Notas iniciais
Boa leitura ;DD

Laura engoliu em seco e saiu correndo atrás de Sara, fazendo o possível para alcança-la. Mas seu corpo não estava acostumado a correr como o da morena e minutos depois, desistiu. Se fosse mais devagar, pelo menos conseguiria pensar em alguma coisa para consolar Sara.

Sara quase perdeu o rumo com as lágrimas invadindo seus olhos e ofuscando sua visão. Queria desaparecer, sumir, correr para longe. As imagens ainda frescas em sua memória cutucavam seu coração já ferido, insistindo até que ela admitisse que o que tinha visto era verdade. Mas não podia ser, não podia! Catherine jamais ficaria com outra pessoa... Por Deus, elas ainda estavam juntas apesar de tudo!

Teve sérias dificuldades em abrir a porta, mas assim que conseguiu entrou e correu direto para o quarto. Jogou-se na cama e grunhiu ao sentir o cheiro de Catherine nos lençóis. Tirou os lençóis, jogando-os no chão e aproveitou para se livrar dos travesseiros. Não adiantou muito. O cheiro de Catherine estava em todo aquele quarto, o gosto dos lábios da loira ainda podiam ser sentidos nos seus próprios e só de lembrar tudo aquilo seu coração dilacerava-se.

Laura entrou no quarto apressada, torcendo para que Sara não tivesse feito nenhuma bobagem.

— Sara? – Sussurrou ela.

— O que?

— Você está bem?

Sara ergueu a cabeça, encarando sua colega.

— Eu pareço bem?

— Nem um pouco – Laura mordeu o lábio. – O que eu posso fazer?

— Você não pode fazer nada. Acabou.

— O que aca...

— Eu disse que você não pode fazer nada! – Gritou ela e Laura recuou. A última coisa que queria era deixar a morena ainda mais nervosa. Sara percebeu o que tinha feito e fechou os olhos. – Me desculpe. Não queria gritar com você. Só... me deixe sozinha. Por favor.

Laura assentiu e foi para o seu quarto, deixando Sara sozinha.

Para se distrair, Sara arrumou o quarto e deitou-se. Iria esperar Cath voltar para terem uma conversa séria... Isso se tivesse forças para dizer alguma coisa. Meia hora mais tarde, ouviu a porta da frente se abrir e alguém entrar. Só podia ser Catherine – ninguém mais tinha a chave da casa. Ficou em silêncio absoluto enquanto ouvia a mulher andar pelo cômodo e trocar de roupa. Quando Catherine sentou-se na cama, Sara começou a falar.

— Se divertiu, Cath?

Catherine assustou-se com a súbita voz. Forçou-se a ficar sentada, sem dar indícios de que tinha levado um susto.

— Você não tem nada a ver com isso, Sara.

— Você mentiu pra mim – disse ela, sentindo um nó na garganta.

— Eu disse que ia sair com um amigo e foi isso o que eu fiz. Não sei qual é a mentira aí – acrescentou rispidamente.

— Agora você dá pra todos seus amigos?

Catherine arregalou os olhos. O único jeito de Sara dizer aquilo era se... Será que ela tinha visto a cena com Vartann? Esperava que não. Engoliu em seco e forçou seu lado culpado a ficar em silêncio.

— Você estava me espionando? Com que direito você faz isso? A minha vida não é da sua conta, Sidle!

Sara ficou em pé.

— Tudo o que diz respeito a sua vida é da minha conta, assim como a minha vida é da sua conta! Mas que droga, Cath...

— Olha aqui, Sidle. Se você me espionar de novo...

— Vai fazer o que? Atirar em mim? Faça isso agora. Duvido que um tiro cause menos dor do que o que eu vi hoje.

— Só... não faça isso – foi a única coisa que conseguir dizer.

Sara fechou os olhos e procurou se acalmar. Brigar e gritar não ajudariam em nada em sua tentativa de conversa amigável.

— Você... Vai sair com ele de novo?

A dor naquelas palavras era tanta que o coração de Catherine amoleceu e todas suas barreiras caíram... Tinha noção do que suas ações estavam causando em Sara e queria voltar atrás e corrigir tudo e... Abandonou o sentimento no mesmo instante. Não tinha como voltar atrás. Só podia fazer a morena entender...

— Sara... – sussurrou Catherine enquanto se aproximava. – Já está na hora de amadurecermos. Eu quero... Eu quero ser sua amiga, tá?

— Isso não tá acontecendo... Não pode...

— Sar... Por favor, entenda.

Antes que pudesse perceber o movimento, Sara já estava abraçando-a por trás, unindo seus corpos enquanto tentava alcançar a última gota de esperança. Catherine inclinou sua cabeça pra trás, encostando no ombro de Sara e gemeu ao sentir os lábios da morena acariciarem a pele sensível de seu pescoço...

— Ele pode arrancar suspiros como eu? Ele te faz sentir viva como eu faço? – Sussurrou Sara no ouvido de Cath.

Catherine estava quase respondendo, quase se rendendo aos toques de Sara quando se lembrou de tudo. Tentou se livrar do abraço de Sara, o que fez a morena segurá-la ainda mais forte.

— Me solta, Sara...

Sara soltou-a e segurou sua mão, desesperada. Não podia deixa-la partir daquele jeito.

— É por causa da Lindsay? Da sua mãe? Catherine, me diz o que tá acontecendo...

Catherine tirou sua mão da de Sara e afastou-se, tentando ficar o mais longe possível de Sara. A morena compreendeu a reação de Cath e suspirou, resignada. Conversar realmente estava fora de questão. Saiu daquele ambiente sufocante e foi procurar alívio fora da casa, onde pudesse sentir o ar bater contra seu rosto e clarear seus pensamentos.

Apoiou a cabeça contra os joelhos e deixou que as lágrimas lavassem a dor da sua alma... Porque a dor de perder um amor como Catherine era mais forte do que uma dor no coração... Era como se o fato de perdê-la rasgasse sua alma ao meio. Uma pessoa não pode viver sem sua alma. Será que Sara conseguiria viver sem Catherine? Tudo tinha mudado tão depressa, num minuto Catherine estava deitada em seus braços e no outro estava se afastando, dizendo que tudo estava errado.

Enquanto seu coração chorava lágrimas de sangue, a loira estava sentada na cama de olhos fechados, gemendo de dor quando cada soluço de Sara transformava-se em uma pontada em seu próprio coração.

Notas finais
Reviews? *-*