Assim Estava Escrito

29 O professor substituto


Notas iniciais
Olá pessoal, Peço desculpas pela demora mais uma vez. Estou atolada com algumas escritas profissionais, tentando equilibrar o tempo pra dar conta de tudo, mas não tem sido fácil. Mas essa fic é uma questão de honra! Agradeço por ainda estarem aí! Queria também agradecer à minha pequena, que com seu jeito todo carinhoso ainda me cobra a fic, e fica na expectativa por ela. Sei que algumas leitoras não querem ver Clarina ter problemas, então queria só aproveitar para esclarecer algo aqui. Normalmente, uma trama de TV ou cinema parte de uma situação inicial de equilíbrio. Daí acontece algo para desequilibrar tudo, e depois o equilíbrio retorna, seja voltando a uma situação inicial, seja uma outra situação. O que estou fazendo aqui é criar um pouco de desequilíbrio, para termos história por mais alguns capítulos, e então chegarmos ao fim da fic. Afinal, há vários capítulos está tudo bem no reino de Clarina, então precisamos de algo pra dar um ritmo pra história. Não se preocupem, essa fic aqui não vai partir pra nada extravagante, surreal ou mirabolante. São só alguns percalços que podem acontecer na vida de qualquer um. Confiem em mim! Boa leitura a tod@s! Espero que gostem!

Marina foi ágil e conseguiu segurar Clara antes que a morena chegasse efetivamente a encostar na modelo.

— Calma Clara! Não faz isso! — A fotógrafa pediu, empregando todas as forças do mundo para segurar a esposa enquanto Dani olhava a cena com um sorriso irônico no rosto.

— Hoje não Marina! Nem me segura! Hoje não! — Clara tentava se desvencilhar. — Eu vou mostrar pra essa desfrutável quem é que está intimidada.

As pessoas no Galpão já começavam a olhar, e a fotógrafa sentiu que não teria forças mais para segurar a mulher, visto que os braços dela já começavam a escorregar de suas mãos. Então Marina apelou para o único recurso que sabia que impediria a assistente:

— O Ivan está olhando Clara, não faz isso! — A fotógrafa sussurrou enérgica no ouvido da amada.

Só assim a morena parou de tentar se desvencilhar de Marina. Olhou para o lado e viu o filho olhando para elas. Cadu tinha buscado o garoto na aula e o levado para o Galpão, onde o menino se reencontraria com a mãe e a madrasta para então voltarem juntos para casa. O nervosismo era tanto que Clara esqueceu completamente da presença de Ivan ali. A morena fechou os olhos por um momento enquanto tentava retomar a razão. Lançou para Dani um olhar tão ameaçador, que não seriam necessárias mais palavras para expressar o que ela queria dizer. Olhou séria para a esposa e então voltou os olhos para o filho.

— Vamos pra casa meu amor?! — Perguntou, estendendo a mão direita para Ivan e pegando no chão a tela que Marina havia soltado enquanto tentava segurá-la.

Mesmo sem entender muito bem o que tinha se passado, o menino deu a mão para a mãe e seguiu com ela rumo à saída do Galpão, passando antes no Bistrô para pegar sua mochila e se despedir do pai. Marina, que também tinha o olhar sério, seguiu junto deles. A fotógrafa não disse uma palavra após a aproximação de Ivan, mas também lançou um olhar reprovador para a modelo e ex namorada, como se quisesse dizer: "Precisava disso?!". Sua expressão disse tudo. Não era preciso palavras.

Permaneceram em silêncio durante todo o caminho para Santa Teresa. Ivan percebeu uma tensão no ar, e não queria se arriscar a falar algo e ser repreendido. Preferiu se distrair com um joguinho portátil.

Marina voltou dirigindo e Clara sentada ao seu lado. A morena evitava o contato visual com a esposa. Optou por contemplar a vista da janela. Tinha o semblante fechado. A fotógrafa sentiu o clima e achou melhor não falar nada na frente do enteado.

Chegando em casa, a morena pediu que Ivan fosse tomar banho, e disse que depois ele poderia assistir um pouco de TV antes de dormir, já que o garoto havia feito as tarefas de casa ainda no Galpão.

Depois que entraram no quarto, Marina fechou a porta. Finalmente estava a sós com Clara. A morena andava de um lado para o outro.

A fotógrafa se aproximou da amada.

— Se acalma Clara. Não tem necessidade disso. — Marina tentou tranquilizá-la, causando o efeito exatamente contrário.

— Não tem necessidade disso?? Não tem necessidade disso?? — Clara falou mais alto. — Você diz isso porque não foi com você, não foi você que foi provocada como eu fui. — A morena se afastou da esposa e continuou andando pelo quarto. — Eu tô engasgada com essa mulher, que vontade de dar uma na cara dela. — A morena completou rangendo os dentes.

— E você acha isso certo?! — A esposa a questionou. — Aquele dia que eu briguei com a Vanessa aqui no estúdio foi você que nos separou, me segurou, me tirou dali. Não imaginei que logo você ia arrumar briga. E na frente do Ivan?! Já pensou na carinha dele vendo você brigar?! — As palavras de Marina desarmaram a morena. — Você não quer que ele cresça com esse tipo de exemplo, né?! — A fotógrafa olhou para a esposa.

O semblante da assistente mudou.

— Não, eu não quero isso não. — A morena respondeu, sentando na cama e caindo no choro.

Marina se ajoelhou no chão e se posicionou entre as pernas da esposa.

— Eu tenho ciúmes de você. — Clara continuou. — Eu fico mordida de pensar em você com aquela mulher. Me embrulha o estômago imaginar você com aquela desfrutável! — A morena voltou a se exaltar.

— Shhhh!! — A dona do estúdio selou os lábios da amada, como se pedisse para que ela não falasse daquele assunto mais. — Aquela história acabou meu amor. Há muito tempo. Não pensa nisso mais, por favor. — Clara desviou o olhar, mas Marina suavemente tocou o rosto da esposa e trouxe novamente os olhos dela ao encontro dos seus. — Ninguém vai encostar em mim mais Clara. Nunca mais. Só você meu amor. Eu sou sua e você é minha.

Só então a morena abriu um sorriso. Embora soubesse que ela e Marina pertenciam uma à outra, às vezes os fantasmas do passado insistiam em lhe rondar. Percebendo isso, a fotógrafa fazia questão de reforçar o amor das duas, para que a assistente não se esquecesse do sentimento que lhes unia.

Marina a beijou novamente. Seus lábios se tocaram de forma suave, e logo o beijo foi ganhando intensidade. A fotógrafa foi levantando aos poucos, e projetou seu corpo sobre o da morena, que deitou-se na cama. O beijo foi esquentando, e mesmo vestidas, Marina começou a esfregar seu corpo no de Clara. Ambas sentiam o sexo cada vez mais molhado. A assistente fez menção de começar a tirar a roupa da esposa, mas a fotógrafa segurou sua mão.

— O Ivan amor. — Marina falou.

— O que tem ele? — Clara cochichou. — A porta está fechada.

— Eu sei que está minha linda. Mas você não vai colocá-lo pra dormir?!

— Vou, vou sim. — Clara respondeu sorrindo. — Você me espera?! — A morena perguntou.

— Claro que espero amor! Lá no banho, com o corpo todo molhado, só pra você! — Marina falou provocando.

A morena suspirou. Seu sexo vibrou apenas pela lembrança da esposa nua. — Vou em um pé e volto no outro. — A assistente respondeu.

Marina deu passagem para que Clara se levantasse e a morena disparou para o quarto de Ivan, não sem antes selar os lábios da mulher novamente.

Chegando no quarto do filho, a morena viu que o garoto já começava a cochilar, ainda com a TV ligada. Desligou o aparelho e aproximou-se da cama do pequeno, sentando-se sobre o colchão. Ficou um tempo olhando Ivan, que pouco depois abriu os olhos.

O menino ficou feliz ao ver a mãe.

— Você quer comer alguma coisa meu amor?! — Perguntou Clara.

— Não mãe, o papai fez um sanduíche pra mim lá no Bistrô.

— Tomou banho diretinho?!

— Positivo! — Respondeu o pequeno.

— Escovou os dentes?!

— Sim senhora! — Replicou, fazendo continência em gesto de brincadeira.

— Mas olha só, já está um homem esse meu filhote! Se virando sozinho já! — Falou Clara. — Daqui a pouco nem vai aceitar os meus beijinhos mais, só das garotas do colégio. — A morena completou, fazendo cócegas no filho.

Ainda rindo, o pequeno respondeu.

— Eu quero os beijinhos de uma certa garota lá no colégio sim, mas sempre vai ter espaço pra você também mãe! — O menino afirmou, colocando um sorriso no rosto da mãe, que começou a enchê-lo de beijos.

— Então tá bom! Desde que eu possa continuar dando beijinhos, eu até aceito uma nora! — A assistente falou e deu uma piscada pro filho. — Agora te deixo dormir. — Clara beijou a testa de Ivan.

— Mãe, posso te perguntar uma coisa?!

— Claro que pode meu amor! — A morena respondeu.

— Você ia brigar com aquela moça lá no Galpão hoje?! O que ela fez?!

A assistente deu um suspiro e pensou rápido.

— Não meu amor, eu não ia brigar. É que aquela moça falou umas coisas que a mamãe não gostou e ficou nervosa, mas eu não ia brigar não. Eu perdi a cabeça por um instante, mas a Marina estava lá pra me ajudar a colocá-la no lugar. — O menino ouvia atentamente. — A gente precisa resolver as coisas na base da conversa, não da força, viu?! Quero que você se lembre sempre disso meu amor. — Ela completou.

— Vou lembrar mãe! — O menino respondeu com um sorriso. — Que bom que você não brigou!

— Isso não vai acontecer mais, tá?! — A morena declarou, e o garoto concordou com um aceno de cabeça.

— Agora boa noite meu amor!

— Boa noite mãe!

Clara apagou a luz e deixou o quarto do filho. Enquanto isso Marina se despiu no banheiro, tirou os acessórios e ligou o chuveiro. Pouco depois de ter entrado no banho, sentiu os braços da morena envolverem seu corpo. A fotógrafa fechou os olhos. Clara a abraçou por trás e começou a tocar seus seios, enquanto beijava seu pescoço e sua nuca.

— Como eu adoro esses seios minha linda! Desde a primeira vez que os vi, naquele dia em que estávamos sozinhas na praia. Fiquei encantada. — Clara sussurrou no ouvido da amada.

Marina virou de frente e com um sorriso nos lábios declarou:

— São só seus meu amor!

A morena sorriu e começou a beijar e chupar os seios da esposa. Depois subiu beijando o pescoço de Marina, até chegar em seus lábios.

Retomaram o beijo quente de alguns minutos antes. Marina esfregava sua perna no sexo da morena, que gemia de desejo pela esposa. Entre os amassos e beijos quentes, ensaboaram-se e enxaguaram-se. Deixaram as toalhas no banheiro e chegaram na cama já nuas, e quentes, muito quentes pelas carícias trocadas durante o banho.

A morena deitou-se na cama e Marina ficou sobre ela. As duas se olharam por alguns segundos. A fotógrafa sorriu.

— Você é tão linda Clara! — Elogiou. — Te amo e te quero demais! — Completou, fazendo com que a esposa abrisse um sorriso grande.

Marina voltou a beijá-la com intensidade. Esfregava seu sexo no da amada, que voltava a gemer com os arrepios gostosos causados por aquele contato. Quando seus lábios se separaram, a fotógrafa ajoelhou-se próximo aos pés da mulher. Beijou o pé esquerdo de Clara, e seguiu beijando toda a extensão de sua perna. Fez o mesmo gesto no pé direito. Quando passou pelo joelho, continuou lambendo a parte interna da coxa direita da morena, o que fez a assistente segurar o lençol com força. Sentia muito prazer nesta carícia. Marina beijou o sexo da amada, e o lambeu por dentro, sentindo o gosto da esposa, e percebendo também como ela já estava molhada.

Continuou o caminho beijando o abdômen da morena, até chegar a seus seios, que chupou com vontade. Clara se contorcia de prazer. Adorava sentir os lábios da mulher em seu corpo. Quando Marina voltou a beijá-la na boca, a assistente já estava louca de prazer e desejo.

— Me come gostoso! — A morena disse com sua sensualidade rouca.

— Você quer?! — Marina perguntou provocante.

— Muito! — Respondeu a assistente, quase suplicando.

A fotógrafa introduziu dois dedos na amada, com suavidade. A lubrificação era enorme, o que facilitou a penetração e o movimento dos dedos ali.

Marina também se encontrava no mesmo estado de prazer e desejo que a esposa. Sem avisar, Clara também penetrou a mulher, que estava tão molhada quanto ela. Marina sorriu gostoso:

— Amo quando você faz isso! — Declarou para a assistente. — Amo quando estou te comendo e você me come também.

A morena abriu um sorriso, feliz por já conhecer o que agradava a esposa. Ela e Marina tinham uma interação e uma cumplicidade que ela nunca sonhou ter com ninguém. Cada vez que faziam amor era mágico e especial.

Voltaram a se beijar, e a movimentar-se uma dentro da outra. Seus corpos estavam quentes e o frescor do banho recém tomado logo se transformou em suor. A penetração de uma na outra ficou mais intensa, e algum tempo depois Clara gemeu mais alto, e Marina sentiu o gozo da morena em seus dedos. Continuou a penetrá-la. A assistente também intensificou o movimento que fazia dentro da esposa.

Pouco depois, embora a fotógrafa permanecesse dentro de Clara, já não conseguia mais coordenar seu gesto. Apoiou sua testa na da morena e sussurrou:

— Não pára Clara! Não pára!

Ao ouvir o pedido da amada, a assistente aumentou a intensidade da penetração que fazia, mesmo estando sob o corpo de Marina.

— Assim, assim... continua, continua... não para, não pa... — E o grito alto de Marina ecoou pelo quarto.

A fotógrafa junto seu rosto no de Clara, e soltou uma risada gostosa, tanto pelo clímax recém alcançado, quanto por sentir mais uma vez o gozo da esposa em seus dedos, que permaneciam dentro da assistente.

— Que delícia amor, que delícia! — A fotógrafa exclamou, voltando a olhar para a amada, que tinha um sorriso aberto no rosto. — Ninguém nunca me teve, e nunca vai me ter como você Clara! Tenha certeza disso!

A morena sorriu feliz. As palavras de Marina lhe confortavam, assim como perceber como a esposa se entregava a ela, como era sua, como a amava e como era correspondida.

— Eu te quero só pra mim. Sempre. Não quero que ninguém te toque. Aquela vez que te vi na cama com a Vanessa aqui me doeu muito, ainda que depois você tenha dito que não estavam juntas. Não quero ver isso mais, não qu...

— Shhhh. — Marina colocou a mão suavemente nos lábios de Clara, desejando que a morena interrompesse aqueles pensamentos. — Isso não vai acontecer mais Clara. Nunca mais. Ninguém vai encostar em mim, ninguém vai dormir comigo. Tira esse pensamento da sua cabeça de vez. — A fotógrafa foi afirmativa.

A morena então abandonou o semblante de preocupação que vinha lhe acompanhando desde a tarde. Deitaram-se de lado, uma de frente para a outra. Marina envolveu a esposa com o braço esquerdo e seus corpos ficaram unidos. Beijaram-se com carinho.

— Te amo demais! — A fotógrafa declarou.

— Eu também meu amor! Mais do que você imagina! — Respondeu a assistente.

Encostaram novamente suas testas e assim adormeceram, na tranquilidade que apenas a companhia uma da outra podia lhes dar.

No dia seguinte, Clara acordou bem cedo. Vestiu-se e saiu do quarto em silêncio. Precisava levar Ivan para a escola. Marina ainda dormia profundamente.

Quando voltou para casa, a morena entrou no quarto devagar. Percebeu que a esposa ainda dormia, com a serenidade de uma criança. Era uma bela cena. A fotógrafa estava nua, de bruços, com o rosto voltado para o lado direito da cama e o lençol cobrindo apenas seu quadril. Sua beleza marmórea estava à vista em suas pernas e costas descobertas. O cabelo solto, jogado para trás e algumas mechas sobre o rosto completavam aquela bela vista.

Clara pensou: "Ela adora dormir nesta posição. E fica tão linda assim. Linda demais. Se eu pudesse eternizava essa imagem pra poder sempre lembrar dela assim".

Foi como se uma luz se acendesse sobre a cabeça da assistente. "É isso, eu vou pintá-la nessa posição!" A morena decidiu então começar imediatamente o exercício da aula de pintura. Saiu do quarto pé ante pé e voltou da mesma forma, já com o cavalete, o quadro em branco e os materiais que precisava para começar o esboço. Ainda era cedo. Sendo uma posição que a esposa gostava tanto de dormir, Clara confiava que não seria difícil que ela permanecesse assim até a hora de acordar.

Posicionou o cavalete de forma que conseguisse obter o melhor ângulo, conjugado com a luz que àquela altura já entrava pela janela do quarto. De fato era uma bela cena, onde podia-se perceber a graciosidade de cada contorno do corpo de Marina. A assistente fez o registro fotográfico, conforme solicitado pela professora, e começou então os primeiros traços na tela branca.

Passado pouco mais de uma hora, Clara já tinha o esboço dos elementos principais da cena. Nem acreditou que tinha conseguido fazer tudo antes da esposa acordar.

Só então Marina começou a se mexer e a despertar de um sono profundo e relaxante. Clara se aproximou dela e se ajoelhou no chão, ao lado da cama.

— Bom dia meu amor! — Falou a morena, selando-lhe os lábios.

— Bom dia minha linda! — Respondeu a fotógrafa, abrindo os olhos e sentindo a claridade que já havia anunciado o dia. — Tem muito tempo que você acordou?! — Questionou.

— Tem um tempinho já! — Clara respondeu soltando uma risada.

Marina passou a mão em seu próprio rosto e foi se virando de lado.

— Nossa, acho que perdi a hora hoje! — Falou preocupada quando percebeu o cavalete no canto do quarto. — O que aquele cavalete está fazendo ali?! — A fotógrafa perguntou surpresa.

— Ué, você não falou que ia posar pra mim?! — Clara respondeu sorrindo. — Eu comecei a esboçar a pintura da minha linda modelo! — Declarou dando um beijo na esposa.

— Mas assim, sem produção, descabelada desse jeito?! — Perguntou Marina, achando graça.

— Está linda assim! Linda de morrer!

— Ah Clara, você fala isso porque você me ama...

— Eu te amo sim! Mas falo isso porque está linda demais meu amor! É linda demais! — A morena elogiou. — Eu fui levar o Ivan na escola e quando voltei você estava aí, deitada de bruços, nessa posição que gosta tanto. Nua, linda, com o lençol apenas sobre o quadril. Achei que era a cena perfeita para o meu quadro! Então comecei a te pintar! — A assistente explicou.

— Sério amor?! Bom, se você gostou da cena, tudo bem. Aqui você é a artista e eu apenas sigo as suas orientações! — Marina se colocou à disposição. — Agora me deixa ver como está ficando. — A fotógrafa pediu.

— Não senhora. De jeito nenhum! Aí não tem graça. Só quando estiver pronto! — Clara afirmou.

— Ah não. Sério amor?! Você vai me matar de curiosidade assim?! — Marina suplicou.

— Vou sim senhora! — Clara foi enfática. — Lembra aquela vez no meu aniversário que você só me deixou ver os painéis na hora da festa?! Então. Só vou te deixar ver na hora que estiver pronto amor! Senão não tem graça. Vou deixar o quadro ali no cantinho até quinta-feira na hora de ir pra aula. Não é pra espiar viu?! — A fotógrafa fez uma cara de criança quando leva bronca. — Promete que não vai espiar?! — A morena perguntou para a esposa.

— Prometo amor! — Marina confirmou. — Agora vem cá — puxou a esposa para a cama, ficando sobre a assistente — que eu vou te dar um belo corretivo por estar me pintando às escondidas. — A fotógrafa riu, fazendo Clara soltar uma bela gargalhada. Se amaram gostoso mais uma vez antes de começar o dia de trabalho no estúdio.

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Já era quinta-feira e Clara pegou os materiais de sua aula. Embrulhou a tela em um lençol branco e foi para o estúdio onde Marina a esperava para seguirem juntas rumo ao Galpão. A fotógrafa sorriu quando viu a tela embrulhada, lembrando-se das recomendações da esposa para que ela não visse o trabalho antes que ele estivesse pronto.

Dentro do carro conversaram sobre as atividades daquela tarde.

— Então hoje continuaremos o exercício da pintura, mas já sem a presença da modelo vivo, graças a Deus! — Clara exclamou. Estava aliviada de não precisar mais olhar pra cara da ex de Marina. — E a Regina vai apresentar um professor novo que vai substituí-la por algumas aulas.

— Ah é?! Mas por quê?! O que aconteceu?! — A fotógrafa questionou.

É que ela vai para a abertura de uma exposição em Portugal, onde farão uma retrospectiva do trabalho de vários artistas que pintam retratos. E haverá lá diversos quadros da Regina. Então ela participará da abertura e vai aproveitar e descansar umas 2 semanas por lá. — A morena explicou.

— Faz muito bem! — Marina disse. — E esse professor substituto, como é?! — A fotógrafa se mostrou curiosa.

— Não sei nada dele ainda, só que foi aluno da Regina e a ajuda em algumas aulas de vez em quando.

— Bom, se é recomendado pela Regina, certamente é um bom professor. — Marina exclamou, sem ter ideia do que a chegada do professor substituto causaria em suas vidas.

Quando Clara entrou na sala, Regina já estava lá com o novo professor. Assim que a classe teve início, ela o apresentou para a turma.

— Pessoal, esse é o Juan, Juan Garcia, professor que irá me substituir nas próximas duas semanas de aula, por conta de uma viagem que farei por alguns dias. — Regina o apresentou. — Apesar dos sobrenomes iguais, não somos parentes, mas o Juan foi um aluno querido, de muito destaque e muito talento, um excelente pintor e professor.

O rapaz, que deveria ter aproximadamente 35 anos, ficou um pouco sem graça com tantos elogios. Agradeceu as palavras da professora e começou a conversar com a turma, visto que a proposta era que ele conduzisse a aula já naquele dia. Sua voz serena mantinha os alunos atentos, e chamava atenção a propriedade com que ele falava de pintura, além dos belos olhos castanhos. Juan tinha nascido no Brasil, mas era filho de argentinos, e possuía traços latinos muito bem delineados em seus 1,85m de altura. Cabelos lisos, na altura da orelha, partidos ao meio e jogados para trás. Era um homem bonito, e chamou a atenção de várias alunas logo de cara.

Charmoso, ele percebia os olhares. Envaidecia-se com isso, mas seu olhar se voltou especialmente para uma aluna ali: Clara.

Desde o minuto em que a morena entrou na sala, ela chamou a atenção do professor. Enquanto ele dava as explicações para a aula daquele dia, sempre voltava seus olhos para ela, que em sua ingenuidade, não conseguia diferenciar o olhar atento de um professor, do olhar de desejo de um homem. Os olhares de Juan não eram explícitos, e ele disfarçava bem, mas qualquer mulher um pouco mais maldosa teria os percebido. Não era o caso de Clara.

A morena posicionou sua tela no lugar, e foi ouvindo atentamente as explicações de Regina e de Juan, que orientavam como as pinturas seriam desenvolvidas a partir da observação da cena que eles retrataram. Junto com os colegas a assistente começou os trabalhos daquela tarde.

Os professores circulavam pela sala observando o desenvolvimento das pinturas e passando orientações individuais. A esposa de Marina estava compenetrada e nem percebeu a chegada de Juan, que se aproximou de suas costas.

— A sua modelo parece diferente da que os outros alunos pintaram. — O substituto atento observou.

Clara sorriu com a lembrança da fotógrafa na cama aquela manhã.

— É sim, essa modelo aqui posou só pra mim! — Falou orgulhosa ainda olhando para a tela.

— Ah é?! E como você conseguiu essa exclusividade e esse privilégio de uma modelo só pra você?! — O professou perguntou tentando jogar seu charme, ainda sem imaginar a resposta que receberia.

— Essa linda modelo é minha mulher! — A morena respondeu sem titubear, cheia de orgulho da bela esposa.

Juan tentou disfarçar seu constrangimento por estar flertando com uma mulher que revelou ser gay. A verdade é que ele não se importava em jogar seu charme para uma pessoa que parecia muito bem casada e feliz, como ele mesmo já tinha feito em outras oportunidades. O que o incomodou ali foi perceber que Clara era alguém que não daria chances a um homem.

— É uma linda mulher! — O substituto exclamou ainda um pouco sem graça.

— A mais linda que há! — A morena completou. Nesta hora, se virou para o professor. — Prazer, eu sou a Clara! — Apresentou-se sorrindo.

— Prazer Clara! Eu sou o Juan! Fico à disposição para qualquer dúvida que tiver, ok?! — Completou resignado, já sabendo que não era ali que ele teria novas conquistas.

— Obrigada! — Respondeu a assistente, voltando a trabalhar em sua tela.

O professor continuou a circular pela sala, conversando e orientando os demais alunos, e trocando algumas impressões com Regina em alguns momentos.

A aula transcorreu normalmente e a professora se despediu dos alunos, combinando com todos como seria o desenvolvimento das aulas nas próximas duas semanas em que a turma estaria sob os cuidados de Juan.

Após a aula de pintura, Clara direcionou-se para a turma avançada de fotografia. Deixou a tela na sala de aula, longe do olhar curioso da fotógrafa.

Ao final da tarde, foram até o Bistrô encontrar-se com Ivan para voltarem juntos para casa. O menino já havia lanchado, mas as duas sentaram-se e aproveitaram para comer um sanduíche também.

Já se preparavam para deixar o restaurante quando depararam-se com o professor substituto, que procurava algo para comer. Juan percebeu que Clara estava com a família. Cumprimentaram-se e a morena logo se ocupou das apresentações.

— Amor, este é o Juan, o professor que vai substituir a Regina nas próximas 2 semanas. — A assistente falou para Marina, que cumprimentou o rapaz. — E este é o Ivan! — Falou apresentando o filho.

Simpático como sempre, o menino apertou a mão do professor.

— Que bela a sua família Clara! O filho de vocês é uma graça! — Juan elogiou.

— É uma linda família sim! — A morena concordou orgulhosa. — E queremos aumentá-la ainda mais, não é amor?! — Clara falou tocando o rosto de Marina carinhosamente. — O Ivan é filho do meu primeiro casamento. O pai dele é o Cadu, que você vai conhecer, o dono do Bistrô aqui! — A assistente completou, reacendendo em Juan a possibilidade de continuar seu flerte, visto que a mulher que tinha chamado sua atenção já havia sido casada com um homem.

O professor se despediu deles e ficou observando a família deixar o Galpão, com inúmeros pensamentos misturando-se em sua mente. Sabia que o desejo que Clara lhe despertava não era certo, mas também não demonstrava vontade de controlar esse desejo, apenas saciá-lo.

Na volta pra casa a assistente e a fotógrafa conversavam sobre as aulas daquela tarde. Marina falou dos exercícios que tinha pedido para a turma do básico, e dos resultados que os alunos haviam apresentado, e Clara contou do andamento no trabalho com a tela, e do professor substituto.

— Então, hoje foi a primeira aula com o professor que você conheceu lá no Bistrô, que vai substituir a Regina por duas semanas. — A morena disse.

— A Regina já viajou?! — Marina questionou.

— Não, ela ainda veio hoje, pra passar as coisas para o Juan.

— Juan... Nome de conquistador hein?! — Marina exclamou. — Devo me preocupar?! — A fotógrafa perguntou, num tom de brincadeira mas com fundo de verdade.

— Para sua boba! Claro que não! Eu só tenho olhos pra você, minha modelo, minha musa, meu amor!! — A assistente respondeu se declarando.

Marina sorriu feliz com as palavras da esposa. Mas ainda desconfiada, continuou:

— Espero que ele também saiba que você só tem olhos pra sua esposa! — Falou com um ar de ciúmes.

— Sabe sim minha linda! Ele viu a tela que estou pintando, e eu falei com ele que a modelo é a minha linda mulher! — A morena continuou mimando a fotógrafa, que então abriu um sorriso grande. — Agora você ficou feliz né?! — Perguntou.

— Ué, você acha que é só você que sente ciúmes?! — Marina perguntou, fazendo Clara se lembrar da aula passada.

— Nossa, nem me fale. Vamos deixar esse ciúme pra lá, pois só quero saber de nós, ninguém mais! — A morena afirmou, piscando para a esposa.

Então deixaram o assunto 'ciúmes' pra trás e seguiram pra casa conversando animadamente.

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Clara estava feliz e aliviada por não ter tido mais notícias de Dani, embora tivesse o desprazer de ver a imagem da modelo toda vez que olhava para a tela de algum colega da aula de pintura. As próximas semanas transcorreram normalmente, com a morena quase finalizando o trabalho com a tela que havia feito de Marina. O professor substituto estava constantemente a observar a beleza da aluna, e sempre que possível, se aproximava para lhe dar alguma dica, ou passar orientações. Embora sentisse em Clara uma pessoa muito aberta e fácil de se aproximar, não via espaço para nada além de uma amizade.

Duas semanas se passaram e Juan dava a última aula antes da volta de Regina. Agradeceu a todos da turma pela recepção, e orientou que finalizassem o trabalho na aula seguinte, já com o retorno da professora. Dispensou a classe, e viu que Clara ainda não tinha recolhido seu material. Pelo contrário, a morena continuava a trabalhar em sua tela, mesmo após a saída dos colegas.

— Vai ficar aí hoje?! — Juan perguntou.

— É que eu estou quase acabando um último detalhe aqui. Queria aproveitar o embalo, e assim terminaria minha tela antes mesmo da Regina voltar. — A morena completou.

— Olha só que aluna exemplar! — O professor elogiou. — Então eu fico aqui pra te fazer companhia.

Juan sentou-se em uma cadeira próxima e ficou a observar a morena. Clara estava tão compenetrada que esqueceu da aula seguinte com Marina, e nem se lembrou de avisar a esposa que ficaria por ali.

Na classe de fotografia, logo que os alunos entraram e tomaram seus lugares na sala, Marina sentiu a ausência de Clara. Olhou pela porta e viu que a morena não estava por perto. Cogitou procurá-la, mas não quis deixar a turma esperando. Pensou: "logo ela chega aqui!". Mesmo inquieta pelo atraso da morena, resolveu dar início à aula.

Acabou se distraindo ao apresentar um novo tema para a classe, e nem viu o tempo passar. Quando olhou para o relógio, o fim da aula se aproximava. Disse aos alunos que continuaria a falar de iluminação na semana seguinte, e encerrou a classe. Olhou no celular e não havia nenhuma mensagem da morena. Resolveu que iria então até a sala de pintura para saber o que tinha se passado. Começou a guardar suas coisas para sair.

Na outra sala, Clara trabalhava em um último ajuste no acabamento da tela. O professor lhe explicou que aquele tipo de detalhe era necessário fazer com um outro pincel, que ele tinha entre seus materiais. Pegou o instrumento e o emprestou à morena.

Clara segurou o pincel, molhou-o na tinta e se aproximou da tela.

— É preciso que essas pinceladas sejam bem suaves, para conseguirem dar o efeito de luz que você quer para a cena. Pegue o pincel assim. — O professor instruiu, aproximando-se das costas de Clara. Então segurou a mão em que a morena carregava o pincel.

Levou a mão da aluna até bem próximo da tela, e ainda a segurando, começou a pincelar com ela os detalhes que faltavam.

O perfume da morena inebriou o professor, que sem pensar se aproximou da nuca da assistente e sentiu seu perfume com mais intensidade. No mesmo instante Clara percebeu o movimento estranho e se virou para ele dizendo:

— Olha, acho que você está confun... — A fala da morena foi interrompida pelo beijo de Juan, que a tomou de surpresa.

Na mesma hora, Marina abriu a porta da sala de pintura, e vislumbrou a cena que tirou todo o seu chão.

Notas finais
Até mais pessoal! Não deixem de comentar!! Twitter: @marcellasfr :D Próximo capítulo: Uma noite pra esquecer Capítulo 29 postado em 11 de junho de 2016.