Assunto De Investigadoras
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um carro cinza deslizou pelas ruas razoavelmente congestionadas de Las Vegas. Laura Grey costurava o trânsito, olhando tristemente para a estrada à sua frente. Não estava nem um pouco ansiosa para a nova vida que a esperava, embora soubesse que no momento seria sua melhor opção.
Enquanto buscava pensar no que faria quando chegasse em seu destino, suas tentativas eram destruídas quando seus pensamentos voltavam para as cenas que tentava em vão esquecer. O sequestro da sua mãe há três anos e o abatimento de seu pai faziam com que ela quase se esquecesse de como era ter uma família. Sentia-se insegura onde quer que fosse. Se sua mãe ainda estivesse viva, talvez nada daquilo estivesse acontecendo.
Laura contornou a estrada e diminuiu a velocidade à medida que se aproximava do LVPD, um dos melhores laboratórios de criminalística do país. Laura olhou hesitante para a construção. Era grande e seria seu refúgio por um tempo. Algumas pessoas conversavam alegres enquanto dirigiam-se para a entrada do laboratório. Sentiu um frio na barriga e seu coração acelerou. Estacionou seu carro e saiu, olhando ao redor. — Não é nenhum ambiente ameaçador. Então se acalme, Laura – murmurou para si mesma.
Entrou na construção e foi direto até a mesa da recepção, onde uma moça loira, baixa e amigável atendia um telefonema. Ela esperou pacientemente e assim que a moça terminou sua ligação, virou-se e lançou-lhe um imenso sorriso.
- Bom dia – disse ela. – Em que posso ajudá-la?
- Bom dia. Meu nome é Laura Grey, sou a nova investigadora. Estou procurando... — Ah, sim. Grey, eu estava esperando por você.
Laura virou-se na direção da voz e seu olhos encontraram-se com os de um homem alto, olhos severos e cabelos de um castanho desbotado. Sua primeira impressão foi de que ele deveria ser o último homem em que poderia confiar.
- Seja bem-vinda. Sou Conrad Ecklie, o diretor do laboratório. – Sua mente vagou por um instante, enquanto imagens do sequestrador invadiam sua mente. Os dois tinham algo em comum, um mistério, algo sombrio por trás daquela tentativa de parecer amigável... – Willows! – Chamou ele, trazendo de volta para a realidade.
- Já estou indo. – Uma mulher bonita, loira e de olhos profundamente azuis veio até ela e conversou algo com Ecklie, mas Laura não prestou atenção. Estava fascinada com a graciosidade dos movimentos da loira e invejou-a pela confiança e determinação que transmitia. Alguns minutos depois, as duas começaram a andar juntas.
- Meu nome é Willows, Catherine Willows. Bem-vinda ao mundo louco das investigações.
- Obrigada – murmurou Laura, meio insegura.
Catherine pareceu perceber a inquietação da sua nova colega e pousou uma mão delicada em seu ombro.
- Fique tranquila. Você vai se acostumar por aqui.
- Estou bem, de verdade... – respondeu Laura, ainda mais insegura por sua resposta.
Laura e Catherine dirigiram-se até a sala de convivência e Laura olhava curiosa para as inúmeras salas que faziam parte do laboratório. Surpreendeu-se ao se sentir mais confortável a cada minuto que passava. Talvez aquele lugar fosse o certo para estar naquele momento.
- O café daqui é horrível, então nem se arrisque – informou Catherine assim que elas entraram na sala. – Todo mundo compra antes ou torce para que Greg tenha bom coração e divida seu café com a gente. Muitos quase morreram por causa do café... Laura arregalou os olhos em choque.
- Estou brincando... – disse Catherine.
Laura permitiu que um leve sorriso atravessasse seu rosto e foi recompensado por um maior ainda da parte de Catherine. Seus gestos e o modo com que conversava com ela, como se já se conhecessem a muito tempo, fazia com que se sentisse cada vez melhor.
Seu bem-estar desapareceu instantaneamente quando a loira se abaixou para pegar algo na pequena geladeira e tirou de lá um pote com algo parecido com sangue. Parecido não... era sangue. Laura tentou imaginar que tipo de laboratório usava a geladeira dos investigadores para congelar sangue.
- Ah, não acredito. Outra experiência do Grissom! Olha... uma mão congelada. É do meu caso... – Catherine olhou pensativa para o órgão congelado e nem se deu conta de que Laura estava lutando contra sua ânsia e vertigem. Catherine deu de ombros, colocou os objetos novamente na geladeira e olhou para Laura. – Nossa. Você está um pouco fora de forma. Não fique surpresa, já encontrei coisas piores aí.
Laura assentiu imperceptivemente, sem saber o que fazer. Fez uma anotação mental de nunca pegar ou colocar nada daquela geladeira. Pelo jeito, iria se surpreender muito com as coisas daquele lugar.
- Venha – disse a loira e apontou para fora. – Vamos sair daqui antes que você desmaie ou coisa parecida. Vou te mostrar o resto do laboratório.
Elas andaram por alguns minutos. O barulho do salto de Catherine ecoava acima dos outros ruídos do local.
- Aqui ficam os banheiros e os chuveiros... Que são muito úteis depois de você encontrar um cadáver soterrado por metros de lixo orgânico.
Laura engoliu em seco ao imaginar tal coisa. Desejou que as coisas não piorassem muito. Andaram mais um pouco e chegaram em uma sala repleta de armários.
- A sala de armários. Você pode colocar suas coisas no seu. Vamos.
Laura sorriu e entrou, apressando-se em encontrar o seu. Não ficou surpresa ao perceber que ficava relativamente perto do de Catherine. Abriu a porta e colocou parte dos seus pertences ali dentro. Deu um salto quando ouviu algo cair ao seu lado. Olhou para o chão e viu várias fotos, um kit de maquiagem, livros e outros pertences caídos.
- O armário mais desarrumado é o meu. Lógico, tenho tudo que preciso aqui – explicou Catherine. Quando estava terminando de por tudo no lugar uma nova cascata fez com que desse um passo para trás. Laura estava prestes a ajudar quando viu uma calcinha e um sutiã vermelhos cair ao seu pés. Catherine ficou vermelha e apressou-se em colocar as peças novamente no armário. – Como eu disse tenho tudo o que preciso aqui.
A loira esforçou-se muito, e após uma incansável batalha contra seu armário, conseguiu colocar tudo ali dentro. Radiante, ergueu um brinco.
- Ah, finalmente te encontrei! Valeu a pena tanto trabalho...
- Será? – Murmurou Laura, baixo demais para Catherine ouvir.
Catherine observou Laura por alguns segundos.
- Sabe, sei que é meio estranho no começo. Depois que se acostumar com as pessoas daqui, vai ficar tudo mais fácil. A maioria deles faz mais parte da minha família do que a minha própria – ela sorriu.
Laura pensou naquilo mas não entendeu como funcionava. Teria que viver aquilo por si mesma.
- Quando acabar aqui, vem pra festa com a gente, tá? Todo mundo vai se reunir lá na frente para irmos todos juntos. Me espere na sala de convivência.
Laura concordou com a cabeça e logo depois Catherine deixou a sala. Laura sentou-se em um dos bancos e mergulhou em pensamentos. As coisas não estavam indo tão mal — tirando a parte da mão congelada -, e se os outros investigadores fossem tão receptivos como Catherine, tudo seria mais fácil. E a festa seria uma boa forma de conhecer o grupo.
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