Assim Morreram Romeu e Julieta
3 Ato I - Os Personagens / Cena III - Os Coadjuvantes
Notas iniciais
Ato I — Os Personagens
Cena III – Os coadjuvantes
—Explique-se. – Remus murmurou. Em resposta, Sirius lançou um sorriso inocente para o garoto de cabelos castanhos. – Eu sei que foi você. – ele completou, vendo que o amigo não iria se manifestar.
—Boa tarde para você também, Moony. – Sirius falou, enxugando os cabelos molhados e sentando-se na beirada da sua cama, enquanto Remus escorregava os pés para fora da sua e arqueava uma sobrancelha.
—Certo. – ele falou num ar sério. – Vamos começar novamente: Boa tarde, Pads! – ele falou numa falsa e esbanjada alegria. – Explique-se. – completou entre dentes.
—Explicar o quê? – Sirius esboçou um ar cínico. – Eu tenho alguma coisa para explicar ao Moony, Wormtail? – ele acrescentou, ao notar que Peter acabava de acordar e coçava os olhos, ainda desnorteado.
—Hum...? – foi a única coisa que ele conseguiu dizer, ao que Sirius revirou os olhos.
—Ele não colabora...
—Você quem não colabora, Sirius. – Remus murmurou, impaciente. – Explique-se.
—O que raios você quer que eu explique, Remus?
—Sobre ontem à noite. – Peter, já um pouco acordado, foi quem respondeu.
—E o que é que isso tem a ver? – ele riu fracamente. – Eu não sei de nada; eu não fiz nada. – completou num sorriso suspeito.
—Ah, não? – ele pôs a mão no queixo e adquiriu um ar pensativo. – Deixe-me ver... – ele fez uma leve careta. – Primeiro foi um sorriso, como esse que você está exibindo agora. – o sorriso de Sirius se alargou. – Depois instigando James, de modo implícito, a trocar as poções. – o outro maroto juntou as sobrancelhas, esboçando um ar angelical. – Em seguida o seu sumiço e, por fim, James entrando como um louco no dormitório e te esganando. – Padfoot cruzou os braços e umedeceu os lábios ligeiramente. – Qual foi a poção dessa vez?
—Amortentia. – a gargalhada estrondosa de Sirius ecoou pelo recinto. – Você precisava ter visto a cara do Prongs quando a minha priminha passou a persegui-lo. Foi hilário, Moony! — Remus apenas fechou a cara. – Foi uma das minhas melhores peças. Eu sou um gênio!
—Não foi só isso, foi? – ele disse com um pouco de receio.
—Seguiram-se Malfoy e Ranhoso depois. – ele tornou a rir. – Sendo que o último tentou tirar as calças de James. – Remus esboçou uma nítida careta e arregalou os olhos. – O mais interessante foi ver a Evans e minha adorável prima rolando pelo chão.
—Sinceramente, não sei como você ainda tem a cara-de-pau de se dizer amigo do Prongs.
Sirius riu.
—Ele me ama, é um maroto e meu cúmplice em traquinagens.
—Tirando o amar você, eu me encaixo perfeitamente nas opções citadas e nem por isso você me prega peças. – Remus avaliou com um meio sorriso. O de Sirius murchou automaticamente.
—Você pode ser o mais quieto dos marotos, mas é o mais perigoso quando resolve ser vingativo. – o tom que Padfoot usou foi de profunda hesitação e receio. Moony prendeu o riso. – Merlim me livre de mexer com você. – ele suspirou. – Já o James é meio óbvio demais nas suas vinganças; o que torna tudo muito fácil.
—Hum, tenho que concordar com você.
—Na parte em que você me lembra uma mente psicopata ou no James ser um completo imbecil?
Remus riu.
—As duas coisas. – ele encarou Sirius firmemente. – Mas, por que Amortentia?
—Estamos em janeiro, Remus. – ele sorriu bobamente. – O dia dos namorados está próximo. Eu sempre fico um tanto quanto romântico... – o amigo revirou os olhos.
—O que ocasionou uma romântica detenção para os outros, suponho. – Remus resmungou em resposta. – Por que vocês sempre fazem merdas e me carregam junto quando têm de conserta-las?
—Mas do que você está falando, Moony? – Sirius esboçou um ar intrigado.
—Eu, provavelmente, como monitor da Grifinória, terei que supervisionar a detenção. – Remus passou a mão pelos cabelos num ar nervoso. – Sonserinos e Grifinórios juntos não vai dar boa coisa, principalmente quanto eles atendem pelo nome de Severus Snape e James Potter. Entende a gravidade da situação?
—Hum, eu não tinha pensado nisso... – Sirius falou pensativo. – Eu estava me divertindo tanto que nem imaginei que isso aconteceria.
—Pois pensasse antes, Padfoot. — grunhiu Remus num revirar de olhos.
—Eu não acho que os sonserinos se atrevam a fazer nada. – estudou Peter com calma, se manifestando pela primeira vez naquela conversa. – Bom, o que eles menos querem é mais detenção, não concordam?
—É, pode ser... – Remus falou num suspiro. – Eu espero que você tenha razão, Wormtail.
—Apesar de quê, seria mais seguro que um professor fosse responsável pela detenção...
—Talvez optem por colocar monitores das outras casas, mas, mesmo assim... – Remus deu de ombros, ao que Sirius apenas sorriu marotamente. Havia tido uma ótima idéia.
***
—Não falei? – Remus resmungou, desabando no sofá.
Sirius parou de cutucar as cinzas da lareira com a ponta da varinha e voltou-se para o amigo com a sobrancelha arqueada. Peter mirou-o com uma contida curiosidade e tornou a ler o pergaminho sobre o seu colo.
—O que aconteceu? – os outros dois marotos perguntaram ao mesmo tempo.
—Remus Lupin, monitor, obrigações, detenção. – resumiu num bufo de raiva. – As pessoas escaladas são: James Potter, Bellatrix Black, Lucius Malfoy, Severus Snape e, ainda é difícil acreditar, Lily Evans.
Sirius apenas sorriu em resposta.
—Ela se atracou com minha prima, esqueceu? – Remus deu de ombros. – Só resta saber qual foi o real motivo dela preferido brigar com a Bellinha a estuporá-la de vez.
—Eu soube que ela beijou o James, é verdade? – Remus falou depressa, ficando ligeiramente vermelho de vergonha. Aquela pergunta fazia com que ele se sentisse um fofoqueiro; coisa que sua curiosidade, às vezes, lhe impedia de não ser.
—Qual das duas? – Sirius entoou em tom de mistério.
—As duas. – ele emendou, emburrado. – Eu sei que você está se contorcendo no lugar para contar isso, Pads, só estava esperando que alguém lhe perguntasse.
Peter abafou um riso ao notar que Sirius sorrira amarelo.
—Que eu saiba, foi somente minha adorável prima. A Lily esboçou uma feição bem estranha quando isso aconteceu; o que me gera certas desconfianças, que foram confirmadas quando ela e a Bella brigaram. – ele encarou Remus firmemente. – Moony, eu juro, parecia duas garotas brigando pelo mesmo homem. – Sirius riu. – Garanto que o James iria fazer aquela cara idiota quando percebesse isso, mas ele estava preocupado demais em manter suas calças longe de Snape.
—E como foi que essa confusão toda acabou? – Peter indagou, rindo, encarando Sirius firmemente.
—Não vi. – Sirius sorriu amarelo. – Estava muito ocupado vendo outra coisa. – completou num tom malicioso. – Eu não sabia que a Mckinnon freqüentava as festas do Slughorn também.
—Ela estava acompanhada? – Wormtail perguntou ao que Padfoot fechou a cara.
—Não precisa nem responder. – Remus comentou, ao que ele e Peter riram.
—Ah, parem vocês dois! – resmungou. – Remus, não está na hora da detenção? – desconversou, notando que realmente faltavam poucos minutos para as quatro. O amigo esboçou um ar entediado.
—Desejem-me sorte. – ele falou num tom arrastado, se levantando sem muita pressa. Peter sorriu em resposta, voltando a sua atenção para o pergaminho novamente.
—Sorte. – Pads falou, ao que Remus se dirigiu até o buraco do retrato. Sirius sorriu e sua feição tornou-se misteriosa e suspeita, como se estivesse prestes a aprontar algo. Peter, que até aquele ponto o encarava com curiosidade, meneou a cabeça e soltou um fraco riso. Eles jamais mudariam...
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