Notas iniciais
Olá pessoal! As coisas ficaram meio tensas para nosso querido casal, não é?! Vamos direto pro capítulo pra ver o que vai rolar! Boa leitura! Comentem à vontade!

Em choque, Clara permaneceu alguns segundos olhando fixamente para Marina. Logo as lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.

— Clara, vamos conversar, não é o que você está pensando. — Falou a fotógrafa com a voz trêmula, sentada sobre a cama, segurando junto ao peito o lençol que tampava seu corpo nu. A fotógrafa tinha um olhar de súplica, mas de nada adiantaram suas palavras, pois o pensamento de Clara estava completamente atordoado. — Meu amor, me ouve, a gente precisa... — Marina tentou mais uma vez ser ouvida, mas a morena simplesmente lhe deu as costas e saiu.

Passou pela sala onde Dani ainda tentou lhe interpelar:

— Olha... — a modelo tentou falar.

— Eu só não dou na sua cara pois estou dentro da sua casa. — A morena falou interrompendo Dani. — Mas experimenta se dirigir a mim fora daqui. — Clara ameaçou com raiva.

A modelo se calou.

A mulher de Marina desceu pelo elevador. Estava uma pilha. Passou como um foguete por Vanessinha no hall do prédio.

— Clara, você encontrou a Marina? Me espe... — A ruiva foi atrás dela, mas antes que terminasse sua frase, a assistente já havia entrado no veículo e arrancado o carro.

Momentos depois Marina apareceu na porta do prédio, toda despenteada, terminando de ajeitar as roupas que vestira correndo.

— Marina, você está bem?! — perguntou a amiga.

— Não Vanessa, mas vamos embora logo antes que aconteça o pior. Dirige pra mim, por favor, estou meio zonza ainda. No caminho te conto tudo. Bom, pelo menos a parte que eu me lembro. — A fotógrafa olhou para a ruiva, que logo percebeu o tamanho do problema ali.

— Pra onde vamos Marina?! — A ruiva questionou.

— Pra casa Vanessinha. É pra onde eu penso que a Clara foi. Preciso conversar com ela. — A fotógrafa afirmou.

— Engraçado que ontem eu estava com a Clara no carro e ela estava loucamente te procurando para se explicar. Agora é você quem quer fazer isso. Vocês não se cansam desse esconde-esconde não?! — Vanessinha perguntou com seu habitual tom irônico. Porém, Marina lançou sobre ela um olhar sério, que fez com que a ruiva sentisse o peso e a seriedade da situação. — Mas afinal, por que a Clara saiu correndo desse jeito?! O que ela viu?!

Nesse momento, Marina suspirou alto.

— Quando a Clara abriu a porta do quarto da Dani, eu tinha acabado de acordar nua na cama dela. — A fotógrafa falou de uma vez.

— O quêeeee?! — Vanessinha perguntou assustada freando o carro repentinamente, levando as duas a segurarem no painel do veículo. — O que é que você fez Marina?!

— Eu não sei Vanessinha! Eu não sei... Eu estava louca porque vi a Clara beijando um cara lá no Galpão, daí saí vagando por aí e acabei encontrando a Dani naquele bar que costumávamos ir. Lá eu fui bebendo, bebendo, e daí eu não me lembro de mais nada Vanessinha. Só lembro de acordar na cama da Dani pouco antes da Clara abrir a porta. E o resto você sabe.

— Meu deus Marina, o que que você fez... — Vanessa falou a recriminando.

— Eu sei Vanessinha. Eu sei que errei. Mas eu tinha visto a Clara beijar outro homem, eu fiquei louca. — A fotógrafa tentou se justificar, apesar de estar ciente da bobagem que fez.

— Marina, a Clara não beijou ninguém. — Vanessa falou enérgica. A ruiva seguiu caminho e foi explicando para a fotógrafa tudo que Clara havia lhe contado. Falou também sobre a saga das duas na busca por Marina naquela noite e o desespero da assistente.

Aos poucos a fotógrafa foi percebendo o que tinha se passado e seu sentimento de culpa ficou ainda maior. Chegando em Santa Teresa, lá estava o carro de Vanessinha que havia sido dirigido por Clara.

A fotógrafa saiu da garagem e subiu correndo as escadas de sua casa. Encontrou Clara no quarto, terminando de fechar a mala com suas coisas.

— Clara, não faz isso, pelo amor de Deus. Vamos conversar! Eu te amo mais do que tudo nessa vida Clara! Eu sonhei tanto com uma vida ao seu lado. Por favor, me ouve. — Marina falava desesperada chorando.

Clara estava dura, seca, impassível. Sonhava com toda uma vida ao lado da fotógrafa, por quem ela havia enfrentado seus medos mais profundos. Porém, naquele momento a única coisa que ela tinha na cabeça era a imagem de Marina nua na cama de outra mulher. A imagem que havia sepultado nela todos os sonhos que construiu ao lado da amada. A morena tinha um olhar rancoroso quando se dirigiu até Marina pela primeira vez desde que tudo aconteceu naquela manhã:

— Engraçado que ontem eu implorei pra você me ouvir e você me negou esse direito. Hoje é você quem pede para ser ouvida. Pois bem, eu vou te dar esse direito que você me negou. Então me fala Marina. Me fala o que eu quero ouvir. Fala: "Clara, eu não dormi com aquela mulher!". Só isso que te peço pra me dizer. — A morena afirmou mantendo-se seca e dura.

Marina apertou os lábios e as lágrimas começaram a descer sem parar. A fotógrafa abaixou a cabeça e a balançou de um lado para o outro em sinal de negativo.

— Me desculpa. — Marina pediu chorando. A fotógrafa sentou-se na cama em prantos.

— Foi o que eu imaginei. — Clara respondeu com tristeza. Pegou sua mala e saiu. — Depois eu volto para pegar o restante das minhas coisas e também as coisas do Ivan. — Clara completou já engasgada e com lágrimas nos olhos. Desceu as escadas e chegando lá embaixo, pediu para Vanessa levá-la para a casa de sua mãe.

— Tem certeza Clara?! — A ruiva quis se certificar.

A assistente apenas acenou positivamente com a cabeça. Entraram no carro e partiram. Marina observou a cena da janela de seu quarto. Há um dia vivia seu sono mais feliz e agora passava por seu pior pesadelo. Ajoelhou-se no chão e deixou as lágrimas caírem. Ficou por ali mesmo, no chão frio e duro ao lado da janela.

Foram em silêncio durante todo o caminho. Clara não queria falar sobre o assunto. Chegando ao Leblon, Vanessa deixou a morena na casa de Chica. Quando voltou a Santa Teresa, sua namorada a esperava do lado de fora do estúdio.

— E aí Flavinha, como ela está?! — A ruiva perguntou referindo-se a Marina.

— Não saiu do quarto mais. — Respondeu a assistente.

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Marina ficou trancada em seu quarto pelo resto do dia, deitada na cama, oras reflexiva, oras um pouco chorosa por tudo que tinha acontecido. Em meio à dor de cabeça que sentia, resquícios da bebedeira do dia anterior, tentava reconstituir em vão o que tinha acontecido desde a boate até o momento em que Clara a encontrou nua na cama de Dani. Simplesmente não conseguia se lembrar. E a imagem que não conseguia tirar de sua lembrança agora era o olhar decepcionado da esposa ao vê-la na cama da ex. Esse momento Marina não conseguia esquecer. E foi assim durante todo o dia e toda a noite. Quando o sol começou a raiar no dia seguinte, Marina decidiu ir atrás de Clara. Ela não podia aceitar assim o fim do casamento e a perda do amor de sua vida.

Levantou-se, tomou um banho e foi até a garagem pegar o carro. Encontrou Vanessinha no caminho, quando esta chegava para trabalhar.

— Como você está Marina? Ficou trancada ontem o dia inteiro no quarto, não quis comer, não quis conversar, fiquei preocupada com você. — A ruiva afirmou.

Marina tinha olheiras e um semblante bem abatido.

— Só vou ficar bem quando tiver a Clara aqui de volta Vanessinha. Então eu preciso ir lá batalhar por ela e por nosso casamento. — A fotógrafa estava decidida.

— Mas você não acha melhor esperar a poeira baixar? — Questionou a ruiva.

— Não posso esperar Vanessinha. Não vou conseguir me tranquilizar enquanto eu não for lá. — A fotógrafa respondeu esperançosa.

— Tá bom. — Vanessa desistiu de argumentar. — Você quer que eu te leve lá? — Ofereceu a amiga.

— Não Vanessinha. Te agradeço de coração, mas preciso fazer isso só. — A fotógrafa falou confiante.

A sócia se aproximou e deu um forte abraço em Marina, mostrando para a amiga todo o apoio que ela teria ali.

A esposa de Clara então partiu para o Leblon. Chegando ao prédio da família Fernandes, cumprimentou o porteiro, que já a conhecia, e informou que iria até o apartamento de Chica. Tomou o elevador e foi até o andar da sogra. Lá chegando, tocou a campainha e não demorou muito para que a porta se abrisse. Para surpresa da fotógrafa, a própria mulher a recebeu ali. Mas logo Marina percebeu que Clara não estava tão receptiva assim.

— Eu pedi pra você não me procurar né Marina?! Por quê você insiste?! — A morena falou nervosa, sem convidar a esposa para entrar.

— Eu não quero te perder Clara! Você é o amor da minha vida! — Marina se declarou.

— E eu achava que você era o amor da minha vida Marina. — Clara falou com a voz embargada. — Até te ver na cama de outra mulher. — A morena estava desolada por dentro, mas foi firme nas palavras.

As palavras da assistente bateram forte em Marina. A fotógrafa ficou sem reação, custou a segurar as lágrimas que voltavam a querer cair. Clara percebeu que suas palavras mexeram com a esposa.

— Olha Marina, eu preciso ficar só. Se insistirmos em conversar, só vamos nos machucar ainda mais. Por favor, peço que você vá agora. E não me procure mais. — Clara foi assertiva. As lágrimas da fotógrafa desciam sem freio. — Por favor, vai. — Pediu Clara pela última vez.

Sem conseguir reagir, a fotógrafa mordeu os lábios e acenou positivamente com a cabeça, concordando com o pedido da mulher. Sem chegar a entrar no apartamento de Chica, voltou para o elevador. Levantou os olhos apenas para olhar a esposa pela última vez e então apertou o botão do térreo.

Clara se segurou até a porta do elevador fechar. Assim que perdeu a esposa de vista, as lágrimas da morena também começaram a descer. Fechou a porta do apartamento da mãe. De costas para a porta, foi descendo lentamente até chegar ao chão. Estava arrasada.

Sentiu tanta vontade de abraçar e beijar Marina, mas a imagem da esposa na cama de outra mulher a perturbava a ponto de impedir qualquer ação de reconciliação. Clara mantinha-se dura por fora, mas por dentro estava destruída.

Marina saiu do elevador em prantos. Passou como uma bala pelo porteiro até dar de cara com a sogra na porta do prédio. Chica logo percebeu o que tinha se passado. Lamentava ver a filha sofrer, mas percebeu ali que mesmo que Marina tivesse pisado na bola, a fotógrafa estava sofrendo muito também. A matriarca da família Fernandes olhou nos olhos da nora, que deu um forte abraço na mãe de Clara.

— Lembra quando você foi me ver lá em casa no dia do casamento Chica, quando você falou que se eu precisasse de um ombro de mãe eu podia contar com você?! — A fotógrafa falou em meio às lágrimas.

— Claro que lembro meu amor! — Respondeu Chica carinhosamente mantendo Marina em seu abraço.

— Então Chica, eu tô precisando muito de um ombro de mãe agora! — Marina declarou. Suas lágrimas caíram ainda mais.

— Eu sei, eu sei. — Respondeu a sogra. — E eu tô aqui. — Chica afirmou, abraçando a nora com mais intensidade.

Quando as lágrimas da fotógrafa diminuíram um pouco, a mãe de Clara a chamou para irem até a casa de leilões. Queria que Marina tomasse uma água, se acalmasse. Buscava também um espaço para conversarem com maior privacidade.

Marina então contou tudo que tinha se passado. Chica já conhecia a versão da filha e agora tinha a oportunidade de ver os fatos pela ótica da nora. Embora entendesse a motivação de Clara para sair de casa, tentou não julgar a nora. Não estava ali para isso. E acima de tudo, estava sentida pela separação das duas, pois acreditava mesmo que a filha tinha encontrado a felicidade maior ao lado da fotógrafa. Além disso, nunca tinha visto Marina tão fragilizada, o que a impedia de falar qualquer coisa que não fosse para amenizar a situação.

— Marina, a Clara está muito aborrecida, devastada. Ontem ela pediu ao Cadu para buscar o Ivan na escola, para que ele não visse o estado em que ela estava. Quando ela chegou aqui com as malas, só conseguiu me abraçar e chorar muito. Chorou o dia inteiro. Só à noite consegui fazer com que ela comesse algo. Fiz com que ela tomasse um chá para se acalmar. Foi então que conseguimos conversar. Ela deitou em meu colo e com muito custo consegui fazê-la dormir um pouco. Nunca tinha visto minha filha assim. E agora vejo que você está tão arrasada quanto ela. Me dói muito ver vocês assim, vocês se amam tanto. — As lágrimas que Marina conseguiu segurar por um tempo agora voltavam a cair. — Independente do que tenha acontecido, eu sei que vocês vão se entender. Mas dê um tempo pra ela agora Marina. Está tudo muito recente, a dor está forte. Não há nada que o tempo não coloque no lugar. Confia em mim. — Chica pediu olhando nos olhos da nora.

Marina concordou com a cabeça. Por mais que a ideia de ter que dar um tempo para Clara lhe doesse, ela sabia que era o melhor a se fazer. Deu um forte abraço na sogra. Agradeceu pela conversa e partiu de volta ao bairro de Santa Teresa. Estava triste, mas agora com um fio de esperança de que tudo pudesse voltar ao lugar, conforme a experiência de Chica já havia lhe dito.

Notas finais
Até amanhã pessoal! Não deixem de comentar!! Ainda temos mais 6 capítulos de "Assim Estava Escrito"!! Próximo capítulo: O que os olhos veem o coração sente Capítulo 31 postado em 18 de setembro de 2021.