Até As Últimas Consequências
23 Um Pedido
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
— Um grande amigo meu me telefonou e nos convidou para irmos jantar em sua casa hoje à noite.
— Você quer que eu vá junto? — Ela perguntou feliz por ele estar incluindo no passeio.
— Claro que sim, devemos sair daqui no máximo umas 18h15, pois ele mora em Rosings.
— Estou muito animada para conhecê-lo.
— E eu também.
* * * * *
Depois do almoço, enquanto Darcy abria a loja para atender alguns clientes, Elizabeth junto com Georgiana resolveram ir dar um passeio, a menina perguntou se poderiam ir de bicicleta, mas como Elizabeth não sabia como andar em uma, foram caminhando até o centro da cidade. O objetivo principal daquela ida a cidade, era para Elizabeth descobrir exatamente onde ficava o endereço da clínica do doutor Magregor, e ver quanto tempo levaria para chegar até lá.
Georgiana serviu como ótima guia, e Elizabeth ficou encantada com a mudança que se operara desde 1795. Pemberly se modernizara e se antes era uma cidadezinha bonita, ao que parecia tinha desabrochado.
— Pemberly se tornou uma linda cidade. — Falou consigo mesmo ao chegarem ao centro da cidade, elas levaram uns vinte minutos, um ótimo tempo se considerando que andaram devagar.
Georgiana que caminhava segundo a sua mão olhou para ela.
— Muita coisa mudou?
— Sim, antes tinha algumas propriedades, e o comércio local era pequeno. Mesmo assim era encantador.
— Posso te perguntar uma coisa? — Georgiana perguntou timidamente.
— Claro querida.
— Se você pudesse viver nesse século, você viveria? — Georgiana a olhou com o rostinho cheio de expectativa.
Era uma possibilidade que não havia passado pela cabeça de Elizabeth e para falar a verdade nem sabia se seria possível. Pensar na possibilidade de poder viver ali com a filha seria muito bom, mas não sabia se seria possível. Resolveu ser sincera com a menina.
— Nunca pensei nisso, mas quem sabe?
Georgiana assentiu e não tocou mais no assunto. Ela mostrou os pontos turísticos, e o que mais interessava a Elizabeth o consultório, agora era só aparecer uma oportunidade para ir até ali, de preferência um uma noite que Fitz não estivesse em casa.
* * * *
Darcy fechou a porta da loja e foi para casa. Já estava começando a ficar preocupado com a demora das duas, quando olhou para o relógio e percebeu que faltava pouco tempo para as 17h10 e nada das duas. Elizabeth disse que gostaria de ir conhecer o centro e que queria ir andando, prontamente sua filha disse que iria com ela, já que ele teria que ficar na loja e achando que aquela seria uma boa ideia e que a faria se esquecer um pouco da preocupação com Jane, Darcy deu dinheiro caso elas sentissem fome, e voltou para o seu afazer.
Mas agora percebendo que ambas estavam há muito tempo fora de casa, passou pela sua cabeça que talvez, Elizabeth pudesse ter passado mal, e que não conseguiria voltar para casa. Quase pegou o carro e foi atrás delas, quando reparou que tinham acabado de chegar.
Tanto Georgiana, quanto Elizabeth, estavam com o rosto corado devido ao exercício que a longa caminhada havia lhe proporcionado.
— Eu estava começando ficar preocupado com as duas.
Elas se sentaram no sofá e sem coragem de se mexer.
— Não precisava, foi uma ótima caminhada. Eu costumava fazer todos os dias. Você nunca andou até o centro a pé?
— Não, quando eu me exercito, faço na academia que fica no sótão. Tento praticar todos os dias. — Olhado para o relógio, Darcy percebeu que se não apressasse as meninas, acabariam chegando atrasado. — Bem meninas, sei que devem estar cansadas, mas acho melhor se apressarem ou ficaremos em cima da hora.
Resmungando, elas foram se trocar.
Para em frente ao closet, Elizabeth não sabia o que vestir. Desde que viera para aquele século, estava se sentindo totalmente perdida com relação à moda que seria apropriado para as mulheres vestirem quando iam fazer uma visita. Se pudesse escolher, usaria o vestido em que viera, pois ai não cometeria nenhum engano. Mas não poderia demorar muito, pois Fitz estaria pronto em menos de meia hora.
Conseguira fazer um penteado elaborado muito bonito. Já a maquiagem, ela teve que pedir ajuda de Georgiana. Em sua época, ela quase não usava maquiagem. Lembrava-se que a maquiagem era feita com chumbo e por isso, muitas mulheres, inclusive ela, preferiam o visual mais natural, para evitar os estragos causados e as únicas que se arriscavam a usar eram as mais velhas e as mulheres de má reputação. Ambas foram para o computador e através dos vídeos que acharam, conseguiram fazer milagres com os cosméticos que tinham comprado no shopping.
Suspirando, ela passou a mão nos cabides e se decidiu pela saia longa preta com aquele racho enorme na perna direta e um corpete. Não sabia como é que ficaria, mas torcia para que o resultado desse certo e que não se sentisse desconfortável. Assim que se vestiu, Elizabeth olhou para o espelho. As sapatilhas pretas novas eram confortáveis e embelezavam.
Acontecia uma revolução entre os pés e a cabeça de Elizabeth. De alguma forma, o corpete tomara que caia ajustava-se perfeitamente entre os seios e a cintura. Seus seios estavam empinados na sua mais arredondada glória. Assim como a saia, nunca ficara também com os ombros de fora, mas aquilo poderia ser remediado com o casaquinho preto que usaria.
A parte de baixo era elegante e favorecia suas pernas. Mas o que era estranho era aquele racho, nunca antes deixara sequer os tornozelos para fora, quem dirá a coxa exposta.
Pensou seriamente em trocar de roupa, mas ouviu quando Georgiana a chamava para descerem. Colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha, ela deu uma última volta e colocou as mãos no estômago agitado. Aconteça o que acontecer, não se permitiria ficar abalada por nada.
****
Darcy passou o dedo por dentro do colarinho, tentando desatar a gravata sem tirá-la e começar tudo de novo. Sabia que o amigo quando resolvia dar aqueles jantares pedia que fosse bem vestido. Então lá estava ele todo elegante para agradar o amigo.
Pegando o do encosto da cadeira, Darcy paralisou admirado conforme observava Elizabeth descia a escada. Nem reparou na filha que acabara de para na frente dele e tagarelava sem parar. Quando ela o viu, também parou no último degrau.
— Papai, Lizzie não ficou bonita com esta roupa? Eu estava dizendo a ela que não estava indecente nem nada, mas ela não esta acreditando em mim, por pouco não foi trocar de roupa. Vai papai diz a ele que a roupa ficou boa.
— Oi, Darcy.
A voz dela soou baixinha e um tanto quanto acanhada.
O rosto dela estava afogueado, assim como a temperatura dele que disparou para o teto. A mulher parada na frente dele não era mais só uma fêmea atraente com quem ele tinha feito sexo.
Ela era uma deusa, ou um anjo. Ele não conseguia decidir. O cabelo escuro e reluzente fora penteado estrategicamente, deixando alguns fios soltos. A maquiagem discreta e elegante acentuava seus olhos.
Os brincos feitos de algum material lapidado e transparente refletiam a luz.
Os lábios estavam com um tom rosa. Um tom que combinava com o corpete e fazia qualquer homem tremer de desejo. A forma como ele moldava o corpo dela lhe chamou a atenção. Tudo o que queria era poder abrir aquele zíper sem piedade. E sem falar na saia. Céus, não só o corpete era uma tentação, como aquele racho dava muita margem a imaginação fértil dele.
Em segundos, a mulher estaria nua.
Ele tossiu.
— Você está muito bonita.
Elizabeth deu um suspiro aliviada.
— Você está bonito também. Por pouco não troquei, por outra roupa mais apropriada.
— O que seria muito desnecessário. Estão prontas?
Elas acenaram com a cabeça.
— Sim.
Sem mais perda de tempo saíram.
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