isso me beijou? O loiro começava a irritar-se com as pessoas que o beijavam sem permissão. — Vocês estão saindo? Não parece ser o caso. Sherlock respondeu a própria pergunta, o mais alto fitava-o com um brilho perigoso nos orbes azuis. — Quem? Sebastian e eu? Não... Só encontrei-o por acaso e fomos beber juntos em um... Um Pub qualquer. — Ele beijou-lhe. O moreno estava muito próximo. — Você me beijou também, nem por isso estamos saindo. Disse, irritando-se. Sherlock piscou os olhos parecendo momentaneamente confuso, mas logo voltou a sua postura fria e controlada. — Não faça isso de novo. O mais alto mirava os olhos do médico de uma forma peculiar. O loiro pegou-se sorrindo. Seria possível Sherlock estar enciumado? — O quê? Deixar Sebastian me beijar? Havia um largo sorriso no rosto de John. — Não. — Não? John piscou confuso. Então o quê? — Não responder as minhas mensagens. O moreno afastou-se, indo em direção à cozinha. John sentou-se no sofá sem saber o que fazer. Poderia gritar, xingar ou descarregar seu revólver em Sherlock. Decidiu-se apenas por respirar. — Sugiro que beba muito líquido para que a droga transponha seu corpo. O moreno disse da cozinha. — Não pedi a sua opinião. Se você não se lembra, eu sou médico. O loiro levantou-se, juntando o pouco da dignidade que restava-lhe, indo para o seu quarto. XxxxxX John passou o restante da noite colocando tudo que estava em seu estômago para fora. Não sabia se tinha mais raiva de Sherlock, de Sebastian ou de si próprio. Depois da décima quinta ida ao banheiro, seu sistema digestivo pareceu se convencer que já havia sofrido o suficiente. Por fim, conseguiu dormir. Quando acordou, no dia seguinte, o sol já estava alto no céu. Gemeu, sentindo seu estômago dolorido. Virou-se de lado na cama, sentindo uma pequena toalha deslizar de sua testa, além de uma jarra de água estar pousada em sua cômoda. John sorriu, a senhora Hudson era um amor. O loiro vestiu seu roupão, descendo as escadas, movendo seu corpo em direção à cozinha. Precisaria comer algo leve, se não quisesse outra seção de regurgitação. Quando passou pela sala, viu um Sherlock empoleirado na poltrona. Geralmente, o mais novo só ficava nesse estado quando estava agitado. — O que houve? O homem mais velho estranhou o tom rouco de sua voz. — Hum... John? Finalmente acordou. O detetive levantou-se do estofado. — O que aconteceu? O loiro observava o outro homem se arrumar, como se fosse sair. — Lestrade ligou, outro corpo foi encontrado. Sherlock pegou seu cachecol. — Outro? Ele ligou agora? — Não... Ligou há três horas atrás. Se arrume. Sherlock segurava-o pelos ombros, empurrando-o de volta ao quarto. John estranhou e pensou o porquê do amigo não tê-lo acordado. — Não seja idiota. Você precisava descansar. Sherlock foi para a cozinha. John parou no meio da escada e voltou. Mais uma vez ele tinha pensando algo e seu amigo havia respondido em voz alta como que lendo seus pensamentos. Ok, isso era ridículo, mas ele tinha que tentar. O loiro desceu as escadas e caminhou em direção à cozinha, o médico parou a certa distância e olhou para seu amigo que andava de um lado para o outro na cozinha conversando consigo mesmo. E aproveitando que o mais alto estava de costas, John se imaginou colocando a mão dentro da calça de Sherlock o tocando por cima da cueca. Sherlock parou de andar e se virou olhando na direção do loiro. John mordia os lábios. John viu o amigo o olhar, ele tinha uma expressão estranha, divertida até. — Sério John? Sherlock olhou para as próprias calças. — Você me escutou? — John arregalou os olhos ficando vermelho instantaneamente. O moreno revirou os olhos. — Sinceramente, John. Você tem cada ideia. Suas intensões. Posso ver tudo escrito em seu rosto e corpo. O médico sem dizer uma palavra virou nos calcanhares e foi em direção ao próprio quarto. XxxxxXJohn observava o detetive consultor fazer seu trabalho sobre o corpo encontrado. Era um rapaz e a julgar pela aparência, não tinha mais que 25 anos. O mesmo foi encontrado em um apartamento alugado por dois dias e pago em dinheiro. Não foram encontrados documentos que pudessem identificá-lo. No apartamento não havia quase nenhum tipo de mobília, apenas uma cama e um pequeno aparelho de TV. Não foi encontrado nenhum sinal de arrombamento. Aparentemente, o rapaz havia chegado, deitado em sua cama e falecido. O recepcionista fora interrogado pela polícia, mas tudo o que disse foi que o homem chegara sozinho e não recebera nenhum tipo de visita durante o período de sua estadia. John lia algumas anotações feitas por Lestrade quando o mesmo se aproximou. — Tudo bem, John? O inspetor parecia sem jeito, fazendo com que o loiro estranhasse sua atitude. Este, por sua vez, apenas acenou com a cabeça, em sinal de que tudo estava bem. Fico feliz, depois de tudo o que aconteceu em Salisbury. O doutor fitou Lestrade por um tempo, tentando assimilar as palavras ditas pelo mesmo. Depois de minutos, sua mente clareou e por fim, entendeu o que o inspetor queria dizer-lhe. Enrubescera-se com facilidade, desviando o olhar para a caderneta de anotações. — Hum queria pedir desculpas por ter... Bem, ter... Lestrade gesticulava, tentando fazer-se entender. — ...Interrompido no quarto do hotel... O médico arregalou os olhos, mortificado de vergonha. — Você não atrapalhou nada, Lestrade. Não estava... Acontecendo nada... Nada. — Engoliu em seco. — Nada? O inspetor chefe perguntou descrente. — John? Pode vir dar uma olhada? Sherlock afastou-se do cadáver, tirando as luvas de ambas às mãos. O loiro agradeceu aos céus pela interrupção do homem a sua frente. Aproximou-se, abaixando-se. Começou a fazer suas próprias análises. A vítima em questão não tinha nenhum ferimento no corpo, como fora encontrado no corpo das duas primeiras. John não sentia cheiro de álcool, ou evidências de consumo de drogas, além de o indivíduo parecer não ter sido envenenado. O médico olhou a pele ao redor do pescoço, unhas, couro cabeludo e por fim abriu a boca do morto, cheirando-a. Se levantou, aproximando-se dos presentes no recinto. — Ele morreu por asfixia. — Sentenciou. — Mas o pescoço dele não está quebrado. Anderson que estava à porta comentou. Sherlock, que estava próximo a ele, fechou a porta no rosto do legista. — Como sabe que ele foi morto por asfixia? Lestrade parecia curioso. O detetive consultor fez sinal para que John explicasse. O loiro sentiu-se nervoso com a abertura que Sherlock deu-lhe para explicar a morte do rapaz. — No pescoço e no nariz podemos ver várias petéquias... Começou a explicar, mas foi interrompido por Lestrade. — Peté... O quê? Sherlock suspirou e revirou os olhos, fazendo John sorrir condescendente. — Petéquias são pequenas hemorragias que ocorrem nos pequenos vasos sanguíneos. São caracterizados por pontos vermelhos na pele, entre a epiderme e a derme. Podem ser vistos em casos de enforcamento ou asfixia. Explicou o moreno. — Mas, Sherlock... O... Lestrade tentou perguntar, mas foi interrompido pelo mesmo. — Ele foi morto por asfixia pela orofaringe ou bucofaringe... Não sei qual nome os especialistas usam hoje em dia. O detetive afastou-se, mirando o resto da cena criminal. — Buco... Buco o quê? Anderson havia se colocado ao lado de seu chefe. Lestrade balançava a cabeça para si, mas o legista preferiu ignorar. — Orofaringe ou bucofaringe, como Sherlock disse, é um pequeno espaço da cavidade bucal, compreendida entre a raiz da língua, o palato mole e a epiglote. Watson explicou. Como não sabe disso? Você deve ter visto isso na faculdade. John comentou sem maldade. — Você se acha muito inteligente, não é doutor? Só não é inteligente no momento em que fica de quatro para a aberra... Anderson não chegou a terminar a frase, pois sentiu um punho em seu nariz. Sangue escorria por seu rosto e terminava seu percurso no chão. — Meu nariz... Meu... Nariz... Você quebrou-o! John abria e fechava a mão direita, que continha uma quantidade generosa de sangue. Todos que estavam na cena do crime ficaram em silêncio. A sargento Donovan tentava ajudar Anderson a se levantar, Lestrade mantinha as mãos sobre o rosto, enquanto Sherlock esboçava um pequeno sorriso nos lábios. — Bem, pode me prender agora, Lestrade. Havia muito tempo que queria fazer isso, mas o bom senso não me permitia. Pois bem, agora que minha paciência foi para o espaço, não há mais nada a ser feito. John sorriu, sentindo-se muito bem, toda a tensão dos últimos dias indo embora.Continua... ----------------------------------------------------------- Nota da Beta Ada Kaline: Bem, espero que a betagem tenha agradado a todos os leitores. Lembrando que, a crítica (construtiva) é o que me move, então, não precisa envergonha-se na hora de deixar a review. São apontando os erros, desde os menores até os gritantes, que fazem com que eu melhore cada dia mais. Por fim, quero deixar registrado o imenso agradecimento à leitora LHC, que mesmo sem me conhecer, dedicou parte do seu tempo a ajudar-me com os erros. Apesar de saber que não superei todas as expectativas, espero ter lhe agradado, minha cara. A você, toda a minha estima e admiração. Também, minha estima se volta para você, Karla, que suporta minhas crises existências, passando mais de uma semana sem revisar o capítulo, sem ao menos reclamar. Grande mulher. Por fim, meus cumprimentos a SHolmes. ------------------------------------------- Nota da autora: Oie pessoal!! \\o\\... Esse é o décimo capitulo da fic, espero que tenham gostado... Se tem alguém querendo matar o Sebastian levanta a mão! o/ Esse capitulo foi um pouco mais tranquilo com relação aos demais. Mas aguardem mais emoções para o capitulo 12. A situação tende a piorar. Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi do capítulo 11: Mylena, Piper, Moe, Downey, Lia Collins, Aurora, LHC, Iza Amai, Nanda, Lara, Mell, Lia12 e Mandy H. Se eu esqueci de alguém, forgive me!!! Queridas leitoras: Cintia, Gina, Hermini Yaoi: Minhas lindas, estou bem e não sumi e não pretendo deixar de escrever a fic, demorei a postar o capitulo porque a real Life está cobrando seu preço... Então estou trabalhando muito e ganhando pouco... xD ---------------------------------- Mesmo com a betagem da Ada Kaline e da SHolmes se por acaso sobraram alguns erros, lembrem-se eles são todos meus.
Campanha faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida!! \\o/-------------------------------------------- AVISOS: Queridos leitores do Nyah fanfiction, alguns ficwrites estão reclamando que o pessoal do Nyah está excluindo suas fics sem prévio aviso. E muitos estão abandonando o site por causa disso. Não sei até que ponto isso é sério. Mas se por ventura em um belo dia vocês acessarem o site e minha fic tiver sumido, é só vocês entrarem no meu perfil do FF.Net que a fic está sendo postada lá também. ------------------------------------------------------ Reviews sem login: E para aqueles que estão me mandando reviews perguntando da atualização, vocês podem me mandar uma mensagem em privado que vou adorar responde-los, pois quando vocês mandam reviews sem logar eu não consigo responder. Então se quiserem saber do andamento da fic é só vocês me adicionarem no Twitter: @karlamalfoy, MSN: karlamalfoy @ Hotmail. com ou pelo e-mail: karlamalfoy @ yahoo . com . br . Serão todos muitos bem vindos!-----------------------------------Agradecimento especial: Gostaria de agradecer a leitora Mell Ichihara pela recomendação da fic no site do Nyah, fiquei explodindo de felicidade por cada palavra que disse sobre a fic, fico muito feliz e lisonjeada por você se sentir assim em relação à fic. Muito obrigada mesmo. ------------------------------------ E por ultimo, mas não menos importante, hoje dia 10/08/2012 é aniversário da Ada Kaline. Minha beta linda e maravilhosa. Te desejo tudo de bom e um pouco mais. Obrigada por ser essa linda pessoa que é. Não surtando com os meus erros de português e transformando a sandice que eu envio por e-mail na mais pura poesia. ------------------------------------------------Atualização no dia 18 de Agosto Eu acho... @___@ -------------------------------------Próximo capitulo: Adivinha quem vai parar na cadeia junto com John? Sentiram saudades do Holmes mais velho? E John tem um péssimo dia. ======================================================================= Cenas do próximo capítulo: — Sherlock, pelo amor de Deus! John segurava as barras da cela em que estavam. Era só você ter sido um pouco mais educado. — Nunca irei pedir nada a Mycroft! Sherlock disse fazendo bico. — Pois, é! Agora estamos presos na mesma cela e só tem uma cama. — É só você dormir no chão. Sherlock estava em pé, mas resolveu sentar-se a cama. — Eu? No chão? Nem morto! John se afastou das barras e ficou encarando Sherlock. — A cama é perfeitamente capaz de comportar nós dois. O moreno disse.
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