Capítulo 8 — Emboscada.

Depois de encontrar o álbum de fotos eu me acostumei a passar horas e horas folheando as páginas já gastas repletas de fotografias. Mostrei a Kate e ela diz que não se recorda de nenhuma das fotos. Isso é estranho, quando se trata de coisas familiares tia Kate parece fugir do assunto. Por isso, desde que voltei não perguntei mais nada sobre minha mãe ou meu pai.

Talvez esses objetos tenham me alegrado um pouco, bem pouco. Ainda assim, eu continuava a vagar pelas ruas durante a chuva.

Hoje a noite eu estava em casa sentado no sofá da sala de estar, Kate estava no quarto, provavelmente dormindo. Foi então que o telefone que estava em cima da mesa de canto começou a tocar. Pego o aparelho e aperto o botão.

– Alô?

– Olá meu caro irmão, preciso te encontrar novamente. — Levo um choque ao ouvir a voz do outro lado da linha era do cara que dizia ser meu irmão, Isaac. Ele era real.

– Eu preciso te dizer algo importante que eu não pude te dizer no nosso último encontro. — Ele faz uma pequena pausa. — É sobre mamãe. Minha voz se enrosca na garganta e fico incapaz de responder.

– Tem que ser ainda hoje. — Pondero por alguns segundos. A última vez que eu o vi aconteceram coisas estranhas. Annie me disse que ele é perigosos, mas se ele sabe de alguma informação sobre minha mãe acho que vale a pena arriscar.

– Onde?

– Me encontre na Tower Bridge daqui a quatro horas. Eu olho para o relógio na parede. Daqui a quatro horas será meia-noite!

– A meia-noite? — pergunto.

– Sim, algum problema.

– Não. — minha voz sai trêmula.

– Até breve. O telefone faz um ruído mudo.

Eu o encaixo no gancho. Sinto uma gota de suor se formar na minha testa e vou até a cozinha beber um copo d'água. Vou ao quarto de Kate para ter certeza de que estava dormindo. Ela se encontrava enrolada em um cobertor respirando calmamente.

Às 00h00min horas saio para a rua, tudo que se via era os quarteirões vazios. O frio do inverno fazia as pessoas se refugiarem para dentro de suas casas. Era apenas eu e a rua. Quando eu estava prestes a atravessar para o outro lado da calçada um Alfa Romeo 4c Spider de cor vinho derrapa pela faixa de pedestre e fica de frente para mim. A porta se abre.

– Entre. — ordena. Eu curvo um pouco minha coluna para ver quem estava dirigindo. Fico impressionado, Era Annie no volante, seu cabelo estava mais preto do que eu me lembrava.

– Entre logo — ela ordena mais alto agora e eu obedeço. — Precisamos chegar logo até a Tower Bridge.

– Por quê? — finjo não saber do que ela estava falando.

– Não se faça de desentendido, ele te ligou hoje e quer se encontrar novamente com você.

– E como você sabe?

– Grampeamos o telefone da sua residência. Estávamos esperando que ele te ligasse. — Ela fala com os olhos fixados na avenida. — Dessa vez eu irei pegá-lo.

– Como você grampeou meu telefone?

– Isso realmente importa? — replica.

– Só mais uma pergunta. — eu digo olhando seu rosto focado na avenida

– O que está acontecendo?

– Você não se toca, não é? — Ela fala ríspida — Como alguém vai a um encontro perigoso como esse na ponte mais famosa do mundo no meio da noite? — Fico incomodado com sua voz, ela devia saber minhas razões.

– E agora? O que vai acontecer? — eu pergunto.

– E agora, você diz? — Ela dá um sorriso no escuro. — Uma emboscada, vamos pegar o cara que diz seu irmão e checar se ele conhece seu pai.

Com essas últimas palavras o Alfa Romeo ultrapassa 120 Km/h na avenida deserta.

...

A Tower Bridge é um dos principais cartões postais da Inglaterra e é uma das pontes mais famosas do mundo. Seus 244 metros de comprimento se estendem sobre o rio Tâmisa. Naquele momento não se via sinal algum de veículos ou pessoas trafegando por ali.

Annie me deixa na Tower Hill Minories.

– É melhor que você siga a pé daqui, assim ele não vai tentar escapar. Desço do carro. O silêncio da avenida gritava nos meus ouvidos dizendo-me que talvez eu não devesse ir até lá.

– Está tudo bem — resmungo para mim. Ao mesmo tempo tento repassar mentalmente o que Annie me disse. O plano era, basicamente, ouvir o que ele tinha a me dizer sem questionar nada. Annie iria pegá-lo no momento em que ele se distraísse. A cada passo que eu dava mais distante eu parecia estar da ponte. Faltava menos de vinte metros para chegar ao início da Tower Bridge quando fui capaz de ver uma sombra bem no centro. Imóvel. Me aproximei o mais devagar que pude. As cicatrizes no rosto do homem que estava ali era inconfundível.

– Fico feliz que tenha vindo. — ele fala, sorrindo. — Penso no que Annie me disse, eu deveria distraí-lo. Mas eu precisava perguntar algo.

– Jacques matou mamãe? — pergunto secamente. Os olhos de Isaac ficam arregalados.

– Seja lá as pessoas que te disseram isso, não acredite nelas. Estão mentindo. Nosso pai pode ter cometido vários erros, mas ele não seria capaz de fazer uma atrocidade dessas.

– Eu preciso que me leve até ele. Logo em seguida algo muito estranho acontece. Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, Isaac cai no chão.

Eu olho para ele caído sobre a calçada. Sua perna direita começa a sangrar e ele automaticamente entrelaça as mãos sobre o ferimento, sua expressão demonstrava dor. Desvio meus olhos e inclino minha cabeça para frente, a quinze metros de distância estava Annie segurando um revólver.

– Bom trabalho Robert, pegamos ele. — ela diz caminhando em minha direção. Eu encaro o corpo no chão. A Cabeça dele estava levemente inclinada na direção do Rio Tâmisa. E, mesmo após levar um tiro, Isaac estava sorrindo sombriamente. Ele coloca um celular no ouvido e sussurra:

– Missão concluída. Alguns segundos depois ele joga o aparelho no rio.

...

Havia alguma coisa totalmente errada no que acabara de acontecer.

Annie atirou em Isaac. Ele após levar um tiro da um sorriso e misteriosamente diz ao celular “missão concluída”. Ela provavelmente sabia que eu iria perguntar sobre meu pai. Logo depois que ele caiu no chão Annie o arrastou para dentro do Alfa Romeo e disse que iríamos levá-lo até a delegacia em que Sr. Dermott estava trabalhando.

– Não se preocupe, — ela diz. — era uma bala de borracha, eu já tratei de tirá-la e fazer os primeiros socorros. Precisamos dele vivo.

Eu não falo nada, minha mente estava concentrada na cena horrorosa. O olhar sombrio dela, me fez imaginar se ela sequer tinha pensado em hesitar, ao puxar o gatilho.

Annie era assustadoramente perigosa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.