Assombrados - A Irmandade
3 Monroe
Notas iniciais
Você sabe o quanto eu te amo não é mesmo? – Dizia Enzo enquanto passava a mão por toda a cintura de Lana.
— Ah eu espero que mais do que você amava a Karin – Sussurrou Lana em seu ouvido.
Lana estava encostada no carro de Enzo, em uma rua um pouco afastada da mansão Winker, uma perna envolta do corpo dele, seu cabelo preto todo jogado pelo seu ombro. Seu vestido lilás erguido até à cintura, Lana já conseguia sentir o membro viril dele raspando em sua coxa.
— Você sabe muito bem que ela não chega aos seus pés. Deixa eu te fazer sentir prazer por toda a noite? Podemos ir pra minha casa se você quiser. – Enzo já estava penetrando-a sem ao menos esperar que Lana respondesse.
— Aí é que você se engana, ela chega sim aos meus pés, mas rastejando. Agora... Acho que não vai dar tempo de chegarmos à sua casa – Lana disse quase em um gemido doce e macio, ofegante.
Enzo passou a mão por dentro do vestido dela, desabotoou seu sutiã, e agora beijava todo seu pescoço, os corpos se roçando, a rua deserta iluminada apenas por uma luz fraca do poste. Com a outra mão, passou pela abertura do vestidinho de seda que Lana usava, e com um pouco de força, rasgou sua calcinha que no momento já não servia mais de nada, Enzo lambia os seios da namorada deixando-os eriçados.
Lana quase quebrou todo o clima enquanto falava da Karin, a ex-namorada de Enzo, estar ali com os sentidos à flor da pele com sua namorada e ela te faz lembrar-se da sua ex e querendo ou não você começa automaticamente a compará-las, e isso não é legal quando psicologicamente você ainda ache que sua ex tem um sex appeal melhor que o de sua atual, mas Enzo tentou não ficar pensando nisso, pois agora já estavam transando no capô.
De repente, Lana ouviu um barulho, que a fez sentir calafrios. Tentou ignorar aquele som estranho, mas ouviu novamente. Abriu os olhos, ela estava deitada e Enzo estava em pé no chão com as pernas da namorada pendidas em seus braços, sentou-se novamente no capô e observou. O som estranho vinha de uma velha casa ao norte. Abandonada. O lodo jazia por todo o corrimão da varanda, o chão empoeirado como se não houvesse sido limpado há anos. As janelas brancas, porém muito sujas e vidros quebrados. Em uma delas, um pedaço de cortina balançava com o vento. Rasgada como se tivesse sido feito por garras.
— Ei, chega. Cansei, vamos embora daqui. – Disse ela enquanto não parava de olhar para a velha casa. Mas Enzo não deu atenção, e continuou a beijá-la.
Até que um forte estrondo soou dos fundos da velha casa, então Enzo parou e olhou rapidamente para a direção que Lana olhava. Foi nesse momento que Lana desceu do capô empurrando Enzo para frente, desceu o vestido e se pôs atrás de Enzo, que já estava abotoando a calça.
— Melhor irmos embora, vamos! – Lana tentou puxar o braço de Enzo.
— Acho melhor irmos lá e ver o que é esse barulho – Enzo adorava esses tipos de coisas que só aconteciam em filmes, quando a mocinha enfrenta todos seus medos e sai no meio da escuridão pra procurar ajuda.
— Você está maluco? Eu não vou até aquela casa de jeito nenhum, vamos embora agora! – Lana alçou o tom da voz.
Enzo ficou pasmo, depois de quase ter broxado tentando não pensar na ex-namorada enquanto transava com Lana, agora foi interrompido por um simples barulho. Não podia deixar que tudo acontecesse assim tão fácil. Decidiu então que iria até o a velha casa abandonada, para ver o que quer que fosse aquele barulho antagonista de seu orgasmo. Foi seguindo em direção a casa, e Lana apenas o observou de dentro do carro.
— Vamos embora! – Lana disse agora mais nervosa do que já estava.
— Eu vou ver o que é esse barulho, você pode ficar aí se quiser, mas saiba que quando eu voltar você vai retornar ao capô e vamos continuar de onde paramos. – Se virou em direção à velha casa e foi andando em passos curtos. Enzo não gostava de ser contrariado, em geral era ele quem citava quando algo começava ou terminava.
— Espere, eu vou com você! Não quero sair com cara de defunto amanhã no jornal dizendo “Ah meu Deus, eu não pude fazer nada, eu o deixei ir sozinho e me culpo por isso” – Lana imitou a voz de uma mulher que havia dito isso dias antes no GravelliNews – como vemos nesses casos que aparecem no GravelliNews. E então os dois seguiram para a velha casa de mãos dadas.
O vento agora era mais forte à medida que se aproximavam do local, suas roupas balançavam como se um tornado estivesse próximo. O cabelo de Lana ao vento, como ondas em um mar agitado. Ao adentrarem ao quintal, o forte estrondo soou novamente fazendo até com que Enzo desse um passo atrás. Mas logo voltou a seguir em direção ao fundo da casa, de onde parecia vir o som. Não demorou muito para que Lana desistisse da ideia de não aparecer com cara de defunto no jornal.
— Vou voltar para o carro. E você devia vir junto! Adeus. – Lana saiu correndo sem ao menos esperar Enzo se pronunciar, sabia que ele tentaria convencê-la a ficar. Não importava mais o GravelliNews. Porém ele não recuou, e seguiu em frente, rumo ao que quer que o estivesse esperando no fundo da casa abandonada.
Sem a companhia de Lana, apressou os passos e foi até o fundo da casa, mesmo que Enzo estivesse tentando parecer valente e não ter medo do que pudesse estar esperando-o ali, seu coração batia forte no peito. No quintal havia uma grama espessa e alta, uma churrasqueira ao fundo toda enferrujada. No centro do jardim havia um mirante com duas bonequinhas de pano penduradas em um de seus batentes.
O grande estrondo soou novamente e então Enzo viu o grande causador de todo aquele alvoroço, a porta do porão batia no batente conforme o vento a empurrava, ela batia e abria em um rangido estremecedor. Enzo seguiu até o porão, não conseguia acreditar que uma porta havia quebrado todo o clima que ele estava tendo no carro com Lana. Atrás da porta havia uma estrutura de madeira que impedia a passagem, tentou até mesmo empurrá-la, mas de nada adiantou. Não podia acreditar que uma porta havia lhe impedido o orgasmo. Voltou ao corredor e fez sinal para que Lana fosse até ele.
No carro, Lana ouvia música, e não parava de olhar para Enzo, acompanhava seus passos, e cantava as músicas da estação Rock Stage FM; tentando aliviar a tensão. Pegou seu celular e ao ver o SMS de Trice, retornou a mensagem.
“Estou com Enzo em uma casa abandonada perto da mansão Winker, te ligo mais tarde... L.M”.
Quando Lana deixou o celular no banco, notou que Enzo estava chamando-a no fundo do quintal. Fez sinal de negativo com a cabeça, e fingiu nem se importar, mas com um pouco de receio tempo depois, olhou novamente em direção a onde Enzo estava, e ele havia desaparecido. Abriu a porta do carro e seguiu em sua direção, talvez agora ela novamente não quisesse aparecer no jornal com cara de defunto dizendo que negou ir ajuda-lo quando ele a chamou. Seguiu lentamente pelo caminho, olhando para as janelas de onde deveria ser a sala de estar da velha casa abandonada. Quando chegou até onde Enzo estava, ele agarrou sua mão, e começou a puxá-la sem dizer qualquer palavra. Parou de fronte a porta vedada pela madeira.
— Está vendo? Não era nada, uma porta. Você estava com medo de uma porta. – Enzo olhava com uma cara de “Eu não te disse?”.
— Não era uma porta até você descobrir! — Respondeu ela um pouco irritada.
— Ah qual é amor, você devia confiar mais em mim. Olha só o que eu achei. – Enzo apontou para o pequeno mirante. Lana ainda não havia percebido – Acho que não vamos precisar ir pra minha casa. — Segurou as mãos dela, e seguiram ao pequeno e humilde local.
— Olha esse lugar, é tudo tão... Assustador... Eu juro que vi alguém andando lá dentro – Lana disse enquanto balançava as bonequinhas penduradas – Ah meu Deus, isso está cheio de sangue.
— Esquece isso, vamos continuar de onde paramos – Enzo agarrou Lana, e colocou-a em seu colo, não podia deixar que agora bonequinhas velhas impedissem que eles terminassem o que tinha começado no capô do carro.
Então começaram a se beijar.
E as bonequinhas ficaram ali sorrindo... E balançando.
...
Trice acordou com o som do celular tocando, era a mensagem de Lana. Finalmente se sentiu, por um breve momento, aliviada naquela noite de confusões. Mas o alivio passou assim que Trice se lembrou de onde estava, cochilando no escritório do senhor Winker com as fotos pessoais da família todas em cima da mesa.
Guardou tudo rapidamente, levantou-se e saiu do escritório. Precisava encontrar Jorge. O único lugar onde ainda não havia procurado era no porão. Seguiu para lá imediatamente, passou pelo corredor onde horas antes havia flagrado os jovens se pegando. Quando desceu as escadas, tentou o interruptor para acender a luz, mas não funcionou. O porão estava muito escuro, foi descendo com o auxilio do brilho de tela do celular. Havia muitas coisas estranhas ali, Trice sentiu pavor de andar naquele local cheio de teias de aranha, ela tentava se esquivar, mas era difícil nota-las pela baixa claridade que vinha apenas da tela do celular.
Jorge não deveria estar ali, dizia Trice a si mesma enquanto procurava pelo namorado. Já estava quase amanhecendo e ela era a única convidada, embora fosse namorada do dono da festa, que ainda estava ali. Continuou andando pela penumbra, ora se esbarrando em algum objeto, ora se esquivando das pegajosas teias.
De repente Trice sentiu como se fosse areia caindo do teto, mirou a luz do celular imediatamente para o alto. Não havia nada de errado ali, era como se alguém estivesse andando no andar acima do porão e fizesse com que caíssem poeira da madeira velha. Ignorou aquilo mesmo que por um minuto imaginou que pudesse ser Jorge.
Avistou uma passagem que levava a outro lance de escadas, hesitou e ainda mirando a luz fraca do celular ela tentou olhar se havia algo perigoso ou algum espirito de uma garotinha que havia sido morta ali há anos, aquelas histórias típicas de filmes de terror. Não havia nada de errado pelo que Trice conseguiu ver e então desceu as escadas lentamente, tateando a parede tentando se segurar como se alguma coisa fosse a empurrar escada abaixo.
No novo espaço havia algumas cortinas de plástico ao fundo, que pareciam que era uma divisória, como aquelas de hospitais. Mas o que mais chamou a atenção de Trice foi que em uma das paredes havia grafado varias vezes o nome Judhy. Lembrou-se rapidamente da plaquinha na porta do quarto misterioso. Trice não sabia quem era Judhy, mas estava muito intrigada com tudo isso. Havia um símbolo que por diversas vezes era grafado junto ao nome de Judhy, um circulo pequeno com uma cruz que o cortava ao meio, de tamanho maior. Não sabia onde, mas já havia visto aquele símbolo em algum lugar.
Andou mais alguns passos em frente, e então encontrou um banheiro que estava terrivelmente ensanguentado, nas paredes havia azulejos que outrora fora branco, mas agora estava totalmente manchado de sangue. O cheiro ali naquele local era terrível, Trice sentiu enjoo quando entrou, usou o polegar e o indicar para taparem o nariz enquanto entrava no local.
Havia ali uma banheira, de louça também branca, nela havia um liquido totalmente escuro, que ora ou outra vazava para fora. Não se deu conta no inicio, mas logo percebeu que todo aquele liquido na verdade era sangue...
Talvez até mesmo sangue de Jorge.
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