Notas iniciais
Olá meninas, como vão?? Obrigada a todos os comentários deixados. Aqui vai mais um capítulo para vcs e espero que gostem.

[RECAPITULANDO]

— Então vai gostar disso. — Georgiana desenrolou o cobertor e o colocou em volta dos ombros de Jane, fazendo um nó para prendê-lo. — Segure firme e avise se precisar parar.

Georgiana virou e guiou o pônei e a menina pelo jardim e depois pela estrada. Então começou a levá-la na direção do estábulo e rezou silenciosamente para que não encontrassem viajantes antes de chegarem lá.

***

Lizzie abriu a porta sem fazer barulho, para o caso de Jane estar dormindo de novo. Levou um tempo até que acendesse o fogo e esquentasse o leite, e derretesse o chocolate e colocasse açúcar. Bem diferente do chocolate quente de dois minutos da época de Fitz. Mas Jane estava acostumada a isso. Sabia quanto tempo levava para preparar chocolate quente. Lizzie entrou no quarto na ponta dos pés, a xícara cheia de chocolate na mão. E então congelou quando a luz vinda da vela iluminou uma cama vazia.

— Jane — chamou ela baixinho, procurando pelo quarto enquanto seu coração disparava no peito. — Jane, onde está você?

Fitz entrou e ela ouviu quando ele parou de respirar.

— Lizzie?

Ela se voltou para ele, procurando seu olhar como se procurasse uma resposta, embora soubesse que ele não tinha como saber para onde sua filha fora.

— Ela estava muito fraca para levantar da cama — disse ela. Colocou a xícara na mesa e se ajoelhou, procurando embaixo da cama, mas não achando nada.

— Lizzie, o armário…

Virou e viu a porta do armário aberta. Levantou o castiçal e olhou lá dentro.

— Senhor, o casaco sumiu! — Um medo verdadeiro estava tomando conta dela agora. Isso não fazia nenhum sentido.

As mãos de Fitz encostaram nos ombros de Lizzie, e ela sentiu o calor e o conforto do toque dele, as energias calmantes que ele transmitia como se fosse mágica.

— Talvez só tenha se cansado de ficar deitada na cama — murmurou ele, a voz transmitindo a mesma calma das mãos. — Pode ter decidido ir lá fora, tomar ar fresco.

— Ela mal consegue andar sozinha, Fitz.

— Olhe, eu procuro aqui em cima. Você desce e procura lá embaixo. Se não a acharmos…

— Se não a acharmos, vou perdê-la — disse Lizzie, com a voz quase inaudível pela rouquidão.

— Você não vai perdê-la.

Lizzie fitou os olhos arregalados e generosos de Fitz e tentou acreditar nele. O pânico pareceu acalmar quando ele olhou para ela, falou com ela e a tocou. Infelizmente, enquanto estava longe dele, procurando a filha doente no térreo, o pânico voltou. Fitz tinha de ser do tamanho de um chaveiro, para que ela pudesse carregá-lo com ele, usá-lo como um amuleto. Quando ele estava perto, se sentia confiante e otimista, mas assim que ele se afastava, o medo com o qual convivia há tantos meses recaía sobre sua alma mais uma vez. Quando terminou de procurar sem sucesso em cada cômodo, saiu para procurar lá fora. Depois, foi para a casa de hóspedes e depois para a cocheira.

Parou lá, na entrada da cocheira, e um vento noturno arrepiante a atingiu, despenteando seus cabelos e tentando soltar a grande porta de madeira de suas mãos. Pete, o pônei de Jane, sumira também. E foi como se toda a força do corpo de Lizzie a abandonasse enquanto olhava para o horizonte, para a estrada deserta e escura à esquerda e depois para a encosta arborizada à direita. Jane podia estar em qualquer lugar. Soltou a porta, e o vento a bateu contra a madeira repetidas vezes. Até se transformar em um ritmo, um ritmo inabalável e desesperado.

— Aguente firme, Lizzie — disse ele, a voz firme e forte. — Vamos encontrá-la. Prometo.

A voz era como aço coberto por veludo, e ela estava começando a achar que pertencia ao seu anjo da guarda. Veio de perto de seu ouvido, e Lizzie conseguiu ficar de pé novamente. Os braços de Darcy a abraçavam, e ela o segurou como alguém se afogando se agarra a um pedaço de madeira.

— O pônei dela sumiu. Céus, ela não estava forte o suficiente para ir muito longe. E se for para a floresta? E se desmaiar e cair? Ela pode estar caída em algum lugar, sozinha e com medo.

— Não acho que ela esteja sozinha. Tenho o pressentimento de que ela está com Georgiana.

A cabeça de Lizzie levantou bruscamente, e ela fitou os olhos dele. Esperança ressurgindo em seu peito. Se Jane estava com Georgiana…

— O que faz você achar isso?

— Você acabou de dizer que ela estava fraca demais para andar sozinha. Não consigo imaginá-la com forças para vir até aqui e subir no cavalo, você consegue?

Ela piscou e balançou a cabeça. Ele fez parecer tão lógico, tão simples.

— Não, não consigo — respondeu.

— E quem mais poderia ajudá-la? Lizzie, já sabemos que Georgiana nos ouviu discutindo sobre isso na outra noite. Foi por isso que veio até aqui, porque achou que não viríamos. Conheço minha filha. Ela está tentando salvar Jane, pois acredita que é a única que pode fazer isso. Ela pegou os comprimidos antes de sair. É claro que tinha a intenção de dar a Jane. E provavelmente é isso que está fazendo enquanto conversamos.

Lizzie olhou para a noite escura como breu e se arrepiou com o vento gelado.

— Mas isso tudo é conjectura. Você não pode ter certeza…

— Pode chamar de intuição de pai. Tenho noventa e nove por cento de certeza.

Lizzie fechou os olhos. O pânico diminuiu agora que tinha a explicação de Fitz para apegar-se. Conseguia ver Jane agasalhada e confortável, sem medo porque estava com Georgiana, já começando a sentir os efeitos do remédio que Georgiana com certeza já teria dado a ela agora.

Graças ao senhor tinha Fitz.

A força do vento aumentou, trazendo dúvidas com ela.

— Está tão frio hoje. — Então ela abriu os olhos para o som de vozes vindo da casa, e quando olhou, viu o brilho de lampiões em quase todas as janelas. — O que…

— Acordei a Mrs. Smith e a outra empregada. Uma delas acordou o jardineiro e ele está indo para a cidade conseguir mais ajuda. Teremos um destacamento de busca em uma hora, Lizzie. Vamos encontrar as duas, sãs e salvas, sem dúvida, em algum lugar, e provavelmente se sentindo culpadas por nos preocuparem tanto.

— Você é maravilhoso, Fitz. Simplesmente maravilhoso.

Ele pegou os braços dela e os colocou em volta de seus ombros enquanto iam em direção a casa.

Ouviram uma trovoada ao longe, e o vento se manteve inabalável, soprando o cabelo dela em uma nuvem de cachos que acariciaram o rosto dele.

— Droga — disse ela. — Aquela tempestade já está se aproximando. Temos de nos apressar, Fitz… será fortíssima. — Ela sabia, uma vez que já testemunhara sua força. Pensar na filha exposta às forças da natureza tão poderosas a deixava assustada. Fitz tremeu, e ela soube que ele também temia pela segurança das duas meninas. Mas não admitiria isso. Não agora, quando as coisas estavam tão incertas.