Assunto De Investigadoras
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Os raios de sol invadiram o quarto de Laura e ela ainda não havia conseguido dormir. Desistindo e com o estômago reclamando por comida, ela levantou-se, colocou um roupão e foi para a cozinha. Catherine estava acordada e movia-se rapidamente pela cozinha, preparando o café da manhã. — Bom dia – disse Laura, meio sonolenta.
— Olá – respondeu Catherine, sorridente. – Lindo e maravilhoso dia hoje, não?
Laura olhou para a janela e viu que a loira tinha razão, mas sentiu que havia algo por trás daquele bom-dia tão alegre. Tentou não pensar nisso.
— O que vai querer hoje? Ovos com bacon, panquecas de amora ou macarrão instantâneo?
Laura ergueu as sobrancelhas.
— Macarrão instantâneo? No café da manhã?
— Sara gosta – Catherine deu de ombros. – Alguma coisa contra?
Agora que você mencionou que ela gosta...
— Não – Laura completou seu pensamento em voz alta. – Mas acho que prefiro ovos com bacon.
— Saindo ovos com bacon! – Disse Catherine, animada. Seu sorriso ainda não havia nem ao menos vacilado.
— Bom dia... – grunhiu Sara.
— Bom... – Laura ia responder. Parou quando viu o estado da Sara recém-acordada. Seu cabelo castanho normalmente arrumado parecia mais um ninho de pássaros, sua roupa estava toda amassada e pela expressão de seu rosto, parecia que a morena não dormia há dias. – ...dia.
— Ai – reclamou ela. – 'To morta.
Laura deu um tapinha amigável nas costas da morena quando ela deitou sua cabeça contra a bancada.
— Que cara é essa, Sara? – Perguntou Catherine e colocou um prato na frente de Sara. – Levanta esse astral. Seu café da manhã está pronto.
Sara ergueu levemente a cabeça e abriu um olho. Quanado reconheceu seu café da manhã preferido abriu um sorriso enorme.
— Ai... Eu amo isso...
— Oi, mãe!
Laura teve alguns segundos para olhar para a dona da voz, uma garota loira que parecia uma miniatura de Catherine, antes desta e outras quatro garotas entrarem na cozinha fazendo o maior barulho. As meninas não pareceram perceber a presença de Laura e muito menos se importaram com o estado de Sara.
— Levanta, Sara ou vai levar um pé na bunda – disse a menina loira e para comprovar a ameaça deu um tapa na bunda de Sara.
— Ai! – Reclamou a morena. – Sai daqui, Linds...
Lindsay ignorou o apelo e virou-se para a mãe.
— Oi, mãe. Bom dia. Acabei de chegar da casa da vovó com as meninas, nós deixamos a vovó louca com as nossas conversas. Estou morrendo de fome, o que tem pra comer? Nossa hoje vai ser muito legal na escola. Eu e as meninas vamos aprontar muito com aquele nosso professor...
O falatório interminável de Lindsay foi interrompido quando uma almofada voou pela cozinha e a atingiu bem no rosto. Catherine disparou a rir.
— Já disse, sai daqui, Linds – resmungou Sara e jogou outra almofada, dessa vez acertando a menina que estava do lado de Lindsay.
As garotas riram e foram para o quarto de Lindsay, levando o barulho e a confusão com elas. Satisfeita consigo mesma, Sara desabou novamente na bancada.
— Droga de adolescentes, viu...
Tudo ficou em um perfeito silêncio até que uma garota ruiva e com sardas espalhadas pelas bochechas colocou a cabeça para fora do quarto e fungou.
— Ei... isso é torta de amoras – murmurou ela e seu rosto se iluminou. Ela voltou-se para as amigas. – Gente, tem torta de amoras!
— Aaaahh! – Elas gritaram um uníssono e voltaram para a cozinha, mais falantes do que nunca.
— Deus! – Grunhiu Sara, revoltada mas ainda assim sorrindo.
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Depois de se alimentarem e ficarem prontas para o trabalho, as três mulheres entraram no carro de Catherine e foram para o laboratório, com Sara conduzindo. Ela parecia bem melhor após algumas xícaras de café e Laura não conseguiu imaginar Sara um dia sem café.
— Então – disse Sara, quebrando o gelo. – Deixa eu falar um pouco sobre o nosso caso.
— Vá em frente.
— É um caso simples, na verdade. Nem sei porque Ecklie nos colocou nesse. Um roubo um banco, os bandidos levaram quase metade do dinheiro e vários objetos importantes. O único problema é que existe dezenas de digitais lá e precisamos processar cada uma delas, talvez os bandidos tenham sido tão estúpidos que deixaram suas digitais lá.
— E o pior de tudo – completou Catherine. – É que um dos objetos roubados pertence ao prefeito da cidade. Então ele quer o caso resolvido o mais rápido possível.
— Como se nós fossemos robôs para trabalhar o dia inteiro sem precisar de uma pausa – Sara ergueu uma das mãos em frustação. Em seguida, olhou para Laura no pelo retrovisor. – Você veio em boa hora, novata.
— Não a chame de novata – insistiu Catherine.
— Não tem problema – disse Laura. Não teria problema nem se Sara a xingasse. – Fico feliz em ajudar.
Com isso, Sara sorriu.
Elas chegaram no laboratório um pouco antes do turno começar e foram direito para a sala de convivência, onde os outros investigadores já estavam sentados.
Laura sentou-se ao lado de Nick, que parou de conversar com Greg e lhe deu ateção instantaneamente. Todos continuaram conversando, menos Sara que estava comendo uma maçã. Laura não sabia de onde aquela maçã tinha vinda e torceu para que não fosse daquela geladeira...
— Olá, pessoal – disse Ecklie e entrou na sala, segurando vários papéis em uma das mãos. – Todos prontos para continuar o caso?
— Aham... – as vozes se arrastaram. Ninguém parecia nem um pouco feliz por ver Ecklie tão cedo.
Conrad pegou um dos papéis.
— Temos um corpo em um dos cassinos da Las Vegas Boulevard. Alguém interesasdo? – Silêncio. – Ora, vamos lá, gente. – Ninguém disse uma palavra. Laura olhou para seus colegas, em busca de algum voluntário, quando percebeu que Sara estava sorrindo. Quase devolveu o sorriso, até que percebeu que não era para ela... e sim, para Catherine.
— Pessoal?
— Por que não se apressa e entrega logo os casos, Ecklie? – Suspirou Catherine.
Ecklie olhou de modo severo para Catherine por um momento. Seu expressão nervosa desvaneceu para um sorriso sarcástico.
— Willows. E por que ao invés de pedir para que eu me apresse, você não faz alguma coisa com o seu caso?
Sara olhou preocupada para Catherine, que cerrou os punhos.
— Por que está demorando tanto, Willows?
— É um caso difícil...
— O que é difícil? – Ecklie cruzou os braços. – Fazer seu trabalho direito ou esquecer as futilidades que fazem parte da sua vida?
— Futilidades? – Sara interrompeu, com sua paciência já se esgotando. – Então você considera família e diversão, apenas futilidades?
— Como é, Sidle?
— Sara... esqueça – sussurrou Catherine.
— Esse é o tipo de desculpa usado por pessoas sem autoridade e que não sabem mais o que fazer. Se você tivesse pelo menos um dos dois, não diria isso. – Ecklie ficou bravo e uma veia saltou em sua cabeça.
— Sara Sidle. Estou cansado dessa sua atitude arrogante e mesquinha. Retire o que disse imediatamente!
Sara não disse nada. Deixou a maçã de lado e andou até Conrad. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela pegou os papéis, analisou o conteúdo e entregou os casos a cada um dos investigadores, que não disseram nada, apenas saíram da sala. Laura ficou admirada com a coragem da morena.
— Que diabos pensa que está fazendo?
— Organizando o laboratório. Algo que você deveria estar fazendo. E embora sendo seu trabalho, não tem competência suficiente para realizá-lo.
— Sidle, na minha sala! Imediatamente!
Sara apenas olhou para ele, irredutível.
— Não estou sendo claro o suficiente? Na minha sala. Agora!
— Como quiser. Chefe.
Sara saiu da sala de convivência, depois de piscar ironicamente para Ecklie. Embora soubessem que Sara estaria em maus lençóis, Laura e Catherine não puderam evitar um sorriso.
Notas finais
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