Até Onde Chega Sua Sede De Vingança?
1 Capítulo 1
Numa tarde de inverno, dentro de um bosque, ouvia-se ao longe o choro de uma menina. Uma pequena figura tremia descontroladamente encoberta pela névoa densa.
Debaixo de uma árvore, ela soluçava. O choro de raiva era o único som que ecoava pela floresta escura e silenciosa.
— Isso não pode ficar assim! Não vai ficar assim! – sussurrava desesperadamente a si mesma.
Em sua mente estava fixada a imagem dele rindo debochadamente.
Fizera uma brincadeira de muito mau gosto. Dissera a ela que queria encontrá-la no parque à tarde. Como ela gostava do menino, foi totalmente arrumada esperando ouvir o que queria.
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— Oi. – disse ele apoiado numa árvore com as mãos nos bolsos.
— O-oi. – ela disse de cabeça baixa.
— Sabe, eu te chamei aqui, por quê queria dizer uma coisa. – se aproximou passando a mão por seu rosto.
— O... quê? – ela já quase não respirava.
— Eu sempre te achei muito interessante.
— Obrigada... eu tamb-bém sempre te achei... interes-sante.
— Mas sabe o que eu queria mesmo te dizer? – ele já sussurrava em seu ouvido, não havia nenhum espaço entre eles. Ela fechou os olhos.
— O q-quê?
— Que você é muito... idiota! – ele deu um passo para trás e começou a rir.
Logo outros garotos se juntaram a ele, surgindo dos arbustos e de cima das árvores, muitos com câmeras nas mãos.
— "Ah, obrigada! Eu sempre te achei interessante também!" – todos a imitavam de forma ridícula.
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Esta noite ela teria sua vingança, não importa onde, ela apenas queria ouvir os gritos e súplicas de quem havia lhe arrancado o coração e pisado em cima. Secou o rosto e rumou para sua casa, onde pegou tudo o que precisaria dali em diante.
Andou pelas ruas até parar em frente a uma casa. Ouviu a voz de sua vítima aparentemente feliz. "Você não ficará tão feliz com a minha surpresa!" sorriu diabolicamente. As luzes apagaram.
"É hora do show!" Ela entrou pela janela do quarto do garoto, que a deixara aberta. Por precaução pegou um lenço embebido em clorofórmio e andou devagar até a cama dele, que já dormia.
— Olá amor. Se lembra de mim? – ela sussurrou com os lábios roçando sua orelha. Ele se remexeu e abriu os olhos débil e assustado.
— O que voc... – ela tampou sua boca e nariz com o lenço ensopado e em poucos segundos o menino estava inconsciente.
Ela o levou para o mesmo bosque em que chorou por ele durante horas. Quando teve a certeza de estarem bem longe da civilização, o garoto já recuperava a consciência. Com uma corda de linho ela o amarrou à uma das árvores.
— Hã... o quê está acontecendo? – ele olhava em volta tentando entender o que se passava.
— Acordou meu bem? Deve se lembrar de mim, não é? – a voz dela era baixa e de certa forma, sedutora. Queria provocá-lo ao máximo. – A menina bobinha de quem você riu no parque. Sua brincadeira deve ter sido divertida para você, não é? Mas agora quem quer brincar sou eu.
Ela pegou um facão de dentro da bolsa e passou pela roupa dele, que tremia de medo e de frio.
— Esse meu joguinho é de perguntas e respostas, e quem dita as regras sou eu. Primeiro, – ela rodeou ele devagar, como um felino feroz cercando sua presa. – você pode falar apenas quando for responder as perguntas.
Ele abriu a boca para dizer algo e ela o olhou advertindo-o. Ele acenou com a cabeça.
— Pelo jeito já entendeu o jogo não é? E se você errar as respostas, será castigado. – ela passou o facão pelo rosto do garoto de forma que não o cortasse, o jovem suava frio. – Primeira pergunta. Aquela sua brincadeira, você que teve a ideia de fazê-la?
Ele encarou o facão e sua voz falhou.
— N-não... f-foi um dos meus am-migos. – ela sorriu e aproximou seu rosto do dele.
— Resposta errada. – ela passou a lâmina do facão pelo braço do menino que se abriu revelando a carne e sangue rubros. Os olhos dele se fecharam fortemente e um grito de dor escapou de sua garganta.
— Próxima pergunta. – ela se deliciava com os gemidos e as lágrimas de dor de saiam do garoto. – Você chamou os garotos para presenciarem o "showzinho"?
— A-alguns vi... eram porq-quê o-ouviram a conversa.
— Ah, quer dizer que os outros você chamou! – o sorriso já desaparecera de sua boca, dando lugar à raiva evidente.
— NÃO! Não foi isso... – ela colocou seu dedo indicador sobre os lábios dele fazendo-o se calar.
— Isso não foi uma pergunta. creio que isso merece um castigo não? – ela cortou seu abdômen fazendo-o gritar enquanto o sangue jorrava do ferimento. A menina pegou um cutelo. Sua raiva já estava explodindo e assim que o grito cessou, ela se afastou de costas para ele e fez a última pergunta. – Quanto ao que você me fez passar, você se arrepende?
— S-sim, sim, eu me arrependo, mas por favor, me solte! – ele já chorava.
Ela se virou para ele e disse com lágrimas nos olhos e toda a raiva que sentia.
— Resposta errada.
Num só golpe do cutelo ela o decepou e passou a desmembrá-lo sem piedade. Golpeou o cadáver com o facão até sua raiva se esvair completamente. Guardou as armas do crime, incluindo as cordas e jogou o corpo perto da entrada do bosque. Junto com a cabeça, que ainda continha a expressão de terror estampada, deixou um bilhete. Saiu andando lentamente sem rumo, queria apenas sair daquela cidade e começar sua vida outra vez. E naquele bilhete continha a informação mais importante que um garoto precisa antes de pensar em partir o coração de uma menina.
"Isto é um aviso para todos os homens, jamais brinque com os sentimentos de uma mulher, ou você poderá ser a minha próxima vítima."
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