Assuntos inacabados
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Beijinhos.
A tarde estava levemente nublada, sem indícios de que o sol iria aparecer. No cemitério do limoeiro tudo estava sereno e silencioso. Era assim que Sarah preferia as coisas, não gostava muito da agitação, e apesar de ter feito novos amigos, ficar com Victor era sempre bom, ele a entendia melhor do que todas pessoas.
Victor-Tudo bem Sarah? Você está tão quietinha hoje.
Sarah- Não é nada. Estou bem.
Victor- Então por que está passando a tarde de sexta feira aqui no cemitério?
— Eu... gosto daqui. Mais do que os outros lugares.
—Sim, entendo.Até aceitaria bem a sua decisão, se você ainda estivesse tão sozinha, mas pelo o que eu me lembro, você tem amigos agora.
—E só por isso não posso mais vir aqui? Falar com voce?
—Longe de mim querer uma coisas dessas, mas o problema é que você vem aqui, todos os dias, incluindo TODAS as sextas e TODOS finais de semana.
—Ah Victor, você é meu melhor amigo, eu gosto de passar tempo com você, aqui. Claro que eu gosto da turma, mas, não sei.... depois do que aconteceu com o Do Contra, ele quase morreu e
—Sarah para com isso, voce não teve culpa, voce estava passando por vários problemas, e todos sabem disso. Agora ele está se recuperando e voce não está mais sozinha.
Por que tudo tinha que ser tão dificil? Por que aquele dom resolveu se manifestar justo nela? Era complicado lidar com essas coisas, mesmo depois de conseguir se entender um pouco mais consigo mesma, era dificil para que os outros a entendessem, não só por causa de seu dom, mas por causa de seus sentimentos, isso nem Victor conseguiria entender. E por falar em seus dons.
Sarah- Magali? Ela está chegando, por que será que ela veio aqui?
Victor- Ah deve estar procurando por você. Não é uma de suas amigas? Aquela que brigou com a amiga, por causa do namorado dessa amiga, com quem ela tinha terminado por causa de uma foto do namorado abraçando a Magali, mas depois eles voltaram e, nossa que confuso, como era mesmo? Os adolescentes de hojem em dia são tão complicados.
Sarah ria discretamente diante da confusão que Victor fazia sobre a historia que ela tinha contado sobre Cascão, Cascuda e Magali. De repente seu nome foi chamado, e ela já sabendo de quem se tratava, se virou e disse um oi.
Magali- Sabia que você ia estar aqui Sarah.
Sarah- Sabia? Como?
Magali- Ah sabe como é, hoje eu estava bisbilhiotando o sótão lá de casa e achei umas cartas estranhas, dai eu peguei uma delas e simplesmente pensei em você aqui no cemitério.
Sarah e Victor olharam de boca aberta para Magali.
Magali- hahaha, estou brincando, não tenho esse seus dons de ver o futuro não, é que você sempre vem pra cá depois da escola então eu só deduzi que você ia estar aqui.
Sarah- Ah entendi, voê precisa de alguma coisa?
Magali- Na verdade preciso sim. Hoje mais tarde eu a Monica o Cas e o Cebola vamos no cinema, eu vim aqui te convidar pra ir com a gente.
Sarah- Ah obrigada pelo convite, é muita gentileza sua...
Mgali- que é isso, não precisa agradec...
Sarah- mas eu prefiro ficar aqui.
Magali, se sentindo meio decepicionada, continuou tentando convencer a amiga.
Magali- Mas vai ser legal, a gente vai ver um filme la de detetive com umas misturas loucas de arte marcial, vai ser super da hora. É com o Roberto Daniel Junior, parece que ele ta despontando mesmo na carreira de ator.
—Ah Magali, eu não sei, eu..
—O que houve? Voce ta com algum problema?
—Não é que...
—Ah ja sei.
—S-sabe?- perguntou surpresa. Saberia Magali que ela ainda não se sentia amiga dela, não se sentia parte da turma?
—Claro, é óbvio. Vi que você estava com seu amigo e nem me apresentei, que falta de educação.
Sarah e Victor se olharam rapidamente surpresos, e voltaram a olhar para a Magali com expressões confusas, como ela conseguia ve-lo?
Magali- oii- disse estendendo a mão para cumprimentar o garoto- eu sou a Magali, e você deve ser o Victor, o melhor amigo da Sarah?
Victor- eu...- sua boca abria mas as palavras não saiam diante do fato de Magali poder enxerga-lo. Era muito surpreendente, poucas pessoas conseguiam ve-lo e Sarah era a única que ele tinha como amiga, devido a sua situação. Afinal, quantas pessoas conseguiam ver o espirito de um cara morto a mais de cem anos?
Ambos apertaram as mãos.
Sarah- Magali...
Magali- Não tem problema Sarah, vai ser muito legal se seu amigo puder vir também, assim a galera vai poder conhece-lo você sempre fala que ele é tão legal e te entende tanto.
Sarah corou. Teve vontade de se enfiar em um buraco no chão, o que Victor pensaria dela? Parecia que ela queria mais do que amizade quando Magali falava aquelas coisas. E era óbvio que ela não queria, ele era seu melhor amigo e alem de tudo ele estava meio que, sem condições para ficar com alguem, tecnicamente ele tinha hã, cento e trinta e seis anos?
Magali- É um prazer te conhecer Victor, então vocês dois querem ir com a gente?
Victor- eu...eu...- as palavras ainda não saiam, era estranho, alguem estava te convidando para ir ao cinema?
Sarah- Magali você... como...
Magali- eu o que? Vocês estão bem? Parecem meio confusos?
Sarah- Você consegue... Voce consegue vê-lo?Voce consegue ver Victor? — perguntou com uma expressão de surpresa.
Magali- hã? Sim. Tipo, não era pra eu ver?
Sarah – não, quer dizer, sim, claro, por que voce não o veria? Que ideia, mas voce estava falando que ia sair...
Magali- Ah sim, o cinema, vocês querem vir?
Victor- bom- finalmente conseguindo falar- eu não posso, mas tenho certeza que a Sarah..
A garota de cabelos azuis pulou na frente do Victor para interompe-lo.
Sarah- pois é né? Que pena, eu tembém não posso, eu tinha combinado de ficar com o Victor sabe? Sinto muito.
Magali- ah que pena, mas se vocês mudarem de ideia, Sarah tem meu celular.
Após Magali sair dali, Sarah e Victor se entrolharam confusos. Fazia anos que outra pessoa, alem da garota de cabelos azuis, conseguiu enxergar Victor, ainda mais toca-lo, e ali estava, uma jovem meiga que conseguia ve-lo, e era nova amiga daquela que por muito tempo foi a única que o enxergou.
— Ela conseguiu te ver... não acredito.
— Tem algo de diferente naquela garota, não sei dizer o que.
—Diferente?
—Sim, não só pelo fato dela conseguir me ver, é outra coisa, a última vez que eu senti isso em alguem foi quando...
—quando o que Victor? Fala por favor.
—Quando eu conheci você.
Fale com o autor