Assistente Especial

4 Papai Noel Existe?!


Notas iniciais
Oi oi gente! Tudo bem? Espero que sim! Bom, aí está mais um capítulo. Espero que gostem. Aproveitem!

Eu não sabia dizer se a madrugada passou rápido ou devagar, mas foi magicamente bizarro. Em um momento de menos trabalho, Ollie me levou para conhecer o salão de festas e não foi necessário muito tempo para descobrir que ele não estava brincando: A árvore dali era mil vezes maior que a da Oficina.

Simplesmente maravilhosa! Ela era um pinheiro de verdade, que descobri ser renovada a cada ano com magia, recheada de enfeites diversos, e notei mais tarde que várias bolas tinham por dentro a imagem do maior ponto turístico de cada país. Os pisca-piscas brincavam envoltos na árvore, parecendo acender com mais vontade que os demais espalhados pelo mundo. E brilhinhos – que Ollie disse ser o pozinho mágico – caíam continuamente sobre ela. Bolas, meias, anjos e cartões; tudo isso repousava na mais perfeita harmonia sobre a árvore, e nada era mais lindo que aquilo.

Várias mesas grandes e rústicas ficavam espalhadas pelo salão para a hora da Ceia, e incontáveis embrulhos já aguardavam ao pé da Gigante – o nome que deram ao enorme pinheiro. Mais ao canto, instrumentos aguardavam para serem tocados, e não muito distante havia um espaço grande e vazio, de frente a um palco, que provavelmente era aonde o Papai Noel fazia seu discurso natalino. Eu quase podia imaginar como era a Ceia ali, depois de uma árdua noite de trabalho.

Dava para vê-los comemorando mais um ano de sucesso recebendo das fadas notícias de crianças felizes com seus presentes e trocando presentes entre si, no meio de uma conversa que abordasse algo que não fosse trabalho, sem peso algum nos ombros, comemorando seu Natal no dia 25.

Eu quase acreditava em tudo. Quase... Faltava apenas um pequeno detalhe. Algo que complementasse a magia e dando um ar mais realista a ela. Ollie suspirou ao meu lado satisfeito, observando a paisagem do salão, como se nunca a tivesse visto antes.

— Acho que já está na hora.

— Do que? – perguntei um tanto receosa, sem muita vontade de ir embora naquele momento. O que era irônico, já que no momento em que percebi onde estava, minha primeira vontade foi a de voltar para meu apartamento.

— Da melhor parte. – sorriu.

Ele me puxou pela mão, dando passos tão rápidos e empolgados que quase fui parar no chão em vários momentos, considerando que eu estava um pouco envergada, devido a diferença de altura.

Seguimos um longo caminho, passando por várias alas, todas muito bem preenchidas por duendes e mais duendes vestidos de vermelho e verde trabalhando, até finalmente chegarmos ao nosso destino.

Era uma sala fechada, com uma porta tão comprida quanto larga feita de madeira escurecida. Nela havia uma placa preta onde estava escrito: Papai Noel; não deixe de acreditar. Engoli em seco, me segurando para não dar um passo para trás, como uma criança vendo o “Papai Noel” pela primeira vez, em alguma festinha de escola.

Meu pequeno amigo deu batidinhas animadas na porta, e depois de um sininho de natal ao lado dela tocar, ele a abriu. Um homem grande – em todas as proporções –, com roupas vermelhas e gorro da mesma cor, porém com borda e pompom na ponta brancos, e seu rosto esboçava um sorriso bondoso por trás da imensa barba, que me dava vontade de abraçá-lo. O efeito era completamente diferente do que acontecia com os falsos bons velhinhos, que repeliam as criancinhas.

Nada, para mim, poderia ser tão real e surreal ao mesmo tempo quanto aquela figura. Era como se um arco de magia e bondade o envolvesse. Ele era o espírito natalino personificado em uma pessoa, mas também era inacreditável e fantástico demais para minha pequena mentalidade absorver. O máximo que cheguei de ver um Papai Noel foi no Shopping, e ele era na verdade um homem aleatório repleto de enchimento por baixo da roupa de veludo barato.

— Ho ho ho, vejo que acertaram dessa vez, Ollie. Meus parabéns! – se levantou, mostrando-se um homem mais alto que o comum. Procurei não arregalar demais os olhos ao descobrir que aquela era sua verdadeira risada. – Me diga Camila, gostou do seu dia como Assistente Especial?

Assentir foi a coisa mais sensata a se fazer no momento, além de encará-lo espantada, então o fiz, enquanto Ollie me empurrava para dentro da sala. Assim que chegamos perto de sua mesa, Papai Noel balançou a cabeça em sua direção e ele saiu, com um sorriso de orelha a orelha. Ótimo, agora eu ficaria ali, frente a frente com um dos grandes símbolos do Natal sem nem um duende para impedir um possível surto, meu. Maravilha!

O bom velinho pegou de sua mesa uma pequena rena de madeira e começou a limpá-la, enquanto eu explorava o lugar com os olhos. Sem sombra de dúvida, aquela era a sala mais aconchegante em que já estive, com uma árvore de natal no canto – menor que as outras, mas não menos bonita –, bem ao lado de uma lareira acesa.

Luzinhas coloridas envolviam todo o espaço sem muito exagero, apenas formando um cordão único por ela. Um festão de natal envolvia a parte de cima da lareira com uma meia vermelha em cada ponta, e uma guirlanda com bolinhas vermelhas e douradas estava pendurada na parede, se mantendo acima dela. Um pouco de lenha aguardava ao lado, no chão.

Perto da mesa dele, uma estante cheia de livros complementava a decoração, e me imaginei sentada no pequeno sofá de couro vermelho que havia ali, fazendo a leitura de um bom livro e com uma deliciosa caneca de chocolate quente em mãos.

— Foi incrível. – lhe dei uma resposta decente, em voz baixa. Era engraçado perceber como retrocedi à infância, morrendo de medo de me aproximar dele, por mais que ele parecesse bem menos espalhafatoso, pessoalmente. – Por que fui escolhida? – perguntei mais uma vez, tentando não me sentir ridícula por fazer uma pergunta como aquela.

Papai Noel me deu um sorriso bondoso e repousou o enfeite novamente na mesa, me dando total atenção.

— Todos os anos recebemos milhares de pedidos paralelos aos que costumamos ter. Neles, as crianças não pedem presentes materiais, e sim que um determinado adulto acredite na magia do Natal. – disse, com sua voz tranqüila e serena, como a de um pai que poderia ser capaz de afastar todos os males do mundo.

Ele abriu uma gaveta e de lá tirou um envelope de folha de caderno, que eu podia jurar ter visto antes, e o entregou a mim.

Abri com cuidado a cartinha, e com medo de que, de repente, se desfizesse em minhas mãos, avisando que tudo não passava de um sonho, e comecei a lê-la, captando cada palavra.

Oi Papai Noel! É o Gabriel de novo. Eu sei que já pedi meu presente desse ano, mas quero ó mais uma coisinha. A minha tia Camila não credita muito no senhor. Eu queria muito, muito, muito que ela acreditasse. Eu sei que você tem muito trabalho, mas pensa direitinho. Se ela acreditar, vai deixar leite com biscoitos.

Obrigado. Feliz Natal!

Ri de sua proposta final, e Papai Noel me acompanhou, dizendo algo sobre o quão bom meu sobrinho era em barganhar. Então era isso que estava escrito na segunda carta! Em nenhum momento passou pela cabecinha dele que talvez ela não chegasse ao Polo Norte, e que ficaria ali por longos momentos, provavelmente. Gabriel nunca desconfiou. Sabia que, de uma forma ou de outra, seu pedido chegaria ao Papai Noel.

— Todos os anos juntamos essas cartas e as levamos para o lado de fora, mostrando uma a uma à Estrela do Norte. – continuou. – Quando seu brilho é maior para alguma, trazemos o adulto solicitado para cá de madrugada, e essa pessoa passa o dia trabalhando com os duendes.

— Como Assistente Especial. – complementei, e ele assentiu, com o olhos alegres. Acho que finalmente estávamos falando a mesma língua.

— Mas neste ano a Estrela não cintilou para nenhum pedido, em especial. Estávamos quase escolhendo uma, nós mesmos, quando Otto chegou com uma nova carta, de última hora. E então ela brilhou fortemente; o brilho que queríamos. Aquela era a certa! A Estrela do Natal só reage desse jeito para os corações que acreditam de verdade, e pedem com vontade e fé.

Continuei encarando-o, praticamente inexpressiva, presa em suas palavras e sem conseguir duvidar delas por um instante, sequer. Era fantástico, alucinante e ao mesmo tempo uma loucura. Mas mesmo assim, era como se nada fosse mais real que aquela realidade. Tudo fazia sentido; nenhum ponto solto abrindo espaço para alguma teoria que desmistificasse aquilo.

— Por que não trazem as crianças? – questionei, pensando melhor no assunto. – Elas são loucas para conhecer isso daqui, te ver pessoalmente.

— Elas não precisam. – sorriu. Na verdade, ele estava sempre sorrindo, ao que parecia. – As crianças acreditam, e não precisam ver ou ter provas concretas para isso. No mundo todo milhares de crianças seguem um ritual para me esperar: Sapatos na janela, meias penduradas pela casa, árvores de natal, biscoitos com leite, limpando chaminés... Isso tudo sem questionar uma única vez. – lembrou. – Elas crêem, e é por isso que eu existo; E eu existo, e é por isso que elas crêem. A magia do natal é bela, porque não precisa de explicação, Camila.

Sua constatação era tão poética quanto a neve caindo sem parar naquele Polo Norte, e não duvidei de mais nada. Realmente, Gabriel sempre tomava iniciativa em todos os anos, colocando um dos seus sapatos favoritos na janela. E, por precaução, deixava um pé na casa dos meus pais, onde passávamos os Natais, e outro no próprio apartamento, caso o Papai Noel perdesse um dos endereços. Ele nunca perguntava o porquê de estar fazendo aquilo. Apenas fazia, porque acreditava.

— Sabe, Camila – se aproximou, colocando as mãos enluvadas em meus ombros. – Quando uma criança nos manda uma carta assim, estão apenas pedindo, da forma mais pura, para que um adulto volte à infância e as compreenda de verdade. Mas é você quem decide se irá dar esse presente ao Gabriel.

Concordei com a cabeça, não sabendo muito bom o que fazer no momento, e ele me deu um tapinha amigável antes de começar a andar comigo, dizendo algo sobre estar na hora. Não demorei muito para entender o que isso significava. A aventura estava chegando ao fim. Dentro de alguns instantes, eu não estaria mais ali. Logo, logo não estaria mais envolta de árvores imensas,do cheiro doce no ar, de centenas de duendes ligeiros – especialmente Otto e Ollie, dos quais eu mais sentiria saudade – e do clima bondoso e místico.

Fomos para o lado de fora.

Notas finais
E aí? Gostaram?! Espero que sim! Comentem, pois isso incentiva muito o autor. Críticas construtivas são bem-vindas! Amanhã pretendo postar os últimos capítulos. Até Amanhã! Beijinhos!