Assim diz a Lenda
10 Orgulho e Verdades
Notas iniciais

A lenda diz:
As primeiras pessoas que a chegaram no território, que hoje é o País do Fogo, vieram de todos os cantos do mundo.
Neji olhava para os pés que eram confortavelmente aquecidos pelo tapete fofo, passou a mão pela bandagem em seu rosto, ele não pensou que sentiria tanto falta daquele olho, respirou fundo. Deu um passo para trás e andou de volta para a cama, ainda estava com os movimentos pouco enferrujados, mas não queria perder tempo, já tinha perdido dois dias, desde que acordou. Ele pegou a sua lâmina. Sabia que, com a visão limitada, seria mais difícil lutar, e por isso estava tentando se preparar ao máximo.
“Porque não me mataram de uma vez?” – Se perguntou e logo a resposta veio. – “Os Otsutsuki querem eles mesmos dar fim a vida dos Hyuuga.” – Era única conclusão que chegava.
O Sol havia acabado de nascer, e o horizonte aos poucos ficava mais claro, o moreno olhou para trás e viu que Hinata ainda dormia. Desceu para o jardim da casa, a pouca luz era suficiente para iluminar seu caminha. No jardim o Hyuuga conseguia ouvir claramente os pássaros cantando, a leve brisa fria em seu rosto o fazia ficar mais acordado, assim se colocou de baixo de uma árvore, podia ver as folhas que estavam para cair, elas seriam o começo de seu treinamento.
Ele precisava praticar, se preparou, alongando os músculos, chutou com força o tronco da árvore, colocando-se em posição de combate, quando as folhas começaram a cair ele as cortava em dois, às vezes três, eram inúmeras folhas caindo ao seu redor, e ele tinha noção de que não conseguia cortar todas, como fazia antes.
De longe Naruto o observava, estava na parte de cima da casa, nos corredores abertos, se apoiou nos muros, impressionado com os movimentos de Neji, precisos e rápidos. Se estivessem em absoluto silencio o Uzumaki poderia ouvir a lâmina cortando o ar até chegar as folhas, os movimentos dele estavam perfeitos para quem tinha ficado na cama por dias, mas podia se notar a falta do olho, pois algumas folhas, chegavam inteiras no chão.
O loiro teve uma ideia e tratou logo de pegar seu guan dao e desceu rapidamente para o jardim. Se aproximou do moreno, que não demorou muito para percebe-lo, enquanto encarava as folhas seriamente.
— Bom dia. – O cumprimentou.
— Bom dia Uzumaki. – Respondeu respirando fundo, um pouco conformado com o resultado de seu treinamento.
— Acredito que essas não sejam combatentes dignas. – O moreno se virou e viu que Naruto estava armado. – Porque não vamos para o campo de treinamento? – Sugeriu e silenciosamente Neji aceitou.
O campo de treinamento era afastado da casa, um campo cercado de terra batida, com uma arquibancada de madeira do lado direito, lá alguns guardas da família Namikaze-Uzumaki conversavam e treinavam, alguns com bonecos de treinamento, outros mano a mano. Assim que viram Naruto se aproximando pararam e o reverenciaram.
— É muito respeitado aqui. – Neji observou.
— Eu treinei com esses homens desde criança, eles têm meu respeito, e eu tenho o deles. – Disse orgulhoso. – Não sou bom em muitas coisas, mas pelo menos, nas artes marciais posso me gabar um pouco. E você? O que mais sabe fazer além de tocar e lutar?
— Não tentei muitas coisas na vida para dizer se sou bom ou não. – Respondeu. – Mas não me chamou aqui para ficar jogando conversa fora Uzumaki.
—. Que chato! – Disse emburrado. – Você é direto ao ponto hein!
O moreno deu um meio sorriso pelo comentário, mas logo estreitou o olho tendo uma ideia, não tinha deixado de notar o carinho que Hinata tinha pelo loiro, era um bom observador, mesmo sem um dos olhos, e via os dois sorrindo quando se encontravam, as bochechas coradas e que ambos evitavam se encarar, pois se isso acontecesse, eles não iriam desviar os olhos tão facilmente. Assim, Neji ficou com vontade de saber um pouco mais sobre Naruto, o que ele tinha para chamar a atenção de sua irmã dessa forma, desde o primeiro encontro dos dois.
“A presença dele no quarto foi tão aconchegante que eu pensei que fosse você irmão” – Lembrou das palavras dela.
Os dois foram até o meio do campo, e ficaram frente a frente, Naruto se colocou em posição Neji em seguida, houve silencio, por alguns instantes.
— Tenho uma proposta Uzumaki, quem for atingido conta algum fato sobre si. Já que está tão curioso.
— Fechado! – Naruto sorriu, afinal sempre gostou de conhecer as pessoas.
O loiro colocou sua arma em posição de combate, era comprida e pesada, principalmente na lâmina, ornada com entalhes de fogo em bronze tão brilhante que parecia laranja. Comparando, a arma de Neji era simples, sua lâmina não era tão comprida para ser chamada de espada, mas era leve, perfeita para o seu estilo de luta, com movimentos rápidos, e era fácil esconde-la em suas vestes.
O Uzumaki deu o primeiro passo, correu em direção ao Hyuuga o atacando com um corte de baixo para cima, o moreno rapidamente desviou e rolou um pouco para a direita, se levantando rápido e também indo atacar. Dessa vez com um corte de cima para baixo, Naruto se defende com o cabo de madeira da arma e impulsionou Neji para longe. Ambos tinham sorrisos convencidos no rosto. O loiro tentou uma sequencias de ataques, tentando perfurar o rival com a ponta do guan dao, que sempre desviava. Em um movimento rápido o Hyuuga saltou por sobre Naruto ficando atrás dele, quando ia golpeá-lo, o loiro o empurrou, com a ponta de metal arredondada que tinha no cabo de sua arma, Neji deu alguns passos perdendo um pouco o equilíbrio.
— Está jogando sujo? – Sorriu vitorioso, estendendo a mão para ajudar Neji. – Um golpe pelas costas?
— Desculpe. – Aceitou a ajuda. – Mas eu aprendi dessa forma, não há cortesias quando se trata de uma luta de verdade.
— Eu sei, já participei em muitas brigas de rua. – Passou a mão na nuca. – Mas normalmente em um amistoso como este, é comum seguirmos as cortesias.
Neji deu uma risada anasalada.
— Tudo bem, o que quer saber de mim Uzumaki?
— Não sei dizer ao certo, alguma coisa em relação a sua família, talvez?
— Minha família? – Neji pensou um pouco. – No momento ela se resume a somente Hinata, que apesar de nos chamarmos de irmãos, na verdade somos primos.
— Primos? – Naruto fez cara de bobo. – Vocês são tão parecidos...
— Próximo embate Uzumaki. – Neji já se colocou em posição.
Naruto rapidamente ergueu o guan dao, o moreno saltou no ar, colocando sua lâmina a cima da cabeça, fez um golpe falso, que o Uzumaki caiu, e antes da adaga se fincar no cabo de madeira Naruto sentiu um chute lateral, que o fez desequilibrar.
— Hora de você contar algo... – O Hyuuga se aproximou do loiro que se erguia, se apoiando no cabo de madeira do guan dao, com a mão nas costelas, onde foi golpeado.
— O que quer saber?... Ai, podia ter pegado mais leve. – Disse massageando o corpo.
— Uzumaki, estou pegando leve, eu só estou levando isso a sério. Afinal é um amistoso, só que esse é um amistoso com armas de verdade. – Se explicou.
O loiro bufou. Mas não quis discutir, pois tinha percebido que estava subestimando Neji, então pensou no que falaria.
— As vezes, sou uma pessoa inconsequente. – Sorriu sem jeito. – Acabo agindo por impulso.
“Como beijar Hinata” – Mas não falaria isso.
Rapidamente Naruto começou a agir, não pegaria leve mais, se abaixou, passando a madeira de sua arma pelos pés de Neji, que em um movimento instintivo pulou.
— Não é o único que pode jogar sujo Hyuuga.
O loiro rapidamente avançou usava as duas pontas do guan dao para tentar acertar o moreno, que conseguia, ora se esquivar, ora bloquear com a espada, mas ele sabia que não poderia ficar muito tempo daquele jeito, então, quando ia dar uma cambalhota para trás, seu campo de visão o traiu, e a lâmina de Naruto o acertou, cortando alguns fios de seu cabelo. Os dois pararam.
— Seus reflexos ainda estão muito bons. – Elogiou.
— Mas não bons o suficiente. – Neji pegou no cabelo cortado.
— Tá, e essa história de vocês serem primos...?
— Ah! Eu sou filho de Hizashi, o filho mais novo e o pai de Hinata é Hiashi, o filho mais velho e era o futuro chefe da família Hyuuga.
— Quer dizer que Hinata é a líder da família Hyuuga...? – Refletiu.
— Se existisse uma família e terras para liderar, sim, ela seria. – Apontou
— Ela seria uma ótima líder. – Naruto afirmou.
— Não concordo com você Uzumaki. Hinata é com certeza uma pessoa boa, boa demais, ela não conseguiria lidar com os problemas que um líder de família tem que resolver. O líder Hyuuga tem que ser firme, sério, tomar decisões equilibradas. Ela se deixa levar pelo coração.
— E isso é tão ruim assim? Principalmente para Hinata que tem um coração bom? – Naruto apertou o punho em volta da madeira de sua arma. – De qualquer forma, não acho que ela seja assim.
“Porque estou tão irritado?” – Se perguntou.
— Não é ruim, só não é adequado pra um líder. – Nesse sentido Neji tinha razão.
— Mas Hinata me pareceu ponderar as opções quando teve que tomar alguma decisão.
O loiro levantou seu guan dao, e avançou, com a ponta pra baixo ele estocava o ar, tentando acertar Neji.
— Já não usou esse truque antes? – Perguntou se desviando.
— Este não.
Naruto girou a arma pelas mãos e braços, deu um impulso com os pés e girou no ar dando força aos seus ataques, Neji só conseguiu se defender com sua adaga, foram um, dois, três pulos com golpes fortes, e o moreno aguentou, apesar de seus braços estarem doendo, mas não esperava o soco que veio logo em seguida, bem no queixo, que o levou a dar passos para trás.
— Pensei que estava sendo cortes Uzumaki. – Disse sentindo o gosto de sangue na boca.
— Pensei estava lutando de verdade Hyuuga. – Sorriu ladino. – Agora me diga, se Hinata não sabe liderar porque parece que toda vez que ela toma uma decisão, apesar de você retrucar, acaba acatando o que ela diz?
— Não é obvio? – Neji golpeou a lateral do corpo de Naruto, com a parte sem fio da adaga, o que fez o loiro se arquear de dor. – Ela precisa de mim, não duraria um dia.
— Ela não duraria um dia? – Naruto forçou um riso dolorido, se recuperando da dor no local que foi atingido pela segunda vez. – Pelo que sei ela durou três dias sem você, já que estava desacordado. Na minha opinião é você que precisa dela, Hyuuga.
Neji avançou mais uma vez, rápido, só que o Uzumaki estava preparado, tentou novamente golpeá-lo, o loiro se abaixou, para dar uma rasteira nos pés do moreno, que previu esse movimento, pulou rapidamente, se afastando. Tudo que Naruto falava não era novidade para o Neji, mas engolir o orgulho era difícil, principalmente para um Hyuuga.
...
O Imperador observava pela janela o filho partir com alguns guardas para o território Namikaze-Uzumaki, tinha demorado mais do que imaginava para reunir esses homens, e ainda, seria mais alguns dias de viagem, até chegarem no destino. Respirou fundo, já sentindo as novas Joias da Lua em suas mãos.
— Vossa Majestade. – Ouviu sendo chamado da porta de seu aposento. Não respondeu, apenas esperou que prosseguisse. – Como suspeitávamos, os Senju estavam treinando mais médicos.
— O que fizeram com eles?
— Os matamos. – O Imperador sorriu, ao imaginar a cena, e o rosto de Tsunade Senju.
— Muito bem. Pode ir. – Dispensou o guarda de sobrancelhas grossas.
“Porque os Senju estavam treinando mais médicos?” – Se perguntou. – “Acham que podem tomar o poder de nossas mãos com mais médicos?” – Pensou erronia e ingenuamente. – “Qual é a conspiração dos Senju?”
...
— Fui treinado por Kakashi Hatake. – Naruto disse ofegante ajoelhado no chão. – Não é um Uchiha, mas suas habilidades são comparáveis a um.
Neji olhava seu adversário, com a ponta da sua lâmina na cabeça dele.
— Já chega por hoje?
Ambos estavam cansados, Neji estendeu a mão para ajudar o loiro a se levantar, Naruto concordou com a cabeça e aceitou a ajuda. Eles não tinham percebido, pela concentração que estavam durante a batalha, mas estavam sendo observados o tempo todo, pelos guardas Namikaze-Uzumaki.
— Não percebemos a plateia. – O loiro sorriu para os velhos amigos.
Enquanto acenava o Hyuuga olhava para ele, agora tinha entendido o que sua irmã tinha visto nele. Neji acreditava que era o dom da família Uzumaki, misturado com a teimosia de Naruto, o controle sobre as palavras e a persuasão de fazer as pessoas a sua volta ficarem confortáveis o suficiente para confessar e admitir os seus medos e desejos. Hinata gostava de pessoas honestas, gostava inclusive de pessoas que podiam sorrir sem medo, Naruto era assim.
— Você tem razão Uzumaki. – O loiro voltou a atenção para ele. – Eu realmente preciso de Hinata do meu lado, eu a salvei, eu era a figura de segurança que ela tinha, esse é o meu dever, minha função. Mas chegou um momento, não sei quando exatamente isso aconteceu, que de repente ela não precisou mais de mim. O papel que me dediquei a exercer já não era mais necessário, foi a parti daí, que eu fiquei dependente dela.
— Não, ainda acredito que Hinata precise de você, do lado dela, como irmão dela. – Ambos retornavam para a casa principal.
— Porque sempre está tentando animar as pessoas? – Neji genuinamente quis saber.
— Porque não faria isso? – Respondeu como se fosse algo obvio.
— E quanto a Hinata? – Neji foi direto onde queria.
— Hinata? – Naruto parou de andar.
— Sim, pelo que pude observar, você sorri mais quando ela está perto, coça mais a nuca, costuma olhar para ela e ficar parado somente a encarando. Uzumaki, o que quer com minha irmã?
Naruto não pode responder, simplesmente ficou encarando o moreno, com a boca seca.
“Eu faço isso?” – Realmente, nem tinha percebido que suas atitudes eram essas quando estava com a morena.
— Eu... – Tentou falar algo.
— Seja o que for Uzumaki. Hinata gosta de você, posso dizer isso pelo jeito que ela te olha. Só lhe dou um aviso, não a magoe.
Naruto concordou com a cabeça, mas a sua mente se prendeu somente a uma frase: “Hinata gosta de você”. Voltou a caminhar para dentro da casa quando viu a figura conhecida, de quem estavam falando a pouco.
— Neji! – Era Hinata, ela ainda não tinha visto o loiro. – Onde estava?
— Treinando. – Respondeu simplesmente.
— Devia estar descansando! – Indignou-se.
— Não se preocupe. – Naruto se aproximou dos dois morenos. – Foi um amistoso.
— Claro... – Ela os olhou sujos de terra e um pouco se sangue.
—De qualquer forma, preciso me limpar. – Neji saiu, sem dar mais explicações deixando o casal sozinho.
Hinata e Naruto, olharam para a figura do moreno se afastando, depois se encararam. E o loiro parou de respirar por um instante.
— Então... Estou indo para a cozinha. – Passou a mão pela nuca. – Depois de um dia de treinando, preciso muito comer algo. Me acompanha?
— Claro. – Hinata sorriu pelo convite.
O Uzumaki seguiu na frente, e Hinata não pode deixar de observa-lo, desde o beijo debaixo da árvore as coisas estavam... sendo... inusitadas? Nenhum dos dois sabiam se essa era a palavra certa. Mas a morena tinha certeza que estava cada dia mais ansiosa para encontra-lo, naquele dia em especial, se surpreendeu. Não só porque estava conversando com Neji. E sim por vê-lo daquele jeito.
O corpo suado fazia sua camisa grudar em seu tórax, deixando bem evidente seus ombros largos e as costas definidas, os cabelos, suados, grudados no pescoço a convidavam para um beijo. Era a primeira vez que Hinata via um homem e se sentia... diferente, não se importava com a sujeira, ou com o sangue, ela queria toca-lo, em qualquer parte do corpo que ele permitisse. A morena sentiu algo em seu ventre, algo quente ao se imaginar abraçando-o, intensamente.
Apesar de ter ficado envergonhada por observa-lo tanto e tão profundamente, ela não conseguia desviar os olhos, ela queria conhecer o que sentia, e queria sentir outras vezes. A pele dela se arrepiou, sentindo um frio súbito, e de uma hora para outra sentiu medo de como seu corpo estava reagindo, medo porque percebeu que não estava tendo controle dele, de como estava reagindo e sabia que para sentir mais ela precisava se entregar, mas recuou. No começo era bom, mas e depois? E mais, o que estava sentindo?
“O que está acontecendo comigo?” – Se perguntou confusa.
— Hinata. – Sentiu a mão de Naruto toca-la. E seu corpo se esquentou novamente, não só se esquentou, quase entrou em combustão quando ele a tocou. Um arrepio correu de dentro de sua barriga ao seu ventre. Isso só a deixou com mais medo.
“É ele que me causa isso! Meu corpo está reagindo a Naruto” – Constatou um pouco preocupada.
— Hinata. – Chamou a atenção dela novamente, quando, de súbito, ela afastou a mão dele. – Estamos na cozinha. – Disse estranhando a ação.
— Ah! Sim. – Passou pelo loiro, tentando entender as reações de seu corpo, se abraçando em uma postura de “não me toque”.
E Naruto, observou sua mão, vendo os calos do treinamento, e alguns pequenos arranhões, que de tão finos já estavam quase cicatrizados, além, é claro, da sujeira de barro que estava ali.
“Devo me lavar antes de toca-la. Que idiota, porque não pensei nisso antes? Estou sujo. Por isso ela se afastou de mim. Por isso ela agiu dessa forma, sim, é por isso, não porquê... Sou um monstro.”
Levantou o olhar para a cozinha, viu que algumas refeições estavam sendo preparadas, e algumas coisa sendo guardadas para levar ao acampamento. Viu Hinata conversando com uma cozinheira. Ela tinha um sorriso singelo no rosto, olhar amável, e seus cabelos, com véu negro e denso, podiam cobrir toda a parte superior dela.
Ele se imaginou afastando aquele véu e beijando o delicado pescoço. E aqueles olhos. Ah! Aqueles olhos que o enfeitiçaram desde a primeira vez que se viram. Naruto desejava que aqueles olhos olhassem somente para ele, que somente sorrissem para ele, que somente desejassem ele, só ele, Naruto Namikaze Uzumaki. A queria mais que tudo.
O loiro sacudiu a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Desde quando ele tinha se tornado tão possessivo? E tão de repente.?
...
Alguns dias de caminhada, Jiraya e Kakashi chegaram no lugar que o mais velho queria voltar primeiro. Para os braços de sua amada. Estavam no território Senju, ambos com túnicas que os cobriam dos pés a cabeça. Estranharam assim que entraram no lugar. Por ser conhecido como uns dos melhores lugares para se viver no País do Fogo, cheio de pessoas felizes, era normal, para qualquer viajante que chegasse de viagem, ser recebido com sorrias e boas-vindas. Mas não foi isso que aconteceu.
Kakashi e Jiraya se depararam com pessoas tristes, com os olhares voltados para o chão, e uma melancolia no ar.
— O que aconteceu aqui? – O mais velho sussurrou.
— Infelizmente também não sei.
Ambos apressaram os passos para a casa Senju. Uma construção quadrada, com tijolos brancos, parecia mais um templo que uma casa. Era térrea e extensa, pois junto com a casa existia uma escola para médicos, com um pequeno hospital. Se tem uma coisa que o País do Fogo podia se orgulhar era de sua saúde, já que muitos médicos eram formados pelos Senju. Pena que, mesmo com essa quantidade, muitas pessoas ainda eram impossibilitadas de ter o privilégio de um atendimento médico no país.
Kakashi se pôs na frente para bater na porta de entrada da casa.
Toc... toc... toc...
Era meio estranho para, ele e para outros, chegar desse jeito, meio de surpresa, sem ao menos receber um convite, para todos, menos para Jiraya que estava acostumado com visitas surpresa. Demorou um pouco para eles serem atendidos.
— Sim. – Um serviçal falou assim que abriu a porta, ele parecia acuado, usando a porta como escudo de algo que lhe podia acontecer. – Quem são? – Perguntou temeroso.
— Queremos um encontro com a chefe da família Senju e sua herdeira. – Falou Kakashi sem rodeios.
O serviçal engoliu seco.
— Para que?
— Apenas nos leve até elas. – Insistiu, não queria explicar muitos. E o serviçal se encolheu.
Jiraya deu um passo a frente.
— Meu jovem, o que aconteceu com esse lugar? – Perguntou com um olhar compreensivo.
— C-c-co-como assim? – Engasgou.
— Já vim várias vezes ao território Senju. E é a primeira vez que sou recebido assim, com pessoas que ao invés de alegria nos olhos tem pânico.
O jovem serviçal olhou para o chão e depois para os “convidados”?
— Então os senhores não sabem o que aconteceu?
— Chegamos a pouco de viagem. – Respondeu. – Se quiser confirmar que estive aqui várias vezes é só dizer o nome Jiraya para Tsunade Senju. Ela saberá quem sou.
— É amigo da Sra. Senju. – Perguntou arregalando os olhos.
— Um pouco mais que isso. – Deu com sorriso de lado.
— Bom se o senhor é o Sr. Jiraya. – O jovem falava um pouco mais tranquilo, já tinha ouvido falar muito de Jiraya, o nômade que frequentava a casa Senju. – Quem é o senhor? – Apontou para Kakashi.
— É meu companheiro de viagem. – O mais velho respondeu rapidamente.
— Nesse caso, os senhores podem entrar. – O serviçal deu espaço. – Me contaram muito de você Sr. Jiraya, principalmente a Sra. Tsunade.
— Espero que só tenham falado boas coisas. – Sorriu e o jovem também respondeu com um sorriso que dizia claramente que não ouviu coisas boas, principalmente recentemente.
Os grisalhos foram guiados para sala de visitas. Foram instruídos a aguardar um pouco, se sentaram, foi lhes servido chá, porém a paz logo seria interrompida. Gritos foram ouvidos do lado de fora da sala. Esses gritos foram logo reconhecidos.
— ONDE ESTÁ ESSE DESGRAÇADO? – Disse Tsunade assim que ela entrou pela porta, vermelha de raiva, quando viu Jiraya sentiu fumaça saindo por suas narinas. – ESSE FILHA DA PUTA! – Ela não se importava nem um pouco de gritar entanto o grisalho não esperava outra reação vindo dela.
— Olá meu amor! – Abriu um sorriso de orelha a orelha, se levantando do sofá que tinha se acomodado e abrindo os braços. – Que saud...
Antes que pudesse continuar a frase recebeu um soco no estomago, o que o fez cuspir a saliva em sua boca, logo em seguida foi puxado pelo colarinho, ficando bem perto do rosto de Tsunade. Sakura, que tinha chegado logo atras da loira e Kakashi ficaram observando aquela cena.
— SEU FILHA DA PUTA. – Ela reverberava. – ONDE VOCÊ ESTAVA TODO ESSE TEMPO? SEU BABACA! – Jiraya recebeu um tapa na cara. – EGOISTA! – Outro tapa, dessa vez mais fraco. – Deixou todos preocupados!
O aperto no colarinho foi se suavizando, Tsunade ergueu a mão, mas não conseguiu dar outro tapa. Aos poucos a mulher foi se encolhendo, enquanto apertava fortemente as roupas do grisalho. Ele conseguiu ouvir pequenos murmúrios misturados, ainda o insultando, com choro dela, aquilo o fez sorrir tristemente, a abraçou, colando os corpos dos dois. Colocou a bochecha sobre a cabeça dela, a apertando mais forte.
— Eu voltei.
— Estava tão preocupada. – Soluçou baixo.
— Desculpe, agora estou aqui. – Deu um beijo casto no topo da cabeça dela.
— Bem vindo de volta. – Tsunade respondeu secando as lágrimas e respirando fundo.
Jiraya a apertou mais uma vez antes de solta-la, e a observou se ajeitando, olhou para o lado vendo Kakashi e Sakura com sorriso dos olhos.
— Como vai Jiraya? – Perguntou a rosada.
— Agora, estou mais feliz.
— Onde esteve? – A loira perguntou novamente.
— Em muitos lugares, estive fazendo uma pesquisa, buscando conhecimentos.
— Que resposta vaga. – Reclamou.
— Quero explicar, mas será melhor quando todos estiverem reunidos. – O grisalho sorriu. – Assim só precisarei explicar uma vez. – Somente ele riu. – Mas o que aconteceu aqui?
As Senju se entreolharam, com lamento.
— Tem relação com a conspiração. – Tsunade começou. – Estávamos treinado mais médicos do que nos é permitido pela família imperial, claro que isso em segredo, mas esse segredo vazou, de alguma forma e bem. – Engoliu seco. – Não sei como descobriram, muito menos quem contou. Mas deram um jeito de eliminar todos os médicos que estavam sendo treinados. – Falou com asco na voz.
— Malditos. – Kakashi cuspiu a palavra, com rancor.
— Eu estava na reunião anual da família Otsutsuki, e quando voltei para casa, encontrei com os soldados indo embora. – Sakura continuou. – O povo me escondeu, mas quando cheguei em um dos laboratórios... – Sentiu algo ruim na boca. – Corpos, corpos para todos os lados e Sra. Tsunade tentando reanimar um deles.
Kakashi e Jiraya olharam perplexos para as duas, estavam com raiva, estavam com nojo, e assim como as duas, ficaram de luto.
— Meus pêsames. – Disse o mais velho.
— Sinto muito. – Kakashi fez uma leve reverencia.
— Sakura estava lá, quando aconteceu o episódio com a família Otsutsuki?
A medica o olhou com dúvida, várias coisas estranhas acontecerem durante a festa.
— O que provocou a família imperial, para começarmos a colocar nosso plano em ação? – Kakashi questionou elucidando a mais nova do grupo.
— O que mais poderia provocar uma família gananciosa, a não ser o seu maior objeto de ambição? – Questionou se tornando vítima de olhares curiosos dos dois grisalhos. – A aparição de dois Hyuuga.
Fale com o autor