Assim Morreram Romeu e Julieta
7 Ato III - A Trama / Cena I - Os Cúmplices
Notas iniciais
Ato III — A Trama
Cena I – Os Cúmplices
Já passava das quatro da tarde quando a reunião fora, enfim, encerrada. Rita nomeou Bertha a sua assistente e acertara que os únicos papéis a serem escolhidos por ela seriam o de Romeu e Julieta, sendo que o resto seria feito por sorteio. A loira sorria consigo mesma; estava satisfeita por ter sido "sorteada". Ela ajeitou o exemplar de "Romeu e Julieta" no braço e, despedindo-se de Bertha, seguiu em direção a biblioteca. Mas, mal ela dobrou o corredor, sentiu uma mão puxa-la de forma brusca até uma passagem que ficava atrás de uma tapeçaria.
O sorriso dela se alargou e ela estreitou os olhos quando a luminosidade que saia de uma varinha ofuscou a sua vista. Segundos depois, o rosto de James entrou em foco e ela estalou os lábios ao perceber que eles estavam próximos.
James esboçou um dos seus melhores sorrisos e, lentamente, se aproximou do rosto da loira, mas desviou no último instante, parando rente ao ouvido dela.
— Continue a cumprir a sua parte que eu cumprirei a minha. – ele falou num tom ligeiramente rouco.
— E você acha que eu sou mulher de voltar atrás nas minhas promessas, Potter? – ela o afastou de leve, mas James apenas alargou o sorriso. – E você? – ela o encarou firmemente. – É homem o bastante para cumprir as suas?
— Claro; o que você me pediu é mais fácil do que você imagina. – ele piscou o olho para ela e afastou a tapeçaria, olhando para os lados para checar se não havia ninguém no corredor. – A gente se vê. – ele sorriu e saiu, deixando Rita com um sorriso no rosto, enquanto soltava um longo suspiro.
***
— Sirius, eu não acho que a melhor opção para você seja decorar todas as falas do Romeu, se você nem mesmo tem certeza de que vai ser ele. – Remus aconselhou ao que parecia ser a vigésima vez aquela semana, enquanto sentava-se em posição de lótus em cima da cama, com um globo prateado em mãos.
— A Skeeter disse que vai avaliar os Romeus, não é? – ele resmungou, ainda correndo o olhar pelo livro. – E se ela chegar a exigir uma fala?
— Você está levando isso muito a sério. – James falou, rindo. – Pads, é só uma peça! – ele falou, largando de lado os pergaminhos que estava lendo e deitando-se de modo displicente na cama. – E você ainda está usando o meu livro! – completou, lançando um olhar fuzilador para o amigo.
— Eu não tenho culpa se o seu chegou primeiro do que o meu.
— Você nem tem certeza do que a Skeeter está preparando, Sirius. – Remus o repreendeu. – Ela está mudando boa parte do roteiro, pelo que eu imagino. – ele lançou um olhar meio de esguelha para Sirius e depois murmurou algo, apontando a varinha para o globo. – Ela me descreveu cenários que eu não imagino que seja de Shakespeare. – ele avaliou com as sobrancelhas quase unidas.
— Que cenários?
— Se eu contar vai perder a graça, Sirius. – Remus falou num meio sorriso. James sorriu também. Ele bem sabia o que a Rita pedira para Remus colocar naquele armazenador de cenários. – Mas o que você quer saber? – ele completou, num tom entediado.
— Eu soube que ela deseja implantar um início da consumação do casamento deles. – ele comentou num tom maroto. Remus corou furiosamente e assentiu. – Eu vou adorar isso. – Sirius quase dava pulinhos em cima da cama e James se controlou para não rir.
— Como você pode ter tanta certeza que você vai ser Romeu...? – Remus lançou um olhar intrigado e depois revirou os olhos. – Não diga; eu já sei da resposta.
— Eu sou um maroto, Remus, e eu tenho meus métodos.
— Desejo-lhe sorte, então. – ele respondeu, lançando um olhar discreto para James, que murchou o sorriso que tinha no rosto. Sabia que o amigo estava desconfiado de algo e não gostava nada, nada disso.
***
Bertha riscou mais um nome da lista e suspirou resignadamente.
— Terceiro candidato a Romeu que se acidenta essa semana. – ela comentou, lançando um olhar para Rita, quer murmurava um feitiço, fazendo com que uma fala mudasse um pouco. – Será que o papel é amaldiçoado?
A loira gargalhou gostosamente.
— Deixa de inventar coisas, Bertha. – ela falou, mirando a garota calmamente. – Olhe o primeiro nome da lista.
— Sirius Black. – ela deu de ombros. – Certo; o que isso tem a ver?
— Ele ser maroto não te diz nada...? – Rita arqueou uma sobrancelha. – Três acidentaram-se dois dias antes dos testes para Romeu e mais dois desistiram. – ela sorriu de forma presunçosa. – Só falta dois.
— Dois? – Bertha falou, confusa. – Mas, Rita, eu só estou vendo mais um aqui.
A loira sorriu misteriosamente.
— Agora falta pouco para o segundo nome aparecer...
***
— É hoje? – Peter indagou, vendo Sirius fechar o livro com um sorriso satisfeito.
— Hum-hum. – ele assentiu calmamente. James passou pela cama do amigo e desabou na sua sem muito interesse.
— Só espero que eu não pegue um papel muito ruim no sorteio. – ele mencionou, pondo as mãos sobre a cabeça e fitando o teto num olhar perdido.
— Certamente, James, você ficaria bem sendo a Ama da Julieta.
— Você está errado, Sirius; para isso, eu teria que me parecer com você.
Os dois se entreolharam e gargalharam gostosamente. Peter meneou a cabeça calmamente e prendeu o riso.
— Quem será que foi a Julieta? – James perguntou, ligeiramente intrigado. – Eu nem mesmo sei se a Evans chegou a se inscrever para esse papel.
Sirius sorriu meio amarelo e assentiu de leve. James se sentou na cama de modo brusco e o encarou com os olhos estreitados.
— Você está falando sério? – ele falou, ligeiramente rouco.
— Relaxa, James. Ela não vai ser a escolhida.
— Ah, é? – ele arqueou uma sobrancelha, por completo desconfiado. – E como você pode ter tanta certeza assim?
— Porque a Mckinnon é quem será a escolhida.
James ainda pareceu não acreditar.
— Sério, James. – Sirius disse num riso nervoso. – Por que você acha que eu me empenharia tanto para ganhar esse papel se não tivesse certeza disso?
— Vou acreditar em você. – ele resmungou, tornando a se deitar na cama. Sirius se despediu dele e de Peter, saindo do dormitório segundos depois.
***
A escolha do papel de Julieta fora feita um dia antes da do Romeu. Rita resolveu manter sigilo, comunicando a todos que os resultados de ambos seriam dados no mesmo dia que seria feito a escolha dos outros papéis.
Ainda sorrindo, Sirius abriu a porta da sala na qual seriam realizados os testes e se apresentou.
— Onde estão os outros? – ele perguntou, no tom mais inocente que conseguiu.
— Todos os outros desistiram. – Bertha disse num suspiro pesaroso. – Menos ele. – ela apontou para Lovegood, que acenou para Sirius, ao que o rapaz rapidamente retribuiu.
— Então, podemos começar?
— Não. – Rita desviou o olhar da cena que terminava de adaptar e lançou um olhar divertido para Sirius. – Ainda falta um concorrente.
Sirius arqueou uma sobrancelha, intrigado. Faltava mais um além do Lovegood?
— Quem? – indagou, um tanto quanto curioso.
— Eu. – uma voz conhecida soara atrás de si e Sirius voltou-se para ele num misto de surpresa e raiva.
— James Potter! – ele o encarou firmemente, ao que o rapaz apenas sorriu em resposta.
— Pelo visto ele acabou de chegar. – Rita se pronunciou, levantando-se calmamente da cadeira. – Então, podemos começar.
***
Sirius e James saíram juntos da sala e, enquanto o primeiro jorrava um infindável número de xingamentos e azarações para o seu amigo, este se dobrava de rir.
— Você precisava ter visto a sua cara quando me viu ali. – James disse ainda gargalhando.
— Você trapaceou! – ele bradou, furioso. – Potter, você me enganou esse tempo todo! Você é um ser desprezível! Eu devia te esganar agora mesmo, seu idiota!
— Pode me xingar mais, Sirius, eu deixo. – ele respondeu numa crise de risos. – Mas a sua feição vai ficar gravada na minha memória e me fazer rir todos os dias.
Sirius soltou um ruído que lembrava muito um rosnado e avançou para cima de James, que riu ainda mais quando percebeu que ele fez menção de esganá-lo, mas por fim passou a uma das mãos por um dos ombros dele e o puxou para perto de si.
— Devo confessar que, pela primeira vez na vida, você conseguiu ser mais esperto do que eu. – ele o mirou com certa curiosidade. – O que você fez?
— Fiz um acordo com a Skeeter. – ele sorriu meio de lado. – E se até agora ela cumpriu a parte dela, creio que não deva voltar atrás... – James passou a mão pelos cabelos e adquiriu um ar preocupado. – Agora, falando sério, Sirius. Você não está irritado comigo por causa disso, está?
— Bom... – ele falou pensativo. – Você ficou irritado comigo por causa do incidente da poção?
James pareceu avaliar a pergunta.
— Para ser sincero; eu fiquei no começo. – ele encarou Sirius firmemente. – Mas depois eu achei divertido e fiquei rindo comigo mesmo com o que você é capaz de fazer.
Sirius sorriu de forma enviesada.
— Então, eu posso dizer que sinto o mesmo no momento. – ele disse, rindo. – Aqueles pergaminhos que você tanto olhava eram as falas, não eram?
James assentiu.
— Diferente de você, eu me focalizei na cena que eu achei mais importante e me dediquei somente a ela. – ele sorriu de forma superior.
— A que eles declaram o amor que sentem um pelo outro. – Sirius disse num meio sorriso. – Eu gosto dessa cena... – ele esboçou um ar intrigado e mordeu o lábio inferior. – Não preciso nem perguntar quem vai ser a Julieta, não é?
James sorriu misteriosamente e os dois se entreolharam para, logo depois, gargalharem gostosamente.
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