Assunto De Investigadoras
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Lindsay e suas amigas cochichavam animadamente do lado de fora do quarto de Catherine. Estavam prontas para acordar e incomodar a investigadora novamente. Dessa vez, Lily estava com elas e queria ver sua neta aprontando com sua filha.
Elas abriram a porta de uma só vez, entrando e conversando em voz alta, certas de que acordariam Catherine e a deixariam muito nervosa — esse era o objetivo. Lindsay estava quase começando a cantar com suas amigas quando todas congelaram onde estavam.
— O que é isso? – Perguntou uma das meninas, com cara de nojo. Catherine e Sara estavam na cama, nuas e debaixo do cobertor, olhando tão assustadas para as pessoas no seu quarto quanto as pessoas para elas.
Todas saíram rapidamente do quarto, deixando apenas Lindsay e Lily ali. As duas pareciam estupefadas, assustadas, incrédulas e outras dezenas de sentimentos. Lindsay não conseguia processar o que estava acontecendo. Não conseguia imaginar um motivo para que sua mãe estivesse nua com Sara... na mesma cama...
— Grey, feche a porta – disse Sara quando viu sua amiga entrar no quarto. – Olha... a sua mãe... ela tem pesadelos à noite e grita durante o sono...
Mas Sara sabia que aquela desculpa não ia colar. Catherine ainda não conseguira dizer nada e um silêncio constrangedor pairou sobre o local.
— Aham... – disse Lily, não acreditando em uma palavra da boca da morena. Laura continuava parada na soleira da porta, sem saber o que fazer. A situação era confusa demais.
— Grey! – Disse Sara e apontou para a porta.
Catherine cobriu-se e desviou o olhar, coberta de vergonha. Laura levantou-se rapidamente e levou Lindsay até a porta do quarto.
— Ei, Linds, não é nada disso que você está pensando...
Lindsay saiu do quarto sem dizer nenhuma palavra e logo em seguida Laura fechou a porta atrás de si. Ela encostou-se na porta e observou as duas amantes, sua expressão levemente triste. Ela sabia — todas sabiam — que a situação mudaria muito a partir daquele dia. E apesar de ter fortes sentimentos sobre Sara, ela estava com pena delas. Com certeza não havia sido a melhor experiência do mundo para Catherine.
— Sai... – murmurou Catherine.
Sara tocou carinhosamente o rosto dela com seu mão, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Catherine empurrou sua mão.
— Saia da minha cama, Sara.
— Fica tranquila, Cath. Ela vai superar isso.
— Não, Sara! Você não conhece Lindsay. Isso foi um golpe para ela! E minha mãe... – Catherine estava perdidas em pensamentos.
— Cath, dane-se, nós estamos no século XXI!
A loira estava muito preocupada. Ela cobriu o rosto com as mãos, assustada e sem saber o que fazer. Ela ergueu a cabeça e olhou para Sara.
— Você não entende, Sar. Você não entende...
Sara jogou-se na cama, suspirando.
— Eu preciso ir atrás dela... – disse Catherine e saiu da cama, colocou uma roupa e foi atrás de sua filha. Não podia acreditar no que havia acabdo de acontecer. Sua filha, as amigas dela, sua mãe... Tudo estava indo tão bem entre elas, ninguém precisava saber de nada. Laura não parecia se importar, então não fazia diferença para elas. Mas sua filha... Catherine ficou preocupada com o que iria acabar falando sobre ela. E se ela fosse o novo alvo de provocações? E o que aconteceria se descobrissem que a filha de Lily Willows também gostava de mulheres?
Catherine conseguiu alcançar sua mãe, que já estava a vários metros de sua casa.
— Mãe... Mãe, espere!
— Não, eu não quero ouvir! Saia de perto de mim...
— Eu juro, mãe. Ela se deitou na minha cama... Eu cheguei tão cansada do turno, peguei no sono e nem percebi que ela estava ali.
— Ela o que? – Perguntou Lily, finalmente parando.
— Ela gosta de mim, sabe... – Cath tentou explicar, puxando sua jaqueta um pouco mais para frente de si. – Nós já tivemos várias conversas sobre isso, eu expliquei para ela que eu não sou assim. Acredite em mim, mãe. Por favor. — Catherine, isso é... nojento – disse ela e franziu a testa. – Você devia falar com alguém sobre isso. Um psicólogo ou avisar Grissom sobre o que está acontecendo. Tenho certeza que ele vai fazer alguma coisa...
— Eu tenho pena dela... Ela não tem família, só tem a mim para conversar, entende? Não posso fazer algo assim.
— Catherine, você é boa demais. Eu realmente não esperava algo assim de você.
A loira engoliu em seco e olhou para o chão. Ouvir aquilo de sua mãe realmente não era a melhor coisa do mundo. Reunindo coragem, voltou a encará-la novamente.
— Será que você pode... explicar tudo para Lindsay? Por favor.
— É claro – respondeu Lily, um pouco mais calma. – Não faz sentido... minha filha. Você não é assim. Não consigo imaginar como pude pensar algo assim de você. Mas, tem certeza de que você...?
— Mãe! – Reclamou a loira e tocou o braço da mulher. – Eu amo homens, sou loucas por eles. Na verdade, tem um cara... o Vartann... ele está louco por mim. Acho que vamos sair juntos.
— É mesmo? – Lily estava claramente aliviada.
— Sim...
Lily arrumou a bolsa em seu ombro e sorriu.
— Não se preocupe, minha filha. Vou conversar com Lindsay.
Catherine apenas a observou enquanto se afastava e quando sua mãe já estava longe o suficiente, virou-se para o lado contrário e começou a andar. Conseguiu controlar-se por alguns segundos, mas não foi capaz de segurar as lágrimas que caíram, tirando toda a culpa que estava sentido.
Ainda não acreditava que havia mentido tanto... E sobre Sara, ainda por cima. Colocou-a em uma situação em que a morena tornou-se a suspeita e ela, a vítima, quando sabia que ambas faziam parte daquele relacionamento. Queria que nada daquilo tivesse acontecendo. Que sua família não tivesse entrado no quarto de repente, que sua mãe não tivesse reagido daquela maneira e muito menos que tivesse que ser obrigada a negar seu amor por Sara. Sentiu seu coração partir em mil pedaços enquanto imagens de seus momentos com Sara invadiam sua mente.
Apesar de toda a confusão a vida tinha que continuar.
Sara esforçou-se para esquecer o que tinha acontecido e acabou deduzindo por si mesma que tudo não havia passado de um pesadelo, que logo depois ela estaria com Catherine e tudo seria resolvido. Assim ela esperava.
Sara estava na sala de evidências, analisando as novas evidências que tinha encontrado na cena de crime. Não era uma tarefa fácil, mas pelo menos ocupava sua cabeça — e no momento era tudo o que precisava. Estava imersa em pensamentos, sua mente trabalhando rapidamente para unir todas as peças do quebra-cabeça quando Catherine, Laura e Wendy apareceram na porta da sala. Sara acenou para que elas entrassem.
Catherine não tinha coragem o suficiente para encará-la nos olhos, não depois do que havia feito. Para piorar a situação, os comentários começaram no laboratório. A loira não fazia ideia de como, mas começaram. Desistiu de tentar encontrar o culpado por aquilo já que o LVPD era o centro de fofocas de Las Vegas. Catherine continuou seu caminho, com o olhar fixo no chão e acompanhada por Wendy.
Laura observou a loira até ela se afastar. Estranhou tal atitude e sentou-se com Sara, que ainda olhava fixamente para a porta, tentar entender aquela reação. Será que ela ainda estava aborrecida pelo que tinha acontecido? Será que ela estava... com vergonha dela?
Enquanto Sara compartilhava seus pensamentos com Laura, Wendy discutia sobre o caso com Catherine.
— Então eu processei aquelas manchas de sangue na bolsa. Pertencem à um homem chamado Tim Moller. Ele tem várias passagens pela polícia, não me surpreenderia se fosse o criminoso que vocês estão procurando.
— Obrigada... – disse Catherine, levemente distraída.
— Como você está?
Nesse momento elas entraram na sala de convivência e sentaram-se nas cadeiras. Sofia e Mendy estavam ali também e pelo jeito como olharam para Catherine, ela sabia que as duas já tinham conhecimentos dos comentários.
— Olha – começou ela, procurando as palavras para se explicar. – Eu sei o que estão falando sobre mim pelos corredores e só Deus sabe aonde está essa fofoca por Vegas agora... É tudo bobagem. Eu sei que vocês não derem ouvidos a isso. Não é?
Mendy trocou um olhar com Sofia, sem dizer nada.
— Claro que não acreditamos – disse Mendy. – Mas sabe, não teria problema algum se você fosse...
— Mas eu não sou – corrigiu Catherine nervosamente.
— Minha tia é gay – disse Sofia. – Não tenho nada contra. Qual é o problema?
— Nenhum. Mas eu não sou.
— É, nós sabemos...
Sara fechou os olhos e cruzou os braços. Ela estava ao lado da porta que dava para a sala onde as mulheres estavam, e escutara tudo o que Catherine tinha dito. Não podia acreditar no que acabara de ouvir. Estava indignada; a loira nunca fora assim. Laura observava Sara, preocupada e incerta sobre o que dizer. Não sabia como consolá-la num momento como aquele.
— Sara... dê um tempo para ela. Ela está aborrecida, confusa...
A morena abriu os olhos e olhou para sua colega. Laura engoliu em seco ao ver tanta tristeza no rosto de Sara. Queria abraçá-la, dizer que ia ficar tudo bem. Mas não podia fazer isso, pelo menos não no meio do laboratório.
— Hoje está fácil. Daqui para frente só vai piorar – sussurrou ela e saiu dali, com a cabeça baixa e decepcionada com Catherine.
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