Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Aqui está mais um capítulo para vcs, espero que gostem. Obrigada a todas pelos comentários, e peço aos fantasminhas que deixem recado para a minha pessoa. Bem vamos ao capítulo de hj.

[RECAPITULANDO]

— Obrigado, Geogiana.

Jane ficou quieta depois disso. Logo Georgiana escutou sua respiração que produzia um som áspero, mas constante, e percebeu que dormira. Colocou a mão no bolso e a fechou em torno do pote, apertando forte. Rangeu os dentes, fechou os olhos e sussurrou:

— É melhor você funcionar, escutou? É melhor fazer com que ela fique boa logo.

****

As pessoas que participavam das buscas se reuniram na casa. Água escorria das abas de seus chapéus e capas de chuva brilharam com a luz do lampião quando os homens entraram para tomar uma xícara de chá e se aquecer no fogo. Horas esquadrinhando as matas e as valas por toda a estrada, e mesmo na cidade, não levaram a nada. Nenhuma pista de onde as meninas podiam estar. E então a tempestade desencadeou sua fúria, e os homens gradualmente voltaram para cá, encharcados até a alma, e mesmo assim inflexíveis. Nenhum deles estava disposto a desistir.

O rosto de Lizzie ficou triste ao escutar um a um os homens dizerem que não tinha havido nenhum progresso. Ela também estava encharcada, e enquanto a Mrs. Smith servia chá para os voluntários congelados, Darcy pegou no braço de Lizzie e a levou até a sala de estar, insistindo para que sentasse perto do fogo.

— Só um minuto — murmurou ele, entregando a ela uma caneca com chá fumegante. — Aqui está um casaco seco. Vamos…

— Não há tempo para isso — disse ela, sem encontrar os olhos dele. O olhar dela estava concentrado nas chamas sibilantes, sua atenção parecia estar focalizada nos está-los na lareira.

— Não fará nenhum bem a Jane se você tiver um colapso no meio da tempestade. É só um intervalo rápido Lizzie. Esquente-se e tome o chá. Então voltaremos lá para fora.

Ela afastou o olhar das chamas e se fixou nos olhos dele.

— Pelo direito, você deveria estar desesperado agora. Sei muito bem que teme tanto por Georgiana quanto eu por Jane.

— Vou me desesperar mais tarde, quando ambas estiverem a salvo.

Os olhos dele se apertaram ao analisar o rosto dela.

— Você não se parece com nenhuma mulher que conheço, Elizabeth. Quero que acredite em mim. Quero dizer isso mesmo. Você é diferente do resto.

Ela abaixou a cabeça.

— E você conhece muitas delas, não foi?

— Algumas. Depois de Catherine, nunca consegui me envolver emocionalmente com qualquer outra mulher.

Machucava ouvi-lo falar isso, embora já soubesse. E ela se irritou com a própria atitude, desde que sabia que Fitz não estava disposto a abrir o coração para um novo relacionamento, doeu e muito ao imaginá-lo com todas aquelas mulheres, mas… A quem achava que estava enganando? E claro que sabia por que isso a chateava.

— Por quê? — ela se escutou perguntando.

— Por que o quê? Por que levo meu prazer para onde quero? É simples. Uma necessidade física que eu amenizo quando posso. Nada mais complicado do que isso.

— Mas não há sentimentos envolvidos? Com nenhuma delas? — “Nem mesmo comigo?”, pensou com o coração pesado.

— Não. Nunca. Não queria que uma delas magoasse Georgiana quando simplesmente fossem embora. — Suspirando, passou a mão pelo cabelo. — E o… seu esposo? O pai de Jane?

Elizabeth desviou o olhar rápido, ainda não recuperada das palavras ditas por ele.

— Você o amava, não amava?

Ela limpou a garganta.

— George, o pai de Jane, nunca foi meu marido.

Darcy piscou surpreso, e depois decepcionado. Nunca pensou que Elizabeth era daquelas mulheres que só passava algum tempo com os homens e depois os descartava.

— Quando eu o conheci, não sabia que ele era casado, mal sabia eu que George era um homem leviano. Tinha uma esposa bonita, e muito rica, e eu era uma jovem tola para acreditar que ele se tornaria meu marido.

— Então… você o amava.

— Achava que amava. Mas eu era uma jovem influenciável, que não sabia nada sobre os prazeres do mundo. Nesse século, não é necessário que nós mulheres saibamos sobre os prazeres do mundo. A única coisa que era aconselhável que eu soubesse era que deveria me esforçar a arrumar um marido que tivesse alguma posse, e minha mãe quando tinha a oportunidade fazia de tudo para que esse objetivo fosse alcançado, pois queria sair da pobreza que minha família vivia e se eu conseguisse essa façanha, seria a pessoa mais feliz do mundo. Meus tios eram as pessoas com mais dinheiro que eu conhecia até aquele momento e de uma forma ou de outra, eles sempre nos ajudaram — Elizabeth suspirou. — Eu estava visitando os meus tios, quando o conheci. Eu não tinha dinheiro nem projeção social. Ele tinha muito dos dois. Eu fui apenas um caso para ele. Acho que a esposa dele nunca desconfiou de seus casos Quando eu contei que estava grávida, eu descobri toda a verdade sobe ele. George me bateu e me ameaçou dizendo que se eu abrisse a boca dizendo que a criança era dele, ele me arruinaria. Ele tinha poder suficiente para cumprir essa ameaça. Disse que nunca mais ia querer me ver ou ouvir falar de mim. Para resumir, fui expulsa de casa, e vim parar aqui na casa de meus tios, que me acolheram. No dia em que Jane nasceu, nunca me senti tão sozinha e feliz ao mesmo tempo.

Havia amargura em sua voz e ele via um sofrimento real em seus olhos.

— Ele partiu seu coração, não foi, Lizzie?

Ela apenas deu de ombros.

— Foi uma lição dolorosa, mas valiosa. Ele ficou viúvo recentemente. Talvez ficar sozinho ensine alguma coisa para ele.

— Não acho que ele tenha lhe ensinado algo. Você se transformou em uma mulher forte e corajosa.

Fitz se perguntava se quando Elizabeth estava com ele, ficava comparando com George. Ele esperava que ela não fizesse isso. Não conhecia George, mas achava que era melhor que ele. Perguntou-se se apenas fora mais uma rodada de satisfação mútua entre dois adultos? Não, ele sabia que era mais do que isso.

O que acontecera entre eles dois não estava baseado em desejo físico, mas em turbulência emocional. Aflição compartilhada. Não tinham a quem recorrer, exceto ao outro, e assim fizeram.

— Pelo menos não me tranquei para o mundo como você, Elizabeth.

— Achei que tivesse me trancado — disse ela, levantando a cabeça para fitar os olhos dele e, sem saber como, engoliu o nó em sua garganta. — Mas você entrou mesmo assim.

Ele piscou para ela, como se estivesse sem fala. Então se levantou e colocou a caneca na mesa. Suas mãos pousaram nos ombros dela.

— Elizabeth…

Ele parou quando a porta da frente se abriu e um homem ensopado, com aparência maltrapilha, passou por ela. Atrás dele, as nuvens escuras estavam se agitando com vigor renovado, enquanto a já horrível tempestade só piorava.

— Vi algo! — gritou o homem, enquanto tirava o capuz. — Uma luz estranha no velho estábulo de Thomas.

Lizzie ficou completamente tensa, os olhos arregalados.

— O velho estábulo… — Sua cabeça girou, os olhos fixos no pêndulo do relógio batendo no console da lareira. Mostrava 21h08 da noite. — Não — sussurrou ela. — A qualquer momento o estábulo vai…

Uma luz ofuscante fez uma fenda na noite, e Lizzie correu para a porta, empurrando o homem para o lado enquanto saía para a chuva. Fitz correu para fora ao lado dela e seguiu seu olhar para o velho estábulo, a uns cinco quilômetros dali. Enquanto olhava, pequenas línguas de fogo começaram a lamber o céu escuro vindas do telhado do estábulo.

— Jane! — disse ela, soluçando. — Senhor, não leve meu bebê!

A calma de Lizzie tinha acabado. Não podia mais manter a máscara no lugar. Seu grito agudo cortou a noite e ela caiu de joelhos na chuva, sem perceber o frio ou a poça em que ajoelhava.

— Senhor, não… — murmurou Fitz.