Assistente Pessoal
3 Enganado por um cartaz
Notas iniciais
Depois de uma boa noite de sono, finalmente, acordo sem ter uma mulher estranha em meu lado. Fiz minhas higienes matinais e saí do quarto para ver o que a Sakura estava fazendo. Quando coloquei os pés na sala, fiquei até surpreso em ver a minha assistente tão focada em um notebook, ela nem ao menos notou minha presença. Me aproximei por trás dela e coloquei meu braço suavemente em sua cabeça, como um apoio. Olhei para a tela do notebook e vi apenas números e mais números.
– Hum?
– Bom dia, Sr. Uchiha... Quero dizer, Sasuke!
– O que são esses dados?
– São as suas finanças... Fiz um levantamento de todas as suas ações e investimentos e estou corrigindo alguns erros e cuidando de algumas ações que estão paradas... Você poderia lucrar muito mais se analisasse o que tem com mais cuidado!
– Estou impressionado! Mas, deixo isso em suas mãos!
– Obrigada pela confiança...
– Mas, não quero que trabalhe por hoje! Vamos nos dar essa folga!
– Eh...
– Apenas procure pela cidade mais próxima, os melhores pontos de diversão... Estou a fim de me divertir o dia inteiro!
– Não teve infância? – ela começou a rir. – Ah... Desculpe o atrevimento! É que às vezes você me faz esquecer que eu tenho patrão com esse seu jeito...
– Tudo bem... Só não abuse muito... Melhor, abuse um pouco de mim... – sussurrei em seu ouvido. Ela apenas deu um sorriso de canto.
– Seu café está na mesa... Com licença... – ela se levantou e foi andando em direção a varanda. Apenas sorri e fui tomar o meu café.
(...)
Depois de uma hora sem fazer nada, a Sakura surgiu com uma agenda em sua mão.
– Encontrou? – perguntei.
– Sim... Preparei um passeio pelos melhores pontos da cidade vizinha... Acho que você vai gostar!
– Perfeito... Vamos! – a segurei pela mão e fomos andando assim até o carro. Quando nos aproximamos da garagem, olhei pra Sakura e ela estava um pouco corada. – Você está vermelha! – eu disse.
– Não estou não...
– Está sim...
– Eh... Vamos logo! – ela soltou a minha mão e entrou no carro. Fiz o mesmo e fiquei sorrindo pra ela.
– Pra onde vamos? — ela apenas ficou sorrindo pra mim.
(...)
– Sakura, isso é divertido?
– Muito! – estávamos cercados de pessoas em uma feira popular. O carro estava alguns metros distantes de nós. A cada passo dado, parecia que as ruas ficavam mais estreitas.
– Por que você não fica por aqui e eu vou em um outro lugar?
– Infelizmente, deixar você sozinho é um risco de morte e se isso acontecer eu perco o meu emprego!
– Mas, eu sou o seu chefe!
– Por isso mesmo, se você morrer em uma loucura, eu fico desempregada!
– Muito bom o senso de preocupação! Pensas mais em mim ou em você?
– Em nós dois...
– Nós dois?
– Você entendeu...
– Ah... Olha esses chapeis... Gostaria de ter um? – a banca que estava ao nosso lado estava recheada de chapeis turísticos. Coloquei um em minha cabeça e dei outro para a Sakura. Andamos mais um pouco e compramos uns adesivos, umas camisas e alguns cartões postais. – Isso é chato!
– Quer ir embora? – olhei mais à frente e vi a garota dos seios grandes do bar da noite anterior. Aqueles seios eu reconheço de longe! – Eh... Sasuke?
– Fica aí um pouquinho... – tirei o meu chapéu e coloquei na cabeça da Sakura e fui andando em direção à mulher.
– Você por aqui?
– O local é público!
– Quer ir em outro lugar? Comigo?
– Eh... O que eu ganho se for?
– Você vai descobrir...
Olhei para trás e a Sakura disfarçava com uma revista em mãos. Apenas pisquei pra ela e fui seguindo a mulher de seios grandes. Ela me levou até um caminho no qual não havia nenhuma pessoa além de nós dois. Ela me pressionou contra a parede e levantou uma das suas pernas, passando a mão suavemente em sua coxa. Mordi o meu lábio inferior e olhei bem nos olhos dessa garota.
– Vai ficar só nisso? Ou você já vai tentar me roubar?
– O que? – ela perguntou.
– Se for pra fazer isso ao menos me deixe logo tocar em seu seio! – coloquei as mãos e sim, eles são bem grandes!
– Oh garoto! Você é muito idiota!
– Garoto? Eh... – respirei fundo. – Em quantos vocês já deram esse golpe?
– Você... – a garota olhava surpresa pra mim.
– Não sou idiota! Cai nesse golpe uma vez quando era mais novo... – comecei a rir. – Ganhei uma surra e perdi muita grana... O meu irmão também foi iludido, mas até que não sofreu muitos danos... Mas o meu pai... Nossa! O coitado até hoje cairia no mesmo truque...
– Então, você já sabia!
– Primeiro, você procura a sua vítima em um bar... Depois você ia me esperar ligar para marcar um encontro e me dar o bote, mas por coincidência, me avistou nessa feira e me trouxe para esse beco para arrancar o meu dinheiro... Se queria grana, bastava me pedir pra fazer sexo que eu dava!
– Quanta insolência! – ela se afastou um pouco de mim. – Mas dessa vez, a garota de cabelos rosas não está aqui para atrapalhá-lo...
– Verdade... Mas, a Sakura não é tão descuidada como eu... Por isso...
– O que?
– Apenas vim fazer isso! E caso, queira saber, o seu marido está meio atrasado porque... Ah, logo você vai saber! — dei um beijo na garota e voltei andando em direção do local onde a Sakura estava. Assim que a avistei, acenei e andei mais rápido em sua direção. — O que achou? – perguntei à ela.
– Uma estupidez! Que droga de aviso é esse que você deixou no chapéu? Por que não me contou sobre essa loucura? E se o marido dela o visse?
– Você o distraiu?
– Isso foi muito difícil... Por pouco ela não me reconheceu... Graças aos chapeis!
– Sakura, eu sou muito vivido... Entendo das coisas!
– Mas...
– Esqueça os riscos! Agora tenho uma nova programação...
– Hã?
(...)
– Aqui está muito barulho! – ela gritava em meu ouvido.
– Eu sei... Olhei em um cartaz e estava escrito que era diversão vinte e quatro horas sem parar!
– Cartaz? Que cartaz? – ainda falávamos gritando.
– Esse aqui... – entreguei em sua mão e ela ficou olhando bem surpresa pra ele. – Algum problema?
– Não... Nenhum... – ela falou com um sorriso bem grande em seu rosto. Me aproximei de um balcão e pedi duas bebidas bem fortes, a melhor da casa. O garçom me olhou bem estranho, mas apenas ignorei. Olhei para a Sakura e ela continuava rindo.
– Ei? Por que você está assim?
– Eh... Beber esse horário do dia não é muito bom...
– Você não quer?
– Eu dispenso...
– Tudo bem... – fiquei bebendo por um bom tempo. Minha visão já estava um pouco turva. Olhei ao meu lado e já havia se passado até uma hora e nenhuma garota havia se aproximado de mim. Será que tem algo de errado? Olhei em volta e vi apenas a Sakura conversando com um cara e apontando em minha direção. Ambos começaram a rir. Fiquei confuso, mas ignorei. Senti alguém se sentar ao meu lado bem próximo. Olhei pro lado e era um homem um pouco alto e de cabelos escuros. – Eh... você está muito perto...
– Eu sei... – ele disse com uma voz bem afeminada. Peguei um susto com isso e me levantei mais que depressa do banco e andei até onde a Sakura estava.
– Sakura, tem alguma coisa de errada com aquele cara...
– Hum... – ela começou a rir.
– O que seria? – o homem que estava conversando com ela ainda estava por perto, nem havia o notado.
– A voz dele...
– Sasuke, olhe bem ao seu redor... – fiz o que a Sakura mandou e não entendi muito bem.
– Não estou entendendo...
– Você vê alguma mulher além de mim?
– Eh...
– Isso é porque estamos em uma casa de show reservada para homossexuais... E realmente, a festa por aqui dura vinte e quarto horas, não é Joe?
– Isso mesmo! Mas, você e a Sakura são muito bem-vindos aqui! Principalmente, você!
– Acho que vou vomitar! – me apoiei em minha assistente.
– Eh... Voltaremos outro dia, acho melhor levar o “senhor não sei ler um cartaz” pra casa! – os dois continuaram rindo.
– Tudo bem...
Saímos do lugar e eu continuava apoiado na Sakura. Assim que chegamos no carro, me sentei no banco do passageiro e dei a chave para a Sakura.
– Por hoje já deu... Que tal comprarmos uma bebida e ficarmos em casa mesmo?
– Acho uma boa ideia!
(...)
Já era noite e depois de um bom descanso fui procurar a Sakura pela casa. Ela estava na varanda falando ao telefone. Assim que ela desligou me aproximei com duas taças em mãos e uma garrafa de champanhe.
– A fim de um brinde?
– Brindar? Por qual motivo?
– Não sei... Vamos pensar em um... – entreguei a taça em sua mão e servi a champanhe.
– Eh... Até que estou me divertindo...
– Não vamos parar nisso... Tenho muitos lugares pra te levar em Konoha... Os melhores que eu conheço!
– Sasuke... Eu liguei para a mansão para avisar da nossa volta!
– É mesmo... Espero que o meu pai esteja bem...
– Ele está... – fiquei olhando seriamente para a Sakura. – O que foi?
– Você é virgem mesmo?
– Por que a pergunta?
– Não te imagino com um homem... – ela ficou vermelha. – Nesse sentido... Você é muito esperta pra se deixar seduzir por qualquer um...
– Isso é um elogio?
– Pode ser...
– Na verdade, já tive alguns relacionamentos, mas não deram muito certo... Eu sou muito ocupada pra essas coisas... E agora, tenho que cuidar muito bem de você!
– Fico feliz por isso... Saber que estou em boas mãos é reconfortante!
– Confia em mim?
– Cegamente... – bebemos mais um pouco até ficarmos com sono. Mal conheço a Sakura, mas parece que já convivo com ela há muitos anos. Isso é muito diferente de tudo o que já vivi, pois nunca confiei minha vida nas mãos de ninguém.
(...)
– Pronta para partirmos?
– Sim...
Saímos de carro bem cedo para chegarmos em Konoha antes do almoço. A viagem foi bem tranquila. Até que eu estava bem relaxado.
(...)
Com algumas horas de estrada, chegamos em casa. A Sakura pediu para os empregados cuidarem das malas, enquanto eu fui direto para a porta para entrar e procurar um bom lugar para deitar.
Assim que abri a porta, fiquei bem espantado com o que vi. A Sakura entrou com alguns segundos de diferença e ficou também surpresa com o que viu.
– Itachi? Mãe? Pai? O que fazem todos aqui?
– Filho... Seu pai nos contou da sua namorada e a Yakumo confirmou... Viemos comemorar!
Olhei para a Sakura e ela estava sem reação no momento.
– Não tenho namorada! – respondi.
– Então, já são noivos? – Itachi se aproximou de nós. – Irmãozinho, seus sobrinhos estão muito alegres com a notícia!
– Ela não é minha noiva!
– Itachi, eles são modernos... Um casal atual não precisa casar ou noivar para viverem juntos! – minha mãe disse.
– Ei... Me escutem! A Sakura e eu não temos nada... Ela é apenas minha assistente pessoal e trabalha pra mim...
– É isso mesmo querida? Não deixe o Sasuke te intimidar! – minha mãe disse bem perto da Sakura.
– É isso sim! – ela respondeu toda sem jeito. Eles se olharam e apenas se sentaram no sofá.
– Já sabíamos disso! – Itachi respondeu.
– O que?
– Ah filho, apenas tentamos dar um empurrãozinho... Bem que vocês podiam fingir!
– Mãe... – respirei fundo. – Vocês não desistem?
– Nunca! – ela começou a rir e segurou no braço da Sakura e juntas saíram da sala. Me sentei perto do meu pai e do Itachi.
– O que fazem por aqui? – perguntei.
– Por acaso você não sabe? Se esqueceu que seu aniversário é semana que vem? A família toda vai ficar por aqui com você até nessa data...
– E os seus filhos? Sua esposa?
– Irmãozinho, é a família toda... Eles estão em sua piscina... Legal isso, não é?
Me deitei no sofá. Uma semana é o suficiente pra bagunçarem minha vida. Pelo menos, tenho uma arma secreta agora: minha assistente pessoal. Será que ela vai aguentar esses dias? Esse será o grande teste!
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