Assombrada
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ouvir música é uma das únicas maneiras de me acalmar. Essas atividades estranhas que ocorrem aqui em casa não são normais e aparentemente sou a única a ouvi-los. meus pais acham que eu preciso ir ao médico, ou até mesmo o psicólogo para me tratar, mas esses estranhos barulhos e sombras são reais.
Quanto mais fico exposta a essas "assombrações", mais inquieta eu fico. Nem mesmo meus amigos confiam em mim, acham que eu preciso relaxar e aproveitar a vida; roubar lojas, fazer sexo, mentir aos pais, beber... Mas a verdade é que eu não ligo para esse tipo de coisa, eu sou bastante focada no futuro. Penso em minha carreira, meus filhos e meu marido fiel.
– Vem brincar comigo, que tal jogar "forca". Tenho prazer em utilizar a forca em você, parece lhe fazer bem. — Disse a menina com um urso de pelúcia em sua mão direita. Ela parece ser uma anjo, mas se parar para conversar com ela por volta de 5 minutos é bem provavel que ela te mostre mais de 30 maneiras incríveis de te matar dolorosamente e indolor. Você acabou de conhecer a entidade que mais me faz visitas.
Um bom tempo atrás eu tinha 8 anos, como a menina, e já havia conversado bastate com ela. Seu nome era Lucy e ela foi morta por pular de um penhasco em 1817. Não quis perguntar em que penhasco para não parecer ofensiva e até mesmo evitar que ela arranje um jeito me matar, mesmo sendo apenas uma entidade.
– Lucy, me desculpe, mas eu vou ter de recusar. Atualmente ninguém brinca de "forca",no sentido literal.
– Mas parece ser algo tão legal...
O jeito como converso com essa menina, e os resto dos outros "espíritos" me sinto como se não me encaixasse no mundo dos vivos, que fui destinada a morrer. Porém isso não faz o menor sentido, quem nasce sentindo que precisa morrer para suceder na vida?
Faz um bom tempo desde que dormir pela última vez, tranquila. Parece que eu ja vivi muito mais do que qualquer um da minha idade, pois eles dormem e eu não. Tenho tido insônia, pensei em contar aos meus pais, mas sei que não se dar ao luxo de acreditar em mim, vão achar que eu estou bebendo muita cafeína. O que juro, não é verdade.
Meu despertador toca, uma coisa pouco útil já que passei a noite inteira refletindo sobre quem sou e o que faço. Olho de novo para o despertador, e vejo que hoje é sexta, o que não muda absolutamente nada em minha vida, já que todo santo dia vivo em um mundo totalmente não planejada para um ser humano.
Me levanto, é obvio que confio em meus jeans surrados e uma blusa qualquer. Se me vir de algum outro jeito, ou estou doente, ou minha tia Ann acaba de se acomodar na minha casa com suas filhas favoritas, muito bem arrumadas para o meu gosto. Tia Ann é uma empresária pouco conhecida, mas bem sucedida, capaz de atender os desejos consumistas de suas filhas e até de si própria.
Pego minha bolsa preta favorita, que já estava com todo o material que iria precisar. Ponho meus sapatos All-star e estou pronta. Rapidamente tomo um leite com cereais matinais e saio correndo pela porta da frente. O ônibus escolar já devia estar impaciente na porta da minha casa.
Bem, nem tudo correu como planejado. O ônibus já se fora, e meu pai não se encontra mais em casa. Mas isso é até um boa desculpa para faltar aula. Me arrumei toda para ir a escola, tenho de ir para algum lugar.
A algum tempo, tenho pesquisado sobre o local onde minha mãe morreu, pelo menos alguns dos possíveis locais. Um ano atrás, minha mãe morreu misteriosamente, apenas enviou uma mensagem para o meu pai dizendo "Estou a caminho da morte, por favor não me encontre" e parece que ela realmente morreu. Levamos o caso a policia, mas como esperado eles não conseguiram solucionar.
Não poderia ser apenas um divórcio que ela estava pretendendo, ela manteria contando comigo, e além do mais, meus pais além do mais não estavam brigando. Ela era uma mulher boa, não gostava de ter pessoas a odiando, se sentia mal por isso, assim como eu. Não havia um motivo plausível para tal morte.
Aqui em Orlando, não há muita movimentação da área residencial. Acho que se minha mãe de fato se suicidou, um bom lugar para se investigar seria aqui. Venho já a um tempo perguntando ao meu pai se, quando eram adolescentes, eles se encontravam em algum lugar específico. Vejo sua face se acender, como se soubesse a resposta mas logo depois a desfarçava e mudava de assunto. Tem algo acontecendo em minha vida, algo confuso aos meus sentidos, algo desconhecido.
Já que meus planos de ir a escola provavelmente não se concretizariam, decido ir a uns dos lugares suspeitos do suicídio. O lugar mais perto e calmo seria a praça do condomínio. Tomara que todos os trabalhadores estejam fazendo o que deveriam ser pagos para fazer, se não, meu pai tem como entrar em contado com cada um desses trabalhadores do condomínio.
Sim, meu pai tem esse poder. Minha família não é conhecida por ai por ser antipática, bem eu sou, mas ao contrario de mim, minha família adora ter novos contatos. Uma bicleta agora faria bem, ah espere ai, eu tenho.
Quando chego a praça, vejo um vulto enegrecido alto e bastante familiar. Me aproximo e vejo fios de cabelo tão flamejantes quanto um fogo, roupas desleixadas com o acressimo de um chinelo preto.
Meu melhor amigo.
Ele é aquele tipo de cara que prefere ouvir do que falar, posso falar sobre minha vida inteira e ele apenas concorda com a cabeça. Você deve pensar que ele não presta atenção, mas é ai que você se engana. Marcel é muito inteligente, e nunca me olha nos olhos. Tenho dúvidas sobre a cor de seus olhos, podem ser verdes ou castanhos, não sei afirmar já que olho para suas irís em breves momentos. Pelo que ele me conta, seus pais creem que ele seja autista, estão a espera do resultado do exame.
– Oi Mia — Diz Marcel, olhando para seus chinelos quase destruidos
– Olá Marcel — digo esperando ter como explicar minha ausência na escola.
Fale com o autor