Assimetria conveniente
11 Impulsividade. Jardim de rosas.
Notas iniciais
Aliás, a partir desse capítulo eu decidi uma coisa: Eu quero muito agradá-los, então cada postagem minha vai ser acompanhada por uma linda fanart que tenho aqui no meu PC. Vou fazer isso tanto nessa fanfic quanto na (In)Fortúnio. Não ignorem o link por favor, garanto que não irão se arrepender!
Imagem da vez:
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10. Impulsividade. Jardim de rosas.
MAKA P.D.V
Assim que entramos no clube nos deparamos com um salão envolto por paredes negras. Ele era razoavelmente pequeno. Havia ali apenas uma porta fechada, protegida por dois homens que vestiam ternos pretos. Eles eram provavelmente os seguranças do lugar. Nos aproximamos deles.
– Documento com foto? – Ele indagou com voz severa. A princípio estranhei o pedido, porém logo me lembrei o que já havia escutado sobre aquele tipo de lugar: Há uma faixa etária determinada para adentrá-lo. Torci para que a minha fosse o suficiente, não queria voltar para debaixo da chuva, que aliás estava severa. Peguei o documento na minha bolsa e entreguei ao homem, Kid ainda remexia a carteira a procura do dele. O homem começou a verificar as informações e então franziu as sobrancelhas.
– Mocinha, só autorizamos entrar aqui jovens acima de dezesseis anos. – Ele anunciou em tom autoritário.
– Mas... eu vou fazer aniversário daqui a um mês. Não dá para abrir uma exceção? – Insisti. Ele negou. Tentei insistir novamente mas ele logo desmonstrou irritação e tentou, ainda que educadamente, nos enxotar.
– Bem, antes de nos expulsar, por favor olhe meu documento, creio que depois de vê-lo vai autorizar a nossa entrada. – Kid requisitou em tom confiante.
– Senhor, nada adianta se ela não tem a idade necessária.
– Apenas olhe. – Kid insistiu. O segurança cedeu e pegou o documento, desacreditado. Ele começou a ler o que havia ali escrito e então pareceu bruscamente surpreender-se com algo.
– O-o filho do Shinigami-sama? Me perdoe a ignorância, senhor, não havia lhe reconhecido. Por favor, entrem e fiquem a vontade. – Ele imediatamente disse, saindo do caminho, e então abriu a porta, liberando nossa passagem. Quando adentramos o local eu e o Kid nos olhamos e rimos.
– Ser importante é outra coisa, né? – Falei em tom brincalhão.
– Bem, digamos que... pode ser bem conveniente as vezes. – Ele piscou e novamente rimos da situação. Estávamos passando por um corredor e, a medida que o corredor chegava mais perto do fim, menos conseguíamos nos comunicar sem exaltar a voz. O som estava cada vez mais alto. Ficava cada vez mais difícil conversar com tamanho barulho.
Quando o corredor chegou ao fim adentramos um salão escuro e enorme. Admito que o lugar legal, apesar da música exageradamente alta que irritava meus ouvidos. As almas ali presentes estavam frenéticas e felizes, não havia tristeza lá, apenas alegria. O ambiente era enfeitado por luzes piscantes das mais diversas, que o deixava com um aspecto divertido e animado. A música que sonorizava era eletrônica. Havia, ainda, um bar parcialmente iluminado, próximo a onde estávamos e ali haviam alguns bancos suspensos. Como nós não estávamos acostumados com aquele tipo de lugar preferimos sentar ali para resolver o que faríamos a seguir.
–E agora? – Perguntei quase gritando a Kid, devido ao som alto.
– Vamos... ficar aqui e esperar o tempo passar? – Ele indagou, tão perdido quanto eu.
– É... acho que sim. – Assenti. Ficamos alguns minutos ali em silêncio até que um garçom do bar se aproximou de nós.
– Boa noite, casal ternura. O que vão beber hoje?
– Nã-não somos um casal! – Gritamos em coro. De novo isso?
– Oh, entendo, são tímidos! Não se preocupem, até amanhã tudo vai dar certo para os dois. Faz parte da magia desse lugar. – O homem piscou para nós. Coramos ao infinito. O que... ele queria dizer com aquilo? – Bem, voltando a o que importa, o que desejam beber?
Kid me olhou e eu dei de ombros.
– Dois copos de água, por favor. – Ele requisitou.
– Água? Meus jovens, vocês estão em um clube. Não querer beber algo diferente disso? – Ele indagou, cutucando Kid amigavelmente no ombro com o cotovelo e olhando para uma garrafa de vodka, com um sorriso maroto. Eu havia esquecido completamente Death city era a única cidade em que a lei permitia a venda de bebida alcoólica a jovens acima de dezesseis anos. De qualquer forma, não me interessava naquele momento tomar álcool e, pela reação de Kid, nem a ele.
– Não, obrigada. Queremos só água mesmo.
– Está bem então. – O garçom sorriu amarelo e saiu para atender a nosso pedido. Ele rapidamente voltou com a água. – Bem, tentem pelo menos ir dançar um pouco. A noite é uma criança, meus amigos. Com licença, outro cliente está me chamando ali. Boa sorte pra vocês! – Ele fez sinal de jóia e saiu apressado.
– Ele é muito carismático, né? – Comentei, enquanto bebia minha água.
– Sim. A aura lembra dele lembra muito a do John. – Kid apontou.
– Tem razão. – Concordei sorrindo. – Aliás, podíamos visitá-los outra vez, um dia desses, né?
– Com certeza. – Ele sorriu e tomou o último gole do copo dele, assim como eu. Ficamos então olhando para a pista de dança, observando as pessoas.
– Olha aquele cara ali, Kid. – Apontei para um menino que dançava na pista frenéticamente e estranhamente, com a língua para fora. — A alma dele parece a de um cachorro!
– Assim como ele! – Ele exclamou e riu.
– E olha aquela ali, a alma daquela ali parece a de uma galinha. – Ele apontou para uma moça que usava um vestido exageradamente curto e dançava de forma sensual ao lado de três homens.
– Não é a toa, né? – Eu disse, em tom acusatório e brincalhão. Ele assentiu e rimos. Continuamos a brincar com o nosso Soul Perception durante um tempo, estávamos nos divertindo bastante. Nós conversamos bastante e em alto tom. Nossa garganta em pouco tempo ficou seca. Sendo assim, Kid resolveu pedir outra coisa para bebermos. Como o garçom já não aparecia por perto há um bom tempo ele pediu que eu aguardasse ali e foi até o outro lado do bar em busca de alguém para nos atender. Nesse meio tempo um menino se aproximou da mim, ele aparentava ter mais ou menos a minha idade e era bem bonito.
– A gatinha gostaria de dançar? – Ele perguntou.
– Não, obrigada. – Neguei educadamente com um sorriso forçado.
– Por que não? Vamos, vai ser divertido. – Ele indagou, puxando levemente meu braço, o que me fez levantar.
– Não, eu...
– Ela não quer ir com você pois já está acompanhada. – Um Kid de repente chegou atrás de mim e falou, em tom ameaçador e com aura maligna, aproximando-se do meu corpo e passando o braço dele pela minha cintura.
– Oh, desculpe. Não sabia que tinha namorado! Com licença. – o menino disse, encabulado, e saiu.
– Oras, não posso te deixar sozinha por um minuto que já aparecem esses abutres. – Ele reclamou claramente bem irritado com a situação.
– Não foi nada Kid, relaxe! Olha, você não precisava ter me ajudado, você sabe que eu conseguiria me virar bem sozinha. Se ele persistisse iria levar um belo de um Maka-Chop. – Eu disse orgulhosa e ele riu.
– Estou ciente disso, sei você daria conta, Maka. Eu acho que agi mais... por instinto. – Ele se explicou, enquanto olhava para cima, corado. Sorri. – Bem.. Já que estamos de pé... Que tal irmos dançar? – Ele indagou, estendendo a mão e a oferecendo a mim.
– Claro, por que não? – Pousei minha mão sobre a dele e então começamos a caminhar juntos até a pista.
– Kid... — Parei repentinamente no meio do caminho. Eu havia esquecido de dizer a ele uma coisa.
– Sim? — Ele virou o rosto para mim em sinal de indagação.
– Obrigada. – Anunciei com um soriso no rosto e então tasquei-lhe um beijinho na bochecha. Corei e logo que me afastei dele notei que ele estava ainda mais vermelho que eu.
– V-vamos lá. – Ele rapidamente virou o rosto e continuou me puxando pela mão, a aura dele parecia um tanto confusa. Ri baixinho e em segredo da reação inocente dele. O Kid era realmente uma gracinha!
Em pouco tempo chegamos no meio da pista e começamos a dançar. Achava que era apenas eu, mas não. Nós dois éramos um verdadeiro desastre dançando. Rimos um monte com os movimentos robóticos de ambos, com certeza estávamos passando vergonha ali, mas sinceramente, nenhum de nós ligávamos para aquilo. Estávamos nos divertindo tanto juntos que era somente isso que nos importava. Passamos um tempão alí, no nosso mundo particular, rindo e chachoalhando o corpo, a atenção apenas focada um no outro. De repente, a ideia de estar em um clube não pareceu ter sido uma decisão tão ruim, mesmo que não levássemos o menor jeito para aquilo. Estávamos frenéticos, animados e não queríamos que aquele encontro terminasse tão cedo.
Enfim, ficamos por ali mais um tempo, nos divertindo, até que me deu um certo... aperto e então pedi licença a Kid para ir ao banheiro. Ele também precisava e então fomos juntos até as portas do toaletes, onde naturalmente nos separamos. Aproveitei para me ajeitar, estava totalmente descabelada depois de tanta agitação na pista de dança. Quando saí o avistei em uma parede próxima ao banheiro masculino. Notei que havia um cara alto e musculoso bem ao lado, dele com um sorriso no rosto, que ameaçava encostar a mão no ombro dele enquanto ele tentava desviar. Kid sorria amarelo e respondia ao que o homem dizia, porém a aura dele claramente desmonstrava rejeição e pedia desesperadamente por ajuda. Eu logo entendi o que estava acontecendo ali. Eu queria muito rir loucamente naquele exato momento mas consegui me conter. Deveria primeiro ajudá-lo.
– Demorei muito, amor? – Perguntei e então apoiei minha mão sob o ombro dele. O homem me olhou com estranhamento.
– Cara, você não é gay? – Ele disse e olhou para o Kid surpreendido. – Que desperdício... – Ele então suspirou com tristeza e saiu.
Assim que o homem se afastou, comecei a rir. E muito. Era isso que dava se importar tanto com a aparência, ou como ele diria, a simetria do próprio corpo! Kid me olhou emburrado.
– Você esperava que eu fizesse o quê? Simplesmente rejeitasse ele? Olha o tamanho do cara! Tudo bem que eu sou um shinigami, mas não posso sair por aí exibindo meus poderes, tá?! – Ele disse encabulado, em uma tentativa desesperada e atrapalhada de se explicar. – Vai, pode rir! Eu não ligo! – Ele cruzou os braços, fechou os olhos e tentou fingir indiferença.
– Desculpe, Kid. É que... há pouco você foi um verdadeiro cavaleiro do cavalo branco e me salvou, como se eu fosse uma donzela indefesa, e agora... os papéis se inverteram... – Anunciei e logo voltei a rir. Kid balbuciou qualquer coisa, ainda embezerrado. Aos poucos fui contendo o riso e então enxuguei as lágrimas.
– Você tem que admitir que foi engraçado. – Falei e então o cutuquei com meu cotovelo. Ele suspirou e então aliviou a expressão, aos poucos tornando-a descontraída.
– Tá, até que foi, vai. – Ele finalmente admitiu. — Obrigada por me salvar... Sir Albarn. – Ele disse se auto-caçoando e então rimos juntos da situação. Quando o ataque de riso cessou, ambos resolvemos voltar a pista de dança para dançar mais um pouquinho.
– Maka, eu estava pensando... A gente foi parar nesse clube devido a uma decisão louca, e acabou sendo tudo muito divertido até agora, não? – Ele comentou enquanto dançava ao meu lado. Assenti. – Sabe, acho que podíamos pensar dessa forma mais vezes. Sempre somos responsáveis demais e acabamos perdendo a diversão.
Oras, e não é que ele tinha razão? Agir por impulso as vezes até que poderia ser uma boa ideia. Nos renderia alguma boa diversão. Soul estava sempre feliz, toda essa impulsividade por parte dele deveria ter alguma relação com isso, não?
– É, acho que você tem razão... Seria interessante agir por instinto mais vezes. – Concordei com um sorriso no rosto. Aquela ideia pareceu naquele momento pareceu até pertinente, ambos estávamos frenéticos e tão excitados com a dança que já nem ligávamos mais para a racionalidade. Permancemos em silêncio por alguns instantes até que resolvemos voltar aos bancos do bar para descansar um pouco as pernas. Kid me olhou com um sorriso maroto.
– Eu estava aqui pensando, Maka. Eu reparei em todas essas garrafas no bar e... Eu não costumo me interessar por bebidas, mas você sabe né, eu não sou humano e sim um shinagami, então... Será que álcool faz efeito em mim? – Ele indagou. Pensei por alguns instantes.
– Bem, se nem você sabe... Mas é uma boa pergunta. – Respondi e nos olhamos. Sorrimos traquinas um para o outro. Aquela noite já estava de cabeça para baixo, por que não abusar mais um pouquinho da diversão?
– Garçom, me vê um drink. – Kid requisitou ao garçom que anteriormente havia nos atendido.
– Um para mim também. – Requisitei, para acompanhá-lo.
–Mudaram de ideia, é? – Ele perguntou enquanto secava um copo. – Está certo. Dois Mojitos saindo! – Anunciou e em pouco tempo nos trouxe as bebidas. Olhamos um para o outro, pensando se aquilo havia sido mesmo uma boa ideia. É claro que não íramos exagerar, mas ainda assim não sabíamos qual o efeito que o álcool faria em Kid. Respiramos fundo.
– Bem, que seja. – Cedi ao meu lado irresponsável. – Um brinde a impulsividade! – Ele pareceu ceder também, brindamos e então começamos a beber. Foram apenas dois copos pequenos para cada um. Achávamos que não daria em nada. Mas estávamos redondamente enganados.
Enquanto eu bebia, eu e o Kid a princípio conversávamos normalmente, mas ao passo que a bebida era consumida, eu comecei a me sentir meio... diferente. Comecei a falar ainda mais alto do que estava falando antes. Tudo a minha volta pareceu estar diferente, como se eu estivesse um sonho. Comecei a me sentir mais leve, alegre e meu comportamento mudou. Com o Kid não foi diferente. Não sei quanto tempo passou mas, quando me dei conta, estávamos os dois dançando juntinhos, um muito perto do outro (até demais, diga-se de passagem). Não sabia como havia chegado lá e nem o por que de estar fazendo aquilo. Mas eu estava gostando. E não era só eu, Kid também parecia se divertir e cada vez mais se aproximava de mim e do meu rosto, sorrindo e me olhando de uma forma... diferente. Normalmente eu me afastaria mas, naquele momento meu corpo falava mais alto do que minha mente, essa mesma não parecia estar sã. E eu também me aproximava dele, olhando-o com outros olhos. A vontade de agarrá-lo ali mesmo repentina e estranhamente me surgiu a mente. Desde que comecei a gostar dele, sempre desejei fazer aquilo. E a coragem que até a pouco me faltava estava ali agora...
É, eu estava a prestes a fazer uma besteira... Iria beijá-lo ali mesmo, os olhos dele pediam por isso e ele parecia ainda mais atraente do que normalmente já era. E eu quase o fiz. Quase fiz uma besteira. O que me salvou de fazer foi um atordoamento repentino, que me obrigou a ir até o banheiro para lavar o rosto. Por um instante consegui raciocinar e me logo me contive. Voltei e me sentei. Kid sentou ao meu lado, parecia tão atordoado quanto eu. Uma breve depressão repentinamente nos ocupou o pensamento, então permanecemos por um tempo em silêncio.
– Pelo jeito vocês nunca haviam bebido antes... – O garçom comentou. – Bebam esse copo de leite, vão melhorar daqui algumas horas. E depois vão ficar uma ressaca terrível, mas isso não vem ao caso. – Ele nos ofereceu e nós aceitamos sem hesitar. Depois do leite, permanecemos mais um tempo em silêncio. O garçom nos contou que em seguida ambos dormimos, isso mesmo, dormimos, ali mesmo, apoiados sob a mesa do bar, encostados um no outro, por umas três horas. Caridosamente, ele verificou se estávamos bem e, ao notar que só acabamos dormindo mesmo, guardou nossos pertences ali no bar e quando finalmente acordamos nos devolveu todos eles. Agradecemos a solidariedade dele, deveras encabulados. Ele apenas riu e disse que fazia parte do trabalho dele.
O descanso havia nos revigorado ao passo que o leite nos trouxe de volta a plena consciência. Todavia, o atordoamento persistiu. Mas não foi a dor que nos de impediu de ficar ali por mais umas duas horas conversando, volta e meia o garçom participava da conversa e nos contava alguma piada. Falávamos muita besteira, rimos demasiadamente. Nesse altura já amanhecia, era quase oito da manhã e a boate já estava vazia. Logo a dor melhorou, ainda que só um pouquinho, mas o suficiente para nos dar a força necessária de nos levantarmos e irmos embora.
– Minha cabeça está doendo. – Kid resmungou enquanto a afagava.
– É, a minha também. Melhor irmos para casa, já é de manhã. – Comentei.
– Vamos lá. — Kid assentiu e então nos levantamos. Nos despedimos do garçom e novamente o agradecemos. Pagamos a conta e então fomos embora. Para nossa sorte, a chuva já havia cessado. Fomos caminhando até a mansão, recepcionados pelo frescor matinal, enquanto conversávamos descontraídos, ao mesmo tempo que reclamávamos da loucura que havíamos feito.
– Nunca mais vou beber na vida. – Kid anunciou.
– Estou com você. – Disse, fazendo uma careta. – Pelo menos descobrimos que álcool atinge até mesmo um grande Shinigami. E com um facilidade enorme, né. – Pisquei para ele e então ri baixinho.
– A destemida Maka também não foge desse male. – Ele anunciou e então começou a rir também.
KID P.D.V
– Bem, pelo menos foi divertido, né! Para tudo se tem uma primeira vez... Pelo menos a dor nos deu uma trégua, por enquanto. – Comentei a ela, que concordou. O frescor da manhã provavelmente havia ajudado com isso. A essa altura já havíamos passado pelo portão frontal da mansão. Mas ao contrário do que ela pensava, meus planos não eram de diretamente entrar em casa. Queria levá-la a um último lugar, antes de oficialmente acabar aquele encontro.
– Onde estamos indo agora? – Ela indagou.
– Apenas venha comigo. – Eu disse em tom confiante, ela assentiu e me seguiu sem hesitação.
Levei-a diretamente ao jardim da mansão. Lá haviam inúmeros roseiros, que exalavam um odor floral delicioso. Puxei-a gentilmente para perto de um dos arbustos e fiquei em frente dela.
– Quando eu estava no seu corpo e você estava lá com o Soul, passei parte do meu tempo aqui. Esses roseiros são lindíssimos. – Ela anunciou enquanto sorria.
– É, eles são lindos mesmo. – Sorri. Puxei uma rosa do arbusto e ofereci a ela, que a aceitou um tanto encabulada – Essa flor combina perfeitamente com você. Misteriosa e destemida e ao mesmo tempo tão doce e linda.. – As últimas duas palavras admito que disse baixinho. Mas creio que alto o suficiente para que ela ouvisse, pois a vi imediatamente corar.
– Obrigada Kid. – Ela sorriu.
–Maka, eu preciso te dizer uma coisa. – Comecei a falar, agora suficientemente encorajado para dizer como me sentia, ainda que tremendo pela ânsia que me consumia. – Eu... – Estava prestes a dizer, quando a Maka me interrompeu pousando o dedo dela sob minha boca, requisitando pelo meu silêncio.
– Eu sei, Kid. Sua alma já está me dizendo isso há um tempo. É que.. antes, eu estava um pouco indecisa em relação aos meus sentimentos. Eu os assumia e então regredia em momentos críticos, como lá no parque. Eu... sempre tive um receio de relações desse tipo... Provavelmente por causa do Papa e da Mama. Mas todo esse tempo que passamos juntos e nos divertimos me fez aos poucos ceder aos meus sentimentos.... Agora, acho que finalmente me sinto pronta para te corresponder... Kid, eu... Também gosto de você. – Ela disse. A medida que ela me explicava eu tentava processar aquela massiva quantidades de informações que me eram oferecidas. Então... Ela... gostava de mim? E.. já sabia que eu gostava dela? E estava se declarando para mim? Era isso mesmo? Sim... Era exatamente isso o que ela havia dito. Para ela, não foi necessário obter uma resposta minha em palavras. Um rubor descontrolado que ocupava meu rosto e um sorriso que insistia em estampá-lo já acusavam meus sentimentos.
– Kid... — Maka sorriu para mim e se aproximou aos poucos, fitando-me com aqueles belíssimos olhos de cor esmeralda que claramente pediam por algo. A princípio fiquei estático com a reação dela, eu realmente não acreditava no que estava prestes a acontecer. Seria um sonho? Confirmei que não quando senti os lábios quentes e macios da garota que tanto amava pousando sob os meus. Fechei os olhos para apreciar aquele momento único e, livrando-me do choque, comecei a correspondê-la. Aquele foi um beijo intenso e apaixonado, ao mesmo tempo que lento e tímido. Naquele instante senti nossas almas entrarem em harmonia e se unirem, mas, ao contrário de em uma sicronização comum, era aquela experiência envolta por uma sensação nova para ambos. Era definitivamente única e o desejo de que não cessasse era mútuo... Um rubor se apossou de nossos rostos e nada havia além da Maka em meus pensamentos. Ambos esquecemos por alguns segundos toda e qualquer dor que antes nos atormentava. Quando vagarosamente nos afastamos, estávamos os dois totalmente encabulados e por isso evitamos nossos olhares. O silêncio prevalecia porém palavras não eram necessárias, já estava mais do que explícito em meus olhos, assim como nos dela, a tamanha felicidade e satisfação que sentíamos. A paixão que vivenciamos naquele momento íntimo foi maravilhosa e logo me vi almejando que não demorasse para se repetir. Permanecemos mais alguns segundos ali estáticos e em silêncio, devido ao constrangimento da situação, até que resolvi finalmente quebrá-lo.
– Bem.. er... vamos entrar? Liz e Patty devem estar loucas de preocupação... – Comentei, o rosto ainda ruborizado. Ela assentiu, tímida.
Começamos a caminhar até a porta da frente da mansão, evitando encontrar nossos olhares a todo custo. Mas agora, caminhávamos não somente lado a lado. Estávamos de mãos dadas. Éramos oficialmente um casal.
Adentramos a casa tão felizes que acabamos esquecendo de sermos cuidadosos com o barulho. Assim que colocamos nossos pés no salão principal, demos de cara com Liz, que nos encarava perplexa.
– Vocês... – Ela olhou para nós, surpreendida. Ainda estávamos de mãos dadas. Soltamos-as imediatamente, corados. – Vocês.... FINALMENTE ESTÃO JUNTOS! QUE LINDOS! – Ela gritou e então correu até nós e nos abraçou.
– É, estamos... – Murmurei timidamente, ainda deveras constrangido.
– Parabéns! Fico feliz por vocês! Com licença, vou já contar JÁ a novidade para a Patty! – Ela falou e saiu frenética a procura da irmã.
Permanecemos ali, ansiando a volta de Liz com Patty para que finalmente pudéssemos ir descansar um pouco. Estávamos, ainda que muito felizes, exaustos e de ressaca.
– Aliás, Kid, vamos ter que contar as novidades para o Soul também... – Ela lembrou, ainda corada — Espero que ele reaja tão bem quanto a Liz. Vou aproveitar que ele me chamou para ir lá e vou... contar sobre nós... – Ela explicou enquanto olhava para baixo e mexia nas pétalas da rosa que dei a ela de presente, ainda tímida com a situação.
Assenti, um tanto encabulado. Embora enciumado pelo falo dela ser obrigada a ir lá a pedido dele, agora ela havia agora um motivo com o qual eu concordava que ela devia ir visitá-lo. Afinal, eles eram parceiros e assim como eu devia ao menos uma explicação a Liz e Patty, ela devia ao Soul. Um novo problema agora surgia: Como ele reagiria a isso? Seria um problema se existisse um Soul ainda mais chato do que já era. Com certeza me renderia muita dor de cabeça.
Notas finais
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Créditos a minha querida amiga e ótima escritora de fanfics - Leffa Lhyéth, que me deu a ideia do cara bombadão! hehe
Gente, façam-me o favor hem, dezesseis anos só na Death City mesmo, porque convenhamos que se dar bebida a adulto já é tenso, pra adolescente seria pior ainda (se já não é). Os dois foram muito irresponsávels! Nos EUA, onde se passa a história (estou certa?) a faixa etária que permite bebidas é acima de 21 anos. Aqui é 18, como devem saber. Enfim, bebida não leva a nada mesmo né... Os dois só capotaram. Porre ninguém esquece, viu (bebendo pouco ou muito não importa, depende da sensibilidade da pessoa). É horrível. Não façam isso em casa (e nem na rua), viu. Não vale a pena.
Deixando o sermão de lado, o que acharam do beijo? Eu tentei gente, juro que tentei, mas não sei se ficou bom. Enfim, comentem sobre o que acharem melhor e aguardem o próximo. A reação do Soul está por vir... Muhuhahhaa
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