Assistindo Músicas.
1 JS - Taca ele Fora - Projota.
Notas iniciais
Eu ainda não conseguia acreditar que ele, o garoto que eu pensei que amava, havia me traído. E eu estava irritadíssima enquanto ele ainda corria atrás de mim pela casa e eu bufava para suas tentativas frutadas de rever a questão da traição. Comecei a subir as escadas de dois em dois degraus e pelo caminho pegava um par de meias ou um relógio perdido e unia tudo em meus braços para jogar junto com o resto de suas coisas, ah coitado! Quando ele entenderia que não haveria volta? Quando ele enxergaria que não importa o que dissesse eu não voltaria atrás? Ele estava sendo enxotado da minha vida para sempre, a partir deste instante. Ele se achava um homem, mas sabemos que homens não agem de tal forma e sim meninos! Meninos infantis ao ponto de achar que uma mentira pode encobrir uma história disfarçada.
— Brittany me dá uma chance de explicar! – David gritava em um tom frustrado pelas minhas costas, mas eu quase não escutava suas palavras balbuciadas, continuava a juntar suas peças de roupas sujas e limpas, para, por fim, unir todas na mala em que chegou aqui.
Todas as peças que estavam em meus braços foram para dentro da enorme mala vermelha e depois com um pouco de esforço consegui fechar o zíper.
— O que você está fazendo? – Esbravejou quando entrou no quarto.
— Fica aí olhando. – Respondi enquanto erguia meu corpo carregando a mala com toda a força restante em meus poros.
Com ele ainda na minha soleira segui até a sacada e com mais força ainda ergui sua mala nos braços.
— Britt! Não faça isso. – Ele berrou colocando as mãos pesadas em meus ombros. Aquilo me deu nojo e repulsa e mais força ainda para seguir em frente com a atitude de raiva, que ele fosse humilhado dentre aquelas pessoas lá embaixo. Sua mala se tornou um ponto vermelho mínimo lá em baixo quando a arremessei com o restante de força física.
— Ops. – Foi a última palavra que disse antes de vê-lo correndo degraus abaixo em busca de sua mala e eu seguia calmamente atrás, apenas vendo seu desespero, sua vergonha assim como fizera comigo.
— Ainda não acredito que fez isso... – Ele começou quando alcançou sua mala esfolada no chão da rua.
— Acredite, assim como acredito no que fez comigo. Agora vai, vai embora da minha vida e me deixa em paz. Você entendeu? Me perdeu idiota! – Esbravejei apontando contra seu peito.
Seus olhos verdes tomaram forma e me fitaram durante longos instantes.
— Não, Britt, não pense assim...
— Vai embora logo! Passar esse sábado assistindo cine privada e sabe, né. Pensando em fazer o que não fará neste final de semana, vai! – Obriguei apontando para um ponto distante de mim.
Minha raiva ainda me consumindo.
Como meus instintos me diziam hoje a noite teria festa e minha melhor amiga, Ana, não hesitaria em me convidar. Então lá estava eu, com meu cabelo em um rabo-de-cavalo para revelar a fenda do vestido nas costas e, como eu esperava, todos os olhares estavam em mim. Minha noite estava tendo um início ótimo, do modo como planejado. Eu estava começando a esquecer dos meus problemas de logo cedo, quando meus olhos se repousaram nos olhos verdes tão conhecidos por mim, e ah! Como eu fiquei com raiva naquele instante. Não eram ciúmes, nem nada parecido. Era raiva, somente este sentimento pavoroso que se instalou em mim, depois que o peguei me traindo. Traindo-me com uma qualquer e mesmo eu assistindo tudo, ele vem com a desculpa de que eu não havia visto nada demais, mas como, porra? Como não era nada demais?! É claro que era algo de mais! Como ele pôde ser um rapaz tão sem caráter ao ponto de me dizer uma coisa dessas? Ao ponto de crer em suas próprias palavras? Ao ponto de mentir para mim e de me humilhar? Para que minha noite terminasse bem eu precisava vê-lo sendo humilhado de tal forma, mas nunca trocaria com a mesma moeda. Nunca fui e nunca seria garota deste tipo, então eu iria deixar a onda da noite me levar para o desfecho final.
Depois de algumas horas minhas amigas e eu estávamos retornando para casa aos trancos e barrancos. Eu nunca fora de beber e também não me entreguei a isto por conta do que David fez comigo, eu só me deixei levar e posso dizer que a visão que eu tive no final do dia ajudou muito para que eu dormisse tranquila e divinamente bem.
Lá estava David pálido, por conta do efeito da bebida da noite junto com seus amigos, passando algumas notas de cem reais para uma prostituta. Ana apontou para ele e não nos seguramos, nossas gargantas se resplandeceram em gargalhadas altas sem a mínima vergonha de lhe demonstrar que toda aquela piada era ele e não eu, como no início do dia.
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